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Tribuna do Movimento: É preciso se insurgir contra a perseguiçao politica

Reproduzimos abaixo o editorial de Tribuna do Movimento , texto original aqui

Gabriel Araújo

Desde 2014, diversos elementos com maior grau de consciência política e de combatividade, tem denunciado que o golpe de Estado levaria o regime político nacional para uma ditadura fascista. Os fatos que vem acontecendo de lá para cá, não deixam dúvidas de que no país existe um regime político de força e de exceção, onde as organizações de esquerda vem sendo massacradas por diversos ângulos.

Essa situação, ganhou maior evidência nos últimos meses, onde diversos elementos da esquerda tem sido atacados por vários organismos estatais e paraestatais, com variadas formas.

O Partido da Causa Operária (PCO) teve suas redes sociais retiradas do ar e enfrenta dois processos na justiça, sendo um no STF e outro no TSE. O Partido Socialista Unificado dos Trabalhadores (PSTU), foi atacado pelo TSE por meio de uma multa exorbitante que pode inviabilizar a sua atividade política. O vereador do Partido dos Trabalhadores, Renato Freitas, foi cassado em Curitiba-PR, por conta de uma mobilização política. O Deputado Federal Glauber Braga (PSOL) sofre processo por suposta quebra de decoro parlamentar apenas por fazer questionamentos ao Presidente da Câmara dos Deputados Federais, Arthur Lira (PP). A Deputada Estadual de São Paulo, Isa Penna (PSOL), também é alvo de processo por quebra de decoro, por ter questionado um delegado da Polícia Civil. O Guarda Municipal, Marcelo Arruda, que era tesoureiro do Partido dos Trabalhadores em Foz do Iguaçu-PR, foi assassinado por um policial fascista em sua festa de aniversário. Diversos fascistas tem ousado atacar as mobilizações e atividades da campanha do Presidente Lula. Três dirigentes do MNLM estão sendo perseguidos na CPI da Moradia no Rio Grande do Sul. Julian Assange será extraditado para os EUA.

Todas essas ações vem ocorrendo de maneira simultânea. A maior vitória dos fascistas, não reside no fato de ter colocado Bolsonaro no poder executivo, ela consiste em que os fascistas conseguiram constituir uma força política organizada em todo país com suas milícias, além de ter criados diversos mecanismos nos órgãos estatais para garantir a repressão.

O neoliberalismo, no estágio atual, por sua selvageria política e econômica, somente se viabiliza através de uma significativa e contundente política repressiva em diversos âmbitos, contra as organizações de esquerda, que se contrapõem à essa política de destruição das forças produtivas.

Apesar de se contrapor à esta política neoliberal e repressiva, as medidas adotadas pela esquerda, em sua esmagadora maioria, tem se restringido a tomar apenas medidas institucionais e que vislumbrem apenas vitórias eleitorais, como se apenas mecanismos artificiais pudessem enfrentar todo esse aparato político concreto, que os fascistas e os neoliberais criaram. A esquerda não preparou a militância para o momento atual de feroz enfrentamento entra as classes sociais, que a cada dia que passa se realiza de forma aberta e nítida. Pelo contrário, quando algumas medidas são tomadas, a esquerda cai nas manobras dos aparelhos estatais, e entram em uma campanha junto a imprensa capitalista, para constituir mais mecanismos repressivos, que ao invés de conter os fascistas, são utilizados para elevar a repressão contra a própria esquerda.

Antes que seja tarde, e a ditadura atual se consolide em sua totalidade, é preciso criar ferramentas organizativas, de mobilização e solidariedade, que envolva a classe trabalhadora na intervenção na situação política. Por isso, nos próximos dias, estaremos dedicando nossas análises diárias para denunciar esses casos de perseguição política.

Somente as organizações proletárias e camponesas, podem acabar com esse clima repressivo que ganha cada vez mais o cenário político do país.

Abaixo o golpe!
Formar comitês de autodefesa!
Lula Presidente!
Por um governo dos trabalhadores!

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Entrevista com Gabriel Araujo: A luta por despejo zero

Há alguns meses o companheiro Gabriel Araújo do Movimento Nacional de Luta por Moradia escreveu uma carta de resposta à carta aberta da companheira Ediane Tibes ao presidente Lula. Nunca tivemos a oportunidade de escrever uma réplica ao companheiro Gabriel, depois de diversas tentativas de compatibilização, combinamos um debate com o camarada ao qual reproduzimos alguns extratos abaixo.

C&T: Companheiro Gabriel Araújo, em sua carta a companheira Ediane Tibes você escreve:

O Presidente Lula, tem seu lastro político advindo de uma segmento totalmente distinto dos demais candidatos da esquerda. Lula tem de prestar constas à sua base social, ele emerge de um proletariado e de um campesinato completamente explorado e massacrado pelo imperialismo, que tem uma forte propensão revolucionária e que constituiu organizações sólidas e com determinada margem de autonomia política ante a burguesia. E são estes que possuem legitimidade e autoridade (organizativa, política e científica) histórica para impor ao Presidente Lula, um programa nacionalista e um governo de trabalhadores. E são à estes, que devemos dedicar todo o nosso dispêndio de forças. Pois apenas eles, podem reverter esse quadro de limitação do reformismo, bem como, da própria política econômica neoliberal, do imperialismo.

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2021/11/18/gabriel-araujo-carta-aberta-a-companheira-ediane-tibes-%ef%bf%bc/

Como seria possível para alguém do perfil militante da companheira Ediane, mãe, viúva, com três crianças, batalhando grana para sustentar a casa, chocar-se com o aparelho dirigente do PT? Como que é possível para gente como nós pressionarmos o presidente Lula para atender nossas demandas?

Gabriel:

É um importante passo apoiar a candidatura do presidente Lula. Ele, o presidente Lula, vai querer conciliar mais com a burguesia nacional do que com a imperialismo. Contudo a questão é complicada, vem ai um choque de juros do Banco Central dos EUA, a última vez que algo assim aconteceu tivemos uma explosão de dívida nos países da América Latina(ver aqui , aqui e aqui, )então inevitavelmente o presidente Lula vai entrar em uma rota de enfrentamento com o imperialismo, mesmo que num grau bem moderado. A questão da pressão da luta anti-imperialista é fundamental, vai sair um editorial do Voz Operária (ver aqui), abordando o problema de um programa anti-imperialista.

O programa dos Marxistas não é o programa do Lula. Os comunistas podem avançar mais concretamente. A questão do choque de juros é chave, esse choque vai atingir o agronegócio brasileiro e pode liquidar de vez com o pouco de indústria que resta no pais . Uma redistribuição de renda não seria suficiente, diante do deterioramento da política monetária e portanto da liquidez do país. É preciso um programa mais profundo que isso. E o aparelho burocrático do PT, que quer a conciliação com os golpistas e com o próprio imperialismo já percebeu isso, veja o ataque do DCM ao PCO, e a Gleise defendendo o Boulos quanto a vinculação dele com o imperialismo. A militância anti-imperialista está sendo atacada, e parte da esquerda está sendo cooptada pelo imperialismo, para fazer um papel de tropa de choque do neoliberalismo.

O único sentido é que haja um enfrentamento, um enfrentamento via mobilização da classe trabalhadora em torno de um programa anti-imperialista. Não dá para pensar em ações de indivíduos, pois sozinhos, pessoas como a companheira Ediene, tem pouca força. Mas unificados e com instâncias de aglutinação com um funcionamento mínimo, podem intervir enquanto classe, na situação política. 

Antigamente o PT tinha núcleos de base e isso era a força do partido, agora está sendo proposto a criação de 5000 Comitês Lula Presidente, em uma perspectiva de pauta identitária. Isso precisa ser desmascarado, precisa ser demonstrado que as questões concretas é que precisam ser resolvidas, e não questões de cunho abstrato e secundário. O PT criou até setorial de defesas de animais, enquanto isso, 120 milhões não sabem o que vão ter pra comer no horário da próxima refeição. Isso é ridículo! 

Aqui na minha cidade tivemos três recentes ocupações, e choveu gente na ocupação. O povo está ai e está pronto pra lutar. É nossa tarefa, enquanto marxistas, criar mecanismos para canalizar essa disposição.

C&T: Tudo bem, você coloca questões importantíssimas, mas como? Como organizar este povo, como enfrentar um aparelho que tenta a todo custo dizer que a única saída é a eleição e que tem que esperar a eleição? Como enfrentar esse processo de mobilização dos 5000 comitês eleitorais? Como enfrentar essa ilusão nas instituições?

Gabriel:

O Bloco Vermelho, que se formou durante o ano passado, foi um importante avanço em relação à isso. Aglutinou os elementos mais conscientes e antes mesmo do próprio PT definir pela criação dos comitês de cunho eleitoral, o Bloco Vermelho já havia definido pela criação de 1.000 Comitês Lula Presidente, com uma perspectiva de convocar as massas populares para intervir de fato na situação política. Um caráter completamente distinto ao que se tem hoje, que é apenas visando a eleição, trocando a política concreta pelo marketing eleitoral tosco.

Se essa política eleitoreira e de marketing vai se impor ou não, isso não dá para prever. De toda forma, travar uma luta para que isso não se imponha, pode ser construtivo e pedagógico para avançar na dimensão que os revolucionários reivindicam. Uma luta tenaz, as vezes é mais produtiva do que uma vitória fácil, já diria o camarada Engels em seu texto sobre a revolução e contra-revolução na Alemanha. Precisamos desembainhar nossas espadas. Explicar para o povo o que ocorre no país. E nesse caso, os comitês podem ser esse espaço para travar essa luta, e essa revista, o jornal da Voz Operária, entre outros mecanismos operários de comunicação, podem ser essa ferramenta de esclarecimento e orientação para as massas que se encontraram presentes nos comitês.

C&T: Como você vê essa política de cooptação das organizações operarias e populares a partir de ONGS?

Olha eu vejo um enorme abismo entre a atual direção e a base, hoje a atual direção persegue os militantes que tem uma postura anti-imperialista. Isso precisa ficar claro! Toda a tentativa de organização independente dos trabalhadores é sabotada por dentro das mais diversas formas. Quando você anda pelo movimento vê em diversos lugares o logotipo da fundação FORD e de outras fundações até mesmo da União Europeia. Isso é impressionante! Existe um ataque sério a independência financeira e política do movimento, que vai piorar com as cifras que o Biden está prometendo investir nessas ongs e que vocês repercutiram.

C&T: Qual balanço você faz do ano de 2021?

Gabirel: 

Achei muito importante a matéria de balanço que vocês fizeram sobre a greve sanitária, acho real o que vocês dizem, mas tenho uma diferença, acho que devíamos ir pra rua e não ficar em casa e vocês colocaram que isso era uma tática suicida. Vocês mesmos levantaram que o povo estava sendo infectado no transporte público, então temos que ir pra cima. Agora sim, a direção não organizou uma greve sanitária e as mobilizações que existiram foram implodidas por dentro.

Uma coisa que notei, foi o medo das instituições em relação a mobilização popular. A campanha despejo zero, estima que 400 mil pessoas e 123 mil famílias, estão correndo risco de despejo no país. Além disso, o orçamento de moradia, saiu de R$20,9 bilhões em 2015 para R$800 milhões em 2021. Não houve um levante contra o fim da política habitacional no país, isso foi um grande equívoco, porque grande parte da população não tinha condições de fazer isolamento social. Isso se soma, ao fim do auxílio emergencial, que foi definhando sistematicamente, com cortes sucessivos. E o fim do bolsa família, e a criação do auxílio Brasil. Diversas pessoas que precisavam adentrar nesse programa, que recebiam anteriormente o auxílio emergencial, ficaram de fora, e 3 milhões que estavam na fila do Bolsa Família, também ficaram de fora. Soma-se a essa questão, o fato também de que 67,2% das negociações salariais ficaram abaixo do percentual da inflação.

O parlamento e o judiciário, com medo do início de um processo de insurreição popular diante disso, da fome e do desemprego, resolveu proibir determinados despejos. A medida havia se encerrado em dezembro, mas foi prorrogada, mesmo não havendo uma mobilização (apesar de que havia uma indicação de início de mobilização entorno disso). Acredito que os órgãos de inteligência e repressão, informaram as referidas autoridades ilegítimas, e as mesmas notando a possibilidade de perder o controle da situação, resolveram tomar algumas medidas para aliviar a pressão.

Agora teremos uma mobilização contra os despejos no dia 17 de março. As organizações populares de luta pela terra e por moradia, estão mobilizando suas bases. Se for conquistada a prorrogação da medida, será uma vitória do movimento popular e da mobilização, e que se tiver continuidade para reivindicar outras pautas, pode ser o início de um amplo movimento que arraste outros setores da classe trabalhadora e que poderá desestabilizar o regime político golpista que nos impõe essa política neoliberal de fome, repressão e despejo.

C&T: Mas você veja, a direção não organizou greve sanitária, antes da pandemia o grande ascenso de massas que tivemos foi o tsunami da educação, que foi paralisado pela direção para ouvir a Vaza jato. Então qual trabalhador iria para a rua agora diante dessa paralisia, diante da situação de que já foi pra rua outras vezes e a direção paralisou o movimento quando quis? Sem contar que a palavra de ordem Fora Bolsonaro era uma boia de salvação para as instituiçõesVenderam a ilusão de que a CPI da pandemia resolveria algo e obviamente as instituições golpistas não resolveram nada. Volto aqui a questão. Vivemos um tipo de Ilusões Constitucionalistas?

Gabriel:

A política não nos permite, aos marxistas-leninistas, acreditar que a burocracia dos movimentos populares e sociais, se encontram em uma condição de ilusão. Estão claramente cooptados. Já são quase seis anos de regime político golpista, que nos impõe a fome, a destruição da indústria nacional, etc. As massas, no Tsunami da Educação, na Greve Geral de 2017, nas mobilizações contra o fascismo em 2020, mostram claramente uma disposição de enfrentar a direita golpista e os fascistas. O grande problema, é que essa burocracia quer acordos com os golpistas. E é ai que devemos atacar, porque será através de uma ruptura com essa perspectiva, que vamos dar vazão à este descontentamento popular e a disposição de luta do povo trabalhador, que não suporta mais ser esmagado.

C&T: Um problema que para nós é caro é o problema da perseguição política. Como você vê que as organizações deveriam enfrentar objetivamente este problema?

Gabriel:

As organizações caíram em uma política covarde, abandonaram seus militantes à própria sorte e aceitaram que os mesmos fossem perseguidos. Até o Presidente Lula foi abandonado por essa burocracia. O maior exemplo dessa capitulação e da farsa da luta contra a perseguição política, é o caso da pseudo-revogação da Lei de Segurança Nacional. A substância repressiva da Lei de Segurança Nacional, se manteve na lei que à substituiu. Entrando naquela questão de trocar a política pelo marketing, apenas fazendo manobras para inglês ver, enquanto a essência reacionária se mantém.

As organizações deveriam implementar uma política de formação de comitês de autodefesa, que defendessem seus quadros, com ações jurídicas, financeiras, psicológicas, mobilizações, instruções de defesa pessoal, debater o conteúdo da dialética da violência e do monopólio desta última. Mas o que se observou, é que a burocracia apenas se preocupou em manter seus privilégios, sua condição pequeno burguesa, seus empregos e etc. O orçamento dos sindicatos praticamente desapareceu e não fizeram nada para reverter essa situação, seja pela revogação da reforma trabalhista, ou por meio de campanhas por outra plataforma de arrecadação. Uma posição tão patética, só pode advim de uma posição de capitulação e cooptação por parte do regime golpista.

C&T: Você comprou a nossa revista número 01 “Quem é o culpado pela pandemia?”, O que achou?

Gabriel:

Uma publicação extremamente importante, primeiramente para demonstrar para a burguesia e para a pequena burguesia, que pensam que os trabalhadores não possuem capacidade intelectual e são pessoas de segunda categoria, que os trabalhadores e o marxismo-leninismo, são respectivamente, a única camada verdadeiramente científica e por conseguinte, revolucionária, nos marcos da sociedade atual.

Em segundo lugar, indo no sentido do que falei anteriormente, como não tem possibilidade de existir ciência sem que exista transformação da realidade concreta, a característica de defesa dos perseguidos pelo imperialismo, se torna na comprovação do conteúdo científico da revista, de busca na transformação da realidade através da autodefesa dos trabalhadores. E também revelar para a população quem são os verdadeiros responsáveis pela pandemia, também comprova essa questão da ciência dos trabalhadores ser um guia para a ação, fundamentada em investigações da realidade concreta para a transformação desta última.

O imperialismo monopolizou as vacinas, os testes, e fez demagogia com o tal isolamento social, entre outras coisas fundamentais para que vidas fossem salvas. Logo, ter uma publicação voltada para o esclarecimento sobre essa situação, foi muito importante para combater o senso comum e o apologismo anti-científico, que se tornou a regra durante a pandemia, pelos monopólios de comunicação e as instituições acadêmicas da burguesia.

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Ediane Tibes: Lutamos pelo que mesmo?

Hoje eu ouvi a seguinte fala. “Agora todo mundo virou nazista“…

E pra escrever algo sobre o que está em foco atual é preciso se perguntar algumas coisas…

Como elegemos um presidente que pesa pretos em arrobas?

Como elegemos pra presidente um cara que quando era deputado homenageou um torturador. Me pergunto porque esse cara não saiu de la preso?

Como elegemos um presidente que prefere um filho morto a se assumir gay?

Como a morte de Preto a paulada não gera clamor social e entrar dentro de uma igreja coloca toda uma sociedade com pedras nas mãos pra atacar um manifesto legítimo onde se levou aos pés de um torturado a dor e lamento de outro torturado e morto.a pauladas or buscar seu pagamento no quiosque de um miliciano?

Como mulheres mortas por parceiros em uma sequência alucinante não para o país pra que ações sejam colocadas em prática pra inibir esses crimes?

Como não paramos o país cuja administração atual matou mais de 600 mil pessoas durante uma pandemia. Esse número é só de pessoas acomentidas pelo vírus, mas tem outras mortes relacionadas tipo a fome,. Porquê não vimos as instituições parando esse genocídio??

Não é só agora que tem nazista, genocidas, facistas…é que agora as pessoas se comunicam mais rápido e e tudo está a luz dos olhos.

Mas eu continuo me perguntando como fomos e somos capazes de ações que não condizem o que afinal nos incomoda de fato? Lutamos pelo que mesmo?

Para que fique claro não estou reduzido o nazismo…e sim incluíndo toda forma de extermínio…porque os caras podem ser tudo isso mas precisa manifestar ações nazistas pra ser aplicado leis..

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Fala Petista-Tribuna Livre da Luta de Classes

Diante da enorme crise em que vivemos e dos dilemas que a classe trabalhadora esta confrontada, o manifesto de fundação desta revista teórica diz:

Qualquer um que apresente uma solução neste momento é um charlatão! Não existem soluções prontas, porem a classe trabalhadora tem uma larga história de luta

https://cienciadostrabalhadorespt.com/about/

e completa concluindo que

A emancipação dos trabalhadores é hoje e a cada dia mais , a ultima esperança da humanidade frente a barbarie capitalista. Contudo, a emancipação dos trabalhadores não pode ocorrer sem uma ciência dos trabalhadores , sem entender os seus dias , sem confrontar a teoria marxista , que é a teoria operária com a realidade da classe trabalhadora.

Fieis ao nosso manifesto de fundação e certos de que A Emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores , não é um bordão para dias de festa. Pensamos em fazer uma entrevista, uma entrevista com você trabalhador , isso mesmo, com você petista que esta lendo esta postagem. Prometemos manter segredo de seu nome e identificar as respostas apenas como petista 1, petista 2 e assim por diante. Elaboramos algumas perguntas, que esperamos que alguns petistas nos respondam no email emdefesadomarxismo@gmail.com. A cada resposta, atualizaremos a postagem. Essa é para nós a realização do conceito de tribuna livre da luta de classes, onde abrimos nossas paginas para os trabalhadores em geral exporem suas considerações sobre a situação da luta de classes. Afinal de contas:

A Emancipação dos Trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores

Atualizado- 10 de janeiro de 2022

C&T: Como você viu a carta aberta da companheira Ediane aos petistas de Piraquara?

Petista 1:

Sobre as cartas da companheira para os petistas e para Lula:
existe nós, a militância e o partido institucional…
Nós miltantes podemos ir muito além do que o partido institucional pode fazer…

Então cabe a ela, militante, lutar por seu espaço dentro do partido, assim como nós…
Agora Lula como Presidente da República tem que fazer acordos para governar… mas nós como militantes devemos nos posicionar contra determinados acordos politicos que achamos inconvenientes, absurdos, mas não deixar o PT e ir para partidos pequenos e sem representatividade popular, sem aceitação popular…
mas nunca deixar a militância.
A maioria da população é conservadora, reacionária, seja pobre, rica. Não é revolucionária, quer subir um degrau social mas continuar no seu modo reacionário de ser, seu modo individual de ver a sociedade… que eu me dê bem e que os outros se danem…

De vez em quando a gente tem que parar para descansar e recomeçar a luta novamente…

Petista 2

Petista 3:

Sinceramente? Considerei um erro! Acho completamente inútil este tipo de iniciativa . Sou petista há mais de 20 anos, vi as correntes ditas esquerda do PT por anos fazerem campanhas contra certos tipos de aliança e as alianças sempre aconteceram. Esse papo de empurrar o partido , ou melhor a direção para uma posição “mais a esquerda” simplesmente nunca funcionou. Pelo menos em termos de politica eleitoral.

Mas o que me fez responder a este texto foi a divergência com o petista 1. Sinceramente, pelo que vi e pesquisei sobre a companheira , ela teria perdido o marido e esta passando por graves condições financeiras. Como pode um militante nessas condições se chocar com o aparato dirigente do partido? “Existe nós e a direção do partido“, sim, existe mesmo, mas como que um militante se choca com mandatos parlamentares e dirigentes que vivem de politica, enquanto a militância precisa lutar pra defender suas vidas? Acho que essa posição do petista 1 é muito errada, lamento a posição deste blog de aceitar publicar isso, um blog que se diz defender a luta contra a perseguição politica, abre suas paginas para a defesa da perseguição politica? Acho uma enorme contradição! Sera possivel que vocês não veem , que um militante se chocar com a direção, é a destruição do próprio militante?

C&T: Você chegou a ter contato com a carta aberta que companheira Ediane escreveu ao companheiro Lula? Como você vê os dois textos?

Petista 1

ver questão anterior

Petista 2:

Através de compartilhamento no Facebook. Concordo plenamente com a companheira Ediane. Antes já era difícil apoiar alguma aliança com a burguesia. Depois do golpe de Estado de 2016, é inadmissível que essas alianças continuem. Todos os petistas devem exigir a coerência do partido e das lideranças.

Petista 3:

A carta aberta ao Lula eu achei perfeita, pois dialoga com o sentimento de cada petista, de cada trabalhador honesto, que luta contra o patrão. A carta não entra nas querelas paroquiais . Debate realmente com as dificuldades da vida real do trabalhador

C&T: O PT foi intensamente perseguido pelas instituições da republica, primeiro com o caso chamado de mensalão, depois com a lava jato, chegamos a ter dois ex-presidentes do PT e um ex-tesoureiro presos, simultaneamente, você acha que o partido foi negligente com a defesa dos dirigentes?

Petista 1:

Aqui no Brasil nascem pessoas revolucionárias, mas elas não conseguem fazer uma revolução. Quem faz são a direta e a extrema direita, que é um gigantesco retrocesso…
Tem 2 partidos que considero revolucionários:
O Pstu e o Pco, mas a adesão a eles é muito pequena…

Petista 2:

Sim. A começar pelo José Dirceu que não foi defendido.

Petista 3:

Fiquei mais uma vez muito incomodado com a resposta do petista 1, nascem pessoas revolucionarias no Brasil e em todos os outros países do Mundo, eles se chamam classe trabalhadora. Agora com seus dirigentes o tempo todo fazendo acordo com o patrão, realmente fica dificil fazer qualquer mudança significativa.

C&T: E com o mandato de Dilma, ocorreu negligencia?

Petista 1

O golpe contra a Dilma foi uma oportinidade que a direita vislumbrou pra chegar ao poder. E o próprio PT a abandonou quando viu que não tinha mais jeito… propondo eleições diretas depois de ela ter sido reeleita em 2014.

Ela tb errou ao achar que não haveria mais golpe. Que tudo se resolveria no Estado Democratico de Direito, sendo que aqui sempre se praticou o Estado de Exceção… Eu tb achava que não haveria golpe…

Mas como a situação da população estava boa, a sociedade não deu valor ao projeto da ponte para o futuro, digo, para a ponte do retrocesso…

Com a total destruição do Estado brasileiro em curso, com a retirada de todos os direitos do trabalhador e uma brutal transferência de riquezas dos mais pobres para os mais ricos, é que a sociedades está despertando para o nosso caos diário…

Qualquer partido de esquerda que tomasse o poder ou vai tomar, um dia a direita vai derruba-lo…

Petista 2:

Dilma, q até mesmo dentro do partido chegou a ser responsabilizada pelo golpe por não ter jogo de cintura. Além disso, elogios de lideranças petistas a lava jato. Foi abandonada no seu governo.

Petista 3

O Companheiro petista 1 esta muito equivocado, E o próprio PT a abandonou quando viu que não tinha mais jeito… , o PT não defendia seus militantes desde o inicio de 2005. Não abandonou Dilma quando nao tinha mais jeito, abandonou todos que foram perseguidos. Vi gente dentro do partido fazer discurso moralista de defesa da lava jato, alias mesmo Lula e Dilma faziam esses discursos. “A situação da população estava boa?” Sera que vivemos no mesmo pais? Acho que não.

C&T: No caso da prisão de Lula, até o ultimo momento a direção nacional disse, que seria possível, Lula sair candidato, mesmo da cadeia. O PT teve ilusões no quadro das instituições vigentes, mesmo falando em golpe publicamente?

Petista 1:

Se o Lula ganhar a próxima eleição, que tipo de golpe pode vir? Semipresidencialismo, digo, semigolpismo? Prorrogação de mandatos do poder executivo e legislativo? Eliminacao fisica do Lula??? Ou uma emenda a constituição proibindo ex presidentes a concorrerem novamente ao cargo?

O que deveríamos fazer é procurar um método de fazer o cidadão eleitor acreditar mais na politica, acreditar mais em seus direitos lutar por eles e jamais esquecer o passado, antigo e recente… mas como???

Hoje em dia estamos tentando dominar as redes sociais como os fascistas às dominam. Espero que consigamos isso em pouco tempo…
Eu já estou bem melhor do que há 2 anos atrás. Espero que outros também….

Petista 2:

Sim, teve ilusões, pois achou que todos os votos do Lula seriam transferidos para Haddad. Sabendo que Lula não se elegeria, deveriam ter mantido a candidatura dele e usado a campanha eleições para orientar a população em relação ao golpe e eleições manipuladas.

Petista 3:

O camarada petista 1 comenta:

O que deveríamos fazer é procurar um método de fazer o cidadão eleitor acreditar mais na politica. Acho que isso seria puro charlatanismo, fazer apologia das atuais instituições. O bom do povo brasileiro, é justamente que ele não acredita nas instituições. Esse petismo que defende as instituições em uma sindrome de Estocolmo, defende as instituições que perseguem o próprio partido?

C&T: A eleição de Bolsonaro representou o terceiro mandato de presidente roubado do PT, considerando aqui o mandato de Dilma, a possível eleição de Lula e a fraude das mensagens pelo whatsap contra a campanha de Haddad. Mesmo diante disso tudo, o PT é o campeão da defesa do Estado democrático de direito. O que você acha disso?

Petista 2:

Começo a desconfiar que há lideranças ganhando com a atual situação

Petista 3:

Concordo com o petista 2

C&T: A maioria dos trabalhadores, considera que o Estado representa apenas repressão, como vemos nas pesquisas recentes que mediram a popularidade das instituições da republica. Em especial depois do fracasso das instituições em defender os trabalhadores do virus da COVID-19, ainda assim , você considera correto continuarmos defendendo o atual marco constituinte?

Petista 2:

Não, precisamos de uma nova constituição elaborada pela população.

C&T: Você já viveu, ou conhece, algum caso de perseguição politica?

Petista 2:

Depende. Se atuação do militante for contra os interesses burgueses, sim.

Petista 3:

É o que mais tem. Mas parece que não pode falar. É um tema proibido.

C&T: Você acha que existe perseguição politica contra os petistas em geral? Sendo, mais claro, perseguição politica contra os militantes de base do PT?

Petista 2:

Não sei responder.

Petista 3

Isso é o que mais tem, ser petista é terrível! Você perde emprego, perde salario, promoção, ninguem quer te contratar porque você vai fazer greve. Não entendo porque ninguem fala isso claramente.

C&T: Como a perseguição politica deveria ser combatida?

Petista 2:

Ver questão anterior

Petista 3

Acho essa iniciativa de vocês interessante. Fiquei curioso

C&T: Você teve contato com a iniciativa do primeiro numero da revista ciência dos trabalhadores, dedicado a discutir a pandemia e a crise de decomposição do capitalismo?

Petista 2:

Ainda não

Petista 3

Sim, mas ainda estou digerindo a pancada. O Soco na mesa foi com força.

C&T: O que acha da iniciativa de uma revista teórica marxista, que arrecade dinheiro para a criação de um fundo de auto-defesa de militantes perseguidos?

Petista 2:

Uma boa iniciativa, penso ser a mais adequada e eficaz.

Petista 3

Na minha juventude, fazíamos campanha financeira para tudo. Hoje em dia tudo virou ONG. Acho uma reafirmação da independência de classe. Um verdadeiro soco na mesa.

C&T: Como você viu o papel da burguesia imperialista mais importante, a burguesia dos EUA, no golpe contra Dilma?

Petista 2:

A burguesia imperialista é a arquiteta do golpe. Sem a atuação dela, o golpe de 2016 não existiria.

Petista 3

Posso copiar o comentário do petista 2?

Petista 2

Através da força popular: manifestações, greves e trabalho de base

Petista 3

Acho, que o petista 2 deu uma resposta de cartilha, mas a gente precisava de algum tipo de organização internacional, que realmente funcionasse.

C&T: Diante da conjuntura mundial de crise econômica, uma situação na qual os economistas falam que o Modo de produção capitalista passa por sua mais Longa Depressão, superando até mesmo a depressão de 1929, você ainda acha possível a existência de Estados democráticos de direito?

Petista 2:

Não, já penso que eles não existem mais pelo duro ataque contra os direitos dos trabalhadores. O que existem são instituições de fachada.

Petista 3

Faço coro com o petista 2

C&T: Qual pergunta você gostaria de acrescentar nessa lista ?

Petista 3

O que esperar de 2022

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Disponível o primeiro numero de Ciência dos Trabalhadores

A revista Ciência dos Trabalhadores lança sua primeira edição.

O objetivo desta primeira edição é arrecadar fundos para socorrer a

família do companheiro “Nego”, trabalhador Paranaense vitima da Pandemia, que deixou viúva e filhos. Essa é a nossa primeira experiência de constituição de um fundo de autodefesa baseado unicamente na contribuição dos trabalhadores.

Essa primeira edição “Quem é o culpado pela pandemia?” trás uma coletânea de textos, que demonstram com fatos e dados , a responsabilidade das instituições do imperialismo. Como disse o economista britânico Michael Roberts:

Tenho certeza de que, quando esse desastre terminar, a economia dominante e as autoridades afirmarão que foi uma crise exógena nada a ver com falhas inerentes ao modo de produção capitalista e à estrutura social da sociedade. Foi o vírus que fez isso.

Preço 25 reais.

Para adquirir a revista envie e mail para: emdefesadomarxismo@gmail.com anexado o comprovante de pagamento código PIX: 04180809923

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Carta aberta ao Presidente Lula

Por Ediane Tibes

Presidente Lula:
Aqui quem vos fala é uma mulher, mãe e cidadã brasileira que entende que estamos sendo lesados há décadas com a ineficácia dos poderes e instituições públicas em garantir o nosso direito constitucional de morar e produzir alimentos.
A terra, ela é sagrada nas mãos de quem trabalha. O direito à terra é de quem trabalha e produz alimento. Presidente Lula!
Em 2002, quando nós, os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da Cidade, lhe confiamos o nosso voto, depositamos nas urnas também a nossa esperança de ver a reforma agrária e urbana sendo levadas e transformadas em pauta política, com o objetivo de que, movimentos populares, que lutam prá garantir o direito à terra e às moradia prá muita gente, deixassem de serem vistos como ameaça criminosa. Lamentavelmente, nós continuamos sendo mortos, caçados, criminalizados e despejados. Se o Sr. tiver dúvidas, é só pedir prá sua equipe fazer uma busca das ordens de despejo dos últimos 4 anos, inclusive, pedir também as ordens mais recentes, dos despejos ocorridos em meio a essa crise sanitária pela qual estamos passando…
Aí, o Sr de uma olhada: são pais e mães de família, com os filhos, sendo tirados das áreas ocupadas através de ações truculentas que usam o aparato da segurança pública como ferramenta para proteger os interesses dos latifúndios do campo e da Cidade.
Vou contar para o Sr o que ocorre aqui na Cidade onde eu vivo com a minha família, que por sinal o Senhor conhece bem, pois minha Cidade foi a escolhida para o lançamento do PAC, em 2007, quando o Sr e sua equipe aqui estiveram. O Sr se lembra de que minha Cidade abrigava a maior ocupação urbana da região Sul do País, com mais de 50 mil famílias sobrevivendo sem estrutura e saneamento básico. Passamos anos sendo tratados como inimigos do progresso e do meio ambiente, pois somos uma área de mananciais. Piraquara abriga a nascente do Rio Iguaçu e mais um monte de outras pequenas nascentes. Nós também somos responsáveis por 40% da produção de água que abastece a capital Curitiba e as demais regiões metropolitanas. De todo o valor que o Sr liberou em 3 pacotes de recursos, muitas coisas deixaram de ser feitas. Por exemplo, continuamos com ruas que no projeto original seriam contempladas com a cobertura de asfalto e até hoje não foram feitas, isso é só para o Sr saber que a corja corrupta sempre vai sufocar qualquer iniciativa de beneficiar as pessoas mais pobres. Eles roubam na nossa cara e nós amargamos o prejuízo. A situação que ocorre aqui em Piraquara, hoje, é que temos os governos Municipal e Estadual alinhados ao governo genocida do Bolsonaro. O gestor Municipal teve a infame idéia de criar um “comitê de crise” para monitorar, com a ajudá dos munícipes, as possíveis ações de ocupação, dita por eles como ” ocupação irregular” para fins de moradia ao invés de colocar a gestão pra ativar os projetos habitacionais que existem dentro das gavetas das repartições da prefeitura. Eles preferem nos tratar como inimigos do que acolher as pessoas sem moradia e oferecer a elas um projeto que atenda às suas necessidades.
O Sr é um cara que lê muito, né, presidente Lula?
Deve estar acompanhando os jornais e está ciente do que a pandemia escancarou para o mundo todo, e como tem gente em estado de vulnerabilidade, sem ter comida, saúde e moradia. Eu e meu esposo não pudemos ficar em casa com um auxílio emergencial que não dava conta de alimentar nois 5: eu, ele e nossos 3 filhos, além de ter água, Luz e gás prá pagar, senão, a gente fica sem. Então, nois dois trabalhamos até o dia 16/06/2021, quando meu esposo apresentou os sintomas da covid. Nós lutamos com todas as forças, com toda fé, passamos por aquilo que o Sr deve de tá vendo pela TV. À espera pela vacina que demorou demais, à espera por leito de UTI, entubado na UPA – e a gente sabe que, depois do teto de gastos, o investimento na saúde não atende a alta demanda dos dias difíceis que estamos enfrentando… Então, o Sr imagine o aparato precário que temos pra ser atendidos nas UPAS, pois até médicos faltam, ou seja, não tem.
Eu e meus filhos enterramos meu esposo e pai deles no dia 06/07/2021. Essas histórias se repetiram mais de 500 mil vezes, Lula! Agora, o Sr. junte a isso tudo quem perdeu o emprego e não pode pagar o aluguel. Prá onde tu acha que essa gente vai? São mais de 14 milhões de brasileiros sem trabalho e, certamente, se colocando em risco de moradia, além da ” fila do osso”, do pacote de arroz custar 30,00, do litro de óleo chegar a 8,00.
O Sr já viu o preço da carne? E aí, onde o Sr acha que a gente vai parar? Aí, nós como petistas, cientes da importância da reforma agrária prá combater tudo isso estamos sendo cassados, perseguidos, sem nenhum instrumento prá nos defendermos. Não dá prá esperar o Sr. se eleger, prá ai acontecer algo nessa direção, pois a perseguição é hoje é agora. Como vamos combater a ação desse tipo de comitê qgue foi instalado aqui em Piraquara? Além disso, a PL que proibia as ações de despejo foi anulada pelo Bolsonaro. A pandemia não acabou e as sequelas dela vão ficar por anos e, sendo assim, nossos movimentos e militantes que agem nesse sentido de organizar e ocupar áreas, vão sempre estar em risco. Minha pergunta é: por que não vemos nossos deputados e senadores, além do STF, agindo pra nos proteger já que a terra é pra quem planta, um direito e, por isso, a ocupação é legítima. O Sr e todo o aparato disponível deveriam estar atentos a isso,e não somente ficarem a fazer a campanha prá elegê-lo, enquanto os companheiros tem sua liberdade ameaçada. Pense nisso! Ajam logo, pois Quem pode estender a mão pra nois? Eu conto pro Sr., sabe, quem fez mutirão e plantou comida pra distribuir marmitas aqui no Centro de Curitiba pra moradores de Rua foi o MST! É isso mesmo! Aquele povo que é chamado de bandido, de vagabundo de invasores, essas pessoas plantam e cozinham pra distribui comida a quem nada tem. Esse MST, que tem os companheiros e companheiras perseguidos e mortos, eles ajuntaram toneladas e mais toneladas de mandioca,feijão, arroz, fruta, verdura, leite em ações de solidariedade, porque isso é comida de verdade, isso é comida que mata a fome da nossa gente, não a soja do agro-negócio, que gera lucro prá 3 ou 4 ricos, que concentram tudo nas mãos deles. Esse povo do MST tá desde o início do decreto mundial de pandemia doando alimento, eles não pararam. O Sr viu alguma ação do agro-negócio pra combater a fome?.. Então, Presidente Lula, o motivo da minha carta pro Sr. é pra dizer que nós estamos cansados de ser pisoteados enganados. Também prá dizer pro Sr tomar cuidado com os acertos e alianças políticas e que o Sr não se esqueça de que tem uma multidão de sem-terra, de sem-teto, de sem comida, que não está podendo mais esperar. Nós não vamos mais aceitar que o partido dos trabalhadores não faça um governo para os trabalhadores. Nós queremos a reforma agrária e urbana, nós queremos a anulação da reforma da previdência e que seja feito um novo texto onde não se tire os direitos dos trabalhadores, Nós queremos o nosso país de volta! Nós queremos comer presidente Lula.. Agradeço de todo meu coração sua atenção e espero que o Sr. não jogue minha carta no fundo de uma gaveta; que o Sr. leve ela contigo ao Palácio do Planalto, no dia 01/01/2023, quando o Sr. for empossado Presidente do Brasil com o meu voto, que irá se juntar a outros tantos, e se tornando milhões que desejam ter o Sr como nosso Presidente. E a,i de vez em quando, se o Sr. esquecer o que nós, os trabalhadores precisamos, é só o Sr. dar uma espiadinha na carta, no que tá escrito aí. Fique com Deus presidente Lula.

Ediane D.Tibes

Comentarios criticos ao texto: O QUE IMPORTA NO BRASIL É DERROTAR O NEOLIBERALISMO E O GOLPE DOS EUA

Um texto foi publicado recentemente no Jornal Voz Operária ver aqui o texto original. Discutindo o aniversario de 200 anos da independência do Brasil. Trata-se de uma reflexão de grande relevância, os autores trazem muitas informações fundamentais para qualquer trabalhador organizado, ou melhor, para qualquer trabalhador, que ciente da exploração que sofre, percebe que a única possibilidade de resistir a esta marcha à barbárie que o capitalismo precipita toda a humanidade é a organização dos trabalhadores em seu próprio terreno de classe, em torno de suas próprias reivindicações que este texto favorece. E ainda mais , é um texto relevante para qualquer trabalhador, que ciente da necessidade de opor-se a marcha à barbárie imposta para o capitalismo começa a perceber que as organizações dirigidas pelas grupos tradicionais da classe operária passam por um processo de degeneração profunda, afastando-se claramente de sua base social para dialogar com uma suposta burguesia progressista, abrindo mão , desta forma , de qualquer combate ao golpe e mesmo a perseguição , a qual os próprios dirigentes foram vitimas em período recente. Assim pretendemos tecer alguns comentários acerca do texto dos camaradas do Voz Operária buscando, junto com os camaradas, entender e esclarecer algumas eventuais divergências ainda que teóricas. Desde já , os camaradas do Voz Operaria muito nos alegrariam caso queiram responder em um futuro próximo. Vamos ao texto do Voz Operaria:

O QUE IMPORTA NO BRASIL É DERROTAR O NEOLIBERALISMO E O GOLPE DOS EUA

O titulo parece muito interessante , mas contem um enorme vicio , que precisamos discordar, a expressão neoliberalismo tornou- se uma expressão muito usada por aqueles que reivindicam a esquerda. Quando se fala de neoliberalismo parece que todos sabem do que se trata. Mas na verdade não é bem assim.

Aparentemente a expressão ganhou popularidade com os trabalhos de Ernest Mandel, o tal neoliberalismo seria como uma resposta ideológica a crise do capitalismo, alias a expressão receituário neoliberal, ideário neoliberal, agenda neoliberal , é muito comum em trabalhos academicos. Um exemplo dessa aproximação é um texto que achamos neste repositório (associado ao XI Seminario Internacional de Demandas Sociais e Politicas Publicas. VI mostra de trabalhos juridicos e cienticios) . Onde a tal agenda/receita/ideário é definido nos seguintes termos

O presente texto aborda alguns dos aspectos do neoliberalismo, bem
como, parte das implicações deste projeto de sociedade nas políticas sociais. Tratase de um artigo de revisão de literatura, que tem como objetivo refletir criticamente
sobre a atual conjuntura, assim como, a configuração das políticas sociais neste
contexto capitalista. Por fim, são apresentadas algumas estratégias avaliadas como
necessárias para a definição de rumos distintos na execução das políticas sociais,
os quais sejam capazes de orientá-las para a contramão do ideário neoliberal. A
mobilização de amplos segmentos sociais para participação na esfera do controle
social das políticas é debatida como uma destas estratégias

Então isso seria o tal neoliberalismo, a que tanto ouvimos os dirigentes que reivindicam a esquerda, a sociedade civil e os intelectuais que reivindicam essa coloração politica referirem-se. Embora nosso objetivo não seja resenhar o texto que achamos no repositório, vamos ainda gastar um pouco de tinta com ele. Conforme já mencionado, o objetivo que os setores progressistas perseguem
não é a humanização do capitalismo, pois, isto iria contra a sua lógica e dinâmica,
que é o aprofundamento das desigualdades sociais, considerando sua lei geral. Ao
fim e ao cabo, o que se busca é a superação das relações capitalistas, pois,
acredita-se que a luta contra a exploração, expropriação e alienação da classe
trabalhadora, passa, fundamentalmente pela luta contra o modo de produção
capitalista
. Estaríamos portanto diante de intelectuais revolucionários? O que parece uma aberração, embora o estudo e a reflexão sejam fundamentais para a classe trabalhadora organizada poder estabelecer suas linhas de ação de forma mais segura. Intelectuais revolucionarios operando dentro dos limites da academia burguesa é algo no mínimo inusitado, porém os intelectuais que achamos no repositório reivindicam isso. O que é bastante comum atualmente. Nossos intelectuais, supostamente revolucionários vão mais longe em sua acadêmica radicalidade: Para que se torne possível a superação das relações sociais de exploração que se estabelecem no capitalismo, a superação da estrutura capitalista de produção se faz imprescindível. Entretanto, é importante ressaltar que se tem
consciência de que os esforços que vem sendo lançados não serão suficientes para
que o processo de superação da atual ordem social se concretize.
Um grupo de intelectuais quer superar a atual ordem social, mas reconhece que os atuais esforções não são suficientes. Conclui-se então que embora insuficientes, eles seriam necessários, estariam, portanto, contribuindo para a superação da atual ordem. Voltemos ao Voz Operária que eu seu primeiro parágrafo diz

Brasil é um país sem projeto de longo prazo que vive 4 em 4 anos de gestão neoliberal

Tudo que acontece no Brasil é imposto por fora do país. Brasil é um continente com a altivez de uma Guatemala.

A dor dos camaradas do Voz Operária é compartilhada por nós, a submissão da burguesia brasileira é um fato incontestável. Embora não exclusivo, por vezes a algumas afirmações dos camaradas do Voz Operária assemelham-se a afirmações de economistas nacionalistas como Paulo Gala , que chegou mesmo a escrever um livro chamado –Brasil uma economia que não aprende-, dando a entender que o alinhamento economico do Brasil é uma questão de escolha “ideologica”. Nos fatos, mesmo nos mais importantes paises imperialistas vemos uma crescente e persistente pressão contra os trabalhadores no ultimo meio seculo(dados da OCDE).

Aqueles que estão no poder no país não tem projeto de nação e sempre estão subordinados aos interesses estrangeiros desde a época da Colonização Portuguesa.

O Jornal Voz Operária reporta constantemente em suas paginas, diga-se de passagem, com bastante exclusividade, os efeitos da lava jato na economia brasileira. O voz Operaria afirma em uma de suas matérias acerca do programa nuclear brasileiro

No bojo da Lava Jato, se destrói não apenas a economia nacional, mas congela o programa nuclear brasileiro, tanto o relativo à autonomia energética quanto ao elemento de dissuasão, representado no desenvolvimento de um submarino nuclear. A infame condenação de 43 anos ao principal físico nuclear do país prova o que, novamente, voltamos a afirmar: a Lava Jato não combate a corrupção, mas a soberania nacional. A principal implicação destas matérias certamente não escapa aos companheiros do Voz Operária, mas pode escapar a seus leitores, é o proprio Jornal que reiteradamente demonstra que a lava jato foi gestada nos EUA para destruir a economia brasileira. É isso que uma burguesia imperialista faz. Destruir seus concorrentes.

https://vozoperariarj.com/2017/10/11/lava-jato-designada-para-liquidar-programa-nuclear-brasileiro/

Próximo de completar 200 anos de independência do Brasil, vivemos uma crise sem precedentes na nossa história. Essa crise se origina do fracasso do neoliberalismo imposto ao país via golpes de Estado pelos Estados Unidos. 

Fracasso do neoliberalismo, não é o termo mais indicado aqui. Aqui em Ciência dos Trabalhadores editamos diversas matérias demonstrando que o avançado estagio de putrefação do modo de produção capitalista leva a uma destruição maciça de forças produtivas ver aqui e que o capitalismo precisa de uma guerra(v aqui) como alternativa para fazer uma “poda” em monopólios menos lucrativos

O golpe de Estado de 2016 não é uma narrativa ou uma “página” que pode ser virada. O golpe é uma realidade que afeta cada um de nós brasileiros, seja no desemprego, na falência das nossas empresas, no endividamento e/ou na inflação galopante.

Sem duvida , os camaradas do Voz operaria tem razão, a questão toda é que a direção do PT ja aderiu integralmente ao golpe , essa é uma afirmação facil de comprovar , vejam este texto no site do PT no senado: Contudo, a prisão do ex-presidente Lula, como quase tudo que o cerca, fugiu do script escrito por seus algozes. Não houve um líder humilhado, algemado, rendido. Ao oposto, Lula foi “entregue” aos carcereiros por milhares de militantes que se aglomeraram em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), durante os três dias que antecederam sua condução a Curitiba para ocupar uma cela no complexo da Polícia Federal. Nunca os petistas presentes em São Bernardo entregaram Lula, foi Lula quem capitulou.

https://ptnosenado.org.br/4-anos-da-prisao-de-lula-lembrar-para-que-nao-se-repita/

O fato que Bolsonaro ataca nossa moeda, elevando a carestia da população. Porém, essa crise não começou somente por culpa dele, como os críticos querem fazer crer.

Os críticos, destaque para o próprio Lula que vende esta ilusão por conta de sua tentativa de parece palatável aos patrões. Como se não fossem as instituições responsáveis pelo corte de verbas no SUS, os tratados internacionais foram totalmente coniventes com o aparecimento destes virus

https://www.youtube.com/watch?v=-mmZkZmVQCY

Até porque, Bolsonaro sempre foi uma tática para legitimar o golpe de 2016, enquanto quem manda no país são os militares. Esses mesmos políticos que criticam o governo, ao mesmo tempo, não fazem nada para parar os ataques e ainda prometem ao mercado seguir a política econômica a favor do lucro dos bancos. 

Os EUA estão aumentando substancialemente sua taxa basica de juros , o que levara a uma fuga de capitais de todos os paises semicloniais. Sem medidas drasticas de proteçãoa industria e controle do cambio teremos uma profunda desmonetização de nossa economia . O Silencio na campanha petista acerca deste fato é insurdecedor.

https://veja.abril.com.br/economia/fed-sinaliza-mais-altas-de-juros-apesar-de-recuo-na-inflacao/

A crise atual começou lá atrás, no golpe de Estado de 1964, quando o Brasil abandonou o projeto estratégico de longo prazo. O país começou a se desindustrializar e a ditadura abriu o caminho para o neoliberalismo que viria anos mais tarde.

Os camaradas do Voz Operaria aqui dizem uma verdade inconstestavel, a ditadura militar produziu um enorme arrocho nas condições de vida dos trabalhadores. Em 2020 a antiga revista Ciência & Revolução publicou um texto reportando a perda do valor real do valor do salário mínimo.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2020/01/informe-ceral-2-janeiro-de-2020.html

Salario Minimo

A partir disso, tornamos um país cujo destino é decidido pelo Wall Street, JP Morgan, Goldman Sachs e entre outros bancos, os mesmos que quebraram em 2008 pelas suas falcatruas e foram salvos pelo Governo Obama com dinheiro público, cuja conta foi parar no bolso de todo o mundo.

Mas não foi a partir da ditadura militar que nossos destinos passaram a ser decididos em Wall-Street, mas sim a partir da segunda guerra mundial, após os acordos de Bretton Woods. Ver aqui texto da Organização Comunista Internacionalista francesa sobre a questão do padrão ouro.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2020/04/as-origens-da-atual-desagregacao-do.html

Em seu projeto internacionalista para controlar todos os países, os Estados Unidos impõem ao Brasil ser uma colônia exportadora de commodities, sem Indústria e sem Forças Armadas.

Não existe espaço para industria e forças armadas em um pais dominado como o Brasil , a principal burguesia imperialista, a burguesia dos EUA tutela militarmente até a Europa, usando a OTAN como ferramenta de subordinação contra as burguesias imperialistas europeias, não sem contradição. Voltamos aqui a ja supracitada avaliação da OCI francesa: “

Nixon deciciu não mais honrar seus cheques sem fundos e seus acordos de cavaleiros.

No fim da segunda guerra mundial, o imperialismo estadunidense distanciava-se – e de longe – de todos os outros imperialismos, tanto da Inglaterra e o da França, quanto da Alemanha e Japão “vencidos”.
Na conferência monetária de Bretton Woods, em 1944, o dolar é consagrado como padrão, equivalente ao padrão ouro ou como meio de pagamento internacional. O capital financeiro ianque domina assim, sem contestação, o mercado mundial, que ele contribuíra para restabelecer em 1949.

Para isso eles se aliaram aos traidores aqui dentro, os militares entreguistas do golpe de 1964 com a Oligarquia Paulistana, ressentida pela revolução de 1930, que tenta a qualquer custo destruir o legado de Getúlio Vargas, Jango e Brizola. 

Olha, camaradas, quando se fala de legado do PT, alem dos dados econômicos, o movimento que criou o PT, criou também a CUT e estabeleceu a maior estrutura sindical que ja tivemos no pais. Então é possível falarmos de legado do PT, mas legado de Vargas? Na época do imperialismo fase superior do capitalismo , não existe soberania nacional sem a organização da classe trabalhadora e o varguismo é tremendamente debil quanto a isso, diferente do petismo, que nasceu da luta sindical. O livro da historiadora Fabiane Junqueira, que concedeu uma entrevista para nós recenemente pode ajudar a derrubar este romantismo dos camaradas para com a Era Vargas.

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2022/01/06/entrevista-com-a-historiadora-fabiana-junqueira-autora-do-livro-caipiras-uni-vos/

O Brasil é um continente que tem todos os recursos para ser uma potência mundial,

Esta é realmente uma afirmação absurda. O que mostra o quando os camaradas abandonaram o conceito de imperialismo como fase superior do capitalismo. Citamos aqui um texto que é conhecido de vocês , pois vocês repercutiram quando do debate acerca do suposto imperialismo Russo

https://vozoperariarj.com/2022/03/07/suposto-imperialismo-russo-nunca-existiu-russia-e-anti-imperialista-e-contra-um-governo-global-parte-1/

porém já faz 15 anos que o país parou de crescer. Entre 2015 e 2021, 36,5 fábricas fecharam. A participação da indústria no PIB é a menor desde 1947 (ano em que o IBGE começou a fazer a contagem) chegando a apenas 11%. Sem indústria, os empregos criados são cada vez mais precários. Cerca de 39 milhões de trabalhadores estão na informalidade e 11 milhões desempregados. Sem indústria não há emprego, sem emprego não há consumo e sem consumo não há crescimento econômico. 

Também gastamos bastante tinta discutindo a guerra econômica da burguesia dos EUA para manter-se como principal burguesia mundial e ao mesmo tempo manter a estabilidade do sistema.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2020/03/pandemia-de-corona-virus-e-fruto-do.html

Os camaradas do Voz Operária apontam a figura acima comparando paises com relação a três itens, Produto Interno Bruto, área territorial e número de habitantes. Neste ponto os camaradas do Voz adotam uma posição comum entre os que defendem a linha chamada de miltipolaridade e o protagonismo do BRICS (grupo de paises formados por Brasil, Russia, India e China), pois apenas estes paises mais os EUA atenderiam a este critério. O economista Michael Roberts acompanhou de perto o desenvolvimento deste grupo e concluiu

A grande esperança da década de 1990, promovida pela economia do desenvolvimento que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) logo se juntariam à rica liga até o século XXI, provou ser uma miragem. Esses países permanecem também rans e ainda são subordinados e explorados pelo núcleo imperialista. Não há economias de classe média, no meio do caminho, que poderiam ser consideradas como “sub-imperialistas”, como alguns economistas marxistas argumentam. O rei mostra que o imperialismo está vivo e não tão bem para o povo do mundo. E a distância entre as economias imperialistas e o resto não está diminuindo – pelo contrário. E isso inclui a China, que não se juntará ao clube imperialista.

Gráfico mostrando a queda na taxa de lucro ao longo dos anos. Fonte: Livro Long Depression -Michael Roberts. Em especial a Longa depressão que começou juntou ao século XXI. Voltaremos a isso em próximas postagens, por hora recomendamos a leitura deste texto aqui

Para manter o quadro descrito acima, o golpe de Estado de 2016 iniciou uma reorganização do Regime Político, e por conseguinte, dos partidos políticos e do processo eleitoral. Essas mudanças nas regras eleitorais e partidárias, fortaleceram os caciques de partidos, que ditam a vida política de acordo com seus interesses e conchavos, e aumenta a tutela do judiciário na vida política nacional. A falência desse regime político, que governa de costas para os interesses nacionais, se reflete no recorde de abstenções e na repulsa que nutre o povo brasileiro do Establishment. 

Ha pouco tempo atras tentamos iniciar um debate acerca do balanço das causas do golpe de 2016 com o texto “Anulação do impeachment a via mais econômica para uma assembleia constituinte”, lamentavel e estranhamento este texto sofreu uma acusação de “plagio político” e ilegitimidade. Valeram-se do tal conceito de “lugar de fala” para tirar-nos o direito de defender esta bandeira. Mas neste texto é feito um balanço do retumbante fracasso da direção do pt e de todos os subgrupos a ela vinculadas em combaterem o golpe.

Esse sentimento contra as chamadas “instituições” ( Instituições essas que na verdade não existem porque o Brasil é um país onde a lei é violada a todo momento justamente por aqueles que deveriam defende-la) foi manipulando pela campanha do Bolsonaro em 2018. Por outro lado, Lula se coloca como defensor desse status-quo.

NO balanço do texto “A anulação do impeachment a via mais economica para uma assembleia nacional constituinte “, havia exatamente um balanço também da campanha por um plebiscito popular por uma constituinte(foto de capa). Citemos um trecho:

Como resposta as manifestações de 2013 Dilma vai a TV Pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff sobre as manifestações no Brasil – 21/06/2013 – YouTube e promete um pacto com 5 pontos:

1-Plano Nacional de mobilidade urbana

2-Destinação de 100% dos recursos do petroleo para a educação

3- Trazer médicos do exterior- Plano mais médicos

4-Constituinte para a reforma politica

5- Responsabilidade Fiscal

As massas aceitam o acordo com Dilma e as manifestações cessam, essa vitória acaba levando Dilma a reeleição. Porem, Dilma não foi capaz de cumprir todos os pontos do acordo, sem contar que existiam pontos contraditórios.

O ponto três foi executado como todos lembram, o ponto 4 , gerou uma grande campanha nacional, que ficou conhecida como Plebiscito por uma constituinte da reforma politica , aconteceu um ato na posse do segundo mandato de Dilma para que um plebiscito oficial fosse convocado. A constituinte é, como demonstramos na resenha do livro Ilusões Constitucionalistas , (ver C&R Numero 2-previsão de lançamento junho de 2021)(Nota de C&T a revista foi abortada pela extinção do Circulo de Estudos Revolucionários Anderson Luis) uma tarefa incompleta no Brasil , pautas tipicas da constituição dos Estados nacionais nunca foram atendida, como reforma agraria, controle dos recursos naturais, monopólio do comercio estrangeiro, controle do cambio, muitos desses pontos contradiziam o ponto 5 , responsabilidade fiscal , que inclusive conta no Brasil com pesada regulamentação que garante o superavit fiscal primário Governo propõe medidas para atingir superávit primário em 2016 — Português (Brasil) (www.gov.br) , que é o que o governo deixa de gastar e garante o pagamento dos juros da divida publica. Esse mecanismo é uma verdadeira bolsa banqueiro , que funciona como colchão de estabilidade dos papeis brasileiros no mercado financeiro. 

Lula e o PT criam hoje uma frente eleitoral para derrotar Bolsonaro, mas não apresentam um programa político para evitar próximos golpes ou para promover o fortalecimento do PT enquanto mobilizador social. Esse processo de atuação política à frio, ao invés de fazer progredir a luta de libertação nacional, legitima o regime político golpista, de intervenção do imperialismo norte-americano no país.

O discurso oficial da direção do pt é de mobilizar a militância para defender o eminente governo Lula, mas claro esta que teremos sim é uma militancia denunciando e entregando para a repressão todos aqueles que tecerem críticas ao futuro governo Lula. Todos aqueles que reclamarem compromissos históricos do PT . Não há mobilização alguma de campanha, não ha qualquer tipo de debate, aliás durante a pandemia a direção do PT e da CUT nada fizeram para defender os trabalhadores da exploração, assumiram a bandeira do “fique em casa”, mas sem a devida consequência, que seria a organização de uma greve sanitária. Ao contrario disso, a direção do pt ainda chamou a sua militância as ruas para a inútil eleição municipal

As traições de todos os agentes políticos desde 2013 são muitas, nesse período histórico. Não irei debater ou explicar e contextualizar a década de noventa e início dos anos 2000. Mas sim tratar das últimas traições e a impossibilidade de derrotar a direita, pois a mesma foi alimentada e criada pela conciliação que nos trouxe até aqui. 

Mas talvez fosse necessário lembrar que, durante o governo do PT batemos recordes de assassinatos de sindicalistas (ver aqui). E a população carceraria aumentou como nunca. O que denuncia o apodrecimento daquilo que hoje, a direção do PT chama de “Estado democratico de direito”

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/p/plantados-no-chao-natalia-viana.html

Em 2013 e 2014 passamos pelos protestos de rua financiados com fundos dos Estados Unidos – após anos de silenciamento e de relativa estabilidade do regime político – com as jornadas de junho, uma Copa do Mundo e uma Olimpíadas que não deixaram nenhum benefício para a população do Brasil, ao contrário o legado foi um grande endividamento. Dilma apresentou uma pequena carta de intenções para reorganizar as cidades e efetuar reformas.

Discutimos acima esta questão, a falta de uma campanha real por uma assembleia constituinte soberana que passasse o pais a limpo, fizesse a reforma agraria e defendesse os recursos naturais como discutimos na resenha de a Atualidade de Ilusões Constitucionalistas

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2022/01/24/a-atualidade-de-ilusoes-constitucionalistas-de-vladimir-lenin1-a-luta-por-uma-assembleia-constituinte-soberana-frente-a-putrefacao-do-sistema-capitalista-notas-preparatorias-para-um-debate-pro/

A carta de intenções como de práxis não saiu do papel. Dilma vai ao segundo turno contra Aécio Neves (PSDB-MG) que faz um debate muito mais agressivo que os anos anteriores. Aécio não reconhece a derrota. Temer (PMDB-SP), vice de Dilma, é procurado por vários setores do Exército, da imprensa capitalista e do Congresso Nacional, para irem minando o governo por dentro.

Aqui falta o balanço do papel do imperialismo dos EUA . Que vocês fazem reiteradamente em suas paginas.

Mas golpe inicia de fato no judiciário, com um tribunal sem importância, com a reprovação das Contas do governo Dilma pelo TCU. Joaquim Barbosa dizia que “o TCU é o playgraund de políticos fracassados”. 

Esse mesmo judiciário, não foi reformado. Hoje persegue e ataca agentes políticos do Estado e empresas brasileiras. Inventam leis, esmagam o direito de greve, atropelam a presunção da inocência, destroem a liberdade de expressão e de organização política, etc.

O golpe avança graças à complacência e traições da “oposição”. Por exemplo, as mudanças de direção na “greve geral”– que não foi greve – no meio do dia nacional de mobilização; a entrega negociada de Lula no ABC; a não realização da greve sanitária na pandemia; a campanha eleitoral em 2020, no meio da pandemia colocando o povo e a militância para morrer de covis-19, foram algumas dessas traições.

Lembremos também o tsunami da educação freado para ouvir a Vaza Jato

Lula e o PT dizem que querem voltar ao governo para “reconstruírem o Brasil”, mas ora, se o projeto político dessa gente se limita a reconstruir aquilo que eles não foram capazes de defender quando tiveram a oportunidade, demonstra que é um partido incompetente para ditar os rumos de uma nação continental como o Brasil. Eles não fizeram nada para evitar o golpe e não fizeram nada para resistir, além daquelas manifestações performáticas e inócuas que essa esquerda caricata adora fazer. Como podem falar em reconstrução do país se querem manter o neoliberalismo. Fazem as mesmas coisas e esperam resultados diferentes? Somente loucos podem agir assim!

Lula não dá nenhuma evidência que vai recuperar o patrimônio nacional pilhado pelo golpe de Estado de 2016. Ao contrário, os fatos do passado, quando eles estiveram 12 anos governando a República sem aplicar nenhuma reforma e as recentes traições, nos dão os elementos para afirmar que eles não vão mudar nada! Além disso, o Brasil e o mundo de 2022 é completamente diferente de 20 anos atrás, sendo impossível reeditar o mesmo processo ocorrido no primeiro governo petista.  

A indicação do tucano Alckmin à vice-presidência veio para derreter os delírios daqueles que acham que Lula vai voltar para mudar. Ele está unido com os mesmos que governam desde FHC. Essa aliança nos dá dois elementos fundamentais para uma análise política: o primeiro e mais evidente é que consagra a subscrição do PT ao projeto neolineral e o segundo, a subordinação do Brasil ao projeto internacionalista de Poder dos EUA. Isso fica claro quando o Papa Francisco concedeu a libertação do Lula da cadeia, que resultou no aspecto eleitoral, na aliança dos jesuítas representados no Lula e a ala conservadora da Igreja, da Opus Dei, representada por Alckmin. 

Esse ultimo elemento é o principal para a análise política, por ele decorre na construção de toda engenharia política brasileira. Por exemplo, A classe política somente se movimenta nessa campanha de 2022 por pautas internacionais, tais como: a questão da Amazônia, já que os EUA e a União Europeia querem internacionalizar a Amazônia, e eles só podem chegar nesse objetivo com o Lula.

Lembremos aqui a gravissima divergencia que surgiu quando Leonardo Boff, Marcia Tiburi e outros setores ligados ao Forum Social Mundial pediram que as Nações Unidas intervissem no Brasil contra Bolsonaro.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2021/02/a-armadilha-do-fora-bolsonaro-e-parte.html

A idiotia paira no Brasil, enquanto o STF se preocupa em censurar seus críticos, o mundo caminha para iminência de uma guerra nuclear. A inflação mundial, a crise alimentar, dos combustíveis e financeira internacional vão ressoar mais forte no Brasil, ainda no próximo ano de 2023. Todas as projeções econômicas para o ano que vem são piores, a Economia Brasileira está no buraco e a dívida pública só cresce.

Manter o país se baseando na exportação de commodities e agronegócio não é economia, não mantem nada hoje e não garante futuro. Quem está no poder no Brasil se vanglória de sermos o “celeiro do mundo”, mas no celeiro metade da sua população está em insegurança alimentar, a comida está um preço altíssimo que compromete 70% do orçamento das famílias.

De onde vai sair o dinheiro, o agronegócio já está comprometido, para promover as mudanças que o Brasil precisa se ninguém quer industrializar o país, que é de onde realmente um país extrai riqueza.

O agronegócio é um dos maiores emissores de carbono do mundo, certamente iisso sera utilizado contra esse setor como forma de tomar este mercado da burguesia brasileira.

https://forbes.com.br/forbesagro/2022/09/agro-pode-reduzir-a-emissao-de-carbono-em-11-bilhao-de-toneladas/#:~:text=O%20agroneg%C3%B3cio%20%C3%A9%20respons%C3%A1vel%20por%20pouco%20mais%20de,conscientes%20e%20que%20buscam%20a%20mitiga%C3%A7%C3%A3o%20de%20CO2.

Vemos como esses governos dessa nova “onda de esquerda” na América Latina adotam posições hostis aos russos: exemplo, Argentina vota contra Rússia na ONU, Chile bajula Zelensky e Lula hostiliza a Rússia por reagir às provocações da Nato de forma militar. Essas posições pró-NATO e vacilantes são muito perigosas para o Brasil em um momento de crise, onde o Brasil precisa adotar o lado de defesa dos BRICS para garantir sua própria sobrevivência. 

Os dados acima levantados ja mostram que nao vai existir BRICS. Abaixo uma tradução de um texto de Michael Roberts mostrando como o BRICS é incipiente para resistir aos EUA .

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2022/07/24/traducao-desenvolvimento-economico-socialista-uma-revisao-o-livro-de-jabbour-e-gabriele/

Entretanto, tudo indica que teremos um próximo governo, caso Lula seja eleito, muito mais subordinado as pressões dos Estados Unidos do que foram os seus governos anteriores. Que na sua época se limitou em defender os interesses comerciais brasileiros à nível internacional, mas que agora não existem mais, porque a Lava Jato destruiu nossas empresas e Lula não dá nenhuma evidencia que vai recupera-las.

Os movimentos sociais, MTST, MST, as organizações indígenas e ONGs se reuniram com o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, para pedir aos EUA apoio nas eleições brasileiras. Já no ano passado, Lula foi pedir vacina para o Biden. Eles estão referendando os golpes dos EUA aqui dentro o tempo todo.

Mais uma vez temos que relembrar nosso 7 de setembro. O Brasil só será verdadeiramente soberano se nosso povo assumir para si a responsabilidade de ditar os rumos da nação, não ficar esperando saídas fáceis apontadas por caudilhos e nem se deixar se chantagear por medo e ameaças do menos pior. Chega! O neoliberalismo não mais no Brasil. Temos que recuperar o patrimônio que os EUA tiraram de nós e industrializar o país.

Tudo isso é necessário, mas todas essas responsabilidades recaem unicamente sobre a cabeça da classe trabalhadora organizada. Hoje o atual quadro organizativo da classe trabalhadora , os atuais dirigentes , oriundos do combate a ditadura militar parecem totalmente submissos ao imperialismo. A convivência das organizações dos trabalhadores nos marcos burgueses faz as direções darem as costas as suas bases . Neste sentido precisamos retomar Trotsky:

“Entre a democracia e o fascismo não há ”diferença de classe”. Isso significa, evidentemente, que a democracia como o fascismo têm um carácter burguês. Nós não esperámos Janeiro de 1932 para o adivinhar. Mas a classe dominante não vive isolada. Ela encontra-se nas relações determinada com as outras classes. No regime ”democrático” da sociedade capitalista desenvolvida, a burguesia apoia-se em primeiro lugar na classe operária domesticada pelos reformistas. É na Inglaterra que esse sistema encontra a sua expressão mais concretizada, tanto sob um governo trabalhista como sob um governo conservador. Em regime fascista, numa primeira fase pelo menos, o capital apoia-se sobre a pequena burguesia para destruir as organizações do proletariado. A Itália por exemplo! Existe alguma diferença no ”conteúdo de classe” desses dois regimes? Se se coloca a questão somente a propósito da classe dominante, não há diferença. Mas se se tomar a situação e as relações recíprocas entre todas as classes do ponto de vista do proletariado, a diferença é muito grande.” Aqui aparentemente Trotsky caminharia para uma posição de defesa da Social democracia , uma defesa necessaria , enquanto a social democracia representa algum tipo de organização para os trabalhadores. Continuemos com Trotsky:

“No decurso de várias dezenas de anos os operários construiram no interior da democracia burguesa, utilizando-a ao mesmo tempo lutando contra ela, seus bastiões, suas bases, seus focos de democracia proletária: os sindicatos, os partidos, os clubes de formação, as organizações desportiva, as cooperativas, etc. O proletariado pode chegar ao poder não num quadro formal da democracia burguesa mas pela via revolucionária: isto está demonstrado tanto pela teoria como pela experiência. Mas é precisamente por esta via revolucionária que o proletariado necessita de bases de apoio da democracia proletária no interior do Estado burguês. Foi na criação de tais bases que se reduziu o trabalho da IIª Internacional na época onde ela preenchia ainda um papel histórico progressista.” Então a de se defender a democracia burguesa?

“O fascismo tem por função principal e única destruir todos os bastiões da democracia proletária até aos seus fundamentos. Será que isso tem ou não um ”significado de classe” para o proletariado? Que os grandes teóricos se debrucem sobre este problema. Tendo qualificado o regime de burguês – o que é indiscutível – Hirsch, como seus mestres, esquece um detalhe: o lugar do proletariado nesse regime. Eles substituem ao processo histórico uma abstracção sociológica árida. Mas a luta das classe é levada sobre o terreno da história e não na estratosfera da sociologia. O ponto de partida da luta contra o fascismo não é a abstracção do Estado democrático mas as organizações vivas do proletariado, onde é concentrada toda a sua experiencia e que preparam o futuro.” Tudo que a direção do PT fez nos ultimos anos , foi enfraquecer as organizações dos trabalhadores , adapta-las, fragiliza-las, tirar delas as minimas condições de combate. Trotsky co tinua:

 “facto que a passagem da democracia para o fascismo possa ter um carácter ”orgânico” ou ”progressista” não significa evidentemente nada de diferente a não ser que seja impossível de retirar ao proletariado sem perturbações nem combate não somente as suas conquistas materiais – um certo nivel de vida, uma legislação social, direitos cívicos e políticos – mas também o instrument principal dessas conquistas, isto é suas organizações. Assim, essa passagem ”a frio” para o fascismo pressupõe a mais terrível capitulação política do proletariado que e possa imaginar.”

Pode se imaginar uma capitulação mais vergonhosa do que a que a direção petista se submeteu ao entregar lentamente, um após outro de seus dirigentes , a submter-se ao impeachment sem crime, ou ao entregar ao maior de todos os lideres o próprio Lula? Sim , aparentemente sim, a maior de todas as capitulações foi calar-se diante da pandemia e não chamar nenhuma forma concreta de luta , que não irresponsáveis mobilizações de rua, que de nada serviam, quando existia a possibilidade da greve sanitária. E os dirigentes petistas ainda tinham a “cara de pau” de dizer para a base que a maioria dos trabalhadores estava exposto ao vírus no transporte, então por isso todos os quadros da classe trabalhadora também deviam. Essa sim foi a mais vergonhosa e imperdoável de todas as capitulações , que revelou o definitivo apodrecimento de uma direção partidaria.

Tradução: Desenvolvimento econômico socialista – uma revisão-O Livro de Jabbour e Gabriele

Traduzimos mais um texto do economista marxista britânico Michael Roberts, original aqui. Micharl Roberts, desta vez, discute o lançamento de um livro dos economistas brasileiros Alberto Gabriele(aqui perfil no site da Boitempo) e Elias Jabbour(aqui perfil no site da Boitempo), entitulado China e o Socialismo do Seculo XXI. O livro é lançado pela Boitempo, onde podemos ler a seguinte apresentação:

Escrito para o público geral, o livro China: o socialismo do século XXI é um meticuloso trabalho teórico e estatístico de Elias Jabbour e Alberto Gabriele. A obra analisa a República Popular da China, gigante que se tornou, nas últimas duas décadas, a locomotiva do sistema econômico mundial. Afinal, o que é o socialismo chinês? É possível afirmar que difere do capitalismo tal qual o conhecemos até aqui, embora ainda seja prematuro defini-lo como alternativa consolidada.

 
Com uma postura crítica, os autores não desconsideram a complexidade da China e fogem de preconceitos ideológicos como enquadrar o país como mais um fracasso socialista ou, na via oposta, como um paraíso do comunismo realizado. Oferecem ao leitor uma abordagem materialista, que analisa a peculiaridade das relações de propriedade e das ferramentas de planejamento/projetamento vigentes no país. Tudo isso para apontar seu papel crucial como alternativa realista à anarquia do capital.
 
A obra apresenta um país que conseguiu, durante décadas, alcançar uma das taxas de crescimentos mais estáveis da história, passando de um dos mais pobres do mundo a segunda economia do planeta e que possui vasta base industrial e científica, sem ignorar que o sistema socioeconômico chinês também carrega contradições sérias que precisam ser analisadas e criticadas.   
 
Silvio Almeida, que assina a quarta capa, afirma que “o livro de Elias Jabbour e Alberto Gabriele é um trabalho corajoso. E aqui não se trata de exaltar um aspecto moral, externo à obra. A coragem a que me refiro é um atributo essencial às grandes empreitadas intelectuais que objetivam iniciar um debate público e orientado pela ciência em torno de temas fundamentais. É com esse propósito que os autores enfrentam o desafio de analisar a formação econômico-social da China e os sentidos do socialismo. É um livro que tende a tornar-se ponto incontornável nas discussões sobre as singularidades da economia chinesa e, por consequência, das possibilidades de ressignificação do socialismo”.
 
Já Luiz Gonzaga Belluzzo escreve “este livro, magnificamente organizado e escrito por Elias Jabbour e Alberto Gabriele, gratificará o leitor com os sabores incomparáveis da aventura intelectual. Na vida do conhecimento e da compreensão da sociedade e da economia devemos sempre almejar à desconstrução do estabelecido e buscar os desafios do novo que nasce do movimento dos homens e de suas relações. É isso o que nos oferecem Jabbour e Gabriele. A aventura dos autores empenha-se em descobrir no socialismo da China a construção de uma nova formação econômica e social que instiga a perplexidade dos conformistas que não se cansam de indagar: Capitalismo de Estado ou Socialismo de Mercado?”
 
Trecho da orelha


“Elias Jabbour e Alberto Gabriele estão entre os mais destacados estudiosos da China contemporânea e dos processos de transformação em curso, que ultrapassam suas fronteiras e abrem as perspectivas de novas formas de existência. Os autores entregam neste livro um rico material analítico e empírico e propõem uma síntese original entre o marxismo, o estruturalismo e o keynesianismo que não pode ser ignorada pelos cientistas sociais”.

– Carlos Eduardo Martins

https://www.boitempoeditorial.com.br/produto/china-1156

China e as economias planificadas

A extinta revista Ciência & Revolução fez um texto combatendo o termo “decolonialidade”, fortemente divulgado por Jarbour e outros economistas, ditos desenvolvimentistas, em uma live no yotube. A fala de Jabbour é criticada nos seguintes termos:

A palavra, então, é passada para Elias Jabour que diz que estudou Lenin e que Lenin foi o teórico do desenvolvimento econômico russo. Mas Lenin também escreveu sobre o imperialismo. Foi Lenin quem definiu o imperialismo como fase final do capitalismo, estudando em particular as grandes potências. Seria Lenin então um colonizado? Lenin entendia muito bem a posição da Rússia no mercado mundial e entendia que o mercado mundial estava em processo de degradação, o que ficou conhecido como Primeira Guerra Mundial. Marx tinha previsto a queda da taxa de lucro e depois Lenin constatou o fim dos mercados “disputáveis” e a conclusão do processo de partilha do mundo entre grandes potências. Conclusão, no sentido de que todos os mercados estavam dominados por alguma grande potência e que a alternância da potência dominante só poderia ocorrer via enfrentamento bélico. Dizendo em bom português: na bala! Então, ainda assim, mesmo depois desses sucessos do pensamento econômico marxista, ainda é possível que alguém afirme que não existe um pensamento econômico de aplicabilidade universal, negando praticamente a existência de um mercado econômico global, negando a existência de um modo de produção em escala planetária.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2021/01/decolonialidade-ultima-moda-nos-meios.html

Nos fatos a discussão sobre as economias planificadas sempre foi uma das grandes dificuldades para as organizações dos trabalhadores. Este tema foi abordado também na extinta revista Ciência & Revolução ver aqui. Onde um trecho de um texto de Pierre Lambert , acerca da Alemanha coloca o problema do aparato Estalinista e da submissão das organizações operarias ao imperialismo

4- Um processo contraditório em que se combinam, depois da guerra, ao mesmo tempo, as conquistas sociais mais desenvolvidas arrancadas ao imperialismo alemão, pelo proletariado na Alemanha Ocidental , e na Alemanha oriental , as conquistas sociais geradas pela propriedade social ; na qual na Alemanha do Oeste , com direitos democráticos, direito de reunião, liberdade de imprensa e de organização , reconstituíram-se o Partido Social Democrático como partido operário-burguês e os sindicatos independentes , dominados por um aparelho operário-burguês, e na Alemanha \Oriental a classe operária foi expropriada politicamente; enquanto que a divisão da Alemanha criava o terreno para uma questão nacional. 

5- Esta breve analise implica que a reunificação da Alemanha significa para o movimento operário a reconstituição de uma luta de classes que tende necessariamente à unificação. Significa o desaparecimento do poderio constrangedor do estalinismo (sífilis do movimento operário denunciado por Trotsky) e a desestabilização da social-democracia. 

Os restos do partido estalinista o PDS, completamente enfeudado não mais a Moscou mas a Washington, tornam-se hoje, em combinação direta com sua componente pablista (Moneta/Wolf), o centro do centrismo reacionário na Alemanha. 

Centrismo reacionário cuja a função não é apenas a proteção de Schroeder (destruição sistemática de todas as forças que entram em resistência contra Schroeder), mas a de ser ponta avançada da reação, da privatização, pela destruição das bases industriais do capitalismo, da força de trabalho e aniquilação do que resta de propriedade social, como pratica a coligação SPD/PDS, no poder no senado de Berlim. 

Isso, evidentemente , no quadro mundial da decomposição do sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção, tendo a ossatura a Europa de Mastricht , a globalização , o FMI  a OMC, etc. 

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2019/11/trinta-anos-da-queda-do-muro-de-berlin.html

Lambert faz, neste trecho, um curto balanço do desabamento das economias planificadas do Leste Europeu, mas das grandes economias planificadas permanece a China. Um outro texto, ja aqui em Ciencia dos Trabalhadores, remonta as guerras do petroleo, sendo uma reflexão que nunca demos a devida continuidade, em especial quanto a questão do choque de juros nos Banco Central dos EUA. Neste texto é apresentado algumas citações de reflexões do lider bolchevique e fundador da IV Internacional Leon Trotsky, que foi , certamente, o lider operário que mais dedicou tempo a analisar as economias planficiadas, dando definições mais precisas para essas economias e ainda prevendo o seu desabamento. Em outra oportunidade, daremos continuidade a este tema revisitando as reflexões de Trotsky , porem agora , para que este texto nao fique por demais extenso. Nos limitaremos a passar mais uma vez a palavra ao professor Michael Roberts.

Desenvolvimento econômico socialista – uma revisão

Recentemente participei de um seminário de zoom para revisar um novo livro intitulado Desenvolvimento Econômico Socialista no Século XXI por Alberto Gabriele e Elias Jabbour. Gabriele é Pesquisador Sênior em Sbilanciamoci, Roma, Itália e Elias Jabbour é Professor Assistente na Escola de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.

Você pode ver os comentários dos vários revisores (incluindo o meu) e as respostas dos autores (aqui). Mas abaixo está uma revisão mais considerada do livro. O sopro do livro diz que Gabrieli e Jabbour “oferecem uma interpretação nova, equilibrada e historicamente enraizada dos sucessos e fracassos da construção econômica socialista ao longo do século passado”.

E como diz o prefácio de Francesco Schettino: “A este respeito, é interessante notar que há cerca de um ano um economista de renome internacional, Branko Milanovic, publicou um artigo no El Pais, argumentando que o setor público da China constitui apenas um quinto de toda a economia nacional, e, portanto, a RPC não é substancialmente diferente dos países capitalistas comuns.”

A afirmação de Milanovic é totalmente expressa em seu livro, Capitalismo Sozinho, no qual ele pinta um quadro de uma dicotomia entre a “democracia liberal” (capitalismo ocidental) e o “capitalismo político” (China autocrática). Essa dicotomia parece falsa para mim. E isso surge porque, é claro, Milanovic começa com sua premissa (não comprovada) de que um modo alternativo de produção e sistema social, ou seja, socialismo, é descartado para sempre, pois não há classe trabalhadora em torno de capaz ou disposto a lutar por ele.

A discípula de Milanovic, Isabelle Weber, também publicou um aclamado livro intitulado How China escapeed shock therapy. Isso teve um impacto amplo e significativo nos círculos acadêmicos de esquerda, endossados como é por Milanovic. Weber argumenta que o Estado manteve seu controle sobre as “alturas dominantes” da economia chinesa, pois passou do planejamento direto para a regulação indireta através da participação do Estado no mercado. De fato, “a China cresceu no capitalismo global sem perder o controle sobre sua economia doméstica”.

Weber parece argumentar que a China tornou-se capitalista pelo menos a partir do ponto da liderança de Deng em 1978 e todos os debates posteriores foram sobre até onde ir, ou seja, se iria para a “terapia de choque” ou movimentos moderados em direção a “mais capitalismo”. Mas Weber é ambíguo na base econômica do Estado chinês. A China “cresceu no capitalismo global” mas ainda assim “manteve seu controle sobre as alturas dominantes”.

Gabrieli e Jabbour são muito mais claros sobre a natureza da economia e do Estado chineses. Sua análise da China é sutil, mas é claramente uma refutação robusta da tese de Milanovic de que a China é uma forma de capitalismo, embora dirigida por políticos (?) e não capitalistas como no Ocidente. Os autores não se sentam na cerca como Weber. Em vez disso, eles (corretamente) argumentam que a China é uma economia e estado “orientados para o socialista”, muito diferente do capitalismo, democrático ou autocrático. “O sucesso econômico da China não é resultado do capitalismo, mas de sua transição para o socialismo. É uma nova formação econômica social (SEF) que está além do capitalismo.” 

Os autores consideram que seu termo “orientado para o socialista” é útil porque é “facilmente compreendido em seu significado comum” onde “forças políticas reivindicando oficialmente e credivelmente estar engajadas em um processo que visa estabelecer, fortalecer ou melhorar e desenvolver um sistema socioeconômico socialista, e b) podem (ou poderiam) de fato serem consideradas razoavelmente socialistas, ou seja, ter avançado para o socialismo ao longo de pelo menos algumas dimensões (principalmente positivas) mensuráveis em um espaço multi-vetório representando características econômicas e sociais fundamentais fundamentais.” Assim, “se o Estado exerce ou não (direta e indiretamente) um papel decisivamente hegemônico na condução da economia nacional… é obviamente um benchmark crucial (embora não exclusivo) para avaliar até que ponto a economia da China pode ser considerada socialista.” O Estado deve dominar, mas também aqueles que controlam o Estado devem estar “com credibilidade engajados” na tentativa de desenvolver o “sistema socioeconômico socialista”.

Os autores admitem que este é um “sentido muito mais fraco” do que se entende por um sistema econômico socialista que tradicionalmente é “um Estado-nação (Estado? – MR) quando o princípio de cada segundo o seu trabalho é universalmente aplicado e não existem formas de propriedade privada e de renda pessoal não laboral – poderia ser considerado totalmente socialista. É evidente que tal estrutura distribucional puramente socialista não existe em nenhum lugar do mundo contemporâneo.”  

Os autores rejeitam o que consideram uma formulação “ultrapassada” do socialismo e optam pelo que consideram novas formações econômicas sociais. Eles acham que já existem “formas embrionárias de socialismo – juntamente com o capitalismo e os modos de produção pré-capitalistas… estão presentes em alguns países em desenvolvimento. Consistentemente, nos referimos a eles como SEFs orientados para o socialista, estruturados em torno de modelos de mercado-socialismo relativamente semelhantes, apesar do nível muito desigual de desenvolvimento de suas respectivas forças produtivas.”

Os autores argumentam que “a URSS e a maioria dos estados socialistas europeus inicialmente alcançaram altas taxas de crescimento econômico, mas sua trajetória de desenvolvimento acabou se esgotando. Devido a contradições internas, isolamento tecnológico e pressão externa implacável, a URSS e seus aliados quebraram, a princípio, o domínio exclusivo das potências capitalistas na economia mundial, mas nunca conseguiram superar totalmente suas contradições internas e eventualmente entraram em colapso.” Em contraste, embora você possa argumentar que “as reformas orientadas ao mercado implicavam um retrocesso em relação à natureza muito socialista do sistema socioeconômico da China”, na verdade ela “levou a um extraordinário desenvolvimento de forças produtivas e transformou a República Popular da China (RPC) em um novo tipo de SEF”.

Neste ponto, nossos autores tornam-se um pouco tímidos ou provisórios sobre onde seu argumento está tomando-os. “O termo ‘socialismo de mercado’ pode implicar, de nossa parte, um reconhecimento implícito de que o sistema socioeconômico atual da China é de fato uma forma de socialismo, embora imperfeito. Conservadoramente, nós (assim como, na maioria dos casos, os próprios líderes do CPC) preferimos não defender nem negar tal engajamento.”

No entanto, rejeitam a designação da China como capitalista estatal. “o (muitas vezes subestimado) peso da propriedade pública direta e indireta dos meios de produção e, mais amplamente, a profundidade e extensão do controle estatal sobre as alturas dominantes da economia não nos permitem ver o capitalismo de Estado como a característica dominante do sistema socioeconômico atual das Chinas.” Em vez disso, a China se desenvolveu como uma economia orientada ao socialista, onde o Estado “pode determinar no curto a médio prazo a participação, a taxa de investimento, sua ampla composição setorial, o nível e a composição das despesas sociais e o nível de demanda efetiva. A longo prazo, planejadores em economias de mercado planejadas orientadas a socialistas podem definir a velocidade e (em certa medida) a direção da acumulação de capital, da inovação e do progresso técnico, e afetar significativamente a estrutura dos preços relativos por meio de intervenções industriais e outras políticas compatíveis com o mercado. Portanto, eles… consciente e cautelosamente orientam o desdobramento da lei de valor socioeconômico, a fim de alcançar resultados ex-pós e ecológicos superiores àqueles que teriam sido produzidos automaticamente simplesmente seguindo sinais de preço de mercado.”

Então, finalmente, nós temos isso. A China e outros países como Vietnã e Laos não são como estados tradicionais “socialistas”, como a União Soviética, Cuba, Coreia do Norte ou o leste europeu do pós-guerra. A China entregou uma nova formação econômica social que poderia ser chamada de “socialismo de mercado”. E esta é a base do fenomenal sucesso econômico da China, não da economia planejada da União Soviética, onde existem pouca ou nenhuma “formas de propriedade privada”. Em vez disso, é um Estado orientado para os socialistas com planejamento no nível macro, enquanto o capitalismo e o mercado regem no nível micro de forma fundamentalmente harmoniosa. Essa nova formação econômica social é um modelo do futuro para as sociedades que derrubaram o capitalismo e estão no caminho do socialismo.

Agora tenho profundas dúvidas sobre esta formulação de economias orientadas para os socialistas. Minha primeira pergunta ou crítica à abordagem de Gabrieli e Jabbour é baseada na teoria do valor de Marx. No livro, há uma extensa seção sobre a teoria do valor. Nesta seção, os autores adotam a teoria do valor do neo-ricardiano Piero Sraffa em preferência à de Marx. Segundo eles, “a tarefa de resgatar a abordagem clássica (que se equiparam à teoria de valor de Marx) foi deixada à teoria clássica moderna, pioneira por Sraffa e outros economistas heterodoxos, entre os quais Garegnani era proeminente. Como este último apontou, Sraffa (além de criticar efetivamente a teoria marginal) recodou a abordagem clássica e resolveu algumas dificuldades analíticas cruciais que escaparam de Ricardo e Marx.”

Realmente? Na minha opinião, a teoria do valor marxista tem sido melhor defendida por vários estudiosos marxistas tanto contra a teoria neoclássica quanto contra as suposições neo-ricardianas de Von Bortkiewicz e Sraffa, entre outros – por exemplo. Kliman, MoseleyMurray Smith. Uma das principais falhas na teoria de valor de Sraffa é que ela exclui o tempo, enquanto Marx fornece uma abordagem temporal. Sem incorporar o tempo, qualquer teoria de valor se torna absurda.

Eis o que dizem os autores: tendo em conta a contribuição de Sraffa, os preços de produção podem ser vistos teoricamente como aqueles decorrentes da resolução de um sistema de equações simultâneas, definindo conjuntamente uma fotografia do sistema capitalista em um determinado momento do tempo (e, portanto, elegantemente ignorando a necessidade de assumir retornos constantes à escala). Como tal, podem ser interpretados formalmente como restrições lógicas intrínsecas necessárias para o funcionamento do sistema, em vez de objetos econômicos empiricamente observáveis reais.” Assim, a teoria do valor de Marx torna-se apenas uma foto em um determinado momento do tempo, um conjunto de equações em vez de real ou empiricamente observável. Em vez da abordagem temporal de Marx, os autores aceitam os erros simultâneos de seus críticos.

Os autores reconhecem que “o chamado teorema fundamental da Sraffian – se e somente se os trabalhadores forem negados todos os bens que produzem será positivo – não requer, por si só, uma teoria do valor trabalhista (! – MR)Os autores, por sua vez, rejeitam a abordagem de muitos economistas marxistas que podem mostrar a conexão lógica (e empírica) entre valores totais agregados e preços totais na produção. Ao aceitar a crítica de Sraffa, eles concluem que “ambas as igualdades nos agregados não exigem que nenhuma teoria trabalhista de valor seja válida, e são compatíveis com uma interpretação agnóstica e fraca da LV”.

E o que é essa interpretação fraca? Bem, podemos abandonar o axioma de Marx da igualdade de agregados e “defender uma interpretação não fetichista” (e, portanto, baseada no trabalho) da LV… através da abordagem equações simultâneas, sem se repetir ao princípio da conservação do valor.” Assim, a conexão entre valores trabalhistas e preços no modo capitalista de produção é cortada e a rentabilidade do capital não é mais determinada em última instância pela criação e apropriação do valor excedente: “achamos que os cientistas sociais não devem permanecer indevidamente fixados em modelos formais aparados na uniformidade da taxa de lucro entre as indústrias”. 

Os autores carecamente vêm limpos com sua opinião: “Desenvolvimentos recentes tendem a confirmar a visão fundamental de Sraffa: os preços da produção e a taxa de lucro são determinados simultaneamente. A famosa fórmula de Marx para a definição e cálculo da taxa média de lucros, portanto, não é geralmente válida.” É evidente que os autores não digeriram a riqueza do trabalho feito por estudiosos marxistas mostrando a validade empírica da teoria de valor de Marx e sua lei de rentabilidade – os leitores deste blog estão bem cientes disso. (Veja Mundo em Crise e A Longa Depressão).

Em vez disso, os autores aceitam a crítica dos neo ricardianos de que Marx não mostrou a conexão (ou falta dela) entre valores e preços. Eles afirmam “É sabido que o próprio Marx percebeu que o grau de conclusão de seu sistema não era totalmente satisfatório, e por isso, durante sua vida, ele não publicou o material contido no que foram posteriormente tornados os volumes II e III da Capital. Essa tarefa foi realizada mais tarde por Engels, depois de muitos anos de minuciosamente perusing notas manuscritas de Marx.” Bem, pode ser bem conhecido pelos autores que Marx estava errado, mas trabalhos subsequentes de autores marxistas refutaram essa visão e, além disso, refutaram a acusação de que Engels foi o culpado por publicar os erros de Marx nos Volumes 2 e 3 do Capital.

De volta à Sraffa. “Sraffa estava muito entusiasmado que, na produção capitalista, o trabalho está em pé de igualdade com cavalos de embalagem (com salários de subsistência assimilados ao feno). Portanto, não há nada de especial que o trabalho transmita ao valor das mercadorias… Afinal, isso é fiel à ideia de Marx de que o trabalho no capitalismo é uma mercadoria, produzida, operada, mantida, sucateada e reproduzida como qualquer outro insumo. … Sraffa completou autônomamente uma solução para a qual Marx estava muito próximo.” Mas Marx não estava muito próximo dessa “solução” porque a rejeitou em favor de uma teoria de valor baseada no trabalho abstrato e no tempo de trabalho socialmente necessário. Ele não teria aceitado a “produção de commodities por mercadorias” (e não mão-de-obra) de Sraffa.

O ponto principal da teoria de valor de Marx é que o trabalho não é apenas uma mercadoria como qualquer outra; é especial em que apenas o trabalho cria valor. As mercadorias (como cavalos de embalagem) não criam um novo valor. Novo valor só é criado quando os cavalos de embalagem são colocados para trabalhar pelo trabalho humano. Os cavalos de embalagem nesse sentido são os mesmos que as máquinas: as máquinas não criam valor sem o trabalho humano controlá-los (a história dos robôs que deixo para outro dia).

Que os autores devem aceitar a opinião de Sraffa é decepcionante. Mas por que tudo isso importa e o que tem a ver com a China como um país socialista? Bem, os autores explicam por que querem a teoria do valor de Sraffa e rejeitam a de Marx. É porque “por si só, a existência de superávit não comprova a existência, ou inconteutária, da exploração de classes, e não permite determinar precisamente o grau de justiça e justiça em uma determinada sociedade”. Em outras palavras, podemos remover a distinção chave entre o valor excedente de Marx sob o capitalismo e substituí-lo por um excedente criado pela produção de “commodities”, não valor. Como dizem os autores: em nossa opinião, qualquer que seja a interpretação desta questão, a lei do valor em seu sentido fraco (minha ênfase) se aplica tanto ao capitalismo quanto ao socialismo“. Segundo os autores, se há valor excedente criado pela exploração do trabalho e apropriado pelos capitais privados não é mais a diferença fundamental entre o modo capitalista de produção e o socialismo. O que importa é o excedente (não o valor excedente) e como ele é controlado. Os modos capitalistas e socialistas podem, portanto, ser harmonizados na transição para o socialismo. Essa interpretação da lei de valor sob o capitalismo permite que eles afirmem que não há contradição entre o planejamento estatal e a economia de mercado, pois ambos os modos podem trabalhar em harmonia para impulsionar o excedente. Ou como Deng famosamente disse: “Não importa se um gato é preto ou branco, desde que pegue ratos.”

Em minha opinião, essa abordagem voa em face não só da teoria econômica marxista, mas também vai contra a realidade, negando a contradição fundamental e irreconciliável entre o modo capitalista de produção para o lucro do capital e um sistema de produção socialmente de propriedade social para a necessidade social.

Isso nos leva à natureza das economias transitórias onde a classe capitalista foi derrubada e perdeu o poder do Estado. Marx escreveu a base da natureza dessas economias transitórias. Havia dois estágios a caminho do comunismo. Com a classe trabalhadora no poder, a primeira etapa foi elevar a produtividade do trabalho ao ponto de as necessidades sociais serem atendidas pela produção direta e a produção de commodities para um mercado foi eliminada. No segundo estágio mais alto, a produção é suficientemente alta e abundante que cada um produz de acordo com sua capacidade e recebe de acordo com sua necessidade. A questão é que, em ambas as etapas, a produção de commodities termina porque está em contradição com a produção por necessidade social.

Nossos autores rejeitam a visão de Marx, Engels e Lênin sobre isso. Para eles, Marx errou: “Em nossa opinião (que é, naturalmente, o produto do benefício da retrospectiva, da análise de mais de um século de experiência histórica) este foi um erro, possivelmente relacionado à formação de Marx como um jovem idealista hegeliano e pela tensão entre Marx, o cientista social e Marx, o militante político.  Aparentemente, Marx precisava ser menos um militante romântico e mais cientista político e então ele teria abandonado sua ideia de socialismo sem produção de mercadorias! Aqueles que tomam a visão de Marx (como tanto Engels quanto Lênin) estão sendo rígidos: “a maioria dos esforços destinados a identificar as principais características do socialismo têm sido implicitamente baseados em uma negação dialética relativamente abstrata do capitalismo, enquanto a análise de experiências reais de socialismo – com todos os seus erros e (às vezes) horrores – têm sido imprivelmente descartadas como desvios fatais e traiçoeiros do que deveria ter sido o verdadeiro caminho.” Mas certamente os “erros” e “horrores” do regime stalinista na União Soviética ou na Coreia do Norte e na Europa Oriental devem ser vistos como desvios “fatais e traiçoeiros” do caminho para o socialismo? Não?

Neste ponto, gostaria de lembrar aos leitores o que Che Guevara disse exatamente sobre esta questão da produção de commodities sob o socialismo ou o que os autores chamam de “socialismo de mercado”. Em 1921, Lênin foi forçado a introduzir a Nova Política Econômica (NEP), que permitiu um setor capitalista na URSS. Lênin considerou isso necessário, mas um passo atrás da transição para o socialismo. Che Guevara argumentou que Lênin teria invertido o NEP se tivesse vivido mais tempo. No entanto, os seguidores de Lênin “não viram o perigo e ele permaneceu como o grande cavalo de Tróia do socialismo”, segundo Guevara. Como resultado, a superestrutura capitalista tornou-se entrincheirada, influenciando as relações de produção e criando um “sistema híbrido de socialismo com elementos capitalistas” que inevitavelmente provocava conflitos e contradições que eram cada vez mais resolvidos em favor da superestrutura. Em suma, o capitalismo estava voltando para o bloco soviético.

E quando olhamos para a experiência da União Soviética, foi o economista bolchevique Preobrazhensky que apontou que a União Soviética era uma economia transitória que continha duas forças opostas, não funcionando de forma harmoniosa e complementar, como os autores afirmam para a nova formação econômica social da China do “socialismo de mercado”. A ênfase de Preobrazhensky na contradição entre a lei do valor e o planejamento para a acumulação socialista primitiva não é mencionada no livro. Para os autores, Che Guevara e Preobrazhensky presumivelmente tomaram uma “negação dialética abstrata do capitalismo” e ignoraram a experiência histórica – embora estivessem lá na época. Certamente, é a experiência histórica da União Soviética que eventualmente revelou que a lei do valor não pode trabalhar em harmonia com a propriedade pública e o mecanismo de planejamento e, eventualmente, houve reversão do capitalismo.

E depois há a democracia dos trabalhadores. Marx e Engels deixaram claro que, mesmo antes de chegarmos ao socialismo, sob a ditadura do proletariado (onde os capitalistas perdem o poder do Estado para a classe trabalhadora), dois princípios claros da democracia dos trabalhadores devem ser mantidos para fazer a transição para o socialismo: o direito de recordação de todos os representantes dos trabalhadores e uma limitação estrita sobre seus níveis salariais. Lembre-se que isso é antes mesmo da economia começar a chegar ao estágio mais baixo do comunismo (ou socialismo, como Lênin o chamava).

Nenhum desses princípios da democracia dos trabalhadores se aplica na China, onde o CPC governa sem responsabilização, exceto para si mesmo. De fato, na China, a desigualdade de renda e riqueza é muito alta, se não tão alta como em outras economias periféricas como Brasil, Rússia ou África do Sul; ou nos EUA e Reino Unido. Mas essas desigualdades não são apenas entre as famílias rurais e urbanas, mas também entre as famílias chinesas médias e o número de bilionários que se multiplicam rapidamente. Como uma economia supostamente fazendo uma transição para o socialismo (muito menos tendo alcançado algum socialismo “primeiro estágio”) pode ser compatível com bilionários e especulações financeiras em grande escala?

Um exemplo das contradições envolvidas na China é na habitação e no mercado imobiliário. Em vez de o Estado construir casas para alugar cidades em rápida expansão, por mais de 30 anos o CPC optou por construtores privados construindo casas à venda, financiados pela enorme emissão de dívida – uma abordagem completamente capitalista às necessidades básicas de habitação. Essas galinhas voltaram para casa para se abrigar com o desastre da dívida do Evergrande e uma crise imobiliária. O CPC agora quer controlar a “expansão desordenada do capital” e passar para medidas de “prosperidade comum”, mas enfrenta considerável oposição entre os círculos financeiros e elementos pró-capitalistas.

Os autores mostram como a economia e o macroconseto liderados pelo Estado da China têm sido fundamentais para seu sucesso econômico e social fenomenal, totalmente ausente nas economias capitalistas, sejam elas avançadas ou “emergentes” – basta comparar a China com a Índia.

Como mostram Gabriel e Jabbour, na China, o Estado “pode definir a parte do excedente no nível macroeconômico e capturar uma parte importante deste último não apenas por meio de políticas fiscais ordinárias, mas também em virtude dos direitos de propriedade do Estado sobre o capital industrial e financeiro”. P40. E também desenvolveram uma nova visão desse mecanismo de planejamento: a “nova economia de projetos”, onde o planejamento é para projetos específicos, tanto em casa quanto no exterior. “Escolhemos o projeto de termo quase obsoleto (para referir-se holisticamente à utilização de planos e projetos como ferramentas para direcionar a economia para um caminho de desenvolvimento racionalmente concebido).” Como resultado, o sucesso da China é incomparável: não houve quedas regulares e recorrentes como nas economias capitalistas e mais de 850 milhões de chineses foram retirados da pobreza oficial em uma geração.

Mas, pelo que vejo, Gabriele e Jabbour ignoram todas as contradições crescentes na história de transição chinesa. O “cavalo de Tróia” de um grande setor capitalista e um CPC inexplicável dentro da economia chinesa orientada ao socialista continuam a ser uma séria ameaça para qualquer transição para o socialismo. De fato, ainda há um risco significativo de uma reversão do capitalismo à medida que a pressão do cerco imperialista do Estado chinês prossegue ao longo da próxima década e à medida que os elementos pró-capitalistas no CPC montam um caso de “abertura” da economia ao capitalismo.

Os autores não veem tal perigo ou risco porque desenvolveram uma visão do “socialismo de mercado” da China como o novo caminho harmonioso para o socialismo. Mas, ao fazê-lo, rejeitaram a teoria de valor de Marx e argumentam que a visão de Marx sobre a transição para o socialismo é uma “negação dialética abstrata do capitalismo“. Ignoram as graves desigualdades na China e o perigoso desenvolvimento do capital financeiro especulativo; e não consideram a democracia dos trabalhadores (definida por Marx, Engels e Lênin) como uma base necessária para a transição para o socialismo.

Perseguição ao direito a auto-organização operária e popular. O ataque da Isto É ao primeiro de maio

O jornal patronal Isto É anuncia com “um sorriso de canto de boca” uma suposta falência dos sindicatos que, segundo Isto É , seria resultado da contrarreforma trabalhista aprovada na sequência do golpe de 2016. Isto É tenta fazer crer que, a oposição das organizações dos trabalhadores à contrarreforma trabalhista pós golpe de 2016 ocorre pois:

Só após o governo Temer, com a reforma trabalhista, é que a bandalheira financeira acabou. Se em 2017, último ano do recolhimento do imposto sindical, foram destinados recursos bilionários às oito maiores centrais sindicais, os anos seguintes foram de vacas magras, situação que perdura até os dias de hoje. Em 2018, o total arrecadado com o imposto foi de R$ 411,8 milhões, o que representou apenas 13% do total distribuído aos sindicatos em 2017. Desse total, a CUT ficou com apenas R$ 62,2 milhões e a Força Sindical com outros R$ 51,3 milhões. De lá pra cá, a arrecadação despencou. Durante todo o ano de 2021, o total arrecadado foi de apenas R$ 65,5 milhões (3% do que recebiam em 2017).

https://istoe.com.br/a-falencia-dos-sindicatos/?msclkid=c243d6eccefd11ecb470951fa6158391

Desta forma a Isto É assume abertamente sua posição antisíndical e por consequência antioperaria, embora nunca tenha escondido, é como porta voz do patrão que, Isto É escancara a perseguição politica quando diz :

Quem esteve domingo, 1º de Maio, no esvaziado ato pelo Dia do Trabalho, promovido pelas duas maiores centrais sindicais do País …para ouvir o ex-presidente(Lula) afônico defender suas teses retrógadas. Entre elas, a que prevê cancelar a Reforma Trabalhista, responsável pelo fim do Imposto Sindical obrigatório, fonte das receitas bilionárias que inundaram as estruturas dos sindicatos durante mais de 40 anos.

Mas qual seria o balanço da contrarreforma Trabalhista após 5 anos? Os sindicatos estariam errados? Essa medida do governo Temer teria sido benéfica aos trabalhadores e a posição das cúpulas sindicais seria, neste sentido , contraditória aos interesses de suas bases?

Em matéria de 12 de novembro de 2020 a revista exame, que não pode ser acusada de ser pró sindicalismo, nos trás alguns dados. Dados obviamente desatualizados, mas que servem para que possamos ter uma idéia, até porque os anos de 2020 e 2021 os dados foram afetados pela pandemia.

Conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), enquanto nos anos de 2016 e 2017 foram ajuizadas, respectivamente, 4.262.444 e 4.321.842 novas ações na Justiça do Trabalho, em 2018 e 2019 o número de ações ingressadas diminuiu para 3.460.875 e 3.530.197.

Isso teria ocorrido pois os patrões passaram a respeitar mais os direitos dos trabalhadores? Parece que não

Uma das razões para isso é a mudança na legislação quanto aos honorários advocatícios. Com a reforma, o trabalhador que perde o processo pode ser condenado a pagar honorários advocatícios ao advogado da parte contrária, o que não ocorria anteriormente.

https://exame.com/carreira/3-anos-da-reforma-trabalhista-o-balanco-ate-agora-e-o-que-falta-fazer/

Certamente, ter que arcar com as custas judiciais deve ter reprimido muitos trabalhadores a reclamarem legalmente de seus patrões, parece-nos que essa medida seria um bom motivo para um assalariado ficar contra essa suposta reforma trabalhista, o que colocaria as cúpulas sindicais em sintonia com suas bases. O portal contabeis nos diz que

Durante a tramitação da reforma no Congresso, o governo Michel Temer chegou a divulgar que era estimada a geração de 6 milhões de empregos em até uma década com a aprovação, sendo 2 milhões apenas nos dois primeiros anos.

No entanto, a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra uma história diferente: a taxa de desocupação trimestral, que chegou a ficar entre 6% e 7% em 2014, subiu para 8,7% em agosto de 2015 —considerando-se trabalhadores formais, informais, por conta própria, entre outros.

Em meados de 2017, antes da mudança na legislação, a desocupação era de 12,6%. Dois anos depois, em 2019 e antes da pandemia, estava em 11,8%. Em 2021, já com a crise sanitária, o mercado de trabalho sofreu um novo golpe e o desemprego tem oscilado acima disso, entre 14,7% e 13,2%.

https://www.contabeis.com.br/noticias/49398/reforma-trabalhista-completa-4-anos-com-reducao-nas-acoes-judiciais-mas-sem-cumprir-meta-de-empregos/#:~:text=Balan%C3%A7o%20Reforma%20trabalhista%20completa%204%20anos%20com%20redu%C3%A7%C3%A3o,%C3%A9%20maior%20que%20antes%20das%20mudan%C3%A7as%20na%20CLT.?msclkid=6faea5edcf0611ecbfb491dda306970f

Então, a falácia de que a reforma trabalhista geraria empregos esta desmontada pelos fatos, o que implica que as direções sindicais estão em sintonia com suas bases, pelo menos neste ponto. Isto É ainda ignora que a contra reforma trabalhista não apenas retirou o dinheiro da contribuição sindical, o portal contábeis lista ainda mais algumas medidas com comporam essa contra-reforma:

Contribuição sindical – pagamento da contribuição, equivalente a um dia de trabalho, deixou de ser obrigatório

Férias – período de 30 dias corridos por ano pode ser parcelado em até três vezes

Trabalho intermitente – introdução dessa modalidade de trabalho, com direito ao período de férias, FGTS e 13º proporcionais

Jornada de trabalho – pode ser pactuada em 12 horas de trabalho e 36h de descanso

Trabalho parcial – jornadas de até 30 horas semanais, sem hora extra, ou 26h, com até 6h extras

https://www.contabeis.com.br/noticias/49398/reforma-trabalhista-completa-4-anos-com-reducao-nas-acoes-judiciais-mas-sem-cumprir-meta-de-empregos/#:~:text=Balan%C3%A7o%20Reforma%20trabalhista%20completa%204%20anos%20com%20redu%C3%A7%C3%A3o,%C3%A9%20maior%20que%20antes%20das%20mudan%C3%A7as%20na%20CLT.?msclkid=6faea5edcf0611ecbfb491dda306970f

Medidas que claramente não interessam em nada aos trabalhadores.

ver aqui Nota Tecnica atualizada do Dieese sobre as relações trabalhista, considerando já a proposta da carteira verde amarela.

Lula e a revogação da reforma trabalhista

Como a própria Isto É afirma, Lula tem prometido revogar a reforma trabalhista, o primeiro pronunciamento neste sentido foi repercutido pela revista Carta Capital

é importante que os brasileiros acompanhem de perto o que esta acontecendo na reforma trabalhista da Espanha, onde o presidente Pedro Sanches esta trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores

https://www.cartacapital.com.br/mundo/citada-por-lula-revisao-de-reforma-trabalhista-divide-a-esquerda-na-espanha-entenda-a-discussao/

Em declaração mais recente Lula foi ainda mais explicito

Quem fez a reforma trabalhista tem mentalidade escravocrata

https://www.uol.com.br/eleicoes/2022/05/12/lula-debate-reforma-trabalhista-mentalidade-escravocrata.htm

A presidenta Gleise Hoffman também tem feito declarações quanto a Reforma Trabalhista

O PT votou contra a reforma do governo golpista que tirou direitos, achatou salários, dificultou o acesso à Justiça do Trabalho e precarizou o emprego. Hoje está provado que ela não gerou empregos e prejudicou o trabalhador. O país precisa rever esta reforma e é muito positivo que nossa proposta tenha acendido o debate

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2022/01/4976856-lula-se-reune-com-espanhois-para-discutir-reforma-trabalhista.html

Então a eminente vitória de Lula traria a revogação da reforma trabalhista pós golpe? Isso estaria em desacordo com as analises politicas publicadas nesta revista. O que seria muito bom, mas implicaria que a nossa analise do discurso de Lula no parlamento Europeu estaria errado. E ainda pior, implicaria que nossa avaliação acerca da União Europeia necessitaria , ao menos, de uma revisão, pois a revogação da reforma trabalhista na Espanha citada por Lula, foi uma exigência da Comissão Européia para liberar uma ajuda comunitaria no valor de 70.000 milhões de Euros, assim a União Europeia estaria pagando pelo bem estar dos trabalhadores? Em geral os acordos com o FMI eram em uma via de rebaixamento dos direitos trabalhistas. Estaríamos diante de uma mudança na politica da União Europeia? Uma mudança politica que deveriamos copiar em nossas dentro de nossas fronteiras?

A Reforma trabalhista na Espanha

Carta Capital cita em seu texto um artigo cientifico intitulado “Análisis de la reforma laboral del 2012 en España y sus principales repercusiones”, o artigo esta em espanhol e foi publicado pela revista “Recimundo- Revista Cientifica de la Investigacón y el Conocimiento” ver aqui onde são analisados os dados associados as consequências da reforma trabalhista de 2012 , promovida pelo governo Rajoy e apresentado um histórico das lesgislações trabalhistas no Estado Espanhol. A União Geral dos Trabalhadores(Central Sindical relacionada ao PSOE) também preparou uma nota técnica sobre o assunto ver aqui. A Central das Comissões Operarias (CCOO) também apoiou a iniciativa em um verdadeiro consenso das cupulas sindicais com o governo e patrões. Essa nova lesgislação esta sendo considerada a primeira pactuada neste formato tripartite. Associando os sindicatos a sua concepção e fazendo com que os sindicatos abram mão de suas reivindicações, este é o velho metodo da democracia participativa e do altermundialismo. Envolver os sindicatos na aplicação dos planos contra os trabalhadores, chamando sindicalistas e patrões de “parceiros sociais”. Nos fatos a Reforma trabalhista espanhola é uma grande farsa. O portal Revolucion lista as inconsistências da suposta reforma trabalhista do PSOE.

Em resumo, essa modificação da legislação trabalhista mantém aspectos essenciais das reformas trabalhistas de 2010 e 2012, muitas delas repetidamente denunciadas pelos sindicatos e que geram enormes dificuldades para a classe trabalhadora no dia-a-dia, tais como:

Todas as facilidades são mantidas para os empregadores demitirem trabalhadores ao menor custo, uma vez que não aumenta os pagamentos de indenizações ou modifica as causas dessas.

Também não aumenta a indenização pelos contratos temporários que modificaram.

Exceto em termos salariais, o acordo da empresa continua prevalecendo sobre o setor, algo que tem sido considerado um dos principais golpes da última reforma trabalhista de 2012.

Para as empresas subcontratadas, ainda há prioridade do contrato da empresa e não do setor ou empresa para a qual realizam os serviços.

Continua mantendo as facilidades das reformas anteriores para que as empresas justifiquem a ERTE, a ERE, modificações substanciais das condições de trabalho ou a não aplicação de acordo coletivo (as chamadas “retiradas de acordo”). A justificativa permissiva de “perdas” econômicas e “previsões” continuará a ser uma garantia para as empresas fazerem o que quiserem com empregos e condições de trabalho.

ANÁLISIS: Se consuma la estafa de la «reforma laboral»


E Revolucion acrescenta

Por trás desses acordos há um claro interesse empresarial: para começar, um elemento importante desses acordos baseia-se na injeção de dinheiro público para reduzir as contribuições que as empresas devem pagar à Previdência Social e contribuir para o seguro-desemprego. Isso continua injetando dinheiro que vem indiretamente dos bolsos da classe trabalhadora para atender aos custos que serão causados pelas empresas. Esse tipo de recurso é algo que temos sido capazes de observar ao longo da história do capitalismo repetidamente. Neste caso, a crise econômica acelerada pela pandemia do COVID tem sido a desculpa perfeita para isso. No entanto, há razões estruturais convincentes que podemos observar como resultado dessa tendência a nível internacional que devemos salientar.

Tanto na União Europeia através de fundos da Próxima Geração, quanto as políticas de Biden com o maior investimento em gastos públicos desde meados do século XX4, incluindo “os orçamentos mais sociais da história” aprovados pelo Governo da Espanha com os maiores gastos sociais até agora5, observamos uma tendência que contrasta com as políticas empreendidas pelos mesmos partidos e instituições durante a crise de 2008. Mas essas políticas, como as políticas de austeridade de anos atrás, são uma resposta às necessidades do capitalismo em todos os contextos.

Aqui em Ciência dos Trabalhadores discutimos anteriormente o fenômeno das empresas zumbis ver aqui e aqui , empresas privadas que existem unicamente graças ao financiamento estatal. Revolcuion ainda percebe o principal efeito do altermundialismo, ou melhor, seu principal objetivo

Por outro lado, outra razão que está facilitando os acordos entre o Governo e os agentes sociais é que, com o acordo da reforma trabalhista, praticamente todas as demandas sindicais que precederam as últimas reformas trabalhistas caíram no esquecimento. E algo ainda mais preocupante: eles deixaram de lado toda a luta, toda a pressão contra os chefes e, muito particularmente, contra o Governo. Como Antonio Garamendi não pode dizer que este acordo para a reforma trabalhista é uma garantia de paz social?

Garantia da Paz Social?

O velho vocabulário da doutrina social da igreja, base teorica para o altermundialismo aparece aqui e a conta parece que fecha, pois Lula tem feito encontros com as lideranças espanholas, em particular a ministra e vice presidenta Yolanda Diaz, com o objetivo de melhor entender o processo de negociação dessa suposta revogação. Contudo, parece que não existe consenso na campanha do pt quanto a revogação, Alckmim estaria contra. O que também aconteceu na Espanha com setores da direita ficando contra a reforma do PSOE. Essa encenação de oposição a mudança nas regras trabalhista , faz com que a velha dicotomia esquerda X direita reapareça, porem de uma forma pouco interessante aos trabalhadores, pois essa dicotomia liga as direções organizações dos trabalhadores aos setores do capital suposto progressista alienando, portanto a independência dessas organização e fazendo-as abrir mão de suas reivindicações. Logo, ao que tudo indica, a suposta revogação da reforma trabalhista prometida por Lula , não atingiria os pontos mais importantes para os trabalhadores, inclusve porque alem da lei passada por Temer , ainda temos a carteira verde amarela, que esta empacada no congresso e quebra direitos trabalhista dos jovens e a mini reforma de Bolsonaro. Nem Lula nem Gleise são claros quanto à quais medidas pretendem revogar. Essa falta de clareza certamente é parte do processo, pois Lula ja teve a experiência de receber pressão dos sindicatos e ser obrigado a atender demandas que não pretendia. Contudo, ao que tudo indica, Bolsonaro e suas promessas de golpe geram um maior alinhamento das direções sindicais com a defesa de qualquer medida de um eminente governo Lula, com o argumento de que a opção seria Bolsonaro. O que mostra, mais uma vez, o quanto errada foi essa campanha “Fora Bolsonaro”.

Lula Livre? Lula esta realmente Livre?

No mês de abril existem três datas ligadas a luta contra a perseguição politica. O primeiro de abril, que foi a data do golpe militar de 1964, o dia 10 de abril de 2006 quando foi assassinado, na Baixada Fluminense-RJ, o presidente do sindicato dos Frios do RJ, o companheiro Anderson Luis Souza Santos e no dia 7 de abril de 2018, presidente Lula foi preso nos marcos da operação Lava jato.

Pretendemos nesse texto retomar a discussão aberta no texto no em O Partisano(O que fazer para defender a militancia da perseguição politica?, onde foi discutido alguns exemplos de iniciativas de combate a perseguição politica, a versão ebook desta revista também foi lançada com a intenção de arrecadar para um fundo de auto-defesa dos militantes, um fundo que pudesse ser acessado e patrocinasse a defesa de militantes perseguidos. O problema da perseguição apareceu também em textos da tribuna livre da luta de classes, embora sem uma devida sistematização. Tentamos retomar este tema neste texto. Retomamos então a elaboração acerca do problema da perseguição politica e os limites de atuação das organizações dos trabalhadores nos marcos do Estado burguês.

O assassinato de Anderson Luis

A morte do camarada Anderson foi um das enumeras mortes de de lideranças populares durante os mandatos do PT, algumas dessas mortes foram relatadas no livro Plantados no Chão. Esses assassinatos são a prova da falha das direções do PT em defender sua base militante e, ao mesmo tempo, uma inequívoca demonstração da adaptação da direção do partido as instituições da republica, que reprimem e legitimam a repressão contra os trabalhadores. Repressão que nunca teve seu aparelho desmontado, ver aqui a criação da comissão da verdade, que teve sua atuação sabotada de todas as formas. Porem, essa perseguição não ficaria restrita a base, entre 2006 e 2018 vimos uma escalada de perseguição ao PT, até alcançar as lideranças mais importantes do partido, essa escalada de perseguição contra o partido crescia a cada ano, no mesmo passo que crescia a marcha da decomposição do modo de produção capitalista em escala planetária, obrigando as diversas burguesias a aumentarem cada vez mais o nível de exploração dos trabalhadores, a ponto de exigirem que as organizações dos trabalhadores legitimassem a ação dos perseguidores e isso não apenas no Brasil.

A consequência da repressão ao movimento operário em todo o planeta

O gráfico abaixo, repercutido pelo blog As Novidades de Sempre, mostra a impressionante queda no numero de greves nas economias mais importantes do Mundo.

Fonte Primaria aqui

Alguns comentários acerca do gráfico, quando olhamos para o ano de 1912, pouco antes da primeira guerra, período entre 1925 e 1926, período também anterior a segunda guerra, vemos os menores números de greves pelo mundo, o que indica que uma guerra é antecedida pela derrota do movimento operário. No pós guerra uma verdadeira explosão de greves, que coincide inclusive com as previsões de Leon Trotsky , quanto à eminencia da revolução no imediato pós guerra.

O mundo capitalista já não tem saída, a menos que se considere saída a uma agonia prolongada. É necessário preparar-se para longos anos, senão décadas, de guerras, insurreições, breves intervalos de trégua, novas guerras e novas insurreições. Um partido revolucionário jovem tem que apoiar-se nesta perspectiva. A história lhe dará suficientes oportunidades de provar-se, acumular experiência e amadurecer. Quanto mais rapidamente se unifique a vanguarda mais breve será a etapa das convulsões sangrentas, menor a destruição que sofrerá nosso planeta. Mas o grande problema histórico não se resolverá de, nenhuma maneira, até que um partido revolucionário se ponha à frente do proletariado. O problema dos ritmos e dos intervalos é de enorme importância, mas não altera a perspectiva histórica geral nem a orientação da nossa política. A conclusão é simples: há que se levar adiante a tarefa de organizar e educar a vanguarda proletária com uma energia multiplicada por dez. Este é precisamente o objetivo da Quarta Internacional.

https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1940/05/manifesto.htm

O numero de greves estaciona em um patamar alto por toda a década de 1950, tem nova alta na década de 1960, estabelecendo um novo patamar, ainda mais alto que da década anterior. Um novo pico é detectado em 1978, após isso, vemos uma enorme queda no numero de greves no Mundo. Apesar da queda do numero de greves no mundo, a situação econômica da maioria dos trabalhadores não melhorou(v aqui), ao contrario, piorou muito, logo as direções sindicais passaram a aceitar condições de trabalho que antes não aceitavam. Esses dados são referentes aos países mais avançados do capitalismo. Países, autoproclamados democráticos, portanto, onde a repressão ao movimento sindical e operário não é aberta, ou seja, onde formalmente não existe perseguição politica. Na verdade, os dados também poderiam ser estendidos a revoluções, a ultima revolução popular de que temos noticia é a Revolução dos Cravos em 25 de abril de 1974. Depois disso, um absoluto silencio conivente das direções sindicais, uma incapacidade profunda de mobilizar os trabalhadores e uma tremenda repressão ao movimento de uma forma bastante mais sutil do que a forma convencional. Embora, ninguém esperasse que o status quo do modo de produção capitalista assumisse abertamente a repressão contra os trabalhadores, como faz um vilão de filmes infantis. Na verdade consideramos que a situação é mais parecida com o que definiu Leon Trotsky:

No decurso de várias dezenas de anos os operários construíram no interior da democracia burguesa, utilizando – e, ao mesmo tempo, lutando contra ela – seus bastiões, suas bases, seus focos de democracia proletária: os sindicatos, os partidos, os clubes de formação, as organizações desportiva, as cooperativas, etc.

Contudo, a atuação destes bastiões de democracia proletaria no interior da sociedade capitalista ocorre dentro das normas e regras estabelecidos pela burguesia. O que leva Trotsky a constatar:

O fato de que a passagem da democracia para o fascismo possa ter um caráter ‘orgânico’  ou ‘progressista’ (Nota de C&R: aqui eles quis dizer que a passagem entre democracia e fascismo pode ser contínua e coerente; portanto, progressiva e não progressista) não significa evidentemente nada de diferente, a não ser que seja impossível retirar ao proletariado, sem perturbações nem combate, não somente as suas conquistas materiais – um certo nível de vida, uma legislação social, direitos cívicos e políticos – mas também o instrumento principal dessas conquistas; isto é, suas organizações. Assim, essa passagem ‘a frio’ para o fascismo pressupõe a mais terrível capitulação política do proletariado que se possa imaginar.

Os dados do gráfico acima mostram que o Estado burguês tem sido bastante bem sucedido em conter o movimento operário no mundo todo e por um longo período, poderíamos falar então que estamos diante da mais terrivel das capitulações em escala planetária?

A situação brasileira foi repercutida em particular aqui.

Lula prisioneiro dàs imposições da burguesia

É nos marcos dessa repressão ao movimento operário, que Lula é preso em 7 de abril de 2018. Tratava-se do ponto mais alto de uma escalada de perseguição, que como discutimos aqui, repetimos, uma escalada de perseguição que partiu da base petista, essa sempre perseguida , até os seu mais importante dirigente.

Por ocasião dos 4 anos da prisão de Lula, o PT no Senado emitiu um comunicado onde diz:

Os últimos anos da conjuntura política no Brasil possuem dias marcantes e portadores de simbologia para interpretar o conjunto de fatos. O estudo da História do país a ser feito pelas gerações vindouras certamente não ocorrerá sem discorrer sobre o dia 7 de abril de 2018, em que a Lava Jato atingiu seu ápice e executou o mandado de prisão daquele que representava o coroamento público de sucesso da operação em seu marketing de se vender como instrumento de combate à corrupção.

Após anos fazendo a sociedade crer estarem passando o país a limpo, com o apoio da imprensa empresarial e do establishment, Sérgio Moro e o conjunto de procuradores da força-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba cumpriram o objetivo de sua maior obsessão.

https://ptnosenado.org.br/4-anos-da-prisao-de-lula-lembrar-para-que-nao-se-repita/

trecho irrefutavel, foi exatamente isso que aconteceu, porem, na sequencia podemos ler:

Contudo, a prisão do ex-presidente Lula, como quase tudo que o cerca, fugiu do script escrito por seus algozes. Não houve um líder humilhado, algemado, rendido. Ao oposto, Lula foi “entregue” aos carcereiros por milhares de militantes que se aglomeraram em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), durante os três dias que antecederam sua condução a Curitiba para ocupar uma cela no complexo da Polícia Federal.

https://ptnosenado.org.br/4-anos-da-prisao-de-lula-lembrar-para-que-nao-se-repita/

Esse trecho é puro e simples revisionismo histórico, em momento algum os militantes presentes em São Bernardo Campo entregaram Lula, ao contrario, os trabalhadores reunidos do lado de fora do Sindicato dos Metalúrgicos queriam resistir. Parece que o PT no senado tenta esconder essa disposição de luta de sua base politica, para melhor legitimar suas posições equivocadas e tentar passar a ideia de que o golpe de Estado acabou, quando os golpistas continuam cerceando as posições do partido e cobrando mais e mais profissões de fé no marco daquilo que eles chamam Estado democrático de direito. Estado que não foi capaz, nem ao menos, de garantir a defesa do povo contra o virus da covid-19. Neste sentido, a escalada da perseguição continua. Agora de uma forma menos aberta, muito mais disfarçada. Como preconizou Kristalina Georgieva no Forum Mundial de Davos ha dois anos (ver aqui Davos e o Dificil Equilibrio do Sistema).

o agravamento do mal-estar social em muitos países —devido em alguns casos à deterioração da confiança nas instituições tradicionais e a falta de representação nas estruturas de governo— poderia abalar a atividade [econômica], complicar as iniciativas de reforma e prejudicar a atitude, o que faria o crescimento diminuir para aquém do projetado

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2020/02/davos-fmi-e-o-dificil-equilibro-do.html

Mais uma vez o Altermundialismo

A situação teve um tremendo agravamento, as economias do Mundo carecem de uma destruição maciça de “ativos” , ou melhor, uma destruição intensa de empresas, empregos e maquinario, em uma palavra, uma destruição ainda mais intensa de forças produtivas (ver aqui, aqui e aqui), o que obriga a burguesia a colocar a hipótese de , mais uma vez, contar com Lula e o PT como muralha de contenção contra as reivindicações populares e, ao que parece, Lula e o PT têm feito máximos esforços para corresponderem a este chamado dos patrões.

O informativo Voz Operária percebeu com precisão o papel do Vaticano nos acontecimentos que envolveram a prisão de Lula.

No dia 06 de abril, dia que Moro determinou para Lula se entregar, a militância já se encontrava em milhares rodeando o sindicato e disposta a tudo para Lula não ser preso. Aquele episódio poderia ter criado um ponto de inflexão ao golpe e derrubado uma decisão ilegal da operação criminosa Lava-Jato. Gleisi, na condição de Presidente do Partido, dizia à imprensa que Lula não ia se entregar e iria ficar com a militância. Naquela data, se debatia se Lula aceitaria a decisão arbitraria da Lava-Jato ou se ficaria na Sindicato em vigília com a militância, que estava vindo de todo o país. Nesse mesmo dia, chegou à sede do sindicato uma delegação de bispos, que defendiam que Lula se entregasse para “evitar um derramamento de sangue”, na palavras deles na época.

Como desdobramento das conversas entre a direção do PT e a Igreja, foi convocada para o dia seguinte, dia 07 de abril, sábado, um ato ecumênico com uma missa em memória da ex-primeira dama Marisa Letícia, falecida por culpa da Lava-Jato, onde participaram Lula e diversas lideranças do campo de esquerda e da Igreja Católica.

O bispo Dom Angélico Sândalo Bernardino, celebrou uma missa em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, aconselhando publicamente Lula se entregar e não arriscar sua saúde. Ele no papel de emissário do Vaticano, apesar de não declarar isso oficialmente, mas que os fatos históricos posteriores comprovam isso, disse: “Não é que nos (Igreja) queremos, não é que muita gente no exterior quer (Vaticano), mas… Lula, você precisa cuidar da sua saúde”.

https://vozoperariarj.com/2022/03/09/reciclagem-do-neoliberalismo-e-o-vaticano-no-golpe-de-estado-de-2016/

O mesmo Jornal Voz Operaria relata o anticomunismo de Leonardo Boff, o mesmo Leonardo Boff que é um antigo entusiasta do Fórum Social Mundial e da democracia participativa, onde reúnem-se um amontoado de Organizações Não Governamentais sustentadas por mega fundações, como apurou o portal Viomundo, ligadas a bilionários como George Soros, Bill Gates e etc.

O Altermundialismo e a doutrina Social da Igreja

O Altermundialismo deita suas origens teoricas na doutrina Social da Igreja Católica, resenhada aqui pela falecida revista Ciência & Revolução. Podemos ler na enciclica Rerum Novarum enciclica papal que deu origem a doutrina social da igreja

Os Socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar aos Municípios ou ao Estado. Mediante essa transladação das propriedades e essa igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam aos cidadãos, lisonjeiam-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2020/06/antipetismo-versao-brasileira-do_86.html

Não seria justamente isso que propõem o Altermundialismo, não seria exatamente uma combate para impossibilitar os trabalhadores de contarem com suas próprias organizações, independentes dos patrões, destacando aqui a independência financeira, vejamos mais um trecho

O primeiro princípio a pôr em evidência é que o homem deve aceitar com paciência a sua condição: é impossível que na sociedade civil todos sejam elevados ao mesmo nível. É, sem dúvida, isto o que desejam os Socialistas; mas contra a natureza todos os esforços são vãos.

Justamente a enciclica rerum novarum quem estabelece o conceito de sociedade civil na doutrina social da igreja, uma sociedade onde os conflitos são negados, onde não há contradições essenciais, mas sim a obediência ao julgo patronal e a aliança capital-trabalho. Portanto, a intromissão da igreja na campanha Lula e nos acontecimentos da luta de classes são ainda mais profundos , do que tão bem diagnosticou o jornal Voz Operária.

Impedir que os trabalhadores combatam por suas reivindicações e aceitem condições cada vez piores de trabalho

Como vemos o resultado da adesão das lideranças operarias a doutrina social da igreja tem sido muito efetivo em afastar as direções das organizações dos trabalhadores de suas bases sociais. Por certo a ausência de um balanço da campanha Lula-Livre e de um balanço da luta contra o golpe de Estado em geral, demostram o quanto as direções querem passar para debaixo do pano a luta contra o golpe, reduzindo esta luta a um combate contra Bolsonaro, que é apresentado como um fato sem causa, ou resultado da ignorância do povo trabalhador, como repercutimos aqui.

Uma vez mais a perseguição Politica

Como podemos ver, a perseguição politica é capaz de tomar formas bem disfarçadas, porem a independência das organizações dos trabalhadores , em particular a independência financeira , é uma condição necessária , porem não suficiente para a manutenção do combate contra o imperialismo. Nos fatos, um necessário balanço da campanha da liberdade de Lula e, de suas consequências, precisa ser estabelecido, antes que a memoria desta campanha venha a ser distorcida pelos agentes do imperialismo e as lições para a luta contra a perseguição politica não possam ser apreendidas pelos trabalhadores.

O encerramento deste texto, não poderia deixar de citar um trecho da carta da companheira Ediane ao presidente Lula:

O Sr viu alguma ação do agro-negócio pra combater a fome?.. Então, Presidente Lula, o motivo da minha carta pro Sr. é pra dizer que nós estamos cansados de ser pisoteados enganados. Também prá dizer pro Sr tomar cuidado com os acertos e alianças políticas e que o Sr não se esqueça de que tem uma multidão de sem-terra, de sem-teto, de sem comida, que não está podendo mais esperar. Nós não vamos mais aceitar que o partido dos trabalhadores não faça um governo para os trabalhadores. Nós queremos a reforma agrária e urbana, nós queremos a anulação da reforma da previdência e que seja feito um novo texto onde não se tire os direitos dos trabalhadores, Nós queremos o nosso país de volta! Nós queremos comer presidente Lula.. 

Por uma Campanha Despejo Zero de rua e de massas!-Gabriel Araujo

Apresentação

O Camarada Gabriel Araújo, dirigente do Movimento Nacional de Luta por Moradia, contribui com mais um texto em nossa tribuna livre da Luta de Classes. Desta vez Gabriel colabora com a reflexão sobre o problema das ilusões constitucionalistas, por nós discutida em uma resenha de uma coletânea de textos de Vladimir Lenin . Gabriel aborda a crise das instituições da republica demonstrando concretamente a incapacidade destas instituições de defenderem o povo trabalhador do virus da covid-19 e ainda, inicia uma discussão sobre a viabilidade da ação nessas instâncias.

Por uma Campanha Despejo Zero de rua e de massas!

Gabriel Araújo

O Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, no dia 01 de dezembro de 2021, concedeu uma Tutela Provisória Incidental que prorroga até o dia 31 de março de 2022 os efeitos do ADPF 828/2020 e da Lei nº 14.216/2021, que tratam da proibição de determinados casos de despejo.

Havia uma determinação desde o dia 03 de junho de 2021, quando Barroso deferiu o ADPF 828, para que alguns despejos fossem proibidos enquanto a pandemia continuasse (nos cálculos do judiciário, sem nenhuma fundamentação científica, previam que a pandemia duraria apenas até o dia 03 de dezembro de 2021).

A Campanha Despejo Zero calcula que a medida evitou o despejo, o avanço processual jurídico e administrativo, de aproximadamente 64 mil famílias. A medida valia para as ocupações e locais de geração de renda para famílias pobres, em áreas e imóveis, públicos e privados.

Em relação as ocupações, a medida em tese, deveria abarcar aquelas que foram constituídas até o dia 20 de março de 2020. A mesma também deveria valer para estabelecimentos comerciais e imóveis alugados, com valores respectivamente iguais ou inferiores à R$1.200,00 e R$600,00.

Até o mês de junho de 2021, segundo a Campanha Despejo Zero, haviam 14.301 famílias que tinham sido despejadas desde março de 2020, um período de 1 ano e 3 meses. À grosso modo, durante esses 453 dias, foram despejadas uma média de 31,5 famílias por dia. Desde o dia 03 de junho, se passaram 183 dias e 9.199 famílias foram despejadas, o que dá uma média de 50,5 famílias despejadas por dia.

O que se pode observar, é que se burocraticamente algumas famílias tiveram seu despejo postergado, outras milhares não tiveram o mesmo destino. Pode-se constatar, inclusive, que com a medida, o que ocorreu foi um processo de intensificação dos despejos diários.

Nesse sentido, o podemos verificar que o fetichismo da norma é uma manobra para iludir e apaziguar a luta dos trabalhadores sem-teto. Pois o que em tese deveria dar uma segurança jurídica, na realidade apenas acoberta uma realidade cruel por detrás, criando uma ilusão de que os despejos vão ser estancados, quando o que se observa é a elevação dos despejos das famílias que saí de 31,5 por dia para 50,5.

Estima-se hoje que mais de 123 mil famílias se encontram em risco de despejo, o que dá mais ou menos 400 mil trabalhadores, crianças, idosos, pessoas com deficiência e doentes.

Os números de pessoas em situação de rua tem aumentado intensamente, assim como o de pessoas que estão passando fome. O aluguel, em grande parte do país, tem abocanhado quase 60% do salário do trabalhador. O desemprego a cada dia cresce mais.

A situação de sobrevivência da classe trabalhadora brasileira está cada vez mais insustentável, e os ataques, mesmo diante da terrível pandemia que levou mais de 600 mil brasileiros, não tem pausado um dia sequer.

O Movimento Popular Urbano e os demais segmentos da esquerda, não podem aceitar calados tamanha brutalidade e tampouco realizar apenas medidas proforma, que não obtém êxitos efetivos e que não deem respostas concretas para os problemas acima mencionados.

Também não podem fomentar a ilusão de que a eleição de Lula já é algo dado e que devemos esperar 2023. O povo está perecendo nesse exato momento, e é tarefa de sua vanguarda, sanar essa problemática, aqui e agora!

A única via para solucionar tal questão de uma vez por todas, é a mobilização e organização do próprio povo trabalhador, em ações de rua e de massas, que coloquem na ordem do dia, o imediato atendimento das reivindicações dos trabalhadores!

Tribuna do Movimento: Vitória da Campanha Despejo Zero: importante passo para a política habitacional que os trabalhadores querem

Reproduzimos matéria de Gabriel Araujo no Tribuna do Movimento, orgão do Movimento Nacional de Luta Por Moradia. Esta matéria é continuidade da entrevista concedida por Gabriel, aqui na revista.

Vitória da Campanha Despejo Zero: importante passo para a política habitacional que os trabalhadores querem

Gabriel Araújo

No dia 30 de março de 2022, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), estendeu os efeitos do ADPF 828/2021, que proíbe determinados despejos durante a pandemia de covid-19. A medida perderia seus efeitos no 31/03/2022, e com a decisão do magistrado, passa a valer até o final de junho de 2022.

Essa decisão de Barroso, não ocorreu porque o coração do ministro foi tocado. Ela foi fruto de um amplo processo de mobilização e trabalho coletivo de diversas organizações populares que tomaram as ruas do país, para pressionar o STF golpista.

Barroso e os ministros do STF, sabem muito bem que existe uma tendência explosiva no país, por conta da destruição da economia e do regime político. Em seu despacho, o ministro salientou que os organismos de repressão do Estado, devem elaborar uma metodologia para proceder com os despejos após o fim dos efeitos da medida, com o objetivo de que a questão não se torne uma crise humanitária. Ou seja, com o objetivo de amenizar o processo de revide do povo contra o fim da política habitacional e a destruição do país com as medidas neoliberais do golpe.

O ministro também destacou que essa será a última vez que irá prorrogar a medida, mostrando de que lado realmente ele se encontra nessa situação, que é ao lado da burguesia e da especulação imobiliária, ao lado do golpe e do fim da política habitacional. Nitidamente, Barroso e o STF, ao destacarem essa questão e ao jogar a batata quente no colo do Congresso Nacional, tenta desresponsabilizar a suprema de intervir na situação habitacional no país. Como não pedimos favores e tampouco devemos algo para o ministro golpista, a Campanha Despejo Zero, os movimentos populares e partidos de esquerda, devem dar prosseguimento na pressão sobre a ilegítima suprema corte, assim como deve o fazer em relação ao parlamento, para que este aprove uma legislação igual ou mais ampla que a antiga Lei Nº 14.216/2021, que proibia despejos urbanos durante a pandemia.

Para além disso, ainda no parlamento, é necessário que seja feito um processo de mobilização entorno de uma política habitacional que enfrente o déficit habitacional, com programas de moradia popular e urbanização, com robusto orçamento e controle popular sobre a questão.

Obviamente que tal avanço, não vai se dar à frio, sem um grande processo de mobilização e enfrentamento, ao conjunto do regime político golpista. Nesse sentido, as sucessivas vitórias, apesar de momentâneas, devem servir de estimulo para que a luta continue avançando, até que todas as nossas reinvindicações sejam completamente atendidas.

Brasil Sem Despejo!

Abaixo o golpe!

Lula Presidente!

Assine a Tribuna do Movimento, fortaleça a luta dos trabalhadores e trabalhadoras sem-teto!

PIX: tribunadomovimento@gmail.com

Inessa Armand: As eleições e a classe trabalhadora

A companheira Inessa Armand nos honra com essa contribuição à tribuna livre da luta de classe. As reflexões de Armand ocorrem justamente no aniversario do golpe de 64, quando a ditadura implantou um regime de exceção que durou 21 anos, um regime cuja a única função era perseguir os trabalhadores e o resultado foi uma baixa histórica do salario minimo

A luta dos trabalhadores para acabar com a ditadura militar foi usurpada pelos 300 picaretas com anel de doutor , porem em contrapardida as direções das organizações que nasceram desta luta, hoje parecem querer nega-la. Essas direções vendem hoje aquilo que Lenin chamava de ilusões constitucionalistas, que discutimos teoricamente na resenha da brochura de mesmo nome. Inessa Armand confronta as ilusões constitucionalistas, assim como Ediane Tibes, Gabriel Araujo e Lulu Telles, todos , cada um a sua maneira confronta as ilusões constitucionalistas na pratica. No dia a dia de cada trabalhador, que se choca com as intituições da republica, incapazes de protege-los do vírus da covid, de garantir um minimo de segurança a vida de cada trabalhador, embora, em nome desta mesma segurança , essas instituições estejam cada dia mais armadas para reprimir o povo trabalhador, como fez o TRT do Rio na recente greve dos garis. Neste cenário confuso, diante da crise cada dia mais aguda do capitalismo e da incapacidade cada dia mais fragrante das organizações dos trabalhadores de resistirem a perseguição e a repressão patronal, que Inessa Armand se choca com as ilusões constitucionalistas.

As eleições e a classe trabalhadora

Por: Inessa Armand

Estamos em 2022, ano eleitoral onde serão definidos os presidentes, governadores, deputados e senadores. A grande pergunta que circula no momento é em quem se vai votar ou simplesmente se faz uma campanha aberta ao candidato de preferência. Os questionamentos que deveriam ser realizados pelo campo da esquerda, na realidade, simplesmente são ignorados. Estamos sendo governados sob um golpe de Estado. As eleições serão limpas? Quais as implicações caso haja a vitória do campo progressista? 

O processo eleitoral, comandado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), defendidos estranhamente com unhas e dentes pela esquerda brasileira, nunca promoveu eleições minimamente democráticas no Brasil. Podemos apontar a diferença absurda no tempo de propaganda eleitoral nas rádios e TV, onde principalmente a direita possui o maior tempo de propaganda eleitoral, enquanto que partidos de esquerda que defendem pautas trabalhistas possuem minutos e sequer conseguem apresentar suas propostas e visões políticas. Além do mais, os meios de comunicação (TVs, jornais, revistas, internet) agem de forma criminosa atacando com notícias falsas os candidatos que desagradam os capitalistas. Não bastasse isso, o TSE muda constantemente as regras eleitorais no intuito de prejudicar e dificultar as candidaturas de esquerda, como por exemplo, permitindo as campanhas eleitorais apenas nas proximidades do dia das eleições, propositadamente dificultando as campanhas. 

Em 2018, as eleições foram orquestradas sob um golpe de Estado.  Numa clara ação de eleger Bolsonaro, prenderam o ex-presidente Lula e impediram a sua candidatura. Além disso, proibiram qualquer imagem dele na campanha eleitoral do seu substituto, Fernando Haddad.

Em 2022, novamente, a esquerda age como se nada houvesse acontecido, como se Lula fosse ganhar e pudesse governar normalmente. Como se o golpe fosse algo passado, como se o imperialismo não estivesse exercendo suas forças sobre o nosso país, ainda mais com a questão da ocupação da Ucrânia pela Rússia, o que resultará num cerco ainda maior do imperialismo sobre a América Latina. Não busca fortalecer a candidatura do Lula através das bases, ao contrário, tenta por meio de alianças com a burguesia, como o caso do Geraldo Alckmin, o que desmoraliza a própria candidatura e toda a denuncia contra o golpe. Afinal, ele também teve relevante participação no golpe contra a Dilma Rousseff. 

Além disso, não há uma denúncia sequer sobre as federações partidárias, pior, parece haver aceitação e apoio por parte da esquerda, que fará com que partidos da classe trabalhadora se unam a partidos burgueses tendo toda a sua política, então, engessada. Como retomar o petróleo ou reverter a reforma trabalhista em uma federação com a burguesia e sem apoio popular? Já é difícil compreender a atual sabotagem das direções das organizações populares em relação as greves, mas, com esta política, qualquer tipo de articulação torna-se impossível porque não haverá autonomia política, apesar de afirmarem o contrário. 

Todos sabem que Lula é o único candidato capaz de derrotar eleitoralmente o Bolsonaro. Mas, de acordo com o rumo político adotado pelas direções partidárias, sindicais e de movimentos, rechaçam totalmente aliança com os trabalhadores, buscando alianças justamente com aqueles que colocaram o Brasil nesta situação. 

Se Lula ganhar as eleições, sem a articulação e força da base, que tipo de governante será? Um total subserviente do imperialismo? Um governante de aparência ou de fachada que não terá autonomia para aplicar sua política impedido e boicotado pela burguesia com a qual se aliou? Ou terá pouco tempo no poder visto que facilmente poderá ser substituído por seu vice “Temer”?  

Cabe então, neste momento, a conscientização da base e da militância para que exija das suas lideranças uma política de esquerda e concreta, ações que o momento exige. Do contrário, de nada adianta no poder um gigante frágil e com os pés de barro. 

O que é o imperialismo? parte 3: A Oligarquia financeira

O que caracterizava o velho capitalismo, no qual predominava plenamente a livre concorrência, era a exportação de mercadorias . O que caracteriza o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, é a exportação de capitais

Vladimir Lenin-IMperialismo Fase Superior do Capitalismo- Editora Nova Palavra (2007) pagina 73

Retomamos, após longo período, nossa serie -O que é o Imperialismo?- nas duas partes anteriores parte 1, onde enunciamos as características desta época e começamos a discussão do papel dos monopolios e na parte 2 discutimos o papel central dos bancos. Em diversos outros textos abordamos temas ligados a concepção Leninista de Imperialismo, em particular no texto acerca do suposto imperialismo Russo.

Entender o imperialismo, um verdadeiro problema de orientação

Neste texto, vamos revisitar o capítulo -O papel da oligarquia financeira- , pretendíamos na verdade , debater o tema da exportação de capitais, porem o surgimento do termo oligarquia na grande imprensa obrigou-nos a mudar nossos planos editoriais, não é a primeira vez que isso ocorre e não será a ultima. Ambos os temas, são intimamente ligados e estão em alta recentemente por conta da escalada de guerra que atinge a Europa do Leste, devido a enorme crise de desagregação do mercado mundial, a qual esta confrontada a burguesia mundial em que repercutimos aqui e aqui a necessidade que a principal burguesia imperialista têm de destruir maciçamente capitais menos rentáveis (v aqui e aqui). E essa destruição maciça, pode ocorrer por desvalorização, ou por guerra. Esse entendimento, o entendimento de que a burguesia imperialista dos EUA é a força organizada mais poderosa do planeta, sob a qual todas as outras forças do planeta estão orientadas é o entendimento fundamental. A única força capaz de mudar essa disposição de forças no tabuleiro mundial da luta de classes, é a classe operaria, que não possui um nivel organizacional a altura da burguesia imperialista dos EUA, embora seja um permanente problema, a qual a burguesia imperialista precisa o tempo todo dedicar sua atenção. Neste sentido, entender o papel das principais burguesias imperialistas é uma condição fundamental para determinar a melhor orientação para a classe operária, sem entender de onde vira o próximo ataque, quem é capaz de oferecer maiores danos a classe trabalhadora, teremos orientações desastradas, que levarão a classe operária a se submeter a níveis ainda maiores de exploração.

Este tema foi parcialmente tratado no texto 2 e na Resposta a Rodrigo Silva onde tratamos do problema da frente única anti-imperialista, que é uma linha de unidade dos trabalhadores contras o imperialismo, pautado basicamente em uma plataforma de defesa de reivindicações ligadas a soberania nacional e a autodeterminação dos povos. Temas complexos, que merecem serem tratados em espaços próprios.

Outra coisa que precisamos reafirmar, ou esclarecer, é que imperialismo é uma época , mesmo aqui na revista usamos eventualmente a palavra imperialismo em um sentido um pouco diferente, como no próprio slogan da revista “Em defesa de todos os perseguidos pelo imperialismo“, em casos como este , estamos abusando da palavra imperialismo para nos referirmos a principal burguesia imperialista, a burguesia dos EUA ou a alguma outra das três burguesias imperialistas menores(britânica, francesa e alemã), ou ainda a alguma instituição que cumpra algum papel de congregar as principais burguesias para algum interesse especifico.( exemplo: ONU, OTAN, UE ).

O Capital financeiro e a Oligarquia financeira

Este tema foi parcialmente tratado no texto 2 onde foi mostrado o gráfico abaixo

Esse gráfico mostra a hipertrofia do capital financeiro em detrimento da produção.

Em imperialismo fase superior do capitalismo Lenin comenta:

“Uma parte cada vez maior do capital industrial – escreve Hilferding – não pertence aos industriais que o utilizam. Podem dispor do capital unicamente por intermédio do banco, que representa, para eles, os proprietários desse capital. Por outro lado, o banco também se vê obrigado a fixar na indústria uma parte cada vez maior do seu capital. Graças a isto, converte-se, em proporções crescentes, em capitalista industrial. Este capital bancário – por conseguinte capital sob a forma de dinheiro -, que por esse processo se transforma de fato em capital industrial, é aquilo a que chamo capital financeiro.” “Capital financeiro é o capital que se encontra à disposição dos bancos e que os industriais utilizam.”

https://www.marxists.org/portugues/lenin/1916/imperialismo/cap3.htm

Esse curto trecho ja desmonta a acusação dirigida a Lenin, repercutida por nós aqui, que supostamente estaria dizendo que o capitalismo não precisa mais da produção, ao contrario Lenin detecta uma fusão do capital bancário com o capital industrial. Mostrando mais uma vez o erro de seus acusadores.

Continuamos com Lenin:

Concentração da produção; monopólios que resultam da mesma; fusão ou junção dos bancos com a indústria: tal é a história do aparecimento do capital financeiro e daquilo que este conceito encerra.

Acreditamos que esse trecho põe por terra, todos os argumentos que tentam atacar Lenin por tentar deslocar a produção de seu papel de gerador riqueza. Neste capitulo, mais a frente Lenin começa a explicar o conceito de parasitismo. Antes disso, Lenin critica o conceito de participação, que hoje é usado em muitas empresas, a famosa participação nos lucros:

Com efeito, a experiência demonstra que basta possuir 40% das ações para dirigir os negócios de uma sociedade anônima(4a), pois uma certa parte dos pequenos acionistas, que se encontram dispersos, não tem na prática possibilidade alguma de assistir às assembléias gerais, etc. A “democratização”, da posse das ações, de que os sofistas burgueses e os pretensos “sociais-democratas” oportunistas esperam (ou dizem que esperam) a “democratização do capital”, o aumento do papel e importância da pequena produção, etc., é na realidade um dos meios de reforçar o poder da oligarquia financeira. Por isso, entre outras coisas, nos países capitalistas mais adiantados ou mais velhos e “experimentados”, as leis autorizam a emissão de ações mais pequenas. Na Alemanha, a lei não permite ações de menos de 1000 marcos, e os magnatas financeiros do país lançam os olhos com inveja para a Inglaterra, onde a lei consente ações até 1 libra esterlina (quer dizer, 20 marcos, ou cerca de 10 rublos). Siemens, um dos industriais e “reis financeiros” mais poderosos da Alemanha, declarou em 7 de junho de 1900, no Reichtag, que “a ação de 1 libra esterlina é a base do imperialismo britânico”(5a). Este negociante tem uma concepção consideravelmente mais profunda, mais “marxista”, do que é o imperialismo do que certo escritor indecoroso que se considera fundador do marxismo russo(18) e supõe que o imperialismo é um defeito próprio de um povo determinado …

Lenin comenta aqui acerca de Kaustky , as polemicas de Lenin e Kuastky também voltarão a serem discutidas aqui no futuro

Mas o “sistema de participação” não só serve para aumentar em proporções gigantescas o poderio dos monopolistas, como, além disso, permite levar a cabo impunemente toda a espécie de negócios escuros e sujos e roubar o público, pois os dirigentes das “sociedades-mães”, formalmente, segundo a lei, não respondem pela “sociedade-filha”, que é considerada “independente” e através da qual se pode “fazer passar” tudo. Eis um exemplo tirado da revista alemã Die Bank, no seu número de Maio de 1914:

“A Sociedade Anônima de Aço para Molas, de Cassel, era considerada há uns anos como uma das empresas mais lucrativas da Alemanha. Em conseqüência da má administração, os dividendos desceram de 15 % para 0 %. Segundo se pôde comprovar depois, a administração, sem informar os acionistas, tinha feito um empréstimo de 6 milhões de marcos a uma das suas ‘sociedades-filhas’, a Hassia, cujo capital nominal era apenas de algumas centenas de milhares de marcos. Esse empréstimo, quase três vezes superior ao capital em ações da ‘sociedade-mãe’, não figurava no balanço desta: juridicamente, tal silêncio estava perfeitamente de acordo com a lei e pôde durar dois anos inteiros, pois não infringia nem um único artigo da legislação comercial. O presidente do conselho de administração, a quem nessa qualidade incumbia a responsabilidade de assinar os balanços falsos, era e continua a ser presidente da Câmara de Comércio de Cassei. Os acionistas só se inteiraram desse empréstimo à Hassia muito tempo depois, quando se verificou que o mesmo tinha sido um erro… ” (o autor deveria ter posto esta palavra entre aspas) … “e quando as ações do ‘aço para molas’, por aqueles que tinham conhecimento disto se começarem a desfazer delas, diminuíram o seu valor em aproximadamente 100 % .

Finalmente a concepção do capital financeiro como um parasita da produção começa a aparecer

O capital financeiro, concentrado em muito poucas mãos e gozando do monopólio efetivo, obtém um lucro enorme, que aumenta sem cessar com a constituição de sociedades, emissão de valores, empréstimos do Estado, etc., consolidando a dominação da oligarquia financeira e impondo a toda a sociedade um tributo em proveito dos monopolistas. Eis um dos exemplos dos métodos de “administração” dos trusts americanos, citado por Hilferding: em 1887, Havemeyer constituiu o trust do açúcar mediante a fusão de 15 pequenas companhias, cujo capital total era de 6.500.000 dólares. Mas o capital do trust, “aguado”, segundo a expressão americana, fixou-se em 50 milhões de dólares. A “recapitalização” tinha em conta de antemão os futuros lucros monopolistas, do mesmo modo que o trust do aço – também na América – tem em conta os futuros lucros monopolistas ao adquirir cada vez mais jazigos de minério de ferro. E, com efeito, o trust do açúcar fixou preços de monopólio e recebeu lucros tais que pôde pagar um dividendo de 10 % ao capital sete vezes “aguado”, quer dizer, quase 70 % sobre o capital efetivamente investido no momento da constituição do trust! Em 1909, o seu capital era de 90 milhões de dólares. Em vinte e dois anos o capital foi mais do que decuplicado.

Portanto , esse capital financeiro, existe amparado , ou melhor hospedado na produção, em na parte 2 , nós adiantamos que o capital financeiro é , hoje em dia, mais atraente do que a produção, opondo concorrência então ao seu próprio hospedeiro.

Os lucros excepcionais proporcionados pela emissão de valores, como uma das operações principais do capital financeiro, contribuem muito para o desenvolvimento e consolidação da oligarquia financeira. “No interior do país não há nenhum negócio que dê, nem aproximadamente, um lucro tão elevado como servir de intermediário para a emissão de empréstimos estrangeiros” – diz a revista alemã Die Bank

Lenin cita um exemplo que parece muito atual, a especulação imobiliária

Uma das operações particularmente lucrativas do capital financeiro é também a especulação com terrenos situados nos subúrbios das grandes cidades que crescem rapidamente. O monopólio dos bancos funde-se neste caso com o monopólio da renda da terra e com o monopólio das vias de comunicação, pois o aumento dos preços de terrenos, a possibilidade de os vender vantajosamente por parcelas, etc., dependem principalmente das boas vias de comunicação com a parte central da cidade, as quais se encontram nas mãos de grandes companhias, ligadas a esses mesmos bancos mediante o sistema de participação e da distribuição dos cargos diretivos. Resulta de tudo isso o que o autor alemão L. Eschwege, colaborador da revista Die Bank, que estudou especialmente as operações de venda e hipoteca de terrenos, qualifica de “pântano”: a desenfreada especulação com os terrenos dos subúrbios das cidades, as falências das empresas de construção, como, por exemplo, a firma berlinense Boswau & Knauer, que tinha embolsado uma quantia tão elevada como 100 milhões de marcos por intermédio do banco “mais importante e respeitável”, o Banco Alemão (Deutsche Bank), que, naturalmente, atuava segundo o sistema de “participação”, isto é, em segredo, na sombra, e livrou-se da situação perdendo “apenas” 12 milhões de marcos; depois, a ruína dos pequenos patrões e dos operários, que não recebem nem um centavo das fictícias empresas de construção; as negociatas fraudulentas com a “honrada” polícia berlinense e com a administração urbana para ganhar o controlo do serviço de informação sobre os terrenos e das autorizações do município para construir, etc., etc.(15a).

Queremos ressaltar que o Imperialismo fase superior do capitalismo, foi publicado em 1916. 90 anos antes da crise sub-prime nos EUA, muito antes do problema da especulação imobiliaria aparecer aqui no Brasil , na forma dramática que aparece hoje. Assim o papel da Oligarquia financeira é um papel parasitário, são parasitas da produção, nos próximos capitulos Lenin aprofunda essa tematica

A Oligarquia Russa

Recentemente com a guerra na Ucrania o termo Oligarquia Russa começou a ser ventilado na grande imprensa v aqui , inclusive com uma serie de sanções contra estes oligarcas, que possuem bens nos países imperialistas, os países imperialistas de verdade, não os supostos. A CNN Explica o aparecimento da Oligarquia Russa :

Yeltsin decidiu transformar a economia socialista russa em economia de mercado e assim o fez com programas de privatização e liberalização da economia, numa autêntica terapia de choque.

O seu opositor Alexander Rutskoi insuflou uma insurreição contra a forma como Yeltsin estava conduzindo o processo de reformas, até mesmo o chamando de “genocídio econômico”.

É com as reformas de Yeltsin que surge a nova oligarquia. Agora já não é o partido, nem o Politburo, quem irá deter o poder, mas sim um grupo restrito de pessoas que vão aproveitar da situação para se apoderar de grande parcela da riqueza nacional.

Essas pessoas constituem a nova oligarquia russa. Tornam-se milionárias através de situações pouco claras. Aliás, a época de Yeltsin é marcada por uma corrupção generalizada, inflação, colapso econômico e profundos problemas sociopolíticos.

assim, hoje a oligarquia Russa, surge da restauração do capitalismo no Leste Europeu, restauração, que nós também já debatemos aqui e aqui . E que foi amplamente saudada pelo dito Ocidente. Alias, a Oligarquia Russa concentra uma das principais características do parasitismo capitalista. Que é a necessidade que os capitalistas têm de infligirem as leis que foram criadas nos próprios parlamentos burgueses, pois muitas dessas leis foram criadas por pressão ou concessão à classe trabalhadora organizada. Constituindo, portanto, uma verdadeira barreira para a realização da taxa de lucro destes capitalistas. Neste sentido, a destruição de nações inteiras como a Iuguslavia, o Iraque e o Afeganistão, são os casos mais avançados da necessidade da burguesia de eliminar essas barreiras aos seus lucros. Voltaremos a este ponto quando tratarmos do parasitismo capitalista em especifico.