Anulação do impeachment a via mais econômica para uma assembleia constituinte parte 2: A perseguição Politica 5 anos depois do golpe em Dilma

A falecida revista teórica Ciência & Revolução publicou em fevereiro deste ano um texto fazendo um balanço da luta contra a perseguição politica (v aqui). Texto em sua conclusão diz :

Este balanço não se coloca como ultima palavra, ao contrario, abre o debate sobre a necessidade de uma constituinte, abre a discussão junto a base petista , não ha outra forma de faze-lo, não existem passes de mágica. Apenas a livre e clara discussão dos problemas pode realmente levar a uma saída desta enorme crise que o capitalismo mundial lançou toda a humanidade.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2021/02/anulacao-do-impeachment-via-mais.html

Respondendo ao chamado da própria revista resolvemos escrever este balanço dos 5 anos do golpe em Dilma. Não um balanço das ações da burguesia, esse, outros ja fizeram. Aqui pretendemos fazer um balanço das ações mais importantes das organizações trabalhadores. Em particular quanto ao tema perseguições politicas.

A negação Inicial

O texto em C&R relata diversos momentos em que a direção do PT negou a existência de perseguição politica, reafirmando o reconhecimento de um suposto “Estado democrático de direito”, mesmo quando seus dirigentes eram perseguidos e encarcerados, a situação começou a mudar quando Lula preso, foi proibido de concorrer as eleições e entao finalmente, Lula é obrigado a reconhecer a perseguição politica:

“Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos

https://www.metropoles.com/brasil/politica-brasil/carta-de-lula-apresenta-haddad-e-fala-em-perseguicao-juridica

AInda assim muita gente continuou sendo perseguida e não apenas na base, figuras como Marcia Tiburi, Debora Diniz, Ricardo Galvão, Jean Wyllis, sindicalistas como Erika Suruagy e Dauvid Bacelar. A lista é enorme, mas estes são os nomes que aparecem , os nomes, que de alguma forma, conseguem reunir os meios para defenderem-se contra a perseguição. Quando levamos em conta os militantes de base, os trabalhadores que não possuem os meios para fazerem suas vozes serem ouvidas, a lista se torna interminável, um caso em particular, um absurdo em particular precisa ser destacado, que é a incapacidade das organizações de direitos humanos impedirem despejos de ocupações de Trabalhadores Sem Terra. A lista , segundo o portal vermelho, ja atinge 80 mil famílias .

Um inicio de reação: antes tarde do que mais tarde ainda.

A constrangedora paralisia das direções das organizações dos trabalhadores e até mesmo de entidades e associações cientificas parece que começou a diminuir. Talvez constrangidas pela ação do “digital influencer” Felipe Neto, que criou uma frente de advogados para defender quem fosse processado por Bolsonaro. Em sequência algumas ações começaram a aparecer , ainda de forma tímida e limitada, afinal de contas, ninguém quer dizer que não estamos em um “Estado democrático de direito”. A mais importante delas foi a revogação da Lei de Segurança nacional, porem esse entulho da ditadura foi substituída por outra lei, que conta com vários vetos do Bolsonaro, faremos a analise desse projeto em outra oportunidade. A campanha “Despejo Zero“, que reúne entre seus organizadores uma serie de ONGS junto com organizações operárias e camponesas e o apoio, até mesmo, da própria ONU , mostrando seu viés assistencialista . Essa campanha tem organizado diversos projetos de Leis em assembleias legislativas para proibir despejos durante a pandemia. Outra iniciativa foi da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que fez uma live no inicio do mês lançando a pesquisa nacional “A liberdade academica esta em risco no Brasil? “. A LIVE reuniu diversos perseguidos politicos , mas curiosamente não contou com a presença das organizações sindicais e nem das estudantis. Os fatos são claros, a perseguição politica não pode mais ser ignorada.

Um dos elementos mais interessantes na live da SBPC , é o abandono da expressão “assédio moral”.

A luta das organizações dos trabalhadores, nos marcos da independência de classes, contra a perseguição Politica

A falecida revista Ciência & Revolução no texto “Davos, FMI e o dificil equilibrio do sistema” resenhava a carta manifesto da edição 2020 do Fórum Econômico Mundial realizado na cidade Suiça de Davos, que chamava ao assistencialismo para preservar a estabilidade politica e impedir revoltas populares. Naquele momento a pandemia não havia explodido, mas Kristalina Georgieva , presidente do FMI , fazia um prognostico para a década de 20 do século XXI, comparando-a com a década de 20 do século-XX. Um ano e meio depois, ja se pode dizer que o FMI estava bastante correto em sua perspectiva, dado que a decada de 20 do século passado foi uma decada marcada por uma intensa depressão na economia capitalista, que levou as diversas burguesias imperialistas a segunda guerra mundial. Frente a esse prognostico o chamado ao assistencialismo é a ultima cartada para impedir a explosão social. Presente naquela reunião estava o megaespeculador George Soros, que prometeu um bilhão de dólares para combater governos fascistas pelo Mundo, parece estar cumprindo com sua promessa , quando vemos a pagina do LAUT -Centro de Analise da Liberdade e contra o autoritarismo- vemos entre os seus mantenedores a fundação de George Soros Open Society Foundations. Logo, notamos que as organizações dos trabalhadores , estão secundarizadas neste debate e a reboque do imperialismo. Iludidos que ONU e outras entidades possam proteger as “liberdades democráticas” em alguma parte do planeta. Como se o fascismo, não fosse fruto da própria desagregação do modo de produção capitalista. Justo a ONU que sempre legitima todas as ações militares do imperialismo dos EUA.

Ilusões Constitucionalistas em escala nacional e global

O ex-ministro das relações exteriores do governo Lula, Celso Amorim, no blog o cafezinho defendeu uma mudança nas instituições internacionais e o fim do conselho de segurança da ONU. A ONU foi fundada como instituição que cristalizava o acordo entre as principais burguesias imperialistas e a burocracia soviética (v aqui) . Hoje com a decadência da principal burguesia imperialista (ver aqui ). É normal que as burguesias submissas queiram mais espaço, a questão é que a burguesia dominante não vai ceder simplesmente e ainda que cedesse , o que isso interessaria a classe trabalhadora em escala escala planetária?

A crise de dominação imperialista é tipica da época em que vivemos, pois o imperialismo é uma época , uma época em que a livre-concorrência deixa de existir em favor de uma tendência fraticida ao monopólio, tendência que leva as burguesias mundiais a guerra de forma inevitável. A prova dessa crise é que a perseguição politica não é um problema brasileiro, mas um problema global e vai muito além dos regimes ditos fascistas, agora satanizados, mas em outra época vistos com bons olhos pela burguesia imperialista que elegeu Trump para fazer a guerra comercial com a China, que o “democrata” Biden continua, deixando claro que Bolsonaro ainda pode ser útil ao império e por isso não cai. Não é Arthur Lira que segura Bolsonaro, mas Biden. Por isso Bolsonaro faz o que faz e basta pedir desculpas, que tudo é esquecido. Não foi assim com Lula e nem com Dilma , as instâncias do judiciário brasileiro mantiveram suas condenações , Dilma não foi restituída e Lula ficou 580 dias na prisão, pode-se argumentar que hoje esta livre para disputar eleições , mas a julgar pelas declarações que tem dado, aparecendo como defensor de um suposto “Estado democrático de direito” ; Estado esse, que convive pacificamente com 600 mil mortos pelo covid-19, que permite e perdoa as arruaças do Bolsonaro. Certamente Lula ainda não esta livre , pelo menos não livre para defender a nação e a classe operária brasileira.

Anulação do Impeachment é a via da independência das organizações operárias

As instituições que deram o golpe com o supremo com tudo são incapazes de oferecer uma saída aos trabalhadores brasileiros, mesmo que permitam uma candidatura Lula, assim como em 2002 , seria novamente uma candidatura tutelada, em um marco econômico mundial muito mais desgastado do os primeiros anos do seculo XXI. Contudo uma perspectiva para um hipotético governo Lula será objeto de discussão posteriormente.

Publicado por Emdefesadomarxismo

Somos um grupo de militantes simpáticos ao Partido dos Trabalhadores, que luta contra a perseguição politica sofrida pelo partido e principalmente pelos seus militantes de base. Nós entendemos que, A emancipação dos trabalhadores é hoje e, a cada dia mais, a ultima esperança da humanidade frente a barbárie capitalista. Contudo, a emancipação dos trabalhadores não pode ocorrer sem uma ciência dos trabalhadores , sem entender os seus dias , sem confrontar a teoria marxista , que é a teoria operária com a realidade da classe trabalhadora. Este é o objetivo de Ciência dos Trabalhadores. Existem sim uma ciência Operária , mas essa ciência precisa ser construida e hoje , como no passado a ciência dos trabalhadores é condição necessária para sua emancipação . Como condição necessária , a ciência operária precisa também ser obra dos trabalhadores. Por isso convidamos a classe trabalhadora a se expressar em nossas paginas .

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: