Rodrigo Silva: A questão da perseguição política: como encaminhar?

Aos que habitam
Cortiços e favelas
e mesmo que acordados
pelas sirenes das fábricas
não deixam de sonhar
de ter esperanças
pois o futuro
vos pertence
Pois o futuro vos pertence! (coro)
Pois o futuro vos pertence! (coro)
Aos que carregam rosas
Sem temer machucar as mãos
pois seu sangue não é azul
nem verde do Dólar
mas vermelho
da fúria amordaçada
de um grito de liberdade
preso na garganta
Fuzilados da CSN
assassinados no campo
torturados no DEOPS
espancados na greve
A cada passo desta marcha
Camponeses e operários
tombam homens fuzilados
Mas por mais rosas que os poderosos matem
nunca conseguirão deter
a Primavera!
Pois o futuro vos pertence! (coro)
Pois o futuro vos pertence! (coro)

Fonte : SINDESPETRO-NF

Em mais uma Tribuna Livre da Luta de Classes apresentamos a contribuição do companheiro Rodrigo, que trás uma divergência com um dos membros do comite editorial de Ciência dos Trabalhadores. A Tribuna Livre da Luta de Classes é exatamente um espaço para o livre debate, são textos assinados , que não necessariamente representam a posição do comite editorial de C&T , podendo inclusive, estarem em desacordo , não apenas com membros isolados, mas mesmo com o próprio Comite Editorial.

A questão da perseguição política: como encaminhar?

Por: Rodrigo Silva

Pra ler ao som de: Aos Fuzilados da CSN, dos Garotos Podres

O objetivo desse texto não é entrar em discussões mais amplas sobre o capitalismo, o período histórico ou estratégia. Elas todas têm seu lugar, mas cada uma a seu momento e de forma mais aprofundada. Vou falar aqui de um problema de concepção, debatendo com o texto O que fazer para defender a militância da perseguição política?(Nota de C&T: Publicado em O Partisano)

Em primeiro lugar, vamos ao grande ponto positivo do texto, que é resgatar a necessidade de defender a militância contra a repressão, não só estatal como patronal, resgatando experiências importantes como a do Socorro Vermelho Internacional. 

Sempre que o movimento dos trabalhadores conseguiu fazer ações amplas, surgiu da própria luta a necessidade de fazer ações de defesa dos militantes perseguidos. Hoje, em que o movimento enfrenta uma crise sem precedentes, do ponto de vista da perda das raízes no dia-a-dia da classe, as lutas que acontecem costumam ser isoladas umas das outras. 

Duas consequências disso são que, geralmente, os sindicatos que tentam fazer ações mais combativas são os que organizam categorias com estabilidade, que são uma pequena minoria dos trabalhadores assalariados, e as campanhas contra perseguições políticas geralmente envolvem só as direções de cada sindicato ou movimento, e se limitam aos setores politicamente mais próximos a cada um deles. 

Um balanço da Quarta Internacional

Parece que, por vontade de corrigir e fundamentar a necessidade da luta contra a perseguição, o companheiro acaba caindo num extremo, e passando a enxergar essa luta como a explicação da própria crise de direção. 

Para ele, seria a perseguição política que impediria o surgimento de uma direção revolucionária, forçando todas as direções a capitularem e se enquadrarem. 

Em primeiro lugar, quando o cara de cavanhaque fala em crise de direção, ele está falando de um período específico da história do movimento operário, a partir de 1914, quando os partidos da socialdemocracia passam a apoiar os governos dos seus respectivos países durante a Primeira Guerra Mundial. 

Mas a perseguição é uma realidade desde o começo do movimento operário. Basta lembrar que os primeiros sindicatos eram clandestinos, e que o primeiro movimento operário, o ludismo, sofreu uma repressão policial que criou praticamente um regime militar nas regiões onde estavam os primeiros teares

Nada disso impediu a formação das organizações dos trabalhadores. O que a tese da crise de direção tentava explicar não era a incapacidade de organização do movimento, e sim porque, naquele período específico, no auge do movimento operário na Europa, as direções eram um obstáculo para a luta revolucionária.

Essa explicação eu concordo que vai além do que o trotskismo respondeu na época de formação da Quarta Internacional. Mas acho que a resposta aponta para outra direção. É preciso olhar para os fatores que permitiram uma acomodação relativa dos trabalhadores, principalmente nos países imperialistas, o que tem mais a ver com a mudança das condições sociais que permitiram uma melhora relativa das condições de vida. 

Isso é um tema bem amplo, que não tem como tratar aqui. Mas tem que ser levantando, porque, por mais importante que seja, a questão da perseguição política não é o que explica a crise do movimento operário e socialista nesse século. 

A questão da frente única

Tirando essa análise exagerada da frente, podemos entrar num debate sobre como encaminhar a luta contra a perseguição política. 

Como eu falei no começo, quase sempre a defesa dos perseguidos políticos é feita isoladamente, com cada setor defendendo os “seus” perseguidos (as aspas são porque os perseguidos, na verdade, são do movimento como um todo). 

Os companheiros que criaram o Círculo Anderson Luís começaram com um fundo, que era uma campanha financeira para pagar advogados para os membros que estavam lutando judicialmente. Isso é certo. 

Mas é insuficiente. Junto com isso, temos que lutar politicamente para mudar a cultura política presente no movimento em relação à perseguição política. Temos que cobrar que os sindicatos apoiem materialmente quem sofre perseguição, até porque um sindicato tem recursos qualitativamente maiores que um pequeno grupo, como era o caso do Círculo.

Não só as direções do movimento que têm que mudar. Os trabalhadores de base têm que ganhar mais confiança de que, se entrarem em um processo de luta, não vão ser abandonados, como se tornou cada vez mais normal, e sim que vão poder contar com as organizações que o movimento construiu para a sua proteção. 

A conclusão é que uma política de luta contra as perseguições políticas é necessária e é uma tarefa que as principais forças políticas cumprem muito pouco e que o caminho para tentar mudar essa situação é através de uma política de frente única através das organizações de massas dos trabalhadores. 

Publicado por Emdefesadomarxismo

Somos um grupo de militantes simpáticos ao Partido dos Trabalhadores, que luta contra a perseguição politica sofrida pelo partido e principalmente pelos seus militantes de base. Nós entendemos que, A emancipação dos trabalhadores é hoje e, a cada dia mais, a ultima esperança da humanidade frente a barbárie capitalista. Contudo, a emancipação dos trabalhadores não pode ocorrer sem uma ciência dos trabalhadores , sem entender os seus dias , sem confrontar a teoria marxista , que é a teoria operária com a realidade da classe trabalhadora. Este é o objetivo de Ciência dos Trabalhadores. Existem sim uma ciência Operária , mas essa ciência precisa ser construida e hoje , como no passado a ciência dos trabalhadores é condição necessária para sua emancipação . Como condição necessária , a ciência operária precisa também ser obra dos trabalhadores. Por isso convidamos a classe trabalhadora a se expressar em nossas paginas .

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