Prefacio escrito por Frederich Engels para edição alemã de 1890 do Manifesto do Partido Comunista

Introdução:

Trazemos, como nossa politica de formação elementar, um prefacio à edição alemã de 1890 do Manifesto do partido Comunista. Longe de um exercício de saudosismo, revisitar a experiência das gerações anteriores é parte significativa do método cientifico. Engels escreve o seu prefácio, ja na ausência de Marx e faz uma curta revisão dos principais acontecimentos desde a publicação do manifesto em 1948. Engels não esquece de comentar acerca dos Comunistas de Colônia, um dos muitos momentos em que os que reivindicam a independência politico-organizativa da classe operária foram proibidos de existir, encarcerados, torturados, em uma palavra , perseguidos. O tema da perseguição, hoje tabu nas fileiras do movimento operário, que insiste em saudar a bandeira de uma inexistente ordem democrática, vinculando sua ação politica a ação de, nas palavras de Engels

toda espécie de curandeiros sociais, que queriam com suas panaceias variadas e com toda a espécie de cataplasma, suprimir as misérias sociais, sem tocar no capital e no lucro

Vinculo esse, que era prejudicial na época de Engels, tornou-se muito mais nocivo na época em que vivemos, época da decadência do modo de produção capitalista, que em sua profunda agonia, faz passar diante dos olhos da humanidade um desfile inimaginável de horrores cada vez maiores. Horrores reconhecidos mesmo pelos próprios dirigentes do capitalismo mundial agrupados no FMI e Banco Mundial. Engels deixa claro, que não foi nenhum benevolente que garantiu aos trabalhadores direitos como jornada de oito horas de trabalho, ao contrario foi a própria ação dos trabalhadores organizados por suas próprias forças que arrancaram essas conquistas. Assim, como há 140 anos quando Engels escreveu essas linhas, a classe operária só podia contar com suas próprias forças, hoje a classe operária vê o seu direito a auto-organização cada vez mais negado, seja por fascistas abertamente declarados, seja pelos supostos aliados, que tentam moldar a ação dos trabalhadores organizados a uma forma que não ofereça riscos a seus lucros. E para isso, hoje, os curandeiros sociais ganham status de paradigma dominante da relação entre capital e trabalho. Isso fica claro no manifesto de Klaus Schwab no ultimo Forum Economico Mundial e na ação de ONGS financiadas pelo mega-especulador George Soros.

A Associação Internacional dos Trabalhadores

Engels, em seu prefacio, deixa uma coisa muito clara, a importância de uma organização operária em escala internacional. Foi uma campanha internacional da Primeira Internacional Operaria, a Associação Internacional dos Trabalhadores, que permitiu aos trabalhadores do mundo inteiro abrirem o debate sobre a jornada de trabalho de 8 horas diárias. Foi a segunda Internacional, que teve Engels como um dos fundadores, que permitiu que a conquista deste direito e outros como o fim do trabalho infantil. Hoje falta uma internacional operária, que organize campanhas mundiais em defesa dos trabalhadores, a onda de golpes na América Latina, que teve inicio por conta da longa depressão de 2008, que dura até hoje, passou em branco sem um combate organizado em escala internacional. O mais perto que tivemos disso, foi a campanha contra a Ocupação do Haiti por tropas da ONU lideradas pelo Brasil . Hoje, muitos ditos de esquerda, esquecem o que a ONU fez no Haiti e dirigem uma denuncia a um tribunal da ONU em Haia, na esperança de que a ONU pare o genocídio no Brasil, sendo que a própria ONU é responsável por atrocidades como esta ação, não sendo a única acusação que pesa contra os capacetes azuis(apelido das tropas da ONU). Certamente essa é a falta que faz uma internacional Operária.

Mas por que manifesto do Partido Comunista e não Manifesto do Partido Socialista

Um dos objetivos desse texto, alem de incentivar a leitura do manifesto e sua discussão pelos trabalhadores, é começar um esclarecimento acerca das fronteiras do marxismo e daquilo que é chamado de comunismo , ou ainda de socialismo ciêntifico. É neste texto que Engels esclarece algo, que hoje gera grande confusão nas fileiras operarias.

Exista uma acusação mentirosa entre os detratores do marxismo de que o Partido do Hitler seria um partido supostamente de esquerda, essa acusação ocorre por conta da tradução do nome do partido do Hitler -Partido Nacional Socialista-. Engels explica porque eles não usam o nome socialista e quais eram os grupos conhecidos como socialistas, veja neste trecho:

Entretanto , quando apareceu , não podíamos intitula-lo um manifesto socialista. Em 1847 , esta palavra servia para designar dois gêneros de indivíduos. De um lado, os partidários de diversos sistema utópicos , especialmente os owenistas na Inglaterra e os fourieristas na França , ambos curandeiros sociais que queriam , com suas panaceiras variadas e com toda especie de cataplasma , suprimir as misérias sociais , sem tocar no capital e no lucro. Nos dois casos, eram tipos que vivam fora do movimento operário e cujo objetivo antes era procurar o apoio das classes “cultas”. Em contraposição, a parte dos operários que, convencida da insuficiência das subversões simplesmente politicas , queria uma transformação fundamental da sociedade chamava-se então “comunista”.

A Deuch Weller , rede estatal da Alemanha, fez uma reportagem especial de 150 anos do SPD, contanto a história do partido, que em território alemão representou por muito tempo as posições dos aliados e adeptos do Manifesto do Partido Comunista. Esse texto mostra a clara origem do SPD e explica a origem de alguns nomes citados por Engels em seu texto como Ferdinand Lassalle. O texto da Deuche Weller também não deixa escapar a importante perseguição politica que os adeptos do SPD sofreram. A história do SPD alemão é certamente um ponto importantissimo da história mundial, pois para ascender ao poder Hitler teve que derrotar o SPD e este, ao mesmo tempo, precisou submeter-se a tutela de um Estado democrático de direito, que ruiu quando a crise do capitalismo tornou-se mais aguda.

Com a Palavra Frederich Engels:

Prefacio escrito por Frederich Engels para edição alemã de 1890 do Manifesto do Partido Comunista

O manifesto tem sua própria história . Saudado com entusiasmo, quando apareceu pela vanguarda então pouco numerosa do Socialismo Cientifico, foi logo posto em segundo plano pela reação que se seguiu à derrota dos operários parisienses em 1848 em enfim proscrito “pela lei ” com a condenação dos comunistas de Colônia em novembro de 1852. Com o desaparecimento do cenário publico,, do movimento operário que data da revolução de fevereiro, o Manifesto desapareceu também da cena politica.

Quando a classe operária européia readquiriu forças para um novo assalto contra o poder das classes dominantes, nasceu a Associação Internacional dos Trabalhadores. Tinha esta como finalidade englobar num grande exercito único todas as forças combativas da classe operária da Europa e da América. Portanto, não podia partir dos princípios estabelecidos no manifesto.. Devia ter um programa que não fechasse as portas às trade-unions britânicos(Nota de Ciência dos Trabalhadores: trade unions eram os sindicatos britanicos), Proudhonianos(Nota de Ciência dos Trabalhadores: doutrina ligada ao nome de Pierre-Joseph Proudhon) franceses, belgas , italianos e espanhóis, nem aos lassaleanos alemães . Este programa – o preambulo dos estatutos da internâcional- foi redigido por Marx com tal maestria que foi reconhecido mesmo por Bakunin e os anarquistas. Marx confiava a vitória definitiva das proposições insertas no manifesto unicamente ao desenvolvimento intelectual de classe operária, o qual devia resultar da comunidade de ação e de discussão.

Os acontecimentos e as vicissitudes da luta contra o capital, as derrotas ainda mais do que as vitórias, não podiam deixar de mostrar aos combatentes a insuficiência de todas as panaceias em que tinham acreditado, capacita-los a uma compreensão profunda das condições verdadeiras da emancipação operária. E Marx tinha razão. A classe operária de 1874 , após a dissolução da Internacional era bem outra que a de 1864, no momento de sua fundação . O proudhonismo dos paises latinos e os lassalismos propriamente dito na Alemanha agonizavam , e mesmo o Trade Unismo ingles , então ultraconservadores, aproximavam-se do momento em que em 1887, o presidente de seu congresso em Swansea , podia dizer em nome delas “O Socialismo Continental deixou de ser um espantalho para nós”. Mas já nessa época o socialismo continental confundia-se quase com a teoria formulada no Manifesto. E por esta forma, a história do Manifesto reflete até certo ponto a história do movimento operário moderno desde de 1848. Hoje é incotest5avelmente a obra mais espalhada , mais internacional de toda a leitura socialista , o programa comum de milhões de operários de todos os países da Sibéria à Califórnia.

Entretanto , quando apareceu , não podíamos intitula-lo um manifesto socialista. Em 1847 , esta palavra servia para designar dois gêneros de indivíduos. De um lado, os partidários de diversos sistema utópicos , especialmente os owenistas na Inglaterra e os fourieristas na França , ambos curandeiros sociais que queriam , com suas panaceiras variadas e com toda especie de cataplasma , suprimir as misérias sociais , sem tocar no capital e no lucro. Nos dois casos, eram tipos que vivam fora do movimento operário e cujo objetivo antes era procurar o apoio das classes “cultas”. Em contraposição, a parte dos operários que, convencida da insuficiência das subversões simplesmente politicas , queria uma transformação fundamental da sociedade chamava-se então “comunista”. Era um comunismo apenas esboçado, todo instintivo , por vezes grosseiro; mas era bastante poderoso para produzir dois sistemas de comunismo utópicos, na França a Icária de Cabet e na Alemanha os sistemas de Weiting. O socialismo significava em 1847 um movimento burguês e o comunismo um movimento operário. O socialismo era admitido nos salões da alta sociedade , no Continente, pelo menos; o comunismo era exatamente o contrario. E como achávamos , já nesse momento , sem a menor duvida , que a emancipação dos operários deva ser obra da própria classe operaria, não podíamos excitar em um só instante sobre a denominação a escolher. Posteriormente, nunca pensamos em modifica-la.

Proletários de todos os países uni-vos! Somente algumas vozes nos responderam, quando lançamos este apelo ao mundo, há 42 anos , na véspera da primeira revolução parisiense , na qual o proletariado entrou com suas reivindicações . Entretanto, a 28 de setembro de 1864 , os proletários da maior parte dos paises da Europa Ocidental reuniram-se na Associação Internacional dos Trabalhadores, de gloriosa memoria . Aliás, a própria internacional so viveu nove anos. Mas não a prova maior do que o dia de hoje para revelar que o laço eterno, criado por ela, dos proletários de todos os paises , existe ainda e é mais poderoso que nunca . Neste momento, o proletáriado da Europa a América passa em revista as suas forças , mobilizadas pela primeira vez num só exercito, sob uma só bandeira e por um mesmo fim imediato: a fixação legal da jornada da nornal de oito horas , proclamada ja em 1866 pelo Congresso Internacional , reunido em Genebra , e, de novo , pelo Congresso Operário de Paris de 1889 . O espetáculo do dia de hoje mostrará aos capitalistas e aos proletários agrários de todos os paises que os proletários de todos os paises estão unidos.

Ah! se Marx estivesse ao meu lado para ver esse espetaculo com os seus próprios olhos!

Lodres primeiro de maio de 1890

F. Engels

Extraido da Edição Comemorativa dos 150 anos do Manifesto do Partido Comunista.

Edições O Trabalho

Publicado por Emdefesadomarxismo

Somos um grupo de militantes simpáticos ao Partido dos Trabalhadores, que luta contra a perseguição politica sofrida pelo partido e principalmente pelos seus militantes de base. Nós entendemos que, A emancipação dos trabalhadores é hoje e, a cada dia mais, a ultima esperança da humanidade frente a barbárie capitalista. Contudo, a emancipação dos trabalhadores não pode ocorrer sem uma ciência dos trabalhadores , sem entender os seus dias , sem confrontar a teoria marxista , que é a teoria operária com a realidade da classe trabalhadora. Este é o objetivo de Ciência dos Trabalhadores. Existem sim uma ciência Operária , mas essa ciência precisa ser construida e hoje , como no passado a ciência dos trabalhadores é condição necessária para sua emancipação . Como condição necessária , a ciência operária precisa também ser obra dos trabalhadores. Por isso convidamos a classe trabalhadora a se expressar em nossas paginas .

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