Leninista Bolchevique: Um balanço das ações da Classe Trabalhadora durante a pandemia: Por que não tivemos uma greve sanitária? parte 1

Recentemente foi reaberto o debate politico acerca da anulação do impeachment de Dilma Roussef como medida que abriria as portas para uma assembleia constituinte digna desse nome, ou seja , uma assembleia constituinte que realmente resolvesse os problemas que uma constituinte deve resolver, sendo eles:

1-Reforma Agraria

2- Controle dos Recursos naturais- Reestatização da Vale, Usiminas recuperação do monopólio da petrobras e etc

3- Fim do cambio flutuante e centralização da taxa de cambio

4- Confisco e proibição de entrada e saida de capitais especulativos

5-Estatização de setores da econômia em especial os necessários ao combate da pandemia.

6- Estatização dos transportes

Um segundo texto trouxe o debate acerca da luta contra a perseguição politica, o que coloca em pauta o fim da estrutura de repressão do Estado burguês. Tivemos ainda alguns textos, no quadro tribuna livre da luta de classe, criticando duramente o papel das direções do movimento operário na condução das organizações durante este período de pandemia (ver aqui, aqui e aqui)

Esse texto, faz uso do quadro da tribuna livre da luta de classe, para fazer um balanço acerca das ações das organizações da classe trabalhadora durante a pandemia, ou melhor, um balanço da falta de ações

Fique em casa!

No inicio as organizações dos trabalhadores defendiam o “fique em casa”, o PT defendeu essa posição por boa parte de 2020 . Em uma resolução do diretório nacional de 17/06/2020, podemos ler:

O Partido dos Trabalhadores é instrumento de luta da classe trabalhadora para a construção de um Brasil justo, desenvolvido e soberano, que proporcione vida digna para seu povo. Este é o compromisso assumido desde sua fundação, que o acompanhou na sua caminhada histórica e foi seu objetivo principal no período em que governou o Brasil.

https://pt.org.br/pt-defender-a-vida-o-emprego-e-a-democracia/

Muito Justo, justissimo!!! O Povo trabalhador precisa de um partido para sua autodefesa.

Continuando a resolução o diretório nacional constata:

Hoje o país vive a destruição acelerada da democracia e dos direitos conquistados. O golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff iniciou o desmonte do Estado brasileiro. A “Ponte para o Futuro” apresentada por Michel Temer e por quem o apoiou foi o marco para se atentar contra a Constituição de 1988 e a ordem democrática por ela estabelecida. A emenda constitucional 95 desestruturou o SUS, a política educacional e o sistema de Assistência Social estabelecidos pela Constituição, abrindo caminho para uma das mais nefastas reformas contra o povo brasileiro, a Reforma da Previdência, que eliminou o sistema de seguridade social, um dos capítulos mais belos e importantes da Carta Magna. Antes, porém, desmontaram os direitos assegurados aos trabalhadores e trabalhadoras através da Reforma Trabalhista. A partir daí tudo se permitiu, inclusive promover a instabilidade institucional com ataques à independência dos Poderes, ao estado de direito e ao devido processo legal, tendo a Operação Lava Jato como instrumento principal.

Demorou, mas finalmente o diretório conseguiu bater na lava jato, operação que destruiu todo o setor de construção civil no Brasil. “Desmonte do Estado brasileiro” também não é exato porque da a impressão que o aparelho estatal existe para servir o povo trabalhador . Também dizer que a constituição de 1988 estabeleceu uma ordem democratica e ao

https://www.dieese.org.br/notatecnica/2019/notaTec218SalarioMinimo.pdf

mesmo tempo, reconhecer que não resolveu o problema da reforma agraria e dos recursos naturais, é contraditório! Veja no gráfico acima por exemplo, a enorme queda do Salario Mínimo durante a era Collor-FHC, ou seja, logo após a promulgação da constituinte, uma tamanha desvalorização do salario mínimo não é compatível com a democracia do ponto de vista dos trabalhadores, como diz o manifesto de fundação do do PT. Parece, que temos democracia só porque temos eleição, e mesmo assim, um quadro muito estranho de representação no congresso nacional, onde não vale nem a máxima de um homem um voto, como era dito na antiga campanha pelo plebiscito da constituinte . Porem, até aqui temos alguns pontos de apoio, como o reconhecimento do Temer como golpista e a aplicação do programa “Ponte para o Futuro” que, redundou em quebras de direitos trabalhistas e previdenciários. A resolução também reconhece o golpe no mandato popular de Dilma, mas sem decidir nenhuma tarefa concreta e sem apontar o papel do imperialismo dos EUA , na época dirigido pelo “democrata ” Obama. Mais para a frente o diretório constata que a eleição de 2018 não foi legitima:

Num processo eleitoral viciado, a começar pela inabilitação do presidente Lula, que liderava as pesquisas,  depois operado no submundo das redes sociais pela disseminação em massa de fakenews e financiado com base no crime e na corrupção do caixa dois, Bolsonaro derrotou Fernando Haddad, que mesmo assim, mesmo sendo à época desconhecido do conjunto do país, e em pouquíssimo tempo de campanha, por pouco não venceu as eleições. Do processo eleitoral de 2018 ficou a certeza da força de Lula e do PT, que mostrou que sabe construir uma candidatura competitiva e à altura do momento político, caso continuem cometendo a ilegalidade e a violação da democracia que é a inabilitação dos direitos políticos do presidente Lula.

O problema não começou com a inabilitação de Lula, mas com o golpe em Dilma. Alias os dados de investimento em Ciência e Tecnologia, fornecidos pela SBPC, mostram claramente a catástrofe do golpe. Esse dinheiro confiscado fez falta no combate a pandemia.

Contudo, em mais uma oportunidade as ilusões constitucionalistas aparecem. O PT realmente demonstrou sua força no terrenos eleitoral, isso é um fato, mas essa não é a única perspectiva de ação para as organizações da classe trabalhadora.

Acerca da pandemia a resolução sentencia:

Cresce absurdamente o número de mortes pela Covid 19 e o Brasil já é o segundo do mundo em óbitos, sem comando, sem controle, sem coordenação e sem amparo para o povo. Um trágico segundo lugar que pode estar mascarado pela testagem insuficiente, pela subnotificação e, agora, pela falsificação dos dados.

Depois dessa resolução a situação piorou muito e agora mesmo com a vacina, ainda esta longe de estar controlada. Mesmo assim na maioria das cidades do pais a vida transcorre de forma mais ou menos normal. A denuncia da resolução da direção nacional é correta, em parte, falta a devida caracterização do golpe, como parte da guerra comercial do imperialismo dos EUA com a China de quem o Brasil é um importante parceiro comercial. Explicaremos melhor esse tema em outra oportunidade. Contudo, é na hora de decidir o que fazer, que a resolução comete seu maior equivoco.

Neste sentido, orientamos o partido, seus dirigentes, suas bancadas e a militância a manter e reforçar em todas as frentes a luta em defesa da vida, ameaçada pela pandemia e pelo governo da destruição. Devemos apoiar todas as ações de governadores e prefeitos contra a pandemia, de nossas bancadas estaduais e municipais, com base nas recomendações da OMS e nas realidades locais, os projetos de lei e outras iniciativas no Congresso Nacional e legislativos para socorrer a população e as empresas, em especial os trabalhadores, os mais pobres e os pequenos e médios que mais empregam, bem como o apoio financeiro aos governos estaduais e municipais. E reforçar as ações judiciais que visam aos mesmos objetivos e à garantia de direitos.

Tudo bem, muitos projetos importantes foram aprovados como a proibição de despejos durante a pandemia, que foi aprovada com atraso e portanto foi bastante ineficiente(veja por exemplo aqui e aqui a ação de despejo da ocupação Lauro Freitas na Bahia no ultimo dia 8 de outubro) e também a proibição de operações policiais durante a pandemia, o que simplesmente tem sido desrespeitado. Mas so isso? Nada de greve? Apenas medidas burocráticas?!

Enquanto essas resoluções eram tomadas pela direção do PT, boa parte dos trabalhadores se aglomerava nos transportes públicos nas grandes cidades, como constata o mapeamento sufoco.

Não fique em casa ! Faça campanha eleitoral!

Em 14 de outubro de 2020 o PT estava em plena campanha eleitoral, mesmo durante a pandemia . Ainda que muitas campanhas tenham sido abandonadas, pelos próprios candidatos, por terem ficado doentes . A direção do Partido chamou sua militância a rua colocando-se em risco em prol do respeito do calendário eleitoral decidido pelas instituições vigentes, que se mostram incapazes de defender o povo do vírus, sendo este um dos motivos que as instituições contam com uma merecida impopularidade (ver pesquisa aqui)

Venha para a Rua por -Fora Bolsonaro-!

Nos segundo semestre deste ano uma onda de manifestações “Fora Bolsonaro” tem sido convocada por diversas organizações ditas democráticas. As manifestações têm ocorrido sábado de manha e sua dinâmica corresponde a aglomeração de pessoas com cartazes com reivindicações muitas vezes contraditórias. Alguns militantes reticentes em participar dessas atividades, escutam de muitos dirigentes. Os trabalhadores não têm o direito de ficar em casa vejam como o transporte esta lotado. A questão é, isso não era claro que iria acontecer, não estava claro que diversas categorias não teriam o direito ao lockdown, inclusive para manter o direito ao lockdown de setores melhor abastecidos? Então por qual motivo não nos mobilizamos anteriormente para combater em defesa dessas categorias? Para além disso, a palavra de ordem -Fora Bolsonaro- parece muito mais uma boia de salvação para as instituições vigentes. Bolsonaro é um perfeito bode expiatório para levar a culpa do genocídio. Onde estavam, congresso , STF e poder judiciário, quando as consequências do golpe apareceram e o colapso da saúde ficou evidente? Agora a polemica das manifestações “Fora Bolsonaro” é o direito de participação da “direita frente-ampla” . Confinando assim , a luta dos trabalhadores ao marco eleitoral, ou as decisões de uma CPI, que daria inevitavelmente em nada. Portanto, um quadro de manifestação totalmente preso e pautado pela burguesia.

A segunda Parte deste texto trará um balanço das greves das diversas categorias que sofreram com a pandemia.

Publicado por Leninista Bolchevique

Pseudonimo associado aos partidários da Oposição de Esquerda Internacional e depois a IV Internacional. Trotsky definia-se como Leninista Bolchevique

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: