Resposta a “O Jair que há em nós”

Um texto vem circulando nas redes petistas desde o ano passado, o texto é assinado pelo professor Ivann Carlos Lago, fonte original aqui , lamentavelmente é um texto real, o professor Ivan Carlos Lago o publicou em seu blog pessoal em 28 de fevereiro de 2020 onde ele se apresenta nos seguintes termos: Ivann Carlos Lago é sociólogo, mestre e doutor em Sociologia Política. É professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Cerro Largo (RS). Atua nas áreas de Teoria Política, Instituições Políticas e Regimes de Governo, Cultura e Comportamento Político, Partidos e Eleições. É professor permanente do Mestrado em Desenvolvimento e Políticas Públicas da UFFS. Possui experiência em Marketing Político e Eleitoral, Planejamento Governamental, Políticas Públicas e Desenvolvimento, tendo atuado com consultorias a diversos órgãos governamentais, partidos políticos e candidatos. Então trata-se de um intelectual respeitado, um intelectual que costuma conviver com políticos mandatários dos mais alto escalão, pessoas muito gabaritadas, alguém com altos graus acadêmicos. Será que seu texto corresponde a esses altos graus acadêmicos?

Resolvemos comentar detalhadamente esse texto pois, nas redes sociais petistas esse texto vem sendo apresentado como de “grande importância” e “profunda sabedoria politica”. Constituindo em um consenso entre aqueles que reivindicam o tal progressismo. Além disso o texto foi publicado também na carta capital, tribuna da praia, constituindo- se em um viral. Diante de tamanha relevância. Queremos comentar a tal sabedoria politica que supostamente esse texto conteria.

O Jair que há em nós

Ivan Carlos Lago

O titulo do texto é um pouco estranho, existiria um “Jair” interno em cada um de nós? Como poderia existir tal Jair? Obvio que a referencia é ao personagem que hoje senta na cadeira de presidente da republica, o texto também lembra a saudação espiritualista “Namastê”, que seria algo como “um deus que existe em mim, saúda um deus que existe em você”. Convicções pessoais a parti, não parece algo que um cientista deveria valer-se em sua analise. O professor Lago continua.

O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro.

https://ivannlago.blogspot.com/2020/02/o-jair-que-ha-em-nos.html

Pois Jair Bolsonaro foi eleito? Bem , quando olhamos a matéria da BBC, podemos vê que existiu uma votação e, aparentemente ele ganhou, então Bolsonaro foi eleito. Contudo, caso recordemos, o processos eleitoral ocorreu após um golpe na presidenta Dilma, um impeachment sem crime de responsabilidade, além disso, é facil lembrar também que Fernando Haddad o oponente de Bolsonaro, era subsituto de Lula, que foi afastado e a história todos nós aqui lembramos. É muito dificil aceitar que o processo eleitoral de 2018 tenha sido, aquilo que poderia ser chamado de uma eleição livre. Eleição Livre com o principal candidato preso e o seu sucessor sendo caluniado impunemente com disparos de mensagens no whatsap? A quem interessa esconder essa realidade?

Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Uma serie de criticas a personalidade da figura deploravel que é Bolsonaro, criticas que ninguem pode divergir, mas ninguem precisou fazer doutorado para compreender quem é Jair Bolsonaro. Por outro lado, é apenas o inicio do texto, sejamos razoaveis, embora exista aqui um certo ranço de um moralismo pequeno burgues. Que fica agarrado as caracteristicas pessoais e esquece que o sistema politico-economico que o pariu, esquece o congresso nacional, as instituições de um judiciario, que apoiou todos os golpes dados no pais até hoje.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro.

A materialização não seria um exagero? Como se todas essas características não estivessem presentes em forte concentração em todos os outros poderes públicos, que assim como o presidente gozam de baixíssima aprovação entre os trabalhadores. A pagina do Data Folha relata uma pesquisa de 6 de janeiro de 2022, em que 41 % reprovam o desempenho do congresso nacional. O poder lesgislativo conta com uma merecida impopularidade

No início da atual legislatura, em pesquisa de abril de 2019, o trabalho dos congressistas era melhor avaliado, naquela data: 22% avaliavam como
ótimo ou bom, 41% avaliavam como regular e 32% como ruim ou péssimo.
Voltemos ao professor Lago

Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

Certamente, mas o que seria a negação da politica? O povo tem toda a razão de ter ódio das instituições da republica, que não serviram nem para protege-lo da pandemia.

Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político,

Esse trecho é importante, porque o professor Ivann Lago esta revindicando a sua experiência acadêmica. Em uma busca na plataforma Lattes achamos o curriculum do professor Lago e realmente seus méritos acadêmicos são invejáveis, precisamos aqui parabeniza-lo, mas esse méritos não conferem ao professor o direito de insultar o povo trabalhador brasileiro. Continuemos….


Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

Como assim? Então ele não é fruto das instituições golpistas. Não é fruto do poder do agronegócio, que aumentou durante os anos de atraso da reforma agraria, não é fruto da dominação imperialista que nosso povo esta submetido, pois afinal de contas o Brasil é um pais semicolonial agroexportador, ele é fruto do povo brasileiro?! Ele é a expressão acabada do nosso povo trabalhador, aquele que sofre com a desvalorização do salario mínimo, aquele que sofre com o atraso da reforma agraria, com a falta de vacina, com a exploração e a superlotação dos transportes, sem contar a violência policial e o aparato de repressão que já conta com uma das maiores populações carcerárias do Mundo?! Temos um poder judiciário que mantem segundo os dados do ultimo Levantamento Nacional de Informações Penitenciarias um

percentual de presos provisórios (sem uma condenação) manteve-se estável em aproximadamente 33%.

https://www.gov.br/pt-br/noticias/justica-e-seguranca/2020/02/dados-sobre-populacao-carceraria-do-brasil-sao-atualizados

Um preso provisório, é uma pessoa que não teve ainda o acesso a um julgamento, assim não gozou do amplo direito de defesa. E o problema não é novo como pode ser visto aqui. Uma matéria no UOL mostra como é alto o indice de pessoas presas injustamente e sem direito ao devido processo legal. Outro traço do nosso poder judiciario, que mostra como esse poder é injusto, é o que é chamado de indústria do mero aborrecimento, A Teoria do Mero aborrecimento é caracterizada como um mero dissabor do dia a dia, que não é capaz de atingir a esfera personalíssima do Indivíduo e tem sido utilizada de forma banalizada nas fundamentações jurídicas proferidas pelo Poder Judiciário para negar indenizações aos consumidores. Os maiores beneficiários da indústria do Mero aborrecimento são, segundo artigo no JUSBRASIL:

  • 1º LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE S A
  • 2º BCP S.A. (CLARO, ATL-ALGAR, ATL, TELECOM LESTE S.A)
  • 3º TELEMAR NORTE LESTE S/A (OI – TELEFONIA FIXA)
  • 4º NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA
  • 5º BANCO BRADESCO S/A

Temos portanto um poder judiciario que favorece a grandes empresas e nosso academico resolve atacar o “brasileiro médio“. Voltemos ao texto de Ivan Lago.


Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.

Pesquisa e experiência? Então o professor Lago reivindica, novamente, que esse texto não reflete a opinião pessoal dele, ou mesmo, um momento de desabafo contra vizinhos bolsonaristas, em que todos nós acabamos falando coisas sem uma devida reflexão, coisas que são faladas apenas na hora da raiva, mas que quando nossa racionalidade e ponderação retornam, repensamos. Ele esta reivindicando os seus títulos e sua experiência acadêmica neste texto. E quais seriam então, essas conclusões?


No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência… em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.

Em qual pesquisa nosso cientista achou esses dados? A função de sociologo agora é fazer julgamento moral alheio. O brasileiro é analfabeto? Segundo o IBGE a taxa de analfabetismo vem caindo ver aqui. Segundo a mesma matéria “O Brasil já está quatro anos atrasado em relação ao cumprimento da meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de reduzir a taxa de analfabetismo a 6,5% em 2015. O PNE também prevê a erradicação do analfabetismo até 2024…. “. Esse atraso não é culpa do povo, mas das instituições, que sempre tratam com urgência aquilo que é do interesse do patrão , como a recente desoneração da folha de pagamento. Curioso, parece que existem problemas sociais graves no Brasil, enquanto nosso acadêmico fica fazendo julgamento moral, não deveria estar gastando melhor o seu tempo e pensando estratégias para resolver o problema? Afinal é isso que se espera de um intelectual da mais alta competência e capacidade como é o caso do professor Lago.


Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

Realmente este trecho é uma perola. Então o capitalismo é um modo de produção que até se esforça para civilizar as pessoas, mas a cultura popular é muito arraigada. Poderíamos chamar isso de elitismo barato? A realidade é muito diferente, bom pesquisador, reivindicamos aqui o trabalho da sua colega a professora Fabiana Junqueira-Caipiras Uni-vos-. Achamos que ela tem bastante a ensinar a todos nós.


O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.

Serio mesmo! Gostariamos muito de mudar essa frase do nosso caro intelectual para algo mais util. Vamos sugerir a ele algumas mudanças.

Espalhar lixo tóxico foi tornado crime, mesmo assim a CSN mantem uma montanha de lixo tóxico a céu aberto as margens do Rio Paraíba do Sul, ameaçando milhões de pessoas. A CSN já foi notificada, foi feito um termo de ajuste de conduta, mas não ocorreu mudança alguma. Assim, uma empresa privada, continua lucrando as custas da saúde da população. Ver a noticia original aqui

Agora ficou mais útil, o português pode não ter ficado muito rebuscado, mas certamente atacar o “brasileiro médio” é menos perigoso e confere a nosso intelectual “tapinhas nas costas” nos eventos em que ele participa, o que provavelmente não aconteceria caso ele postasse uma matéria mostrando crimes ambientais da CSN ou da Vale ou de qualquer outra empresa. Em geral, os que fazem isso são marginalizados e estigmatizados.


O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.

O importante é mudar a cultura, mas as empresas privadas, podem continuar lucrando as custas do povo. Enquanto nosso intelectual ataca o povo trabalhador, fazendo pose de politicamente correto.

Hoje em dia os intelectuais de esquerda não pensam em outra coisa que não seja a cultura, mas nem sempre foi assim. Como podemos vê aqui, intelectuais tinham preocupações como o crescimento das forças produtivas. Um exemplo é o Discurso sobre o tumulo de Marx , onde Engels explica qual foi a contribuição de Marx para a ciência

Marx descobriu a lei do desenvolvimento da história humana: um fato tão simples, mas escondido debaixo do lixo ideológico, de que o homem necessita, em primeiro lugar, comer, beber, ter um teto e vestir-se antes de poder fazer política, ciência, arte, religião, etc.; que, então, a produção dos meios imediatos de vida, materiais e, por conseguinte, a correspondente fase de desenvolvimento econômico de um povo ou de uma época é a base a partir da qual tem se desenvolvido as instituições políticas, as concepções jurídicas, as ideias artísticas e, até mesmo as ideias religiosas dos homens e de acordo com a qual, então, devem ser explicadas, e não ao contrário, como até então se vinha fazendo. Mas, não é só isto. Marx descobriu também a lei específica que move o atual modo de produção capitalista e a sociedade burguesa criada por ele. A descoberta da mais-valia, imediatamente, clareou estes problemas, enquanto todas as investigações prévias, tanto dos economistas burgueses quanto dos socialistas críticos, haviam vagado na escuridão.

https://www.marxismo.org.br/discurso-de-engels-diante-do-tumulo-de-marx/

Parece que nossa intelectualidade mudou muito os seus métodos. O que teria acontecido? Qual seria o motivo do abandono do metodo que investiga as condições objetivas de sobrevida do povo, por esse subjetivismo obscurantista?

Novamente retomamos o texto de Ivann Lago


Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.

O nosso judiciário, que não consegue fazer nada contra a CSN , que cria a indústria do mero aborrecimento é uma força progressista, mais avançada do que a maioria da população, que tem uma cultura atrasada. Segundo o nosso acadêmico. Realmente, caso um texto desses caia na mão de um trabalhador, ele terá todos os motivos de ter ódio da ciência e lançar sua ira contra os cientistas e imediatamente apoiar o obscurantismo(digo obscurantismo de direita) e o pior, é que terá toda a razão. Afinal de contas a universidade publica, é inacessível para a grande maioria da população, mas como podemos vê os membros dos corpos acadêmicos, além de não cumprirem com o seu papel de proporem soluções para problemas reais, preferem atacar a “cultura popular” e negligenciarem as condições reais de existência as quais o povo esta confrontado.


Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. (…)

Sem duvida e o sentimento humano da maioria da população trabalhadora contra esse tipo de intelectual , é certamente muito negativo. Certamente, esse intelectual que vê uma força progressista no aparato repressor , é merecedor do mesmo desprezo que nosso povo têm pelo congresso nacional.


Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento.

Entendemos! Não foi o golpe na Dilma, os anos de perseguição ao PT e nem a prisão do Lula. Muito menos o silencio da direção petista contra a perseguição, direção que nunca deixou de saudar o Estado supostamente democrático , que tanto perseguiu e persegue o PT. Não foi o silencio cúmplice do golpe, cumplicidade por omissão, mas em muitas vezes cumplicidade ativa também , aquela cumplicidade que legitima as ações golpistas.

Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Afinal de contas as eleições são livres, não vale o poder economico, não existiu as mensagens de whatsap com a estrutura bancada pelo Steve Bannon. Jogar a culpa no povo é mais facil do que encarar a realidade.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente.

O surpreendente neste texto, é a quantidade de gente que reivindica a esquerda , que concorda com ele. O que coloca a sincera pergunta, sera que esses esquerdistas, são assim tão favoráveis ao povo mesmo?

Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Muito bom! Ao inves de combater a ignorancia, ensinando o povo, mostrando o outro lado, vamos acusa-lo. Muito bonito isso! Parece um texto do Coronel Siqueira, um personagem ficticio de direita que tem dificuldade de entender a realidade.


Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas.

O seu texto prova que o cidadão tem razão! Além disso, é difícil ver um cientista associar o aquecimento global a crise de superprodução do capitalismo. Em geral os cientistas fazem coro com as posições da ONU que jogam a culpa no povo. Como faz nosso doutor Em sociologia, mas nem todos os cientistas são assim. Recentemente a Revista Ciência dos trabalhadores demonstrou com fontes , fatos e dados a relação intrínseca da crise de superprodução do capitalismo e o aquecimento global, um dos trabalhos citados foi o livro do biologo Rob Wallace, que demonstra a intima relação entre agronegócio e a produção de patógenos(virus e bactérias), que teriam a capacidade de gerar pandemias.

Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

E essas suas acusações contra o “brasileiro médio”, não sao moralistas?


Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.


O desesperador é a quantidade de gente dita de esquerda que compartilha esse lixo!

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional.

O que o brasileiro médio entende, é que, legalmente o valor do salario mínimo é muito menor do que sua definição formal e não atende as necessidades definidas na própria lei, criada por essas instituições, mas o Estado não é obrigado a cumprir a lei e pagar o salario mínimo do dieese. Agora o trabalhador , quando desobedece a lei vai preso ! Como vimos acima! E este senhor, dotado de tantos títulos, de tanta pompa e tantos diplomas, este senhor tem a audácia de vir criticar o povo trabalhador, apresentar as instituições patronais, como o suprassumo da democracia enquanto o problema é o povo inculto ! A comunidade acadêmica deveria sentir nojo! Mas infelizmente, essa sim, bate palma para este tipo de texto e ainda tem um sentimento de superioridade intelectual contra a maioria do povo, que não aceita defender, quem nunca o defendeu.

É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias.

A então elas são vistas pelo cidadão e não fazem por merecer! Elas não são lentas, burocraticas, corrompidas e desnecessarias? A quem serviu a reforma trabalhista? A quem serviu a lei do teto dos gastos? Isso tudo caiu do ceu?

Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

O nome disso é revolução! Existe um intelectual chamado Karl Marx que defendeu, que o povo fizesse exatamente isso que você esta condenando!


Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

Parece que “esse brasileiro” deveria ter algum tipo de gratidão, pelas instituições da republica. Que não fazem nada por ele.


O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena.

Seria o nosso querido intelectual, ele mesmo, um “brasileiro médio”? Pois a necessidade dele agredir o povo é algo quase psicológico. Por um acaso o professor Lago estaria se olhando no espelho e vendo o proprio elitismo tacanho e projetando sobre o povo trabalhador?

Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.

E também acusa o brasileiro médio de ter uma cultura atrasada e cobra deste mesmo brasileiro médio, gratidão pelas benesses recebidas pelas instituições patronais.


Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é: como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo?

Também emendaremos esse final de texto do professor Lago, para representar a nossa avaliação sobre o mesmo. Vejamos como fica:

Poucas vezes na nossa história a intelectualidade brasileiro esteve tão bem representado por um pesquisador. Por isso não basta perguntar como é possível que um professor consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço daqueles que reivindicam a esquerda. A questão a ser respondida é: como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados pelo texto de um intelectual elitista?

Ivann Lago
Professor e Doutor em Sociologia Política

Por fim após a penosa tarefa de resenha deste texto, que lamentavelmente hoje conta com o apoio de uma enorme quantidade de pessoas ditas de esquerda. Que mostram um elitismo e moralismo muito parecido com o Bolsonarismo. Seria interessante trazer aqui algumas citações de um velho Revolucionario, Leon Trotsky, que parecem caber perfeitamente para os nosso professor doutor.

Existe um aforismo liberal-evolucionista: cada povo tem o governo que merece. A História, no entanto, demonstra que um mesmo povo pode ter, no transcurso de uma época relativamente curta, diferentes governos (Rússia, Itália, Alemanha, Espanha etc.) e, ainda mais, que a ordem destes governos não segue absolutamente na mesma direção do estadismo à liberdade, como imaginavam os liberal-evolucionistas. O segredo está em que um povo é formado por classes hostis entre si e estas, por sua vez, por camadas diferentes e por vezes antagônicas, cada uma sob uma direção diferente. Além disso, cada povo sofre a influência de outros povos que também são formados por classes. Os governos exprimem a “maturidade” em desenvolvimento de um povo, mas são o produto da luta das diferentes classes e das diferentes camadas dentro de uma mesma classe e, por último, o produto da ação das forças externas (alianças, conflitos, guerras etc.). Deve-se acrescentar a isto quer um governo, uma vez tendo estabelecido, pode durar muito mais que as relações de força que o produziram. É precisamente desta contradição histórica que surgem as revoluções, os golpes de Estado, as contra-revoluções etc.

https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1940/08/classe.htm

Trotsky , um velho revolucionário que realmente tem muito a ensinar, enfrentou “sábios” como esse professor doutor e tirou as conclusões acerca desses sabios, que apoderam-se de cargos acadêmicos e usam suas láureas para caluniar o povo trabalhador. Trotsky, frente a sábios deste tipo, na revolução Espanhola escreveu o trecho abaixo, que curiosamente parece servir como uma luva para os dias atuais.

A falsidade histórica consiste em descarregar a responsabilidade da derrota das massas espanholas sobre as próprias massas e não nos partidos que paralisaram ou ingenuamente esmagaram o movimento revolucionário das massas. Os representantes do POUM simplesmente negam a responsabilidade dos dirigentes para não assumir sua própria responsabilidade. Essas filosofia impotente que procura resignar-se diante das derrotas, como um elo necessário na cadeia da evolução cósmica, é completamente incapaz de reconhecer – e se nega a fazê-lo – que fatores concretos, tais como programas, partidos e personalidades, foram os organizadores da derrota. Esta filosofia do fatalismo e da depressão é diametralmente oposta ao marxismo como teoria da ação revolucionária.

Leon Trotsky- Classe, partido e Direção

Como encerramento, deste triste texto, vamos aqui contradizer Ivann Lago, que não mostrou nenhuma prova do que defendia, alias como mostrar prova de um conceito subjetivo? Vamos mostrar aqui uma situação muito interessante, como o povo trabalhador, ainda que confrontado com as situações mais difíceis, nem sempre perde a sensibilidade. Vejam o video abaixo:

https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fpermalink.php%3Fstory_fbid%3D140402168405717%26id%3D108822474897020&show_text=false&width=500

Publicado por Leninista Bolchevique

Pseudonimo associado aos partidários da Oposição de Esquerda Internacional e depois a IV Internacional. Trotsky definia-se como Leninista Bolchevique

Um comentário em “Resposta a “O Jair que há em nós”

  1. Esse texto é muito interessante, porque existe uma série de discursos na esquerda atualmente que justificam uma política de colaboração de classes, e o que é expresso nesse texto do Jair que há em nós é um dos mais reacionários.

    Vou colocar o link da World Values Survey, que é uma pesquisa internacional, que acontece há décadas, para avaliar os valores políticos e sociais da população de vários países. Veja e tire as suas conclusões https://www.worldvaluessurvey.org/

    O Brasil não é muito diferente do restante da América Latina. Mesmo assim, essa não é a percepção de uma parte da militância, que geralmente são funcionários públicos ou profissionais liberais, e que fazem um discurso como o do texto. A conclusão desse discurso seria que a população, sendo uma horda de reacionários e ignorantes, a política de colaboração de classes dos governos do PT seria o máximo possível a alcançar com uma merda de povo dessas e, como diz o ditado, que lambam os beiços ainda.

    Pior ainda, esse raciocínio faz o governo Bolsonaro ser a primeira expressão legítima do que eles consideram o verdadeiro povo brasileiro e, assim, o mais democrático de todos. Como alguém pode defender isso e, ao mesmo tempo, querer tirar o Bolsonaro? Isso sim seria golpismo, seria passar por cima da “verdadeira” “essência” do povo em nome de uma minoria esclarecida.

    No fundo, essa visão é o mesmo desprezo pelo povo que esses setores tradicionalmente tiveram, só que muito mal disfarçado com expressões “de esquerda”

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