As principais burguesias imperialistas reposicionam suas peças no tabuleiro mundial da luta de classes. Parte 2- O retorno do Altermundialismo

Na primeira parte deste texto “As principais burguesias imperialistas reposicionam suas peças no tabuleiro mundial da luta de classes. Parte 1-Um balanço de 2021” terminamos discutindo as ações decididas pela conferencia pela “democracia” de Biden, onde citamos as principais conclusões

1. Apoiar a imprensa independente

– Criação do Fundo Internacional para a Mídia de Interesse Público, voltado para ajudar meios de comunicação a se manterem. Aporte inicial será de US$ 30 milhões

– Criação do Fundo de Defesa contra a Difamação para Jornalistas, para ajudar profissionais a se defenderem de ataques físicos, virtuais e de ações na Justiça. Aporte inicial de US$ 9 milhões, e de mais US$ 3,5 milhões para criar uma Plataforma de Proteção ao Jornalismo.

2. Combater a corrupção

– Formação de um Consórcio Global Anti-Corrupção, com participação do Departamento de Estado e verba inicial de US$ 6 milhões, com objetivo de conectar e apoiar jornalistas e entidades civis que fiscalizam gastos públicos.

– US$ 5 milhões em um programa de proteção para delatores, ativistas, jornalistas e outros agentes anti-corrupção em risco.

– Mudanças para ampliar a transparência de negócios nos EUA, como a compra de imóveis em dinheiro vivo, de modo a dificultar lavagem de recursos.

– Criação de programas de parcerias com empresas e ONGs para criar novos mecanismos de fiscalização.

3. Ampliar participação democrática

– US$ 33,5 milhões em uma iniciativa para ampliar a presença de mulheres na política. Haverá também um fundo de US$ 5 milhões para a inclusão e empoderamento de pessoas LGBTQIA+.

– US$ 10 milhões para apoiar entidades civis e de direitos humanos em risco

– US$ 122 milhões para ajudar trabalhadores pelo mundo a reivindicarem seus direitos

4. Avançar em tecnologias

– Defender o modelo de internet aberta, segura e estável e expandir iniciativas digitais de promoção de valores democráticos.

– Medidas para impedir o uso da internet para desrespeitar direitos humanos. Haverá US$ 4 milhões para um fundo destinado ao combate da censura.

5. Defender eleições livres

– US$ 2,5 milhões para uma Coalizão para Assegurar Integridade Eleitoral, que unirá governos e ONGs.

– US$ 17,5 milhões para um Fundo de Defesa de Eleições Democráticas, para buscar soluções de combate à tentativas de desacreditar votações.

e availamos que

Os itens. levantados por Biden parecem óbvios, financiar os aliados dos interesses da burguesia Estadounidense pelo mundo, generalizar operações tipo lava jato, cooptar movimentos independentes, que reivindiquem direitos justos, porém sem conseguirem compreender o papel do imperialismo na negação a estes mesmos direitos e um mecanismo fundamental nesse dispositivo são as Organizações Não Governamentais. A estratégia é cooptar, pois a repressão aberta e simples não funcionou, então arrancar do movimento operário e das organizações populares a sua independência é a tarefa que Biden coloca. Agora é necessário encontrar lideres operários, camponeses e populares, que em nome do suposto pragmatismo, concordem em abrir mão de sua independência politica para serem agentes, mesmo que inconscientes, do imperialismo dos EUA.

Retomando o texto nessa parte dois precisamos recordar, que na a falecida revista Ciência & Revolução no texto Davos, FMI e o difícil equilíbrio do Sistema tínhamos detectado uma fala do megaespeculador George Soros no Forum Econômico Mundial, onde Soros anunciava a doação de um bilhão para a criação de um fundo contra governos fascistas(fonte original aqui). No Brasil o LAUT -Centro de Analise Liberdade e Autoritarismo- fundado em 2020,é financiado pela Fundação Open Society de George Soros, como pode ser visto aqui. Aparentemente o LAUT seria um dos esforços que esta faz parte desta rede de ONGS sustentadas pelo George Soros, mas existem outras iniciativas. A falecida revista teórica Ciência & Revolução mapeou a ação de ONGS norte americanas no artigo “A armadilha do “Fora Bolsonaro” é parte da sabotagem que começou com a lava jato e visa gerar uma intervenção do imperialismo na Amazônia“.

Em texto recente acerca das relações da operação Lava Jato no Peru, detectamos uma relação entre o último discurso de campanha de Biden e um editorial no The New York Times escrito por Jorge Zarate.  À primeira vista, poderia ser um caso isolado da ação do imperialismo, valendo-se da dor dos povos originários do Peru, abandonados pelo poder central; porém, Yahoo Notícias relata uma aproximação da deputada federal e líder indígena JoeniaWapichana, da Rede Sustentabilidade, com a parlamentar norteamericana Deeb Halland. Segundo o Yahoo, os povos indígenas saíram na frente de Bolsonaro quanto à relação com Biden. Outras ações do Partido Democrata dos EUA, dirigidos aos povos indígenas brasileiros, também foram relatados pelo jornal O Estado de Minas, como o destaque sobre a líder indígena Alessandra Korap Munduruku, laureada com o prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos.  O prémio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos foi criado em homenagem ao irmão do presidente Jonh Kennedy, Robert F. Kennedy, Procurador Geral em Nova York e assassinado em 1968. A mesma organização, em 2017, premiou o ativista venezuelano Alfredo Romerodiretor da Ong Foro Penal. Uma visita ao sítio da Ong deixa claro que se trata de um opositor radical ao chavismo, todo tempo atacando o governo venezuelano, acusando-o de violar direitos humanos, mas silenciando diante do bloqueio a que a própria Venezuela está submetida pelos EUA. A Organização Robert F.Kennedy de Direitos Humanos e o Foro Penal têm uma intensa parceria como podemos ver neste relatório de supostos desaparecimentos políticos na Venezuela.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2021/02/a-armadilha-do-fora-bolsonaro-e-parte.html

Em que sentido isso seria um reposicionamento da burguesia imperialista?

O reposicionamento da burguesia imperialista tem obviamente muitas frentes, pois estamos tratando de ações em escala planetária e certamente esta associado com o enorme endividamento das principais nações imperialista em especial do imperialismo mais poderoso, gastaremos ainda muito tinta analisando este problema em outro oportunidade, mas aqui, queremos retomar um texto , que foi publicado pelo extinto Circulo de Estudos Revolucionários Anderson Luis, no jornal Voz Operaria , ainda antes da criação da falecida revista Ciência & Revolução. Onde o falecido Circulo detectava:

Organizacoes populares: da integração para a aniquilação

Na década passada, simultaneamente ao Fórum Econômico se realizavam também os Fóruns Sociais (FSM), onde organizações populares e de classe pretendiam fazer um contraponto à globalização. Diluídas dentro do conceito amplo de sociedade civil, que encobre os antagonismos entre as classes sociais, muitas das organizações que afluíam a Porto Alegre para o Fórum Social Mundial recebiam incentivos financeiros do megaespeculador George Soros (https://www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/economia-e-politica-direto-ao-ponto/post/5476997/por-que-george-soros-financia-movimentos-de-esquerda-entenda), que na primeira edição fez uma videoconferência com os delegados do FSM.

O FSM teve a maioria de suas edições em Porto Alegre, cidade modelo da democracia participativa, neste caso, aplicada principalmente ao orçamento (https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/No-Sul-democracia-participativa-volta-a-agenda-politica/4/16616).  A ideia apresentada era que a população tivesse o direito de escolher as prioridades orçamentárias. Em tempos de ajuste e austeridade fiscal que os Fóruns Econômicos Mundiais anunciavam, era preciso aplacar a insatisfação popular com o não atendimento de suas demandas. Dar à população o direito de decidir o que fazer com o que sobrava do orçamento depois do pagamento das dívidas ajudava a comprometer os movimentos reivindicativos com a “responsabilidade fiscal”, tornando o ajuste digerível. Na vida real, o Orçamento Participativo na forma de plenárias por região, onde e quando foi aplicado, acabou levando a perda de importância das associações de bairros e, ao invés de satisfazer a população, levou ao desgaste das administrações petistas nestas cidades.

Um novo cenário comeca a ganhar forma a partir da crise de 2008, que  fecha as margens de negociacao sobre o que (nao mais) sobra do banquete imperialista

(http://www.ceap-rs.org.br/participacao-social-e-capitalismo-pos-crise-de-2008/) e a forma do imperialismo se relacionar com as organizações operárias começa a mudar. Ao invés de chamá-las para acompanhar os ajustes, passou a excluí-las das discussões e dos espaços da “sociedade civil”, e ato contínuo para uma política que busca sua completa eliminação. O lugar que Lula já ocupou em edições anteriores do FEM e o lugar onde Lula estava durante o FEM 2019 é exemplar deste giro político. A evolução dos acontecimentos na direção de uma guerra acaba sendo simultânea a uma política de aniquilação das organizações que poderiam se insurgir contra ela, o que se configura como uma tendência em diversos países. A resistência que estas organizações podem opor à um ataque direto, porém, não é mais a mesma. Foi minada pelos anos de integração e dependência política e financeira, cuja consequência notável é a perda de influência sobre as massas e a abertura do flanco por onde se esgueiram alternativas aventureiras pretensamente nacionalistas.

A pregação do Fórum Econômico de Davos contra o nacionalismo (https://www.terra.com.br/economia/davos-se-adapta-para-frear-nacionalismo,dd35126e516aab9ffaaef6943fcbc7d3epgykgot.html) mostra a consciência dos agentes econômicos internacionais sobre a difícil situação política mundial, que se apresenta com tendência à polarização em todos os países, mas não esconde a ganância de se apropriarem das conquistas sociais que se inscrevem como direitos nos marcos legais dos mais diferentes países. E se um povo se agarra primeiro em suas organizações nacionais na batalha para preservar direitos, são elas os primeiros alvos de uma política de destruição dos povos. O combate ideológico aos nacionalismos encabeçado por Davos é, tão somente, uma maneira de justificar a destruição dos direitos nacionais e democráticos dos povos, que, longe de evitar guerras, as produz sempre que necessário.

https://vozoperariarj.com/2019/02/21/a-luta-contra-a-guerra-parte-i/

Apos uma serie de revezes sofridos pelo imperialismo, que listamos abaixo:

  • Derrota na tentativa de derrubar Maduro na Venezuela
  • Retirada do Afeganistão
  • Aumento do endividamento das burguesias centrais- ver parte 1 deste texto
  • Proliferação de empresas zumbis- ver parte 1 deste texto
  • Incapacidade de contenção de movimentos na Bolivia e no Chile
  • Liberdade de Lula

As burguesias imperialistas precisaram repensar seu posicionamento e chamar novamente as direções das organizações operárias para conversarem, propondo a elas, um novo pacto de cogestão da crise imperialistas, permitindo que alguns de seus lideres voltassem a liderança de suas naçõe , exemplo Evo e Lula, para administrarem as consequências desastrosas dos golpes e ao mesmo tempo, acalmarem suas bases, que como temia Kristalina Georgieva presidente do FMI

Em todas as economias, um imperativo chave —e cada vez mais pertinente num período de crescente descontentamento— consiste em ampliar a inclusão e garantir que as redes de proteção social estejam de fato protegendo os mais vulneráveis, e que as estruturas de Governo reforcem a coesão social”

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2020/02/davos-fmi-e-o-dificil-equilibro-do.html

Georgieva continua

o agravamento do mal-estar social em muitos países —devido em alguns casos à deterioração da confiança nas instituições tradicionais e a falta de representação nas estruturas de governo— poderia abalar a atividade [econômica], complicar as iniciativas de reforma e prejudicar a atitude, o que faria o crescimento diminuir para aquém do projetado”.

Neste sentido as organizações dos trabalhadores e, principalmente suas direções, estão chamadas a administrarem a crise de decomposição do modo de produção capitalista, retomando a posição conciliadora e virando, portanto, as costas aos mandatos recebidos por suas bases, logo a perseguição politica detectada pelo Circulo de Estudos Revolucionários Anderson Luis muda de orientação, certamente a não compreensão deste fato levou a destruição do circulo e ao fechamento de Ciência & Revolução.

A questão não é menor, pois o fenômenos que vemos agora correspondem uma transição, de onde as direções conciliadoras, que foram perseguidas, voltam a um papel de conciliação, contudo ao fazerem isso, precisam em grande parte negarem o golpe que receberam, ainda que para elas seja impossível nega-lo totalmente, mas nesse momento as direções da classe trabalhadora , anseiam por serem totalmente reintegradas ao seu papel de conciliação. Este cenário enquadra perfeitamente o preocupante discurso de Lula no Parlamento Europeu.

É o que Kalus Schwab chama de “O Capitalismo das partes interessadas“. Voltaremos a essa questão na parte 3 desta serie.

Publicado por Chico Bernardino

Militante Petista e Perseguido Politico

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