As principais burguesias imperialistas reposicionam suas peças no tabuleiro mundial da luta de classes. Parte 3- O imperialismo precisa de uma guerra.

Um longo boom só é possível se houver uma destruição significativa dos valores de capital, física ou por desvalorização, ou ambos.

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2022/01/13/michael-roberts-para-onde-vai-a-economia-global/

A economia da principal potencia mundial, pátria da mais importante burguesia imperialista passa por serias dificuldades, talvez o termo mais ajustado seja desiquilíbrios, desiquilíbrios típicos de uma economia imperialista, que tem como motor a pilhagem de outras economias, além da exploração de sua própria força de trabalho, a classe operaria estado-unidense. Pelo fato de a economia estado-unidense ser a economia dominante, possuir, por exemplo, a moeda mundial que liquida dividas e o exercito mais poderoso do mundo, a economia dos EUA acaba fazendo sua todas as contradições do Planeta, que como foi analisado por Michael Roberts, em artigo que nós traduzimos, passa por serias contradições. Segundo Michael Roberts a economia mundial precisa de uma destruição maciça de “ativos” ou capitais, na linguagem dos economistas, na linguagem dos trabalhadores a destruição é de forças produtivas em escala ainda maior do que a que temos usualmente.

A Crise da Economia dos EUA

Apesar dos especialistas da Casa Branca tentarem passar a ideia de que a economia dos EUA vai bem, a realidade é bem outra v aqui. Segundo a revista Forbes a inflação nos EUA vem crescendo chegando a patamares inéditos em 40 anos.

https://thenextrecession.wordpress.com/2021/12/16/the-central-bankers-dilemma/

O motivo é que, mesmo antes da pandemia, os EUA vinham imprimindo dolares em uma taxa absurda para garantir o pagamento das próprias dividas e em 2020, segundo o Valor Investe,

os EUA estão arriscando um dos poucos diferenciais que restam ao país, que é seu privilégio de emitir a moeda que é aceita nas transações comerciais e financeiras globais. Para ele, quando o banco central americano imprime dinheiro para comprar ativos e o governo americano faz o mesmo para distribuir para a população, o dólar cada vez mais deixa de ter seu papel como reserva de valor.

https://valorinveste.globo.com/mercados/internacional-e-commodities/noticia/2020/07/14/eua-estao-abusando-do-privilegio-de-imprimir-moeda-reserva-global-diz-ray-dalio.ghtml

Nós explicamos na versão ebook de Ciência dos Trabalhadores, o papel do dolar como moeda mundial de liquidação de dividas, é justamente deste privilégio que a maior burguesia imperialista do Mundo esta abusando, o privilégio de imprimir a moeda a qual a própria divida é paga, segundo o Valor Econômico essa divida supera 30 trilhões de dólares e isso era um problema ainda antes da pandemia

http://br.advfn.com/jornal/2016/11/evolucao-da-divida-publica-americana-desde-1969-a-historia-contada-por-um-grafico

Esta é a raiz da impressão de dólares exagerada. Como a economia capitalista, em sua fase de profunda decomposição é incapaz de encontrar um estágio de equilíbrio, a solução de um problema acaba gerando problemas ainda maiores e uma escalada acaba acontecendo, agora os EUA convivem com uma moeda mundial, que vem passando por um tremendo processo de desvalorização, ainda que essa moeda, seja requisitada mundialmente como moeda de transações internacionais, o que a torna como um instrumento de pilhagem dos EUA contra outros países, ainda assim, como vemos , o direito de imprimir moedas sem gerar desvalorização é limitado.

A Balança Comercial dos EUA

Os dados do portal Investing, mostram que a balança comercial dos EUA tem acumulado resultados negativos. Balança comercial é a subtração entre aquilo que é exportado e aquilo que é importado, assim os EUA tem importado mais do que exportado.

https://br.investing.com/economic-calendar/trade-balance-286/

O que indica mais um desiquilíbrio conhecido como déficit comercial, que a agencia Reuters reporta ter alcançado maximo historico no ultimo dezembro. Segundo o Valor econômico. Somasse a isso os investimentos excessivos da economia dos EUA , que precisam agora ser retirados, deixando suas empresas ainda mais vulneráveis a concorrência com a China em particular e temos uma equação que tem como solução a necessidade de uma guerra para destruir concorrentes.

A necessidade de uma guerra

Na serie de artigos O que é o imperialismo? reportamos o crescimento , ou melhor, a hipertrofia do capital financeiro, que é, por natureza, um instrumento parasitário, pois embora tenha seu sustento na produção compete com esta mesma produção pelos investimentos. A pandemia reforçou esse fenômeno parasitário do capitalismo, gerando uma massa de capitais especulativos, sem qualquer base produtiva e sem espaço para encontraram uma valorização real na produção, em parte, pelos bloqueios pandêmicos, mas não na sua totalidade, dado que essa é a tendência do modo de produção capitalista em sua fase superior a fase imperialista. Pare resolver este problema é necessário uma destruição maciça de capitais. A burguesia imperialista parece optar por duas hipóteses para destruir capitais a fria e a quente.

A hipótese fria

A hipótese fria é explicada por Michael Roberts em seu artigo –O Dilema dos Bancos Centrais-, neste artigo Roberts comenta:

Assim, o Fed(Nota de C&T: banco central dos EUA) está em um dilema. Se “apertar” a política monetária “demais” e aumentar as taxas de juros “muito rapidamente”, pode fazer com que o custo do empréstimo para investir ou gastar suba ao ponto em que novos investimentos em tecnologia desaceleram e a demanda dos consumidores por produtos diminui e há uma crise econômica. Este é particularmente o caso, dado o alto nível recorde de dívida corporativa. Alternativamente, se não agir para reduzir e parar suas injeções monetárias e aumentar as taxas, então a inflação alta pode não ser nada transitória.

A ação fria do principal banco é aumentar a taxa básica de juros. O próprio Michael Roberts explica que esse aumento faria uma “poda” na economia e acabaria com os monopólios menos competitivos substituindo-os por outros mais competitivos, mas essa “poda” é por demais arriscada. Expliquemos, as consequências da ultima vez que os EUA fizeram um choque de juros foram desastrosas para o Mundo, comentamos sobre isso no artigo –A queda da União Soviética e as Guerras do petroleo-, nessa época os EUA fizeram um salto na taxa básica de juros elevando a divida dos países do Mundo todo, divida essa, que como já dizemos é paga em dólar. Contudo, essa ação neste momento poderia não ser tão bem sucedida, em especial , porque a China conta com uma enorme reserva cambial . E mesmo no choque de juros original os resultados não foram rápidos como lembra Michael Roberts

Claro, se o Fed recorrer às taxas de juros que produziram uma alta taxa de juro real positiva (ou seja, após a inflação), semelhante ao que o ex-presidente do Fed Volcker fez para acabar com as altas taxas de inflação dos anos 1970, isso poderia funcionar. A taxa de fundos federais atingiu um recorde de 20% no final de 1980, enquanto a inflação atingiu 11,6% em março. Mas, como Volcker descobriu, ainda levou anos para alcançar uma inflação mais baixa e só depois de sofrer a mais profunda crise econômica do período pós-guerra até 1980-82.

Então essa politica poderia debilitar a própria economia americana e, tornar a já instável situação politica em explosiva ver aqui . A situação é critica e o FED tem sinalizado que vai aumentar a sua taxa básica de juros, aumentando também a pilhagem sobre outros países através do recurso da divida. Em março, segundo o próprio FED, devemos ter o primeiro aumento.

A hipótese quente

Lembramos que segundo Lenin em Imperialismo Fase superior do Capitalismo, a atual fase do capitalismo pode ser definida como a fase das guerras e revoluções. Assim, uma guerra poderia gerar a destruição de forças produtivas que o capitalismo precisa para que a economia mundial possa crescer sobre as cinzas das destruição. É nesse cenário que a situação da Ucrania se enquadra. O informativo Voz Operária fez uma analise da situação .

No jogo de tentar conter a China, para casa Branca, a Ucrânia não seria nada mais que um peão para ser sacrificado. Desde 2014, Ucrânia está submetida a uma incessante histeria de propaganda vinda dos Estados Unidos, que busca criar uma desculpa para empurrar o país para um conflito armado com a Rússia. Se por um lado as armas entregues pela NATO não são suficientes para conter as Forças Armadas da Rússia, por outro poderia criar o álibi que os Estados Unidos tanto buscam. Essas armas poderiam criar um conflito entre milicianos armados pela CIA, inclusive organizações neonazistas, e os independentistas da região e Donbás, nas províncias de Donestsk e Lugansk, arrastando a Rússia para o conflito.

https://vozoperariarj.com/2022/02/02/ucrania-eua-vs-russia-ou-na-verdade-uma-guerra-contra-a-china/?fbclid=IwAR1GUowiLtt0xKtDqlFkoH1k95Jubvh8PNnnbeP2gkIXqBrJxSGHXudTsXY

Deixando claro que, aqui nós chamamos de hipótese fria e quente apenas para efeitos pedagógicos, efetivamente, no fim, os trabalhadores sairão prejudicados em qualquer hipótese, ou mesmo em uma combinação delas, que foi o caso da ultima alta de juros do FED na década de 1970 , que veio seguida pela Guerra do Yom Kipper.

O papel das organizações dos trabalhadores na luta contra a guerra

Vamos deixar esse tema para o próximo artigo.

Publicado por Chico Bernardino

Militante Petista e Perseguido Politico

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