Inessa Armand: As eleições e a classe trabalhadora

A companheira Inessa Armand nos honra com essa contribuição à tribuna livre da luta de classe. As reflexões de Armand ocorrem justamente no aniversario do golpe de 64, quando a ditadura implantou um regime de exceção que durou 21 anos, um regime cuja a única função era perseguir os trabalhadores e o resultado foi uma baixa histórica do salario minimo

A luta dos trabalhadores para acabar com a ditadura militar foi usurpada pelos 300 picaretas com anel de doutor , porem em contrapardida as direções das organizações que nasceram desta luta, hoje parecem querer nega-la. Essas direções vendem hoje aquilo que Lenin chamava de ilusões constitucionalistas, que discutimos teoricamente na resenha da brochura de mesmo nome. Inessa Armand confronta as ilusões constitucionalistas, assim como Ediane Tibes, Gabriel Araujo e Lulu Telles, todos , cada um a sua maneira confronta as ilusões constitucionalistas na pratica. No dia a dia de cada trabalhador, que se choca com as intituições da republica, incapazes de protege-los do vírus da covid, de garantir um minimo de segurança a vida de cada trabalhador, embora, em nome desta mesma segurança , essas instituições estejam cada dia mais armadas para reprimir o povo trabalhador, como fez o TRT do Rio na recente greve dos garis. Neste cenário confuso, diante da crise cada dia mais aguda do capitalismo e da incapacidade cada dia mais fragrante das organizações dos trabalhadores de resistirem a perseguição e a repressão patronal, que Inessa Armand se choca com as ilusões constitucionalistas.

As eleições e a classe trabalhadora

Por: Inessa Armand

Estamos em 2022, ano eleitoral onde serão definidos os presidentes, governadores, deputados e senadores. A grande pergunta que circula no momento é em quem se vai votar ou simplesmente se faz uma campanha aberta ao candidato de preferência. Os questionamentos que deveriam ser realizados pelo campo da esquerda, na realidade, simplesmente são ignorados. Estamos sendo governados sob um golpe de Estado. As eleições serão limpas? Quais as implicações caso haja a vitória do campo progressista? 

O processo eleitoral, comandado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), defendidos estranhamente com unhas e dentes pela esquerda brasileira, nunca promoveu eleições minimamente democráticas no Brasil. Podemos apontar a diferença absurda no tempo de propaganda eleitoral nas rádios e TV, onde principalmente a direita possui o maior tempo de propaganda eleitoral, enquanto que partidos de esquerda que defendem pautas trabalhistas possuem minutos e sequer conseguem apresentar suas propostas e visões políticas. Além do mais, os meios de comunicação (TVs, jornais, revistas, internet) agem de forma criminosa atacando com notícias falsas os candidatos que desagradam os capitalistas. Não bastasse isso, o TSE muda constantemente as regras eleitorais no intuito de prejudicar e dificultar as candidaturas de esquerda, como por exemplo, permitindo as campanhas eleitorais apenas nas proximidades do dia das eleições, propositadamente dificultando as campanhas. 

Em 2018, as eleições foram orquestradas sob um golpe de Estado.  Numa clara ação de eleger Bolsonaro, prenderam o ex-presidente Lula e impediram a sua candidatura. Além disso, proibiram qualquer imagem dele na campanha eleitoral do seu substituto, Fernando Haddad.

Em 2022, novamente, a esquerda age como se nada houvesse acontecido, como se Lula fosse ganhar e pudesse governar normalmente. Como se o golpe fosse algo passado, como se o imperialismo não estivesse exercendo suas forças sobre o nosso país, ainda mais com a questão da ocupação da Ucrânia pela Rússia, o que resultará num cerco ainda maior do imperialismo sobre a América Latina. Não busca fortalecer a candidatura do Lula através das bases, ao contrário, tenta por meio de alianças com a burguesia, como o caso do Geraldo Alckmin, o que desmoraliza a própria candidatura e toda a denuncia contra o golpe. Afinal, ele também teve relevante participação no golpe contra a Dilma Rousseff. 

Além disso, não há uma denúncia sequer sobre as federações partidárias, pior, parece haver aceitação e apoio por parte da esquerda, que fará com que partidos da classe trabalhadora se unam a partidos burgueses tendo toda a sua política, então, engessada. Como retomar o petróleo ou reverter a reforma trabalhista em uma federação com a burguesia e sem apoio popular? Já é difícil compreender a atual sabotagem das direções das organizações populares em relação as greves, mas, com esta política, qualquer tipo de articulação torna-se impossível porque não haverá autonomia política, apesar de afirmarem o contrário. 

Todos sabem que Lula é o único candidato capaz de derrotar eleitoralmente o Bolsonaro. Mas, de acordo com o rumo político adotado pelas direções partidárias, sindicais e de movimentos, rechaçam totalmente aliança com os trabalhadores, buscando alianças justamente com aqueles que colocaram o Brasil nesta situação. 

Se Lula ganhar as eleições, sem a articulação e força da base, que tipo de governante será? Um total subserviente do imperialismo? Um governante de aparência ou de fachada que não terá autonomia para aplicar sua política impedido e boicotado pela burguesia com a qual se aliou? Ou terá pouco tempo no poder visto que facilmente poderá ser substituído por seu vice “Temer”?  

Cabe então, neste momento, a conscientização da base e da militância para que exija das suas lideranças uma política de esquerda e concreta, ações que o momento exige. Do contrário, de nada adianta no poder um gigante frágil e com os pés de barro. 

Publicado por Emdefesadomarxismo

Somos um grupo de militantes simpáticos ao Partido dos Trabalhadores, que luta contra a perseguição politica sofrida pelo partido e principalmente pelos seus militantes de base. Nós entendemos que, A emancipação dos trabalhadores é hoje e, a cada dia mais, a ultima esperança da humanidade frente a barbárie capitalista. Contudo, a emancipação dos trabalhadores não pode ocorrer sem uma ciência dos trabalhadores , sem entender os seus dias , sem confrontar a teoria marxista , que é a teoria operária com a realidade da classe trabalhadora. Este é o objetivo de Ciência dos Trabalhadores. Existem sim uma ciência Operária , mas essa ciência precisa ser construida e hoje , como no passado a ciência dos trabalhadores é condição necessária para sua emancipação . Como condição necessária , a ciência operária precisa também ser obra dos trabalhadores. Por isso convidamos a classe trabalhadora a se expressar em nossas paginas .

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