Ucrânia-Rússia: como um terremoto(Tradução)

Apresentação:

Apresentamos abaixo mais um texto traduzido do blog “The Next Recession” do economista britanico Michael Roberts. Neste texto Michael Roberts apresenta as consequências do conflito entre Ucrania e Russia para a economia mundial. Os dados apresentados por Roberts corroboraram nossa posição, apresentada aqui e compartilhada pelo informativo Voz Operaria, acerca do suposto imperialismo Russo levantado por figuras como Yuval Harari e por muitas personalidades como Lula e Jean Luc-Melechon (candidato a presidente na França pelo agrupamento França Insubmissa )que disse em um comicio de campanha :

Nós trazemos uma mensagem neste instante: fim da guerra! Fim da invasão da Ucrânia! Abaixo o exército que invadiu a Ucrânia! Trazemos uma mensagem de solidariedade aos ucranianos (…). Dirigimos uma mensagem de solidariedade e de amor aos russos, ao povo russo que recusa a guerra e se opõe a ela corajosamente”.

https://otrabalho.org.br/a-guerra-e-as-eleicoes/

Lula e Melechon, dois recentes perseguidos politicos pelo imperialismo, mascaram sua posição pró imperialista por trás de um pacifismo hipócrita, como vemos ambos colocam a ação de Putin no mesmo patamar das ações da OTAN e em momento algum chamam a extinção dessa maquina de guerra contra os povos de todo o planeta. Escondem que não pode existir autodeterminação dos povos enquanto existir OTAN.

O imperialismo é a destruição das nações

Como esquecer a ação da OTAN na ex-Iuguslavia em 1999? Como esquecer outros conflitos pelo mundo, todos eles com participação direta do imperialismo? Como esquecer a guerra da Siria? Como esquecer que foi Emmannuel Macron, que no seu plano de gestão para a presidência rotativa da União Europeia, propos uma reforma do espaço  Schengen, que é a politica de asilo da UE? Como esquecer o papel da OTAN no Oriente Médio e a enorme criose migratória gerada? Todas essas consequências são apresentadas sem causa, mas a causa é justamente o imperialismo, a burguesia imperialista que necessita a cada dia mais destruir mercados e forças produtivas, eliminar barreiras alfandegarias e direitos escritos nos marcos nacionais para elevar a exploração do povo trabalhador a níveis nunca vistos.

Como resistir ? A frente Única Antiimperialista

A frente unica antiimperialista é a unidade dos trabalhadores contra o imperialismo, o conhecimento acumulado pela classe trabalhadora sobre esta questão encontra-se sistematizado no programa de transição-Agonia do capital e as tarefas da IV Internacional- escrito por Leon Trotsky. Nele podemos ler

A guerra imperialista é a continuação e a exacerbação da política de pilhagem da burguesia; a luta do proletariado contra a guerra é a continuação e aprofundamento de sua luta de classe. O advento da guerra muda a situação e, parcialmente, os processos de luta entre as classes, mas não muda nem seus fins, nem sua direção fundamental.

https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1938/programa/cap01.htm#12

É essa politica de exacerbação da pilhagem, que temos reportado, tanto na revista impressa, como em diversos artigos ver aqui, aqui e aqui. Trotsky constata que a burguesia é a principal força do planeta

A burguesia imperialista domina o mundo. É por isso que a próxima guerra, no que tem de fundamental, será uma guerra imperialista. O conteúdo decisivo da política do proletariado internacional será, consequentemente, a luta contra o imperialismo e sua guerra. O princípio básico desta luta será: “o inimigo principal está em nosso próprio país” ou “a derrota de nosso próprio governo (imperialista) é o mal menor”.

Recuperemos então, a derrota de nosso próprio governo imperialista, portanto a luta central, não corresponde a uma palavra de ordem direta “Não a Guerra!” Essa palavra de ordem, ainda que abstrata, pode constituir em algo progressivo nos paises imperialistas, embora dela não decorram imediatamente medidas praticas, que precisam ser melhor precisadas como a não votação do orççamento de guerra.

Contudo queremos ressaltar algumas passagens especiais

Mas nem todos os países do mundo são países imperialistas. Ao contrário; a maioria dos países são vítimas do imperialismo. 

Então Trotsky faz uma diferenciação importante entre paises imperialistas e não imperialistas, para alem de um simples dogmatismo, os dados abaixo do economista Michael Roberts denunciam o papel do imperialismo na pilhagem contra o povo, então não aprofundaremos essa discussão, pois ja fomos bastante reduntantes, mas prossigamos na discussão da posição da classe trabalhadora quanto a guerra e as diferenciações entre paises imperialistas e não imperialistas, se nos paises imperialistas a classe operaria deve dizer “Não a guerra!” Qual deve ser a posição nos países não imperialistas?

Certos países coloniais ou semicoloniais tentarão, indubitavelmente, usar a guerra para se livrar do jugo da escravidão. No que Ihes concerne, a guerra não será imperialista, mas emancipadora. O dever do proletariado internacional será ajudar os países oprimidos em guerra contra seus opressores. Este mesmo dever estende-se também à URSS ou a outro Estado operário que possa surgir antes da guerra ou durante.

Os dados econômicos são inequívocos quanto ao papel da Russia na distribuição internacional do trabalho, a Russia é um pais semicolonial, então estar ao lado da Russia, não é uma posição “putinista”. Não estar ao lado da Russia , implica em duas possibilidades, o não se reconhece a existência do imperialismo, como fase superior do capitalismo, fato que os dados economicos amparam , ou não se reconhece a Russia como semicolonial, fato também amparado pelos dados econômicos, assim Trotsky continua:

A derrota de todo governo imperialista na luta contra um Estado operário ou um país colonial é o mal menor.

Com essa introodução passamos a palavra para o camarada Michael Roberts

Ucrânia-Rússia: como um terremoto

Por Michael Roberts

“A guerra na Ucrânia é como um poderoso terremoto que terá efeitos de ondulação em toda a economia global, especialmente em países pobres”. Foi assim que a chefe do FMI, Kristalina Georgieva, descreveu o impacto da guerra na economia mundial. Ninguém pode ter certeza da magnitude deste terremoto, mas mesmo na visão mais otimista, isso vai prejudicar significativamente as economias e os meios de subsistência não apenas do povo da Ucrânia e da Rússia, mas também do resto dos 7 bilhões de pessoas em todo o mundo. E isso está acontecendo assim como a economia mundial estava supostamente se recuperando da queda na produção, renda e padrões de vida sofridos com a queda da pandemia do COVID em 2020 – que foi a contração global mais ampla e mais profunda (se relativamente curta) em mais de 100 anos.

Mas vamos começar com a própria Ucrânia. Já 3 milhões de pessoas fugiram do país das bombas e destruição de suas casas e outras 6 milhões foram deslocadas dentro do país. Como em todas as guerras, a vida e os meios de subsistência das pessoas foram perdidos. Economicamente, um relatório de pessoal do FMI, concluído em 7 de março, concluiu que o país estava paralisado. “Com milhões de ucranianos fugindo de suas casas e muitas cidades sob bombardeio, a atividade econômica comum deve, em grande parte, ser suspensa.” Depois há o dano físico. Há uma semana, o conselheiro econômico do presidente ucraniano já colocou o prejuízo em US$ 100 bilhões. Metade das exportações do país dependem do porto de Mariupol, que agora sofre o cerco mais selvagem.

A projeção provisória do FMI é que a produção caia 10% em 2022 — se a guerra não durar muito. E isso está começando a parecer otimista, como o FMI comenta: “Os riscos negativos são extremamente altos”. Este 10% se compara com um declínio da produção de 6,6% em 2014, que foi seguido por um declínio de pouco menos de 10% em 2015, durante o conflito anterior Rússia-Ucrânia no leste da Ucrânia. No entanto, o FMI alertou que “os dados sobre a contração real do PIB em tempo de guerra (Iraque, Líbano, Síria, Iêmen) sugerem que a contração anual da produção poderia eventualmente ser muito maior, na faixa de 25-35%.”

Depois há a Rússia. A invasão de Putin provocou uma resposta sem precedentes na forma de sanções econômicas e outras contra amigos e apoiadores de Putin e contra seus bancos e instituições, levando até mesmo à apreensão das reservas cambiais do país – e às crescentes tentativas de bloquear ou boicotar as exportações russas (incluindo petróleo e gás). Impedir o banco central russo de implantar suas reservas internacionais e impossibilitar a liquidação de seus ativos faz parte de uma guerra econômica destinada a minar a economia e o esforço de guerra da Rússia. O ministro francês das Finanças disse que “estão travando uma guerra econômica e financeira total contra a Rússia, Putin e seu governo”

A economia russa não é grande em comparação com as economias do G7. No total, as forças econômicas contra a Rússia equivalem a um PIB anual de US$ 50 bilhões em comparação com os insignificantes US$ 4trn da Rússia e da Bielorrússia.

E quando se trata de poder de fogo militar, a Rússia é fortemente superada pelos países da OTAN.

Assim, uma combinação de ruptura econômica, sanções dos países da OTAN e inflação em espiral vai levar a economia russa a um precipício. As previsões da contração da saída variam. O consenso coloca-o em cerca de 8% de queda este ano.

Mas o Instituto Internacional de Finanças (IIF), que analisa de perto os fluxos de exportação e importação russos, bem como os fluxos de capital, é muito mais pessimista e espera uma queda de 15% – algo não experimentado na Rússia desde o colapso da União Soviética na década de 1990 – levando a economia russa de volta aos níveis de mais de 20 anos atrás.

O uso de sanções econômicas contra um país do G20 como a Rússia é sem precedentes. Mostra o papel que as “sanções” podem desempenhar como alternativa à ação militar contra governos que não seguem os desejos e ditames do imperialismo no 21st século.

Topicamente, o historiador econômico Nicholas Mulder tinha acabado de publicar um livro intitulado, The Economic Weapon: the rise of sanctions as a tool of modern war. Mulder ressalta que as sanções econômicas começaram a ser usadas por potências imperialistas quando a Liga das Nações foi criada após a Primeira Guerra Mundial. As principais potências da Liga “acreditavam ter equipado a organização com um novo e poderoso tipo de instrumento coercitivo para o mundo moderno”. O então presidente dos EUA, Woodrow Wilson, descreveu as sanções econômicas como “algo mais tremendo do que a guerra” que poderia trazer “uma nação aos seus sentidos, assim como a sufocamento remove do indivíduo todas as inclinações para lutar”. Não haveria necessidade de força. “É um remédio terrível. Não custa uma vida fora da nação boicotada, mas traz uma pressão sobre aquela nação que, na minha opinião, nenhuma nação moderna poderia resistir.” Nesse sentido, as sanções me lembram os cercos medievais, onde as cidades passavam fome em submissão, sem ação militar. As sanções econômicas eram um novo 20ésimo arma do século, juntamente com armas químicas e bombas nucleares.

Mulder argumenta que as sanções econômicas foram usadas primeiro pelos imperialistas europeus contra povos que viviam fora do “mundo civilizado”. Em seguida, os EUA subir para o poder global no 20ésimo século viu tanto sanções negativas (embargos de petróleo) quanto sanções positivas (Lend-Lease). “A sanção americana foi moldada por três fatores: seu domínio militar único, a inflexão ideológica da política da Guerra Fria e o papel dos mercados financeiros dos EUA na economia mundial.”

John Maynard Keynes via as sanções “positivas” como benéficas, ou seja, através de ajuda e subsídio aos mocinhos, ao mesmo tempo em que aplicava proibições, bloqueios e punições aos bandidos. E ele considerou que a sanção do sistema financeiro era a mais poderosa – e que agora está sendo colocada em prática contra a Rússia. É claro que quanto maior e mais poderoso for um país, e quanto mais fraco e menos firmemente for aplicado por uma aliança de países, menor será o seu impacto.

Mas e o impacto global do conflito? Embora a Rússia e a Ucrânia sejam relativamente pequenas em termos de produção, eles são grandes produtores e exportadores de itens alimentares importantes, minerais e energia. A Ucrânia e a Rússia juntos representam mais de um quarto do comércio global de trigo e um quinto das vendas de milho. Quanto mais tempo as forças russas permanecerem na Ucrânia, os tratores mais longos e as combinações para colher as culturas do país permanecem ociosas, ameaça a segurança alimentar muito além da região, alertou o FMI.

Por exemplo, o Egito importa 80% de seu trigo da Rússia e da Ucrânia. Com muitos países da África e do Oriente Médio sendo expostos da mesma forma, a Europa poderia em breve ter outra crise migratória em suas mãos, além de milhões de refugiados ucranianos. Em seguida, há o papel da Ucrânia no fornecimento de muitos dos raros gases necessários em processos industriais – como neon, krypton e xenônio – incluindo a produção de semicondutores já sitiada.

A energia é o principal canal de derramamento para a Europa, uma vez que a Rússia é uma fonte crítica de importação de gás natural.

Isso vai atingir a produção em toda a Europa.

O FMI considerou que “o prolongamento da agressão da Rússia à Ucrânia, além das perdas humanitárias e econômicas, também levará a efeitos significativos de repercussão em todo o mundo: deterioração da segurança alimentar, aumento do processo de energia e commodities, aumento das pressões inflacionárias, interrupção das cadeias de suprimentos, aumento dos gastos sociais para os refugiados e aumento da pobreza. Os danos econômicos globais desta guerra serão devastadores.”

Em seu relatório, a OCDE também apresentou um quadro sombrio se a guerra continuar por muito mais tempo: “o crescimento global pode ser reduzido em mais de 1 ponto percentual, e a inflação global elevada em cerca de 2,5 pontos percentuais no primeiro ano completo após o início do conflito. Essas estimativas baseiam-se no pressuposto de que os choques do mercado financeiro e das commodities vistos nas duas primeiras semanas do conflito persistem por pelo menos um ano, e incluem uma profunda recessão na Rússia, com a produção caindo mais de 10% e a inflação subindo cerca de 15 pontos percentuais.”

E se as importações de energia da Rússia caírem 20%, seja através de sanções ou contra-sanções, reduziria a produção bruta nas economias europeias em mais de 1 ponto percentual, com diferenças significativas entre os países.

Os consultores de gestão McKinsey também previram resultados desagradáveis para as economias da Europa, em particular. No cenário esperado de McKinsey, onde o fim das hostilidades está à vista até o segundo semestre de 2022 e as sanções não se estendem ao setor energético (de modo que as exportações de energia da Rússia para a Europa continuem fluindo), McKinsey calcula que o crescimento do PIB na zona do euro e na Alemanha estagnaria em 2022, mas depois se recuperaria para 2,1% em 2023 e 4,8% em 2024. Isso já é ruim o suficiente, mas se houver um conflito prolongado que intensifica a crise dos refugiados na Europa Central e onde os países ocidentais e a Rússia estendem ainda mais as sanções, levando à paralisação das exportações de petróleo e gás da Rússia para a Europa; em seguida, a zona do euro entraria em recessão em 2022 e 2023, liderada pela Alemanha.

E assim como houve uma “cicatriz” de longo prazo das economias capitalistas da Grande Recessão de 2008- e a queda pandêmica do COVID de 2020, o conflito Ucrânia-Rússia está adicionando mais danos. A ‘globalização’ (a extensão do comércio mundial e dos fluxos de capital) foi uma importante contra-tendência para as economias imperialistas à queda da rentabilidade do capital produtivo internamente nas últimas duas décadas das 20ésimo século. Mas a globalização, a expansão dos fluxos de capital imperialista e do comércio, gaguejaram nos 21st século, e sob o impacto da Grande Recessão, entrou em marcha ao contrário. A rentabilidade mundial caiu para perto dos mínimos de todos os tempos. Esta é a causa básica da intensificação das crises econômicas e dos conflitos geopolíticos nas últimas duas décadas.

E agora que esta guerra aparentemente “regional” que foi transformada em uma questão mundial, poderia alterar fundamentalmente a ordem econômica e geopolítica global à medida que o comércio de energia muda, as cadeias de suprimentos se reconfiguram, as redes de pagamento se fragmentam e os países repensam as participações em moeda de reserva. Após o período Trump, as tarifas protecionistas dos EUA contra a China, o México e a Europa, agora há esse aumento da tensão geopolítica, que aumenta ainda mais os riscos de fragmentação econômica, especialmente para o comércio e a tecnologia.

Então há dívidas. A pandemia COVID-19 coincidiu com um aumento mais rápido do endividamento das empresas. A dívida corporativa já vinha aumentando globalmente desde 2007, mas a crise pandêmica levou a um aumento ainda mais acentuado. O endividamento corporativo dos EUA aumentou 12,5% entre 2018 e 2020, muito mais do que o aumento em toda a década que antecedeu o COVID-19.

Agora, o crescimento da produção, mesmo a recessão, o investimento mais fraco e a menor rentabilidade corporativa, ao lado do aumento da inflação, ameaçam entregar falências generalizadas entre os “zumbis” corporativos e os “anjos caídos”. Isso torna os planos dos bancos centrais de aumentar as taxas de juros para controlar a aceleração da inflação, pelo menos, e impossível, no máximo. Uma análise empírica recente considera que “quando o nível da dívida corporativa é suficientemente alto, uma política monetária contracionária até aumenta a inflação”, lembrando o episódio de estagflação na década de 1970 após os “choques” do petróleo na época. O documento conclui que “nosso trabalho sugere que a política monetária não será eficaz na redução da inflação suavemente para um pouso suave. Isso significa que os bancos centrais, em última análise, têm que escolher entre gerar uma recessão, com falências significativas, ou aceitar a estagflação contínua.”

O economista “liberal” Wolf, está profundamente preocupado. “Um novo mundo está nascendo. A esperança de relações pacíficas está desaparecendo… Ninguém sabe o que vai acontecer. Mas sabemos que isso parece um desastre…A combinação de guerra, choques de oferta e alta inflação é desestabilizadora, como o mundo aprendeu na década de 1970. A instabilidade financeira agora parece muito provável, também. Uma prolongada crise de estagflação parece certa, com grandes efeitos potenciais nos mercados financeiros.” A longo prazo, o surgimento de dois blocos com profundas divisões entre eles é provável, assim como uma reversão acelerada da globalização e sacrifício dos interesses empresariais à geopolítica. Mesmo a guerra nuclear é, infelizmente, concebível.  

Wolf afirma que esta guerra é uma batalha entre as forças da “democracia” (representada pela OTAN) e as forças da “autocracia” (representada pela Rússia e pela China). Isso é um absurdo – onde a Arábia Saudita, aliada da OTAN, ou a ditadura militar no Egito, ou a autocracia da Turquia, membro da OTAN, se encaixam nessa categorização? Em vez disso, o conflito Rússia-Ucrânia expôs as crescentes contradições na economia capitalista mundial entre as potências imperialistas, por um lado, e os países que tentam resistir às políticas e à vontade do imperialismo.

O chefe do FMI, Georgieva, declarou que “vivemos em um mundo mais propenso a choques”. Sim, os choques vêm vindo grosso e rápido no 21st século. Georgieva continuou: “E precisamos da força da coletividade para lidar com os choques que virão.” Realmente! Mas não é a vontade coletiva dos poderes capitalistas que podem lidar com esses choques: eles falharam com as mudanças climáticas; sobre a prevenção e parada da pandemia COVID; e sobre o fim da pobreza e manter a paz mundial. Em vez disso, tudo dependerá da vontade coletiva dos trabalhadores organizados.

Yuval Harari: a mentira a serviço de uma ordem em colapso(Via O Partisano)

Apresentação:

Reproduzimos abaixo o texto publicado originalmente em O Partisano , por Willian Dunne, acerca da entrevista recente do historiador Yuval Harari ao programa fantastico da rede globo. Dunne analisa o papel que o historiador joga, legitimando as mentiras de guerra, dando o seu aval “cientifico”, mostrando que cientistas também possuem lado. Um exemplo concreto de obscurantismo, que tornou-se uma arma indispensável à burguesia. A dominação da burguesia não pode perpetua-se sem esconder os fatos dos trabalhadores e sem contar com uma legitimação técnica. Papel lamentavel a qual um historiador da estatura de Harari se presta, emprestar o seu prestigio acadêmico e sua reputação a causa do modo de produção capitalista em sua fase derradeira e terminal, a fase que Lenin chamou de imperialismo.

Yuval Harari: a mentira a serviço de uma ordem em colapso(Via O Partisano)

Por Willian Dunne – via O Partisano

Autor de best sellers como Sapiens e 21 lições para o século 21, o historiador israelense Yuval Harari tem desempenhado o papel de garoto propaganda da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Já há várias entrevistas de Yuval na Internet em que ele defende uma visão atlantista do conflito entre Ucrânia e Rússia. Uma visão que consiste, basicamente, em ignorar as raízes do atual embate, demonizar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e, finalmente, mentir bastante e descaradamente.

No Brasil, Yuval apareceu em uma reportagem de 10 minutos que foi ao ar no Fantástico de domingo (6), um programa com grande alcance, perfeito para a propaganda de guerra em que a mídia hegemônica brasileira se engajou. Naquela noite, o Fantástico chegou a 20,1 pontos de audiência.

Durante a reportagem, trechos de uma entrevista de Yuval concedida a Sônia Bridi são sucedidos por imagens e textos que ilustram os argumentos do entrevistado, confirmado-os. O historiador israelense não é confrontado, mas sim apresentado como uma autoridade no assunto. É o argumento de autoridade trazido para a campanha da OTAN, para o consumo de massas no Brasil através de sua principal emissora de TV. É uma carteirada da Globo.

E o “fact checking”?

Porém, as afirmações dessa “autoridade”, que visam corroborar a versão dos EUA e da OTAN sobre o conflito, poderiam facilmente ter sido contestadas. Os milhões de espectadores da Globo ouviram por exemplo que Putin, pintado quase como um novo Hitler por Yuval Harari, estaria gastando 20% do PIB com equipamentos militares. Contudo, dados do Stockholm International Peace Research Institute, da Suécia, mostram que a Rússia gastou 4,263% de seu PIB com defesa em 2020.

Outro problema da afirmação de Harari é que mencionar o gasto do governo de Putin com Defesa não prova que o presidente russo tenha ambições imperialistas e expansionistas. Esse gasto poderia representar cautela diante da expansão da… OTAN – uma despesa defensiva. Os EUA, por exemplo, gastaram 3,741% do PIB com Defesa em 2020, menos do que a Rússia em termos de proporção do PIB. No entanto, em termos absolutos, os EUA gastaram US$778 bilhões naquele ano, enquanto os russos gastaram US$61.7 bilhões. Além disso, a soma dos gastos militares do Reino Unido, Alemanha e França é quase o triplo do que os russos gastam. Se os gastos militares por si sós provam algo, é que Putin está se defendendo de países dezenas de vezes mais hostis.

Nova era de conflitos?

Yuval Harari também apresentou a tese de que, caso Putin vença a guerra, uma nova era de conflitos estará sendo iniciada – como não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo ele: “Se o Putin vencer, veremos mais ‘Putins’ em muitos lugares do planeta. Veremos países imitando o russo, invadindo os vizinhos e tentando destruí-los. É do interesse de todos, no mundo inteiro, fazer o que puderem para parar essa guerra terrível”.

Essa parte da entrevista, que a Globo selecionou, cortou, e exibiu para milhões de pessoas, talvez seja o exemplo mais flagrante de falsificação da história com propósitos políticos a favor dos EUA e da OTAN. Justamente porque ignora, principalmente, o histórico de intervenções dos EUA.

Antes de falar dos EUA, lembremos que Yuval é israelense. Israel gerou uma crise de refugiados logo depois da Segunda Guerra Mundial. Em 1948, no episódio que ficou marcado na história dos palestinos como a nakba (catástrofe), mais de 700 mil pessoas foram expulsas de suas terras, em que suas famílias viviam há gerações, durante séculos. Logo em seguida os EUA atravessaram o mundo para se meter na guerra da Coreia, que durou de 1950 a 1953. Depois os EUA entraram na  guerra do Vietnã (que durou de 1955 até 1975) em 1964. Em 2003, os EUA invadiram o Iraque, mataram milhões de civis e deixaram milhões de refugiados, com o pretexto de que o país teria armas de destruição em massa (que nunca foram encontradas). Atualmente, os EUA patrocinam o cerco da Arábia Saudita ao Iêmen, que, segundo estimativa da ONU do ano passado, já teria matado 377 mil pessoas. Isso para não falar em outros conflitos e intervenções dos EUA, que seria uma lista realmente longa.

Como é possível, diante desse histórico do país que lidera a OTAN e, por meio dela, estende sua presença militar por toda a Europa, afirmar que Putin estaria inaugurando uma era de conflitos? Isso só é possível graças ao volume da propaganda de guerra dos EUA. Todos os grandes canais de TV e rádio, todos os grandes jornais impressos e portais, passando por produções cinematográficas e publicação de livros, repetirão dia e noite que a Rússia invadiu outro país sem provocação porque Putin seria um ditador. Por mais que essa história parta de premissas flagrantemente mentirosas, a aposta nesse caso é no volume dessa propaganda, de proporções monumentais.

Putin nazista?

Outras duas afirmações da entrevista merecem ser apreciadas aqui. Yuval Harari diz que Putin esperava ser recebido com flores, mas que a Ucrânia resistiu. E faz uma caricatura das denúncias da presença de nazistas, quando diz que: “Putin construiu uma mentira, essa fantasia de que a Ucrânia não é uma nação de verdade, que ucranianos são russos, que querem ser absorvidos pela Rússia, e que só não conseguem porque existe uma gangue de ‘judeus nazistas’ no poder”.

A primeira afirmação é uma comparação de Putin com Hitler. O que Yuval insinua é que Putin esperava ser recebido como na anexação dos Sudetos ou da Áustria pela Alemanha nazista. É uma comparação maliciosa que faz parte da demonização do governo russo. A segunda afirmação é mais traiçoeira, porque omite o fato que há uma divisão na Ucrânia, e que há uma ala pró-Rússia, como ficou claro no referendo em que 90% da população da Crimeia escolheu fazer parte da Rússia. Além dos oito anos de guerra civil no leste do país, praticamente inexistentes para a imprensa ocidental.

Mas o conteúdo mais venenoso está no final, quando Yuval se refere a uma “gangue de judeus nazistas” ele está insinuando que, por Zelensky ser judeu, as denúncias da simbiose entre Estado ucraniano e bandos nazistas seriam falsas. O problema é que Zelensky ser judeu não anula esse fato, que tem ficado a cada dia mais evidente graças aos soldados ucranianos que colocam símbolos nazistas em seus uniformes, como o sol negro. No mundo que Yuval Harari e a Rede Globo, assim como todas as grandes TVs do ocidente, vendem para seus espectadores, a realidade é invertida: o governo russo é que estaria associado ao nazismo, já que Putin é uma espécie de Hitler, e a Ucrânia, infestada de bandos de extrema direita, seria apenas uma inocente democracia lutando por liberdade.

Medo

Outra distorção da realidade urdida por Yuval é a de que os países do leste europeu que entraram na OTAN o fizeram por medo da Rússia, e que a Rússia deu razão a todos eles ao invadir a Ucrânia. Como se a OTAN fosse uma entidade benévola, protegendo o mundo da malvada Rússia. É justamente o contrário. A OTAN é a presença militar dos EUA na Europa, apertando o cerco à Rússia de forma propositalmente ameaçadora. No parlamento ucraniano já se debatia abertamente instalar armas nucleares no país, que ficariam apontadas para a Rússia a uma curta distância. É evidente que uma potência militar como a Rússia não ficaria assistindo. Para completar o quadro, a subsecretária de Estado dos EUA, Victoria Nuland, admitiu durante uma audiência no Congresso norte-americano que na Ucrânia há laboratórios de armas biológicas. Ao que parece, seriam laboratórios dos EUA.

Leia também: Seis motivos para a esquerda não ir ao ato do MBL

Portanto, a alegação do governo russo de que sua operação militar tem propósitos defensivos é crível. As ameaças são palpáveis, e o avanço da OTAN já dura décadas, contrariando uma promessa feita ao governo (então) soviético no começo dos anos 90, quando o Secretário de Estado do governo Bush (pai), James Baker, garantiu a Gorbachev que a OTAN não avançaria “uma polegada” para o leste. Desde essa promessa, 15 países novos entraram na OTAN, todos ao leste.

Liberdade e democracia

Toda essa falsificação é feita supostamente em nome do “ocidente” e seus “valores”, pela “liberdade” e pela “democracia” contra governos tirânicos e incivilizados. A situação, porém, revela o que são na prática a “liberdade” e a “democracia” ocidentais. Democracia e liberdade é dar um golpe de Estado usando herdeiros políticos diretos de colaboradores nazistas, encher o Estado de nazistas e o país de laboratórios de armas biológicas. É isso o que o mundo livre ocidental tem a oferecer aos bárbaros governados por tiranos incivilizados.

O que está em jogo, evidentemente, não são valores nem liberdade ou democracia. O domínio dos EUA sobre o mundo está em crise. É o controle global dos EUA que será afetado caso os russos consigam impor aos ucranianos uma posição neutra entre a OTAN e a Rússia. Esses aspectos da crise do império são desdobramentos militares e políticos da crise do próprio capitalismo, que nunca se recuperou de 2008. É esse sistema de dominação para exploração econômica que está em colapso, e não a “liberdade e a “democracia”. É em defesa desse sistema que está desmoronando que Yuval Harari conta suas mentiras e a mídia ocidental as reproduz.

Entrevista com Gabriel Araujo: A luta por despejo zero

Há alguns meses o companheiro Gabriel Araújo do Movimento Nacional de Luta por Moradia escreveu uma carta de resposta à carta aberta da companheira Ediane Tibes ao presidente Lula. Nunca tivemos a oportunidade de escrever uma réplica ao companheiro Gabriel, depois de diversas tentativas de compatibilização, combinamos um debate com o camarada ao qual reproduzimos alguns extratos abaixo.

C&T: Companheiro Gabriel Araújo, em sua carta a companheira Ediane Tibes você escreve:

O Presidente Lula, tem seu lastro político advindo de uma segmento totalmente distinto dos demais candidatos da esquerda. Lula tem de prestar constas à sua base social, ele emerge de um proletariado e de um campesinato completamente explorado e massacrado pelo imperialismo, que tem uma forte propensão revolucionária e que constituiu organizações sólidas e com determinada margem de autonomia política ante a burguesia. E são estes que possuem legitimidade e autoridade (organizativa, política e científica) histórica para impor ao Presidente Lula, um programa nacionalista e um governo de trabalhadores. E são à estes, que devemos dedicar todo o nosso dispêndio de forças. Pois apenas eles, podem reverter esse quadro de limitação do reformismo, bem como, da própria política econômica neoliberal, do imperialismo.

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2021/11/18/gabriel-araujo-carta-aberta-a-companheira-ediane-tibes-%ef%bf%bc/

Como seria possível para alguém do perfil militante da companheira Ediane, mãe, viúva, com três crianças, batalhando grana para sustentar a casa, chocar-se com o aparelho dirigente do PT? Como que é possível para gente como nós pressionarmos o presidente Lula para atender nossas demandas?

Gabriel:

É um importante passo apoiar a candidatura do presidente Lula. Ele, o presidente Lula, vai querer conciliar mais com a burguesia nacional do que com a imperialismo. Contudo a questão é complicada, vem ai um choque de juros do Banco Central dos EUA, a última vez que algo assim aconteceu tivemos uma explosão de dívida nos países da América Latina(ver aqui , aqui e aqui, )então inevitavelmente o presidente Lula vai entrar em uma rota de enfrentamento com o imperialismo, mesmo que num grau bem moderado. A questão da pressão da luta anti-imperialista é fundamental, vai sair um editorial do Voz Operária (ver aqui), abordando o problema de um programa anti-imperialista.

O programa dos Marxistas não é o programa do Lula. Os comunistas podem avançar mais concretamente. A questão do choque de juros é chave, esse choque vai atingir o agronegócio brasileiro e pode liquidar de vez com o pouco de indústria que resta no pais . Uma redistribuição de renda não seria suficiente, diante do deterioramento da política monetária e portanto da liquidez do país. É preciso um programa mais profundo que isso. E o aparelho burocrático do PT, que quer a conciliação com os golpistas e com o próprio imperialismo já percebeu isso, veja o ataque do DCM ao PCO, e a Gleise defendendo o Boulos quanto a vinculação dele com o imperialismo. A militância anti-imperialista está sendo atacada, e parte da esquerda está sendo cooptada pelo imperialismo, para fazer um papel de tropa de choque do neoliberalismo.

O único sentido é que haja um enfrentamento, um enfrentamento via mobilização da classe trabalhadora em torno de um programa anti-imperialista. Não dá para pensar em ações de indivíduos, pois sozinhos, pessoas como a companheira Ediene, tem pouca força. Mas unificados e com instâncias de aglutinação com um funcionamento mínimo, podem intervir enquanto classe, na situação política. 

Antigamente o PT tinha núcleos de base e isso era a força do partido, agora está sendo proposto a criação de 5000 Comitês Lula Presidente, em uma perspectiva de pauta identitária. Isso precisa ser desmascarado, precisa ser demonstrado que as questões concretas é que precisam ser resolvidas, e não questões de cunho abstrato e secundário. O PT criou até setorial de defesas de animais, enquanto isso, 120 milhões não sabem o que vão ter pra comer no horário da próxima refeição. Isso é ridículo! 

Aqui na minha cidade tivemos três recentes ocupações, e choveu gente na ocupação. O povo está ai e está pronto pra lutar. É nossa tarefa, enquanto marxistas, criar mecanismos para canalizar essa disposição.

C&T: Tudo bem, você coloca questões importantíssimas, mas como? Como organizar este povo, como enfrentar um aparelho que tenta a todo custo dizer que a única saída é a eleição e que tem que esperar a eleição? Como enfrentar esse processo de mobilização dos 5000 comitês eleitorais? Como enfrentar essa ilusão nas instituições?

Gabriel:

O Bloco Vermelho, que se formou durante o ano passado, foi um importante avanço em relação à isso. Aglutinou os elementos mais conscientes e antes mesmo do próprio PT definir pela criação dos comitês de cunho eleitoral, o Bloco Vermelho já havia definido pela criação de 1.000 Comitês Lula Presidente, com uma perspectiva de convocar as massas populares para intervir de fato na situação política. Um caráter completamente distinto ao que se tem hoje, que é apenas visando a eleição, trocando a política concreta pelo marketing eleitoral tosco.

Se essa política eleitoreira e de marketing vai se impor ou não, isso não dá para prever. De toda forma, travar uma luta para que isso não se imponha, pode ser construtivo e pedagógico para avançar na dimensão que os revolucionários reivindicam. Uma luta tenaz, as vezes é mais produtiva do que uma vitória fácil, já diria o camarada Engels em seu texto sobre a revolução e contra-revolução na Alemanha. Precisamos desembainhar nossas espadas. Explicar para o povo o que ocorre no país. E nesse caso, os comitês podem ser esse espaço para travar essa luta, e essa revista, o jornal da Voz Operária, entre outros mecanismos operários de comunicação, podem ser essa ferramenta de esclarecimento e orientação para as massas que se encontraram presentes nos comitês.

C&T: Como você vê essa política de cooptação das organizações operarias e populares a partir de ONGS?

Olha eu vejo um enorme abismo entre a atual direção e a base, hoje a atual direção persegue os militantes que tem uma postura anti-imperialista. Isso precisa ficar claro! Toda a tentativa de organização independente dos trabalhadores é sabotada por dentro das mais diversas formas. Quando você anda pelo movimento vê em diversos lugares o logotipo da fundação FORD e de outras fundações até mesmo da União Europeia. Isso é impressionante! Existe um ataque sério a independência financeira e política do movimento, que vai piorar com as cifras que o Biden está prometendo investir nessas ongs e que vocês repercutiram.

C&T: Qual balanço você faz do ano de 2021?

Gabirel: 

Achei muito importante a matéria de balanço que vocês fizeram sobre a greve sanitária, acho real o que vocês dizem, mas tenho uma diferença, acho que devíamos ir pra rua e não ficar em casa e vocês colocaram que isso era uma tática suicida. Vocês mesmos levantaram que o povo estava sendo infectado no transporte público, então temos que ir pra cima. Agora sim, a direção não organizou uma greve sanitária e as mobilizações que existiram foram implodidas por dentro.

Uma coisa que notei, foi o medo das instituições em relação a mobilização popular. A campanha despejo zero, estima que 400 mil pessoas e 123 mil famílias, estão correndo risco de despejo no país. Além disso, o orçamento de moradia, saiu de R$20,9 bilhões em 2015 para R$800 milhões em 2021. Não houve um levante contra o fim da política habitacional no país, isso foi um grande equívoco, porque grande parte da população não tinha condições de fazer isolamento social. Isso se soma, ao fim do auxílio emergencial, que foi definhando sistematicamente, com cortes sucessivos. E o fim do bolsa família, e a criação do auxílio Brasil. Diversas pessoas que precisavam adentrar nesse programa, que recebiam anteriormente o auxílio emergencial, ficaram de fora, e 3 milhões que estavam na fila do Bolsa Família, também ficaram de fora. Soma-se a essa questão, o fato também de que 67,2% das negociações salariais ficaram abaixo do percentual da inflação.

O parlamento e o judiciário, com medo do início de um processo de insurreição popular diante disso, da fome e do desemprego, resolveu proibir determinados despejos. A medida havia se encerrado em dezembro, mas foi prorrogada, mesmo não havendo uma mobilização (apesar de que havia uma indicação de início de mobilização entorno disso). Acredito que os órgãos de inteligência e repressão, informaram as referidas autoridades ilegítimas, e as mesmas notando a possibilidade de perder o controle da situação, resolveram tomar algumas medidas para aliviar a pressão.

Agora teremos uma mobilização contra os despejos no dia 17 de março. As organizações populares de luta pela terra e por moradia, estão mobilizando suas bases. Se for conquistada a prorrogação da medida, será uma vitória do movimento popular e da mobilização, e que se tiver continuidade para reivindicar outras pautas, pode ser o início de um amplo movimento que arraste outros setores da classe trabalhadora e que poderá desestabilizar o regime político golpista que nos impõe essa política neoliberal de fome, repressão e despejo.

C&T: Mas você veja, a direção não organizou greve sanitária, antes da pandemia o grande ascenso de massas que tivemos foi o tsunami da educação, que foi paralisado pela direção para ouvir a Vaza jato. Então qual trabalhador iria para a rua agora diante dessa paralisia, diante da situação de que já foi pra rua outras vezes e a direção paralisou o movimento quando quis? Sem contar que a palavra de ordem Fora Bolsonaro era uma boia de salvação para as instituiçõesVenderam a ilusão de que a CPI da pandemia resolveria algo e obviamente as instituições golpistas não resolveram nada. Volto aqui a questão. Vivemos um tipo de Ilusões Constitucionalistas?

Gabriel:

A política não nos permite, aos marxistas-leninistas, acreditar que a burocracia dos movimentos populares e sociais, se encontram em uma condição de ilusão. Estão claramente cooptados. Já são quase seis anos de regime político golpista, que nos impõe a fome, a destruição da indústria nacional, etc. As massas, no Tsunami da Educação, na Greve Geral de 2017, nas mobilizações contra o fascismo em 2020, mostram claramente uma disposição de enfrentar a direita golpista e os fascistas. O grande problema, é que essa burocracia quer acordos com os golpistas. E é ai que devemos atacar, porque será através de uma ruptura com essa perspectiva, que vamos dar vazão à este descontentamento popular e a disposição de luta do povo trabalhador, que não suporta mais ser esmagado.

C&T: Um problema que para nós é caro é o problema da perseguição política. Como você vê que as organizações deveriam enfrentar objetivamente este problema?

Gabriel:

As organizações caíram em uma política covarde, abandonaram seus militantes à própria sorte e aceitaram que os mesmos fossem perseguidos. Até o Presidente Lula foi abandonado por essa burocracia. O maior exemplo dessa capitulação e da farsa da luta contra a perseguição política, é o caso da pseudo-revogação da Lei de Segurança Nacional. A substância repressiva da Lei de Segurança Nacional, se manteve na lei que à substituiu. Entrando naquela questão de trocar a política pelo marketing, apenas fazendo manobras para inglês ver, enquanto a essência reacionária se mantém.

As organizações deveriam implementar uma política de formação de comitês de autodefesa, que defendessem seus quadros, com ações jurídicas, financeiras, psicológicas, mobilizações, instruções de defesa pessoal, debater o conteúdo da dialética da violência e do monopólio desta última. Mas o que se observou, é que a burocracia apenas se preocupou em manter seus privilégios, sua condição pequeno burguesa, seus empregos e etc. O orçamento dos sindicatos praticamente desapareceu e não fizeram nada para reverter essa situação, seja pela revogação da reforma trabalhista, ou por meio de campanhas por outra plataforma de arrecadação. Uma posição tão patética, só pode advim de uma posição de capitulação e cooptação por parte do regime golpista.

C&T: Você comprou a nossa revista número 01 “Quem é o culpado pela pandemia?”, O que achou?

Gabriel:

Uma publicação extremamente importante, primeiramente para demonstrar para a burguesia e para a pequena burguesia, que pensam que os trabalhadores não possuem capacidade intelectual e são pessoas de segunda categoria, que os trabalhadores e o marxismo-leninismo, são respectivamente, a única camada verdadeiramente científica e por conseguinte, revolucionária, nos marcos da sociedade atual.

Em segundo lugar, indo no sentido do que falei anteriormente, como não tem possibilidade de existir ciência sem que exista transformação da realidade concreta, a característica de defesa dos perseguidos pelo imperialismo, se torna na comprovação do conteúdo científico da revista, de busca na transformação da realidade através da autodefesa dos trabalhadores. E também revelar para a população quem são os verdadeiros responsáveis pela pandemia, também comprova essa questão da ciência dos trabalhadores ser um guia para a ação, fundamentada em investigações da realidade concreta para a transformação desta última.

O imperialismo monopolizou as vacinas, os testes, e fez demagogia com o tal isolamento social, entre outras coisas fundamentais para que vidas fossem salvas. Logo, ter uma publicação voltada para o esclarecimento sobre essa situação, foi muito importante para combater o senso comum e o apologismo anti-científico, que se tornou a regra durante a pandemia, pelos monopólios de comunicação e as instituições acadêmicas da burguesia.

O problema da Frente Única Anti-imperialista uma Resposta a Rodrigo Silva: “A Russia é imperialista?”

A presentação:

O companheiro Rodrigo Silva em sua conta no Medium escreveu um texto recente intitulado –A Russia é Imperialista?– . A emergencia do tema é obvia, vidas estão sendo perdidas, familias estão sendo destruidas, crianças estão sendo abandonadas, a revolta com esta guerra é o mínimo, porem a função desta revista é esclarecer as coisas e não limitar-se a simples indignação.

Ciência dos Trabalhadores esta fazendo uma serie com o titulo -o que é o imperialismo?- e conta com dois textos parte 1 e parte 2, justamente para esclarecer acerca dessa época do desenvolvimento, ou melhor, do apodrecimento do modo de produção capitalista e suas consequencias para o conjunto dos trabalhadores, muitos outros textos estão por serem preparados, cada um tratara de uma característica em particular da época imperialista, por isso, a melhor resposta a Rodrigo Silva seria dada após a publicação destes textos. Contudo, a luta de classes passa por um processo de aceleração, a guerra da Rússia para expulsar de suas fronteiras as bases e a influencia da burguesia imperialista mais importante, a burguesia imperialista dos EUA e as outras burguesias imperialistas menores, alinhadas no quadro da Organização do Tratado do Atlantico Norte tornaram o tema do imperialismo um tema ainda mais urgente, por isso precisamos fazer alguns esclarecimentos.

Nós que defendemos o marxismo, que consideramos que o conceito de imperialismo, fase superior do capitalismo, tenha sido um dos conceitos marxistas mais perseguidos, justamente, por ser este conceito, que estabelece a necessidade urgente de uma revolução, que venha a emancipar os trabalhadores em escala planetária e acabar com a exploração da mão de obra e com a alienação do fruto do trabalhado da classe trabalhadora por parte de um punhado de burgueses. Precisamos nesse momento reafirmar a ciência dos trabalhadores e seus conceitos fundantes, contribuindo assim para o esclarecimento da situação e o estabelecimento da melhor orientação possível para a luta dos trabalhadores em escala planetária.

Nosso metodo de resposta será o metodo que usamos em outras oportunidades, colocando a integra do texto com a formatação de citação usual, aquela com uma linha azul a esquerda, e comentando, opondo os argumentos, quando outros autores forem citados, usaremos citações destacadas, aquelas que ficam no meio do texto, fazemos essa discriminação para melhor entendimento de quem esta lendo. Vamos ao texto:

A Russia é imperialista?

por Rodrigo Silva

Eu vi várias pessoas argumentando que a Rússia é imperialista, mas, até hoje, não vi ninguém usando os critérios leninistas pra isso. É o que eu vou fazer.

Iniciativa louvável do companheiro Rodrigo.

Só dois comentários antes:

– a posição econômica do país no mercado mundial não determina mecanicamente todas as situações políticas. Um país pode ser uma semicolônia e ter colônias (por exemplo, o Marrocos e o Saara Ocidental). Uma nação imperialista pode ser dependente politicamente de outra (por exemplo, Quebec). Etc. Sempre é preciso fazer uma análise concreta da situação concreta.

Até aqui temos acordo, os casos realmente parecem bastante complexos e a situação global também não é simples. Então é normal que exista certa confusão.

Aqui, eu estou usando os critérios leninistas. Não necessariamente eu concordo com toda a análise do Hilferding, que o Lênin popularizou. Principalmente porque, ao contrário da análise tradicional no marxismo, não existe um período de capitalismo de livre-concorrência no século XIX que depois foi substituído por um capitalismo monopolista. O capitalismo sempre foi caracterizado pela existência de monopólios, que sempre concorreram definindo preços. Quem fala muito bem sobre isso é o economista clássico Anwar Shaikh.

Existiria uma contradição entre o marxismo nascente e o marxismo maduro?

Aqui começam nossas divergências com Rodrigo Silva. No inicio do marxismo realmente não existiu uma determinação de um período monopolista, o que é normal, qualquer trabalho cientifico é assim, nem todas as características de um dado sistema são detectadas inicialmente, isso não implica que a detecção da fase imperialista, ligada não a aparição dos monopólios, mas a sua hegemonia, a posteriori, esteja em contradição com o inicio do trabalho de Marx. Trotsky escreveu no prefacio ao manifesto do partido comunista que nós resenhamos aqui

 Para o Manifesto, o capitalismo é o reino da livre concorrência. Referindo-se à crescente concentração do capital, o texto não tira deste fato a necessária conclusão a respeito dos monopólios, que se transformaram na força dominante do capitalismo em nossa época, premissa mais importante da economia socialista. Foi apenas mais tarde, em O Capital que Marx constatou a tendência para a transformação da livre concorrência em monopólio. A caracterização científica do capitalismo monopolista foi dada por Lênin em seu livro Imperialismo, Estágio Superior do Capitalismo.

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2021/11/12/a-atualidade-do-manifesto-do-partido-comunista-prefacio-a-primeira-edicao-do-classico-de-marx-engels-publicada-na-africa-do-sul/

Trotsky parece concordar que a caracterização do papel dos monopólios é posterior aos estudos iniciais de Marx e Engels. Plekanov em – a concepção marxista da historia- nos explica que

Em um certo estado de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que não é mais que a expressão jurídica disso, com as relações de propriedade no seio das quais se haviam movido até então. De formas de desenvolvimento das forças produtivas que eram, estas relações transformam-se em seus entraves. Abre-se então uma época de revolução social.

Certamente ambas as citações são, aparentemente, consistentes com a afirmação do economista que Rodrigo Silva cita, pois são afirmações de um marxismo maduro e não dos primórdios do marxismo. O que não quer dizer que sejam contraditórias com os primórdios do marxismo, na verdade o que escapa a essa critica é o salto de qualidade que o capitalismo passou no inicio do seculo xx. Contudo, em o manifesto do partido comunista Marx e Engels escrevem:

A burguesia durante seu dominio de classe apenas secular criou forças produtivas mais numerosas e mais colossais que todas as gerações passadas em conjunto

Marx & Engels – Manifesto do Partido COmunista Edições O Trabalho (1998)

Marx e Engels reconhecem assim a força do capitalismo nascente, a sua enorme capacidade, baseada no trabalho coletivo, de transformar a natureza para o interesse da humanidade, ou de parte dela, assim as forças produtivas, que representam tudo aquilo que faz a mediação entre o homem e seus interesses e a natureza, crescem como nunca cresceram. Diante disso, Marx e Engels explicam:

A subjugação das forças da natureza , as maquinas , a aplicação da quimica a industria e a agricultura , a navegação a vapor, as estradas de ferro, o telegrafo elétrico, a exploração de continentes inteiros, a canalização de rios ….que século anterior teria suspeitado que semelhantes forças produtivas estivessem adormecidas no seio do trabalho social?

Logo, é possível entender, o que são as essas enormes forças produtivas criadas no capitalismo e quais os benefícios de unir pessoas para trabalharem coletivamente de forma coordenada.

Marx & Engels explicam que o capitalismo nasce no seio do modo de produção feudal:

Em certo grau do desenvolvimento desses meios de produção e de troca, as condições em que a sociedade feudal produzia e trocava, a organização feudal da agricultura e da manufatura em suma, o regime feudal da propriedade deixam de corresponder as forças produtivas em pleno desenvolvimento. Entravam a produção em lugar de impulsiona-la

a então quer dizer, que o regime feudal, o poder dos reis da monarquia baseada em um forma rural de trabalho, onde a produção era basicamente feita por grupos pequenos de indivíduos trabalhando de forma descoordenada, em dado momento, engendrou uma contradição tão grande em seu seio, que colocava sua própria existência em risco e, essa contradição vinha de sua própria natureza, eram as características intrínsecas do modo de produção que estavam na origem da crise. Será que isso também não pode ocorrer com o capitalismo? É exatamente isso que Marx e Engels explicam;

As forças produtivas de que dispõem não mais favorecem o desenvolvimento das relações de propriedade burguesa

Então sim, Marx & Engels identificam um momento em que as forças produtivas, antes desenvolvidas pela burguesia, voltam-se contra a própria burguesia gerando crises, então existe na concepção marxista , uma virada dentro do modo de produção capitalista. Uma virada que consistiria em uma nova fase do desenvolvimento do capitalismo.

De que maneira consegue a burguesia vencer essas crises

Marx e e Engels explicam

De um lado pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas

Costumamos chamar essa pratica de guerra e, neste caso, a analise empírica de Michael Roberts implica que o imperialismo precisa de uma guerra ver aqui. Marx e Engels continuam

Por outro, pela conquista de outros mercados e pela exploração mais intensa dos mercados já dominados

A dita globalização é uma confissão do sistema da propriedade privada dos meios de produção de que os mercados mundiais estão todos dominados, não existem novos mercados a serem explorados, o acumulo de lixo ( ver Aquecimento global e a destruição das forças produtivas Ciencia dos Trabalhadores numero 1) denuncia a crise de superprodução, o rebaixamento de nível de vida dos trabalhadores em escala planetária v aqui, faz a mais importante denuncia, que é o aumento do nível de exploração da classe trabalhadora. Portanto, o marxismo, mesmo em sua aurora, já concebia que existiria uma fase em que o capitalismo entraria em contradição com as próprias forças produtivas que ele engendrou, a concepção já existia, poderia ser grosseira e ainda imatura, justamente porque o marxismo é resultado de pesquisa e estudo e não de revelação divina. É normal que teorias cientificas em seus primórdios adotem hipóteses, que depois sejam obrigadas a abandonar, isso não faz uma teoria cientifica pior que outra, isso é próprio do metodo cientifico, mas não foi esse o caso com a formulação do imperialismo como uma fase particular do capitalismo. Assim não é verdadeira a tese defendida por Rodrigo Silva e o economista que ele citou. A concepção de uma época ascendente e de uma época em que o capitalismo estaria decadente esta na origem do marxismo.

Rodrigo Silva negligencia o papel parasita do capital financeiro

Voltemos ao texto de Rodrigo Silva, que trata nas próximas linhas da questão financeira

Além disso, o Hilferding (e o Lênin) deram uma ênfase excessiva ao poder do capital bancário. No caso do Hilferding, isso levou à conclusão reformista de que era só expropriar os principais grupos financeiros, que um governo socialista já teria o controle da economia nas mãos. Os bancos são um componente importante das multinacionais imperialistas, mas não são o principal. Essa teoria do domínio dos bancos levou a outras teorias erradas hoje, como a da financeirização, que é criticada aqui pelo economista marxista Michael Roberts.

Sejamos um pouco mais preciso do que foi Rodrigo Silva, alias o próprio Michael Roberts comenta no artigo linkado por Rodrigo Silva

Mas o que significa o termo “financeramento” e agrega valor à nossa compreensão das contradições do capitalismo moderno e nos guia para a política certa para mudar as coisas? Eu não acho. Isso ocorre porque ou o termo é usado tão amplamente que fornece muito pouca visão extra; ou é especificado de forma a ser teoricamente e empiricamente errado.

https://thenextrecession.wordpress.com/2018/11/27/financialisation-or-profitability/

Lamentavelmente, quando lemos textos e analises de pessoas que reivindicam a esquerda, encontramos este tipo de problema, a falta de rigor com os conceitos, o fato do marxismo não ser classificada pela epistemologia burguesa como uma ciência exata, não os autoriza a tratar os conceitos do marxismo com o lamentável desleixo que tratam e parece que este é o caso de Rodrigo Silva . Mas, afinal de contas, do que Michael Roberts esta reclamando?

O conteúdo da financerização sob estes termos nos leva muito mais longe, especialmente a abordagem Krippner. A definição de Krippner nos leva além da teoria da acumulação de Marx e em um novo território onde o lucro pode vir de outras fontes além da exploração do trabalho.

Michael Roberts esclarece a divergencia que tem com a tal financeirização

Para mim, a financerização é uma hipótese que olha apenas para os fenômenos superficiais da crise financeira e conclui que a Grande Recessão foi resultado de imprudência financeira por parte de bancos não regulamentados ou de um “pânico financeiro”. Marx reconheceu o papel do crédito e da especulação financeira. Mas, para ele, o investimento financeiro foi um fator de contração à tendência de queda da taxa de lucro na acumulação capitalista. O crédito é necessário para lubrificar as rodas do comércio capitalista, mas quando os retornos da exploração do trabalho começam a cair, o crédito se transforma em dívida que não pode ser paga ou em serviço. É isso que a escola de finanças não pode explicar: por que e quando o crédito se transforma em dívida excessiva?

Lenin não faz isso, não é essa a consideração de Lenin acerca do papel dos bancos e do mercado especulativo, não há, em imperialismo fase superior do capitalismo, qualquer hipótese de que o setor especulativo possa existir sem a existência da produção. Rodrigo Silva esta totalmente equivocado. Citemos Lenin, a citação abaixo é extraída do capitulo -O parasitismo e a Decomposição do Capitalismo-

Resta- nos examinar outro aspecto muito importante do imperialismo , ao qual não se tem dado a devida atenção nos estudos precedentes sobre o tema. Um dos defeitos do marxista Hilferding consiste em ter dado, neste campo, um passo atras ao não marxista Hobson. Referimo-nos ao parasitismo caracteristico do imperialismo

Vladimir Lenin -IMperialismo Fase SUperior do Capitalismo – Editora Nova Palavra (2007)

Então existe uma critica ao Hiferding do próprio Lenin em seu livro sobre o imperialismo. Parece que Lenin não apenas popularizou o trabalho de Hilferding como diz Rodrigo Silva, então mais um erro conceitual. Qual seria então essa critica que Lenin faz a Hilferding?

Como vimos, a base economica mais profunda do imperialismo é o monopolio. O monopolio é capitalista, isto é, nasceu do capitalismo e, estando no ambiente geral do capitalismo, da produção mercantil, da concorrência esta em contradição constante com o ambiente geral

a então Lenin identifica a contradição inerente do capitalismo, como para o manifesto do partido comunista o capitalismo é o reino da livre concorrência, uma hora, alguém vence a concorrência e cria o monopólio. Voltamos a Lenin e vejamos como ele entende a relação do capital bancário, o chamado rentismo, e sua relação com o capital produtivo.

O imperialismo é uma enorme acumulação num pequeno numero de paises de um capital-dinheiro que, como vimos atinge a soma de de 100 a 150 bilhões de francos em títulos . Dai o incremento extraordinário da classe, ou melhor dizendo, da camada de rentistas , ou seja, de indivíduos que vivem do “corte de cupons de titulo” estranhos a produção e cuja profissão é a ociosidade

Lenin ressalta que os rentistas são uma camada da burguesia e não uma nova classe, o marxismo divide as classes sociais quanto a posse dos meios de produção e a burguesia é a proprietária dos meios de produção, então os rentistas são uma camada da burguesia. Aqui ja vemos que Rodrigo Silva esta equivocado em sua leitura da obra de Lenin

Continuemos a citação acima

A exportação de capitais, uma das bases econômicas essenciais do imperialismo, acentua ainda mais este divorcio entre o setor rentista e a produção, imprimindo na totalidade do pais, que vive da exploração do trabalho de paises subordinados e das colonias , uma marca de parasitismo

Por todo o capitulo, Lenin reafirma o parasitismo do capital especulativo e do setor rentista, portanto Lenin não considera a existência de um tipo de “ciranda financeira” que possa ser alimentada pelas próprias finanças, mas sim que o setor rentista baseado no traballho, acrescenta ao lucro extraido da exploração do trabalho os lucros do rentismo, assim o rentismo é um parasita. Lenin no capitulo sobre o papel dos bancos fala da interpenetração entre bancos e setor industrial, que nós explicamos aqui, porem nosso próprio texto mereceria uma emenda, pois desconsideramos o fenômeno recente das empresas zumbis, que sobrevivem unicamente do apoio governamental veja aqui, em outros textos , voltaremos a este tema. Diante de tudo isso, a unica conclusão é que a critica de Rodrigo Silva não corresponde aos fatos.

Voltamos a Rodrigo Silva

O papel da Russia e a luta contra o imperialismo

Muitas pessoas, ao negar que a Rússia seja imperialista, estão usando critérios militares. Duplamente errado. Em primeiro lugar, porque a Rússia é a terceira potência militar do mundo, e em segundo lugar porque o critério para definir se um país é imperialista é econômico, não militar, a não ser que esteja sendo usada outra teoria do imperialismo, como a do Max Weber (que colocava qualquer tipo de colonialismo como imperialismo, por exemplo, colocando o Império Romano na mesma categoria dos imperialismo do século XX) ou do Joseph Schumpeter (que achava que o imperialismo era um resquício dos antigos impérios feudais).

Esse trecho da critica de Rodrigo Silva esta perfeito, nada temos a destacar. Salvo que a Russia é a terceira potencia militar, mas passa longe de ser uma potencia econômica

Novamente Rodrigo Silva

Quais eram os critérios do Lênin?

Depois de toda essa explanação Rodrigo Silva começa a explicar o que seria o imperialismo a citação a Lenin abaixo é do texto de Rodrigo Silva, por isso manteremos com a mesma formatação que estamos usando para citar trechos do seu texto

Por isso, sem esquecer o caráter condicional e relativo de todas as definições em geral, que nunca podem abranger, em todos os seus aspectos, as múltiplas relações de um fenômeno no seu completo desenvolvimento, convém dar uma definição do imperialismo que inclua os cinco traços fundamentais seguintes: 1) a concentração da produção e do capital levada a um grau tão elevado de desenvolvimento que criou os monopólios, os quais desempenham um papel decisivo na vida econômica; 2) a fusão do capital bancário com o capital industrial e a criação, baseada nesse “capital financeiro” da oligarquia financeira; 3) a exportação de capitais, diferentemente da exportação de mercadorias, adquire uma importância particularmente grande; 4) a formação de associações internacionais monopolistas de capitalistas, que partilham o mundo entre si, e 5) o termo da partilha territorial do mundo entre as potências capitalistas mais importantes.

Essa é uma citação explicita de um trecho de -Imperialismo fase superior do capitalismo- é a segunda vez que essa citação aparece aqui no blog, a primeira foi no primeiro texto da serie –O que é o imperialismo?– Abaixo retomamos a explicação de Rodrigo Silva acerca das características do imperialismo

1) Monopólios

Aqui nós temos uma lista dos principais monopólios russos, com o valor de mercado e aqui a capitalização dos valores de mercado delas. A Rússia não produz só petróleo como uma Arábia Saudita da vida. O capitalismo russo é mais desenvolvido que dos outros países do antigo grupo dos BRICS, como o Brasil e a África do Sul, ainda está pelo critério da produtividade por hora por trabalhador à frente da China e está um pouco atrás de outros países imperialistas de segunda linha, como Portugal e Grécia.

Nessa parte existe um erro, as definições de imperialismo de Lenin são aplicáveis a época imperialista, claro que existem países imperialistas, que são imperialistas por possuírem mais monopólios relativamente a outros países e não de forma absoluta, Rodrigo Silva tenta comparar a economia Russa com países claramente semi-coloniais, isso é um grave equivoco, o resultado dessa comparação, é que a Rússia não é imperialista , pois o imperialismo é uma época em que a tendência é a concentração em certos países e não a distribuição. Contudo, Rodrigo Silva faz uma aplicação descuidada, não ressalta neste ponto que imperialismo é uma fase do modo de produção capitalista e por isso tem dificuldade de tirar as lições que o conceito permite, o entendimento do companheiro Rodrigo Silva fica então prejudicado. Vejamos agora o que Lenin fala sobre o capitalismo Russo .

No boletim do Instituto Internacional de Estatistica , A. Neymarck publicou os dados mais pormenorizados , completos e susceptiveis de comparação sobre as emissões de titulos em todo o mundo.

Esses titulos a que Lenin se referi, são titulos associados ao mercado financeiro, então essa é uma forma de medir a concentração de um dado pais no mercado financeiro. Vejamos os dados , que são correspondentes a quatro décadas:

Inglaterra 142

EUA-132

França -110

Alemanha-95

Russia-31

os dados estão em bilhões de francos em valores de 1910. Lenin tirar a seguinte conclusão destes dados :

Vê-se imediatamente com que força se destacam os quatro paises capitalistas mais ricos, que dispõem aproximandanete de 100 a 150 bilhões de francos em titulos.

Lenin ainda informa que os quatro juntos tem cerca de 80% do capital financeiro mundial.

Então no periodo pré-primeira guerra era muito dificil dizer que a Russia seria imperialista e curiosamente os quatro paises, que estavam a frente da Russia, são os mesmos quatro grandes lideres da OTAN, como o imperialismo tende a concentração e, esta concentração apenas aumentou neste um seculo que nos separa desta analise, como atesta o trabalho da revista FORBES, por este critério a Russia não pode ser considerada imperialista.

2) Capital financeiro

A Rússia tem uma participação relativamente baixa no mercado financeiro, o que é uma herança do período soviético. Mesmo assim, a participação é maior do que da Itália, Portugal ou Grécia, pelo critério da capitalização em proporção ao PIB.

o próprio Rodrigo Silva constata então que a Russia não pode ser imperialista, pois não esta nem de longe comparável aos quatro grandes paises da lista da FORBES

3) Exportação de capitais

A exportação de bens de capital russa é maior do que a da Itália e EspanhaAqui tem um histórico dos investimentos diretos no exterior feitos pela Rússia entre 1994 e 2021, com os países que mais recebem.

A Rússia é muito conhecida por seus bilionários que investem fora do pais v aqui, informa matéria em O Globo, que esses bilionários perderam 39 bilhões em apenas um dia, após o inicio da ação militar na Ucrânia e a maioria das sanções estão atingindo intensamente esse grupo, o que os coloca em linha de choque contra Putin. Esse fato levanta claramente a hipótese de que a ação militar de Putin tenha sido defensiva, pois não esta, de imediato trazendo vantagens para sua “burguesia nacional”. O termo burguesia nacional foi posto entre aspas por motivos que explicaremos em outro lugar.

4) Associações monopolistas

A Rússia criou a Comunidade Econômica Euroasiática para manter a sua influência econômica nos antigos países da URSS, e está associada com a China na Nova Rota da Seda.

Estamos na época do imperialismo, praticamente todos os paises possuem alguma associação monopolista em algum campo.

Países, não imperialistas não estão impedidos de terem suas associações monopolistas, inclusive porque o imperialismo acaba com a livre concorrência, mas não extingue a concorrência, como comentamos em texto traduzido do Michael Roberts, onde ele comentar acerca da concorrencia entre grupos monopolistas.

5) Divisão do mundo entre as potências

Além da disputa de influência na área da antiga URSS (que é o motivo do conflito interimperialista de agora), a Rússia tenta se projetar no Oriente Médio (SíriaIrã etc) e Venezuela.

Argumento lamentável, parece teoria da conspiração, a OTAN expande seu domínio sobre o mundo todo, os EUA tem a moeda de transações internacionais.

Rodrigo Silva esta totalmente descolado da realidade, vejamos aqui os resultados da  International Initiative for the Promotion of Political Economy (IIPPE) realizada em 2021 , esta é uma conferencia de economistas, em sua maioria marxistas empíricos, ou seja , que estudam os números do mercado econômico mundial, o trabalho de Michael Roberts apresentado nesse evento demonstrou os valores que os países semicoloniais pagam de tributo aos países imperialistas, que segundo Michael Roberts .

Os países imperialistas são os mesmos “suspeitos habituais” que Lênin identificou em sua famosa obra, o Imperialismo, há cerca de 100 anos. Nenhuma das chamadas grandes “economias emergentes” está fazendo ganhos líquidos no comércio ou investimentos – na verdade, são perdedores líquidos para o bloco imperialista – e isso inclui a China. De fato, o bloco imperialista extrai mais valor excedente da China do que de muitas outras economias periféricas. A razão é que a China é uma enorme nação comercial; e também é tecnologicamente atrasado comparado ao bloco imperialista. Assim, dado os preços de mercado internacionais, perde parte do valor excedente criado por seus trabalhadores através do comércio para as economias mais avançadas. Esta é a explicação marxista clássica da “troca desigual” (UE).

Outro economista Jonh Smith fez um trabalho diferente, indo alem das trocas comerciais desiguais, amplamente vantajosas aos paises imperialistas, Jonh Smith considerou também o nivel de exploração nos paises semicoloniais

Os trabalhadores do Sul Global(Nota de C&T esse termo é usado para designar os paises semicoloniais) tiveram seus salários impulsionados abaixo até mesmo dos níveis básicos de reprodução e isso permite que as empresas imperialistas extraam enormes níveis de valor excedente através da “cadeia de valor” do comércio e das marcações intra-empresas globalmente. 

Rodrigo Silva chega as suas primeiras conclusões, depois de sua equivocada analise dos critérios leninista

Isso é o que podemos dizer a partir dos critérios leninistas. Eles não devem ser aceitos acriticamente. Por exemplo, o Lênin já falava em outros graus intermediários entre colônia, semicolônia e país imperialista.

Não mesmo, essa afirmação contradiz a afirmação de que a época imperialista implica em uma grande concentração de capitais nas mãos de poucos, que é um fenômeno reconhecido e que gera em diversos países as chamadas medidas anti-truste, que discutimos na parte 1 da seria “O que é o imperialismo?” . Neste sentido, o comentário do economista Michael Roberts nos esclarece sobre a Russia

E a Rússia não é uma super potência, econômica ou politicamente. Sua riqueza total (incluindo mão-de-obra e recursos naturais) está muito abaixo da liga em comparação com os EUA e o G7.

Nos fatos a Russia sofreu por décadas com a pilhagem imperialista , como repercutimos aqui e aqui . Voltando aos resultados a IIPE-2021, conferencia internacional dos economistas. Vemos que os resultados deste evento reafirmam o quanto Rodrigo Silva esta errado, resumiremos a analise deste evento na citação abaixo.

A grande esperança da década de 1990, promovida pela economia do desenvolvimento que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) logo se juntariam à rica liga até o século XXI, provou ser uma miragem. Esses países permanecem também rans e ainda são subordinados e explorados pelo núcleo imperialista. Não há economias de classe média, no meio do caminho, que poderiam ser consideradas como “sub-imperialistas”, como alguns economistas marxistas argumentam. O rei mostra que o imperialismo está vivo e não tão bem para o povo do mundo. E a distância entre as economias imperialistas e o resto não está diminuindo – pelo contrário. E isso inclui a China, que não se juntará ao clube imperialista.

https://thenextrecession.wordpress.com/2021/09/30/iippe-2021-imperialism-china-and-finance/

Frente Única anti-imperialista

O imperialismo é a força mais poderosa do planeta, é dos salões acarpetados, que, primeiramente a burguesia Estado-Unidense e depois a burguesia anglo-franco-alemã decide o futuro do planeta e os níveis de exploração a que vão submeter os trabalhadores. Diante disso, diante destes resultados empíricos expostos acima voltamos ao texto de Rodrigo Silva para avaliarmos suas conclusões

Rodrigo Silva escreve:

No mundo de hoje, eu diria, que a cadeia imperialista é: EUA — imperialismo europeu (que tem interesses parcialmente contraditórios com as burguesias alemã, francesa e inglesa- imperialismos de segunda linha (por questões geográficas, os imperialismos russo e chinês são imperialismos de segunda linha que cumprem o papel de potências regionais — por enquanto, a China está se projetando internacionalmente), subimperialismos (Brasil, África do Sul, Índia etc., países dependentes mas associados ao imperialismo), países capitalistas dependentes (= industrializados), semicolônias e colônias.

É até difícil responder esse trecho, devida ao tamanho absurdo, não existem essas gradações em uma época de superconcentração de capitais a distância entre as potencias e os países dominados é cada dia maior, como vimos acima. Contudo, frente a esta afirmação fora da realidade, somos obrigados a ser enfadonhos e repetir a citação acima

A grande esperança da década de 1990, promovida pela economia do desenvolvimento que Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS) logo se juntariam à rica liga até o século XXI, provou ser uma miragem. Esses países permanecem também rans e ainda são subordinados e explorados pelo núcleo imperialista. Não há economias de classe média, no meio do caminho, que poderiam ser consideradas como “sub-imperialistas”, como alguns economistas marxistas argumentam. O rei mostra que o imperialismo está vivo e não tão bem para o povo do mundo. E a distância entre as economias imperialistas e o resto não está diminuindo – pelo contrário. E isso inclui a China, que não se juntará ao clube imperialista.

https://thenextrecession.wordpress.com/2021/09/30/iippe-2021-imperialism-china-and-finance/

O que não podemos resolver com essa caracterização é a visão de que o imperialismo é uma característica de meia dúzia de países e que qualquer contraponto a eles é válido.

Aqui esta o problema, o imperialismo é justamente uma característica de meia dúzia de países, na verdade são quatro países(EUA, Inglaterra, Alemanha e França), o que reflete a superconcentração e a tendência ao monopólio, esses países representam o maior poder do planeta, são os responsáveis pelas guerras e pela exploração de toda a classe trabalhadora Mundial. A esse minúsculo grupo de países, ou melhor burguesias imperialistas, detentores do poder econômico, logo do poder politico, é muito difícil opor qualquer resistência. Basta ver o numero de conflitos a que OTAN esteve envolvida nestes 70 anos, que merecem também um artigo a parte. Nesse sentido, Rodrigo Silva não entende a frente única anti-imperialista, que é a unidade dos trabalhadores contra as forças das principais burguesias imperialistas. Essa unidade da classe trabalhadora, por muitas ocasiões deve defender inclusive ex-agentes do imperialismo, que por resolverem opor resistência limitada ao imperialismo caem em desgraça frente a este mesmo imperialismo, esse é o caso de Putin, essa unidade em hipótese alguma coloca qualquer tipo de dependência dos trabalhadores e suas organizações para com esses agentes, que podem, eventualmente voltar ao posto de agentes do imperialismo.

Voltamos ao texto de Rodrigo Silva

Essa posição não se baseia em nenhum critério econômico nem mesmo militar, como nós vimos, é um instinto primário e revanchista contra os Estados Unidos e a Europa, que existe como um reflexo simplório da situação da Guerra Fria. Nesse caso, não é possível um convencimento, você vai explicar toda a situação e a resposta vai ser “mas o Putin tem que se defender da OTAN” mesmo que a “defesa” implique invadir um país soberano.

Reflexo simplório? O que foi explicado acima ja mostra o quanto Rodrigo Silva esta errado.

Ironicamente, essa visão levou vários partidos comunistas no Canadá, na Europa etc a apoiarem as burguesias dos seus próprios países nas últimas décadas, com o argumento de que era necessário resistir ao imperialismo americano. Nesse caso, trocaram uma análise de classes pela geopolítica, que trata das disputas de poder e território entre Estados. Quem faz isso, necessariamente, vai apoiar quem controla alguns desses Estados, ou seja, a classe dominante deles.

Em quais ocasiões isso aconteceu? Os partidos Socialistas da Europa sempre apoiaram as iniciativas da OTAN, inclusive enviando tropas. Nunca cogitaram a retirada de seus paises desta associação, mesmo quando estiveram no governo. ver aqui , aqui, uma exceção digna de nota esta aqui uma timida nota dos Comunistas Franceses criticando a criação por parte da OTAN de

uma força de reação rápida, identificada como a verdadeira ponta de lança, capaz de mobilizar 800 soldados em 48 horas e até sete mil em uma semana, destaca o PCF em um comunicado.

https://vermelho.org.br/2014/09/09/comunistas-franceses-advertem-sobre-corrida-armamentista-da-otan/

é necessário a sublinhar que essa nota é de 9 de setembro de 2014, vemos que essa força de ação rápida tinha como objetivo:

Precisa o texto que esta força se instalará na Romênia, Polônia e nos países bálticos fronteiriços com a Rússia pela primeira vez após a desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

A nota do PCF continua

Os comunistas franceses ressaltam o paradoxo de adotar esta posição depois do acordo de cessar-fogo assinado entre o governo da Ucrânia e as repúblicas de Donestsk e Lugansk, o que constitui uma verdadeira oportunidade para pôr fim ao conflito nesse país.

O PCF deseja a suspensão total das operações militares na Ucrânia e a abertura de verdadeiras negociações que levem em conta os interesses de todos os seus cidadãos.

Logo a nota do PCF não pede em hipótese alguma a saida da França da OTAN, apenas aconselha a OTAN a não escalar um conflito, como vimos, nem mesmo essa tímida nota foi ouvida pela OTAN. Então essa acusação contra as organizações dos trabalhadores não procede. A acusação oposta, a acusação de ficar ao lado do imperialismo, parece muito mais pertinente.

Rodrigo Silva continua seu texto

Mesmo que não fosse uma guerra imperialista, seria correto ser contra, adotando o ponto de vista dos interesses dos trabalhadores como um todo (que é o único critério válido para um socialista).

Essa falha na argumentação de Rodrigo Silva encontra resposta também no conhecimento acumulado pela classe operária organizada, citemos abaixo as teses da Internacional Comunista sobre as questões do Oriente

A negativa dos comunistas das colônias em tomar parte na luta contra a opressão imperialista, sob o pretexto de “defesa” exclusiva dos interesses de classe, representa um oportunismo da pior qualidade e que não pode mais que desacreditar a revolução proletária no Oriente. Não menos nociva é a tentativa de manterem-se apartados da luta pelos interesses cotidianos e imediatos da classe trabalhadora, em uma “unificação nacional” ou uma “paz social” com os democratas burgueses. 

https://serviraopovo.wordpress.com/2017/08/19/teses-gerais-sobre-a-questao-do-oriente-v-i-lenin-1922/

Portanto, a pouco provavel aliança dos partidos e organizações operarias as suas burguesias nacionais contra o inimigo externo, sob justificativa do imperialismo, é um erro equivalente ao erro cometido pelo companheiro Rodrigo Silva. Embora Rodrigo Silva o cometa por uma leitura teórica equivocada, resultado da marginalização e perseguição que o conceito de imperialismo, como fase superior do capitalismo tem sido vitima.

Essa não é uma guerra por libertação nacional de um povo (pelo contrário), nem é uma guerra revolucionária para mudar a sociedade.

Retomando aqui, mais uma vez o texto do PCF de 2014, ainda que essa não seja uma guerra clássica de libertação nacional, o motivo explicaremos em outro lugar, não se pode negar o conteúdo de defesa nacional contra a burguesia imperialista mais poderosa e não se pode negar, ainda mais, que esse ataque quebrou os plano de reposicionamento das quatro burguesias imperialistas, esse reposicionamento ficou comprometido e pode abrir uma perspectiva de enfraquecimento do controle exercido pelo partido democrata dos EUA e suas ONGS sobre as organizações operarias em escala global. ver aqui e aqui

O único motivo porque eu entrei na questão da caracterização da Rússia como país imperialista é que essa tem sido a principal desculpa para justificar a invasão, e eu quis mostrar que esse argumento é ridículo.

E fracassou de forma retumbante, pois o argumento não é ridiculo

Para mais uma vez citar o careca:

Após dizer que Lenin estar errado Rodrigo Silva cita Lenin para justificar sua posição anti-leninista.

Do ponto de vista da justiça burguesa e da liberdade nacional (ou do direito das nações à existência), a Alemanha teria incontestavelmente razão contra a Inglaterra e a França, pois ela foi «privada» de colônias, os seus inimigos oprimem incomparavelmente mais nações do que ela, e na sua aliada, a Áustria, os eslavos oprimidos gozam sem dúvida de maior liberdade do que na Rússia tsarista, essa verdadeira «prisão dos povos». Mas a própria Alemanha não faz a guerra pela libertação mas pela opressão das nações. Não cabe aos socialistas ajudar o bandoleiro mais jovem e forte (a Alemanha) a roubar os bandoleiros mais velhos e saciados. Os socialistas devem utilizar a luta entre os bandoleiros para os derrubar a todos.

Realmente não cabe aos trabalhadores e suas organizações ajudarem a qualquer bandoleiro. O que acabe é entender, que a briga entre os bandoleiros eventualmente pode causar crises entre os mesmos bandoleiros e fragilizar sua unidade. A guerra, é em si, algo a ser condenado, os motivos da guerra as forças que disputam e o que esta em disputa é algo a ser entendido e Rodrigo Silva não entende o que esta em jogo, por isso essa ultima citação do Lenin esta totalmente fora do contexto, comparando um pais imperialista a Alemanha , com a Russia , que como vimos, contradiz inclusive os interesses de seus oligarcas com essa ação, o que fortalece que essa tenha sido uma ação defensiva.

Lulu Silva Telles: Algumas perspectivas sobre a crise na Europa

Publicamos mais uma tribuna livre da luta de Classes. Onde a companheira Lulu Silva Telles analisa brevemente algumas perspectivas pós conflito na Europa, frente a crise de decomposição do capitalismo mundial. Nós temos diferenças com o texto, como temos diferenças com diversos outros textos assinados aqui na revista . Contudo, o livre debate entre trabalhadores é a única forma real de discutirmos o que fazer no combate pela emancipação dos próprios trabalhadores

Algumas perspectivas sobre a crise na Europa

por: Lulu Silva Telles

A popularidade do Puttine subiu, o meu amigo liberal vai dizer que é propaganda que eu não vi entrevista com o psiquiatra specialista da CNN que o diagnosticou como paranóico. Puttine o sanguinário paranóico rsrsrs Eu não vou discutir se as tentativas diplomáticas estavam esgotadas ou não porque não sei. Eu também como todos tenho horror a guerra. Mas sem dúvida alguma a invasão já mudou o mundo e isso é fato. A hipocrisia do mundo ocidental foi desvendada. Os paises destruídos pela OTAN estão sendo ouvidos. A assembleia da ONU deixou evidente a oposição dos países colonizados. A democracia européia está sendo “obrigada” a censurar o contraditório e com isso dividindo sua opinião pública bem formada, capaz de pensar, ligar dois pontos. Dá pra ver e medir na guerra midiática eles sabem eles estão vendo e francamente avaliação à distância da personalidade do Puttine é assim o fundo do poço. Se, que é minha aposta, Alemanha sai da OTAN levando a França pela mão, o imperialismo estará dividido e uma nova realidade e mentalidade pós colonial pode ser almejada, discutida, escrita, documentada e assinada. O enfraquecimento do imperialismo pela ação do Puttine é o que importa no “after math” é a isso que os de esquerda temos que ajudar a concretizar apoiando os Russos e todos os povos do mundo. Por outro lado o imperialismo não vai aceitar esse desrespeito aos seus negócios e aos seus oligarcas e vão tentar forçar a mão armando ainda mais esse nazismo nojento crescente e ai entra a China que no momento parece ambígua dando uma no cravo e outra na ferradura. Mas sabemos bem pra onde o Partido Comunista da China vai. Em tempo: o Partido Comunista da Russia é o segundo maior partido hoje faz oposição ao partido de Puttine mas apoia a invasão da Ucrânia. É minha opinião, é como examino o tabuleiro, materialismo dialético. O bolso tá querendo 10% dos dois lados kk Lula quer o prêmio Nobel, vai entender…

Voz Operaria: QUEM DEFENDE A PAZ E A SOBERANIA NACIONAL DOS PAÍSES, É OBRIGADO A DEFENDER O FIM DA NATO

Via Voz Operaria

Após o anúncio do governo da Federação Russa de iniciar a Operação Militar Especial, nos marcos dos Acordos de Cooperação Mútua Militar firmados com as Repúblicas Populares do Donbass, muitas organizações políticas do campo progressista pelo mundo e no Brasil se posicionaram à favor de uma saída diplomática e pelo fim da intervenção militar russa.

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Porém, analisando o posicionamento político dessas organizações, fica evidente que a maioria, se não a totalidade dessas entidades, esqueceram de denunciar o papel que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, em inglês) joga para desestabilizar e agredir países soberanos pelo mundo. Ignoraram de forma cínica o golpe de Estado na Ucrânia de 2014 e o genocídio contra a população de Donbass impetrado pelo regime fascista de Kiev. 

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Passados mais de 30 anos desde o fim da União Soviética, o álibi utilizado pela organização que era “conter o avanço do comunismo”, não existe mais. Porém, esse não foi nenhum problema para seguirem sua expansão. A NATO reciclou o seu discurso e não deixou de fazer “big bang militar”, ou seja, a expansão constante e sem limites de instalações de bases militares.   

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), reproduz a posição das organizações sociais-democratas da Europa, que falam de respeito das “leis internacionais” e de “paz imediata”. Posição que não é só compartida pela socialdemocracia europeia, mas também pelo próprio Departamento de Estado dos Estados Unidos, que exigem o “fim imediato das hostilidades de forma unilateral”, apenas para os russos, na mais pura demagogia, quando por outro lado a NATO sob comando dos norte-americanos, entope o Leste Europeu com seus armamentos, assediando as fronteiras com a Rússia.

Na base desse discurso do PT está o “respeito a institucionalidade internacional”. Mas como se pode falar de respeito leis internacionais, se a NATO vem desde muitas décadas descumprindo todos os acordos internacionais e são os maiores violadores das leis? Os EUA se comportam como um líder de uma quadrilha e os países da Europa são seus cúmplices, cometendo diversos crimes de lesa humanidade. Para defender o direito internacional e a paz é preciso antes de tudo defender o fim da NATO.

Nesses últimos 30 anos, a NATO dissolveu a Iugoslávia com bombardeios. Em seu lugar surgiram 7 novos países alinhados aos EUA, que de prontidão foram reconhecidos pela ONU. Processo esse que foi chamado de “Balcanização”. Depois da Sérvia vieram a invasão do Afeganistão, do Iraque, que era acusado pelos EUA de possuir “armas de destruição em massa” e que logo depois foi desmentida. A guerra na Líbia, Síria e Somália foram outros cenários onde não houve nenhuma exigência para aplicar o direito internacional e nem o princípio de não agressão dos Estados Soberanos, pelo Ocidente.

O conflito na Ucrânia foi a oportunidade para NATO recuperar seus lucros, que haviam perdido durante a crise de 2008 e a pandemia. Na Europa, os países da organização vinham reduzindo ano após ano o orçamento militar em defesa, porém nos últimos anos foram obrigados aumentar em 2% da sua receita para aplicar no fundo da NATO. Hoje, 70% dos gastos militares internacionais são da aliança.

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Hoje, Lula fala de “mesa de negociações”, porém serão os fascistas do Regime de Kiev que a esquerda internacional quer transformar em interlocutores? Os Estados Unidos são os grandes responsáveis por destruir qualquer posição política racional na Ucrânia, que nesse momento poderia sentar e negociar a paz com a Rússia. O golpe de Estado de 2014 de Washington contra a Ucrânia e a aplicação brutal do programa neoliberal, colocaram no poder radicais ultradireitistas que perseguiram e eliminaram a possibilidade de existência de qualquer posição política racional. Todos aqueles que se opunham as políticas de Kiev, logo eram acusados de “colaboradores da Rússia” e banidos de seus empregos e da política. Muitos políticos e jornalistas opositores foram assassinados a sangue frio pelas milícias fascistas apoiadas pelos EUA. Como esquecer dos 46 sindicalistas queimados vivos dentro da sede do sindicato em Odesa?

O presidente Lula novamente troca a política pelo marketing e publicidade. Ele apenas fala o que agradas as pessoas e não exerce o seu papel de liderança política, que deveria buscar a reflexão dos brasileiros para os problemas reais. É irritante afirmar o obvio, mas ninguém, a não ser os magnatas da indústria armamentista norte-americana e europeia, que querem guerra. A Rússia está buscando à décadas garantias para sua segurança com o Ocidente. Putin não tem nada de radical, ele é um político até muito moderado, pois vamos lembrar que ele se absteve da agressão da NATO contra a Líbia. 

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Ademais, Lula não pode ser considerado um Estadista, porque ele prova o uso da “paz e diálogo sem limites”, mesmo que em determinados momentos a defesa nacional exija aplicar o poder de persuasão militar contra os inimigos externos (EUA). O principio da paz não é um mantra dogmático que se aplica em todas as situações. Não queremos um “Papa de esquerda”, queremos um presidente com coragem para defender o Brasil.

Brasil não é Estados Unidos ou Europa onde as Forças Armadas servem unicamente para destruir a soberania de outros países, para o Brasil ter Forças Armadas verdadeiramente nacionalistas é uma questão chave para termos soberania. Mesmo sabendo que desde 1964 o nosso Exército é controlado pelos EUA. Um estadista precisa ter dimensão do poder e ter coragem para defender seu país. E não só ceder e ceder, como faz Lula.

Ele diz que “ninguém pode concordar com a guerra”, mas isso é outra falsa polêmica, porque foram os EUA que declararam guerra à Rússia e o pacifismo é suicídio. E convenhamos, nas guerras modernas não existe isso de enviar um memorando declarando guerra oficialmente. Colocar armamento pesado na fronteira e ameaçar a Ucrânia de se rearmar nuclearmente é agressão suficiente. Na verdade, esse pacifismo é uma farsa, é apenas retorico, porque quando presidente, Lula não pestanejou em enviar o Exército Brasileiro para o Haiti e para o Congo, e até mesmo para ocupar favelas no Rio de Janeiro.

A tarefa dos comunistas, nessa situação de alto grau de histeria na esquerda, deve ser o de explicar de maneira clara e firme, qual é a posição mais acertada para o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e pela consolidação das reivindicações nacionais. O exemplo do conflito na Ucrânia, onde esta nação serviu de Estado Satélite (colônia) do imperialismo para atacar um outro país de capitalismo atrasado, é bastante pedagógico para a evolução da consciência do proletariado brasileiro, na luta pela consolidação da soberania nacional do Brasil. Em nossa experiência recente na América-Latina, vimos as tensões provocadas pelo imperialismo norte-americano, em suas provocações, tentativas de invasões e assédios à fronteira da Venezuela, valendo-se de governos capachos como os do Brasil, Chile, Colômbia e Equador.

Antes de ter um país, não há possibilidade de haver socialismo. Por isso, a questão nacional, é a o elemento fundamental do caminho para o socialismo no Brasil e nos países de capitalismo atrasado dominados pelo imperialismo. E para se ter consolidação nacional nos países de capitalismo atrasado e o estabelecimento da paz mundial, é preciso acabar com a NATO e sua máquina de guerra.

As principais burguesias imperialistas reposicionam suas peças no tabuleiro mundial da luta de classes. Parte 3- O imperialismo precisa de uma guerra.

Um longo boom só é possível se houver uma destruição significativa dos valores de capital, física ou por desvalorização, ou ambos.

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2022/01/13/michael-roberts-para-onde-vai-a-economia-global/

A economia da principal potencia mundial, pátria da mais importante burguesia imperialista passa por serias dificuldades, talvez o termo mais ajustado seja desiquilíbrios, desiquilíbrios típicos de uma economia imperialista, que tem como motor a pilhagem de outras economias, além da exploração de sua própria força de trabalho, a classe operaria estado-unidense. Pelo fato de a economia estado-unidense ser a economia dominante, possuir, por exemplo, a moeda mundial que liquida dividas e o exercito mais poderoso do mundo, a economia dos EUA acaba fazendo sua todas as contradições do Planeta, que como foi analisado por Michael Roberts, em artigo que nós traduzimos, passa por serias contradições. Segundo Michael Roberts a economia mundial precisa de uma destruição maciça de “ativos” ou capitais, na linguagem dos economistas, na linguagem dos trabalhadores a destruição é de forças produtivas em escala ainda maior do que a que temos usualmente.

A Crise da Economia dos EUA

Apesar dos especialistas da Casa Branca tentarem passar a ideia de que a economia dos EUA vai bem, a realidade é bem outra v aqui. Segundo a revista Forbes a inflação nos EUA vem crescendo chegando a patamares inéditos em 40 anos.

https://thenextrecession.wordpress.com/2021/12/16/the-central-bankers-dilemma/

O motivo é que, mesmo antes da pandemia, os EUA vinham imprimindo dolares em uma taxa absurda para garantir o pagamento das próprias dividas e em 2020, segundo o Valor Investe,

os EUA estão arriscando um dos poucos diferenciais que restam ao país, que é seu privilégio de emitir a moeda que é aceita nas transações comerciais e financeiras globais. Para ele, quando o banco central americano imprime dinheiro para comprar ativos e o governo americano faz o mesmo para distribuir para a população, o dólar cada vez mais deixa de ter seu papel como reserva de valor.

https://valorinveste.globo.com/mercados/internacional-e-commodities/noticia/2020/07/14/eua-estao-abusando-do-privilegio-de-imprimir-moeda-reserva-global-diz-ray-dalio.ghtml

Nós explicamos na versão ebook de Ciência dos Trabalhadores, o papel do dolar como moeda mundial de liquidação de dividas, é justamente deste privilégio que a maior burguesia imperialista do Mundo esta abusando, o privilégio de imprimir a moeda a qual a própria divida é paga, segundo o Valor Econômico essa divida supera 30 trilhões de dólares e isso era um problema ainda antes da pandemia

http://br.advfn.com/jornal/2016/11/evolucao-da-divida-publica-americana-desde-1969-a-historia-contada-por-um-grafico

Esta é a raiz da impressão de dólares exagerada. Como a economia capitalista, em sua fase de profunda decomposição é incapaz de encontrar um estágio de equilíbrio, a solução de um problema acaba gerando problemas ainda maiores e uma escalada acaba acontecendo, agora os EUA convivem com uma moeda mundial, que vem passando por um tremendo processo de desvalorização, ainda que essa moeda, seja requisitada mundialmente como moeda de transações internacionais, o que a torna como um instrumento de pilhagem dos EUA contra outros países, ainda assim, como vemos , o direito de imprimir moedas sem gerar desvalorização é limitado.

A Balança Comercial dos EUA

Os dados do portal Investing, mostram que a balança comercial dos EUA tem acumulado resultados negativos. Balança comercial é a subtração entre aquilo que é exportado e aquilo que é importado, assim os EUA tem importado mais do que exportado.

https://br.investing.com/economic-calendar/trade-balance-286/

O que indica mais um desiquilíbrio conhecido como déficit comercial, que a agencia Reuters reporta ter alcançado maximo historico no ultimo dezembro. Segundo o Valor econômico. Somasse a isso os investimentos excessivos da economia dos EUA , que precisam agora ser retirados, deixando suas empresas ainda mais vulneráveis a concorrência com a China em particular e temos uma equação que tem como solução a necessidade de uma guerra para destruir concorrentes.

A necessidade de uma guerra

Na serie de artigos O que é o imperialismo? reportamos o crescimento , ou melhor, a hipertrofia do capital financeiro, que é, por natureza, um instrumento parasitário, pois embora tenha seu sustento na produção compete com esta mesma produção pelos investimentos. A pandemia reforçou esse fenômeno parasitário do capitalismo, gerando uma massa de capitais especulativos, sem qualquer base produtiva e sem espaço para encontraram uma valorização real na produção, em parte, pelos bloqueios pandêmicos, mas não na sua totalidade, dado que essa é a tendência do modo de produção capitalista em sua fase superior a fase imperialista. Pare resolver este problema é necessário uma destruição maciça de capitais. A burguesia imperialista parece optar por duas hipóteses para destruir capitais a fria e a quente.

A hipótese fria

A hipótese fria é explicada por Michael Roberts em seu artigo –O Dilema dos Bancos Centrais-, neste artigo Roberts comenta:

Assim, o Fed(Nota de C&T: banco central dos EUA) está em um dilema. Se “apertar” a política monetária “demais” e aumentar as taxas de juros “muito rapidamente”, pode fazer com que o custo do empréstimo para investir ou gastar suba ao ponto em que novos investimentos em tecnologia desaceleram e a demanda dos consumidores por produtos diminui e há uma crise econômica. Este é particularmente o caso, dado o alto nível recorde de dívida corporativa. Alternativamente, se não agir para reduzir e parar suas injeções monetárias e aumentar as taxas, então a inflação alta pode não ser nada transitória.

A ação fria do principal banco é aumentar a taxa básica de juros. O próprio Michael Roberts explica que esse aumento faria uma “poda” na economia e acabaria com os monopólios menos competitivos substituindo-os por outros mais competitivos, mas essa “poda” é por demais arriscada. Expliquemos, as consequências da ultima vez que os EUA fizeram um choque de juros foram desastrosas para o Mundo, comentamos sobre isso no artigo –A queda da União Soviética e as Guerras do petroleo-, nessa época os EUA fizeram um salto na taxa básica de juros elevando a divida dos países do Mundo todo, divida essa, que como já dizemos é paga em dólar. Contudo, essa ação neste momento poderia não ser tão bem sucedida, em especial , porque a China conta com uma enorme reserva cambial . E mesmo no choque de juros original os resultados não foram rápidos como lembra Michael Roberts

Claro, se o Fed recorrer às taxas de juros que produziram uma alta taxa de juro real positiva (ou seja, após a inflação), semelhante ao que o ex-presidente do Fed Volcker fez para acabar com as altas taxas de inflação dos anos 1970, isso poderia funcionar. A taxa de fundos federais atingiu um recorde de 20% no final de 1980, enquanto a inflação atingiu 11,6% em março. Mas, como Volcker descobriu, ainda levou anos para alcançar uma inflação mais baixa e só depois de sofrer a mais profunda crise econômica do período pós-guerra até 1980-82.

Então essa politica poderia debilitar a própria economia americana e, tornar a já instável situação politica em explosiva ver aqui . A situação é critica e o FED tem sinalizado que vai aumentar a sua taxa básica de juros, aumentando também a pilhagem sobre outros países através do recurso da divida. Em março, segundo o próprio FED, devemos ter o primeiro aumento.

A hipótese quente

Lembramos que segundo Lenin em Imperialismo Fase superior do Capitalismo, a atual fase do capitalismo pode ser definida como a fase das guerras e revoluções. Assim, uma guerra poderia gerar a destruição de forças produtivas que o capitalismo precisa para que a economia mundial possa crescer sobre as cinzas das destruição. É nesse cenário que a situação da Ucrania se enquadra. O informativo Voz Operária fez uma analise da situação .

No jogo de tentar conter a China, para casa Branca, a Ucrânia não seria nada mais que um peão para ser sacrificado. Desde 2014, Ucrânia está submetida a uma incessante histeria de propaganda vinda dos Estados Unidos, que busca criar uma desculpa para empurrar o país para um conflito armado com a Rússia. Se por um lado as armas entregues pela NATO não são suficientes para conter as Forças Armadas da Rússia, por outro poderia criar o álibi que os Estados Unidos tanto buscam. Essas armas poderiam criar um conflito entre milicianos armados pela CIA, inclusive organizações neonazistas, e os independentistas da região e Donbás, nas províncias de Donestsk e Lugansk, arrastando a Rússia para o conflito.

https://vozoperariarj.com/2022/02/02/ucrania-eua-vs-russia-ou-na-verdade-uma-guerra-contra-a-china/?fbclid=IwAR1GUowiLtt0xKtDqlFkoH1k95Jubvh8PNnnbeP2gkIXqBrJxSGHXudTsXY

Deixando claro que, aqui nós chamamos de hipótese fria e quente apenas para efeitos pedagógicos, efetivamente, no fim, os trabalhadores sairão prejudicados em qualquer hipótese, ou mesmo em uma combinação delas, que foi o caso da ultima alta de juros do FED na década de 1970 , que veio seguida pela Guerra do Yom Kipper.

O papel das organizações dos trabalhadores na luta contra a guerra

Vamos deixar esse tema para o próximo artigo.

Lulu Silva Telles: Foi a burguesia de dentro e de fora que colocou os fascistas milicianos no poder!

O setor da sociedade que está no poder hoje é o que diz “bandido bom é bandido morto” quem colocou esse pessoal no poder? O judiciário, a midia golpista hereditária subserviente ao império, o agente duplo da lava jato, e parlamentares para nosso completo estarrecimento. O facismo está no poder e nunca foi censurado, porque grande parte da burguesia assim o quis. Pagaram pra tirar Lula da campanha, não conseguiram eleger seu candidato que pasmem, era o Alckmim (ora! Alckmim) que tem o carisma de um vegetal e foram obrigados a colocar o populista tosco dos milicianos que apelava para o pior do pior. Mas esse trabalho foi um trabalho conjunto de quem tem o poder do estado. Não foram as fake news! Esquerda que repete com insistência que foram as fake news trabalha para enganar e encobrir o que é o verdadeiro poder de estado, estão a serviço de quem? Teve o seu papel pra força auxiliar de campanha? Até admito, mas não foram as fake news, foi a retirada do Lula, foi o supremo passando por cima da constituição! Foi a burguesia de dentro e de fora que colocou os fascistas milicianos no poder! Exatamente como foi a Bayer e a wolkswagen e outros que financiaram a ascensão do nazismo. Não é a fala do monark que é o grande inimigo, (ele não passa de mais um ignorante que não sabe como o capitalismo que ele ama funciona) porque quando precisam o candidato pode falar qualquer coisa sem consequências, como a famosa declaração da “ponta da praia” 24 horas antes do pleito! Esqueceram? Abrir mão da Liberdade de expressão dentro do estado burguês sendo de esquerda é muito ingênuo ou muito inconsciente ou está trabalhando para a burguesia, escolham a opção. Ontem eu fui censurada pelo face porque fiz uma pergunta sobre banqueiros, como foi uma pergunta eu questionei me liberaram, atenção.

Ediane Tibes: Lutamos pelo que mesmo?

Hoje eu ouvi a seguinte fala. “Agora todo mundo virou nazista“…

E pra escrever algo sobre o que está em foco atual é preciso se perguntar algumas coisas…

Como elegemos um presidente que pesa pretos em arrobas?

Como elegemos pra presidente um cara que quando era deputado homenageou um torturador. Me pergunto porque esse cara não saiu de la preso?

Como elegemos um presidente que prefere um filho morto a se assumir gay?

Como a morte de Preto a paulada não gera clamor social e entrar dentro de uma igreja coloca toda uma sociedade com pedras nas mãos pra atacar um manifesto legítimo onde se levou aos pés de um torturado a dor e lamento de outro torturado e morto.a pauladas or buscar seu pagamento no quiosque de um miliciano?

Como mulheres mortas por parceiros em uma sequência alucinante não para o país pra que ações sejam colocadas em prática pra inibir esses crimes?

Como não paramos o país cuja administração atual matou mais de 600 mil pessoas durante uma pandemia. Esse número é só de pessoas acomentidas pelo vírus, mas tem outras mortes relacionadas tipo a fome,. Porquê não vimos as instituições parando esse genocídio??

Não é só agora que tem nazista, genocidas, facistas…é que agora as pessoas se comunicam mais rápido e e tudo está a luz dos olhos.

Mas eu continuo me perguntando como fomos e somos capazes de ações que não condizem o que afinal nos incomoda de fato? Lutamos pelo que mesmo?

Para que fique claro não estou reduzido o nazismo…e sim incluíndo toda forma de extermínio…porque os caras podem ser tudo isso mas precisa manifestar ações nazistas pra ser aplicado leis..