O que é o Comunismo?

Decidimos publicar o texto Princípios básicos do Comunismo de Friederiich Engels. Neste texto Engels apresenta aquilo que, ele como um dos fundadores do comunismo moderno, considera serem os seus princípios fundamentais.

Uma recente pesquisa foi noticiada na grande mídia como tendo medido que, 44% dos eleitores brasileiros tem medo do comunismo. Foi uma pesquisa realizada pelo data folha, a pergunta que fica é , essas pessoas sabem o que é o comunismo? Nossa revista tem publicado textos de formação básica acerca do tema desde sua fundação. Publicamos dois prefácios comentados do manifesto do Partido Comunista ver aqui e aqui, publicamos uma resenha do livro “Ilusões Constitucionalistas” de Vladimir Lenin ver aqui, estamos editando a serie “O que é o imperialismo?” baseada no livro -Imperialismo Fase Superior do Capitalismo- na revista impressa , temos a resenha do livro -Materialismo versus EmpiroCriticismo – também de Lenin e ainda estamos editando uma serie com balanço da queda da URSS , que conta com dois textos aqui e aqui. Portanto na nossa curta existência temos nos esforçado para editarmos textos de formação elementar capazes de trazer os elementos da analise marxista. Assim colaboramos com nosso quinhão para a divulgação das ideias de Marx , Engels, Lenin e Trotsky, esses sempre tiveram grande preocupação com a formação elementar da classe operária. Por isso editaram também textos como este que estamos apresentando agora, em breve traremos as Três partes e Três Fontes Constitutivas do marxismo, que foi escrito para orientar os novos militantes do Partido Bolchevique em plena Revolução Russa.

Apresentamos agora , -Principios basicos do Comunismo- de Friederich Engels , onde Engels usa o metodo de perguntas e respostas para explicar os fundamentos do comunismo, nós colocamos alguns comentários que pretendem atualizar as respostas de Engels. Contudo o texto é informativo por si só. Sendo uma introdução fundamental ao comunismo.

Princípios básicos do comunismo- Friedrich Engels

1.ª Pergunta: O Que é o comunismo?

Resposta: O comunismo é a doutrina das condições de libertação do proletariado.

A resposta pode parece a principio decepcionante, mas é apenas a primeira . E aqui temos uma coisa surpreendente. O Comunismo não é uma receita de bolo para a criação de Estados Operários, Economias Planificadas ou países Socialistas, seja lá o que isso queira dizer.

Muito menos relacionada com as posições de personalidades como o ex-presiidente uruguaio Pepé Mujica que definiu o que seria uma pessoa de esquerda. É uma posição filosófica perante à vida, onde a solidariedade prevalece sobre o egoísmo. Na definição de Mujica não ha qualquer orientação quanto a classe social da pessoa. Logo esse hipotético esquerdista definido por Mujica, pode inclusive ser o dono de uma fabrica ou um megaespeculador. A definição de Mujica é muito mais assemelhada com a doutrina social da igreja catolica do que com o marxismo.

2.ª P[ergunta]: Que é o proletariado?

R[esposta]: O proletariado é aquela classe da sociedade que tira o seu sustento única e somente da venda do seu trabalho e não do lucro de qualquer capital; [aquela classe] cujo bem e cujo sofrimento, cuja vida e cuja morte, cuja total existência dependem da procura do trabalho e, portanto, da alternância dos bons e dos maus tempos para o negócio, das flutuações de uma concorrência desenfreada. Numa palavra, o proletariado ou a classe dos proletários é a classe trabalhadora do século XIX.

A definição do que é o proletariado também parece ir na contra mão das expectativas. Pois trata-se do trabalhador comum, que vemos em qualquer canto de qualquer bairro pelo Mundo. O trabalhador assalariado, que esta pelas portas de fabrica nos horarios de troca de turno ou nos transportes coletivos.

3.ª P[ergunta]: Portanto, nem sempre houve proletários?

R[esposta]: Não. Classes pobres e trabalhadoras sempre houve; e as classes trabalhadoras eram, na maioria dos casos, pobres. Mas nem sempre houve estes pobres, estes operários vivendo nas condições que acabamos de assinalar, portanto, [nem sempre houve] proletários, do mesmo modo que a concorrência nem sempre foi livre e desenfreada.

A questão da concorrência ser livre não é mais realidade no capitalismo contemporâneo, o crescimento dos trustes e monopólios e a concentração da riqueza nas mãos dos bancos tornou a situação bem mais aguda. Não vivemos mais a época do capitalismo de livre concorrência, mas sim o capitalismo monopolista, embora a concorrência não possa ser suprimida, mesmo pelos poderosos trustes. Ele é elevada a um nível que ameaça a existência da vida na Terra.

4.ª P[ergunta]: Como é que apareceu o proletariado?

R[esposta]: O proletariado apareceu com a revolução industrial, que se processou em Inglaterra na segunda metade do século passado e que, desde então, se repetiu em todos os países civilizados do mundo. Esta revolução industrial foi ocasionada pela invenção da máquina a vapor, das várias máquinas de fiar, do tear mecânico e de toda uma série de outros aparelhos mecânicos. Estas máquinas, que eram muito caras e, portanto, só podiam ser adquiridas pelos grandes capitalistas, transformaram todo o modo de produção anterior e suplantaram os antigos operários, na medida em que as máquinas forneciam mercadorias mais baratas e melhores do que as que os operários podiam produzir com as suas rodas de fiar e teares imperfeitos. Estas máquinas colocaram, assim, a indústria totalmente nas mãos dos grandes capitalistas e tornaram a escassa propriedade dos operários (ferramentas, teares, etc.) completamente sem valor, de tal modo que, em breve, os capitalistas tomaram tudo nas suas mãos e os operários ficaram sem nada. Assim se instaurou na confecção de tecidos o sistema fabril. Uma vez dado o impulso para a introdução da maquinaria e do sistema fabril, este sistema foi também muito rapidamente aplicado a todos os restantes ramos da indústria, nomeadamente, à estampagem de tecido e à impressão de livros, à olaria, à indústria metalúrgica. O trabalho foi cada vez mais dividido entre cada um dos operários, de tal modo que o operário que anteriormente fizera toda uma peça de trabalho agora passou a fazer apenas uma parte dessa peça. Esta divisão do trabalho tornou possível que os produtos fossem fornecidos mais depressa e, portanto, mais baratos. Ela reduziu a actividade de cada operário a um gesto mecânico muito simples, repetido mecanicamente a cada instante, o qual podia ser feito por uma máquina não apenas tão bem, mas ainda muito melhor. Deste modo, todos estes ramos da indústria caíram, um após outro, sob o domínio da força do vapor, da maquinaria e do sistema fabril, da mesma maneira que a fiação e a tecelagem.

Mas por este facto elas caíram, ao mesmo tempo, completamente nas mãos dos grandes capitalistas e aos operários foi assim retirado também o último resto de independência. Pouco a pouco, para além da própria manufactura, também o artesanato caiu cada vez mais sob o domínio do sistema fabril, uma vez que, aqui também, os grandes capitalistas suplantaram os pequenos mestres por meio da montagem de grandes oficinas, com as quais muitos custos eram poupados e o trabalho podia igualmente ser dividido. Chegámos assim a que, nos países civilizados, quase todos os ramos de trabalho são explorados segundo o modelo fabril e, em quase todos os ramos de trabalho, o artesanato e a manufactura foram suplantados pela grande indústria.

Por isso, a antiga classe média, em especial os pequenos mestres artesãos, fica cada vez mais arruinada, a anterior situação dos operários fica completamente transformada e constituem-se duas novas classes, que a pouco e pouco absorvem todas as restantes, a saber:

  1. A classe dos grandes capitalistas que, em todos os países civilizados, estão quase exclusivamente na posse de todos os meios de existência e das matérias-primas e dos instrumentos (máquinas, fábricas) necessários para a produção dos meios de existência; Esta é a classe dos burgueses, ou a burguesia.
  2. A classe dos que nada possuem, os quais, em virtude disso, estão obrigados a vender o seu trabalho aos burgueses a fim de obter em troca os meios de existência necessários ao seu sustento. Esta classe chama-se a classe dos proletários, ou o proletariado.

Aqui esta um dos pontos onde o comunismo é mais atacado pela esquerda, do que pela direita, que prefere acusar o comunismo por questões morais.

Segundo os charlatães de esquerda essa situação da formação do proletariado teria sido superada pelas diversas revoluções industriais, que ocorreram no Mundo, assim o capitalismo desenvolveria as forças produtivas. O economista burguês que é muito cultuado pelos ditos de esquerda-desenvolvimentista John Maynard keynes, previu na década de 30 , que os netos da geração que o ouvia, trabalhariam uma semana de 15 horas. E isso não ocorreu, ao contrario tivemos uma tremenda desvalorização da força de trabalho, que foi efeito justamente de uma forma de automação conhecida como uberização.

https://www.bing.com/videos/search?q=uberiza%c3%a7%c3%a3o&docid=608000634386255793&mid=33DD604EB3606995E51433DD604EB3606995E514&view=detail&FORM=VIRE

Outra perspectiva é a questão da produtividade. O capitalismo não esta sendo mais produtivo, ao contrario, temos uma verdadeira decadencia das forças produtivas. Veja o gráfico abaixo, que mostra que apesar do aumento da tecnologia a produtividade do trabalho vem caindo. Linha azul.

Fonte: Michael Roberts
5.ª P[ergunta]: Em que condições tem lugar esta venda do trabalho dos proletários aos burgueses?

R[esposta]: O trabalho é uma mercadoria como qualquer outra, e daí que o seu preço seja determinado precisamente pelas mesmas leis que o de qualquer outra mercadoria. O preço de uma mercadoria, sob o domínio da grande indústria ou da livre concorrência – o que, como veremos, vem a dar ao mesmo -, é, porém, em média, sempre igual aos custos de produção dessa mercadoria. O preço do trabalho é, portanto, também igual aos custos de produção do trabalho. Os custos de produção do trabalho consistem, porém, precisamente, em tantos meios de existência quantos os [que são] necessários para manter os operários em condições de continuar a trabalhar e para não deixar extinguir-se a classe operária. O operário não obterá, portanto, pelo seu trabalho mais do que aquilo que é necessário para esse fim; o preço do trabalho, ou o salário, será, portanto, o mais baixo possível, o mínimo que é necessário para o sustento. Pelo facto de que, porém, os tempos ora são piores, ora são melhores, para o negócio, o operário ora receberá mais, ora receberá menos, tal como o fabricante receberá ora mais, ora menos, pela sua mercadoria. Do mesmo modo, porém, que o fabricante, na média dos tempos bons e dos [tempos] maus para o negócio, não obtém pela sua mercadoria nem mais nem menos do que os seus custos de produção, também o operário, em média, não receberá nem mais nem menos do que aquele mesmo mínimo. Esta lei económica do salário realizar-se-á tanto mais rigorosamente quanto mais a grande indústria se for apoderando de todos os ramos do trabalho.

6.ª P[ergunta]: Que classes de trabalhadores houve antes da revolução industrial?

R[esposta]: Consoante as diversas etapas de desenvolvimento da sociedade, assim as classes trabalhadoras viveram em condições diversas e tiveram posições diversas relativamente às classes proprietárias e dominantes. Na Antiguidade, os trabalhadores eram escravos dos proprietários, como ainda o são em muitos países atrasados e, inclusiva mente, na parte sul dos Estados Unidos. Na Idade Média eram servos dos nobres proprietários de terras, como ainda o são na Hungria, na Polónia e na Rússia. Na Idade Média, e até à revolução industrial, houve ainda, além disso, nas cidades, oficiais artesãos que trabalhavam ao serviço de mestres pequeno-burgueses e, a pouco e pouco, com o desenvolvimento da manufactura, apareceram os operários das manufacturas que eram já empregados por grandes capitalistas.

7.ª P[ergunta]: Como se diferencia o proletário do escravo?

R[esposta]: O escravo está vendido de uma vez para sempre; o proletário tem de se vender a si próprio diariamente e hora a hora. O indivíduo escravo, propriedade de um senhor, tem uma existência assegurada, por muito miserável que seja, em virtude do interesse do senhor; o indivíduo proletário – propriedade, por assim dizer, de toda a classe burguesa -, a quem o trabalho só é comprado quando alguém dele precisa, não tem a existência assegurada. Esta existência está apenas assegurada a toda a classe dos proletários. O escravo está fora da concorrência, o proletário está dentro dela e sente todas as suas flutuações. O escravo vale como uma coisa, não como um membro da sociedade civil; o proletário é reconhecido como pessoa, como membro da sociedade civil. O escravo pode, portanto, levar uma existência melhor do que a do proletário, mas o proletário pertence a uma etapa superior do desenvolvimento da sociedade e está ele próprio numa etapa superior à do escravo. O escravo liberta-se ao abolir, de entre todas as relações de propriedade privada, apenas a relação de escravatura e ao tornar-se, assim, ele próprio proletário; o proletário só pode libertar-se ao abolir a propriedade privada em geral.

A abolição da propriedade privada se torna hoje e a cada dia mais uma exigência para a manutenção da civilização humana. Vivemos a maior crise de superprodução da história, em 2020, tudo que foi construido pelo homem superou pela primeira vez a massa de todos os seres vivos ver aqui artigo na nature, a produção de lixo é a maior testemunha da crise de superprodução

8.ª P[ergunta]: Como se diferencia o proletário do servo?

R[esposta]: O servo tem a posse e o usufruto de um instrumento de produção, de uma porção de terra, contra a entrega de uma parte do produto, ou contra a prestação de trabalho. O proletário trabalha com instrumentos de produção de outrem por conta desse outrem, contra o recebimento de uma parte do produto. O servo entrega, o proletário recebe. O servo tem uma existência assegurada, o proletário não a tem. O servo está fora da concorrência, o proletário está dentro dela. O servo liberta-se fugindo para as cidades e tornando-se aí artesão, ou dando ao seu amo dinheiro, em vez de trabalho e produtos, e tornando-se rendeiro livre, ou expulsando o senhor feudal e tornando-se ele próprio proprietário: em suma, entrando, de uma ou de outra maneira, na classe proprietária e na concorrência. O proletário liberta-se abolindo a concorrência, a propriedade privada e todas as diferenças de classes.

9.ª P[ergunta]: Como se diferencia o proletário do artesão?

R[esposta]: (1)

10.ª P[ergunta]: Como se diferencia o proletário do operário manufactureiro?

R[esposta]: O operário manufactureiro dos séculos XVI a XVIII ainda tinha quase sempre na sua posse um instrumento de produção: o seu tear, as rodas de fiar para a família, um pequeno terreno que cultivava nas horas vagas. O proletário não tem nada disso. O operário manufactureiro vive quase sempre no campo e em relações mais ou menos patriarcais com o seu amo ou patrão; o proletário vive, na maioria dos casos, em grandes cidades e está numa pura relação de dinheiro com o seu patrão. O operário manufactureiro é arrancado das suas relações patriarcais pela grande indústria, perde a propriedade que ainda possuía e só então se torna ele próprio proletário.

Aqui seria possível uma objeção, um uber não seria um proletário, pois ele possui a sua ferramenta, o carro. Bem , hoje em dia muita gente compra carro pagando em suaves prestações, assim não é exato que o carro seja do motorista de uber. Neste caso, a comparação com a ferramenta seria melhor com o aplicativo, pois é o aplicativo que faz o elo da empresa com o motorista. É o aplicativo a ferramenta indispensável para a realização do trabalho e o motorista de uber não possui o aplicativo, o aplicativo é propriedade da empresa. O motorista de uber também não possui relações intimas com a empresa, que em regra, manifesta-se mesmo apenas pelo aplicativo

11.ª P[ergunta]: Quais foram as consequências imediatas da revolução industrial e da divisão da sociedade em burgueses e proletários?

R[esposta]: Em primeiro lugar, em todos os países do mundo, o velho sistema da manufactura ou da indústria assente na trabalho manual foi completamente destruído pelo facto de os preços dos artigos industriais se tornarem cada vez mais baratos em consequência do trabalho das máquinas. Todos os países semibárbaros, os quais, até então, tinham permanecido mais ou menos alheios ao desenvolvimento histórico, e cuja indústria, até então, assentara na manufactura, foram, desta forma, violentamente arrancados ao seu isolamento. Compraram as mercadorias mais baratas dos Ingleses e deixaram arruinar os seus próprios operários manufactureiros. Assim, países que há milénios não faziam qualquer progresso, como por exemplo a Índia, foram revolucionados de uma ponta a outra, e a própria China caminha agora para uma revolução. As coisas chegaram a tal ponto que uma nova máquina hoje inventada na Inglaterra deixa sem pão, no espaço de um ano, milhões de operários na China. Deste modo, a grande indústria colocou em relação uns com os outros todos os povos da Terra, juntou todos os pequenos mercados locais no mercado mundial, preparou, por toda a parte, o terreno para a civilização e o progresso, de modo que tudo aquilo que acontece nos países civilizados tem de repercutir-se em todos os outros países. De tal modo, que se agora em Inglaterra ou em França, os operários se libertarem, isso terá de arrastar consigo revoluções em todos os países, as quais, mais tarde ou mais cedo, conduzirão igualmente à libertação dos operários locais.

Em segundo lugar, em toda a parte em que a grande indústria substituiu a manufactura, a burguesia desenvolveu, no mais alto grau, a sua riqueza e o seu poder, e tornou-se a primeira classe do país. A consequência disto foi que, em toda a parte onde isso aconteceu, a burguesia tomou nas suas mãos o poder político e desalojou as classes até então dominantes: a aristocracia, os burgueses das corporações e a monarquia absoluta que os representava a ambos. A burguesia aniquilou o poder da aristocracia, da nobreza, ao abolir os morgadios ou a inalienabilidade da propriedade fundiária e todos os privilégios da nobreza. Destruiu o poder dos burgueses das corporações, ao abolir as corporações e os privilégios dos artesãos. A ambos substituiu pela livre concorrência, isto é, o estado da sociedade em que cada um tem o direito de explorar qualquer ramo da indústria e em que nada o pode impedir da exploração do mesmo a não ser a falta do capital para tanto necessário. A introdução da livre concorrência e, portanto, a declaração pública de que, daí em diante, os membros da sociedade são apenas desiguais na medida em que os seus capitais são desiguais, de que o capital se tornou o poder decisivo e [de que], com isso, os capitalistas, os burgueses [se tornaram] a primeira classe da sociedade. A livre concorrência é, porém, necessária para o começo da grande indústria, porque é o único estado da sociedade em que a grande indústria pode crescer. A burguesia, depois de ter aniquilado por esta forma o poder social da nobreza e dos burgueses das corporações, aniquilou-lhes também o poder político. Assim como na sociedade se elevou a primeira classe, proclamou-se também como primeira classe politicamente. Fê-lo com a introdução do sistema representativo, que assenta na igualdade burguesa perante a lei, no reconhecimento legal da livre concorrência, e que nos países europeus foi instaurado sob a forma da monarquia constitucional. Nestas monarquias constitucionais são apenas eleitores aqueles que possuem um certo capital, ou seja, apenas os burgueses elegem os deputados, e estes deputados burgueses, por meio do direito de recusar impostos, elegem um governo burguês.

Em terceiro lugar, ela [a revolução industrial] desenvolveu por toda a parte o proletariado na mesma medida em que desenvolveu a burguesia. Na proporção em que os burgueses se tornavam mais ricos, tornavam-se os proletários mais numerosos. Uma vez que os proletários somente por meio do capital podem ter emprego e o capital só se multiplica quando emprega trabalho, a multiplicação do proletariado avança precisamente ao mesmo passo que a multiplicação do capital. Ao mesmo tempo, concentra tanto os burgueses como os proletários em grandes cidades, nas quais se torna mais vantajoso explorar a indústria, e com esta concentração de grandes massas num mesmo lugar dá ao proletariado a consciência da sua força. Além disso, quanto mais [a revolução industrial] se desenvolve, quanto mais se inventam novas máquinas que suplantam o trabalho manual, tanto mais, como já dissemos, a grande indústria reduz os salários ao seu mínimo e torna, por esse facto, a situação do proletariado cada vez mais insuportável. Deste modo, ela prepara, por um lado, com o descontentamento crescente e, por outro lado, com o poder crescente do proletariado, uma revolução da sociedade pelo proletariado.

Engels comenta aqui que a livre concorrência é fundamental para o crescimento da indústria, no portal o cafezinho temos um estudo sobre a desindustrialização no mundo, o que mostra como a indústria enquanto força produtiva vem sendo destruída e corrobora a ideia de que não vivemos mais o capitalismo de livre concorrência

12.ª P[ergunta]: Que outras consequências teve a revolução industrial?

R[esposta]: A grande indústria criou, com a máquina a vapor e as outras máquinas, os meios para multiplicar até ao infinito a produção industrial num tempo curto e com poucos custos. Sendo a produção tão fácil, a livre concorrência necessariamente decorrente desta grande indústria muito depressa assumiu um carácter extremamente intenso; um grande número de capitalistas lançou-se na indústria e, a breve trecho, produzia-se mais do que podia ser consumido. A consequência disso foi que as mercadorias fabricadas não podiam ser vendidas e sobreveio uma chamada crise comercial. As fábricas tiveram de ficar paradas, os fabricantes caíram na bancarrota e os operários ficaram sem pão. Por toda a parte sobreveio a maior miséria. Depois de algum tempo foram-se vendendo os produtos em excesso, as fábricas voltaram a trabalhar, o salário subiu e, pouco a pouco, os negócios passaram a ir melhor do que nunca. Mas não por muito tempo, já que de novo voltaram a produzir-se mercadorias em excesso e sobreveio uma nova crise, que seguiu precisamente o mesmo curso que a anterior. Assim, desde o começo deste século, a situação da indústria tem oscilado continuamente entre épocas de prosperidade e épocas de crise, e quase regularmente, de cinco em cinco anos, ou de sete em sete anos, sobreveio uma destas crises, de todas as vezes conjugada com a maior miséria dos operários, com uma agitação revolucionária geral e com o maior perigo para toda a ordem vigente.

13ª P[ergunta]: o que é que resulta destas crises comerciais que se repetem regularmente?

R[esposta]: Em primeiro lugar, que a grande indústria, apesar de na sua primeira época de desenvolvimento ter ela própria dado origem à livre concorrência, está agora, contudo, a abandonar a livre concorrência; que a concorrência e, em geral, a exploração da produção industrial por singulares se tomou para ela um grilhão que tem de quebrar e quebrará; que a grande indústria, enquanto for empreendida na base actual, somente se pode manter por meio de uma perturbação geral repetida de sete em sete anos, a qual ameaça, de cada vez, toda a civilização, e não só faz cair os proletários na miséria como também arruína um grande número de burgueses; que, portanto, ou a própria grande indústria tem de ser completamente abandonada – o que é uma absoluta impossibilidade -, ou então ela torna absolutamente necessária uma organização totalmente nova da sociedade, na qual já não são os fabricantes individuais, em concorrência entre si, mas toda a sociedade, de acordo com um plano estabelecido e segundo as necessidades de todos, quem dirige a produção industrial.

Em segundo lugar, que a grande indústria e a expansão da produção até ao infinito por ela tornada possível, tornam possível um estado da sociedade em que é produzido tanto de tudo o que é necessário à vida que cada membro da sociedade ficará por esse facto em condições de desenvolver e de pôr em prática todas as suas forças e aptidões em completa liberdade. De tal modo que precisamente aquela qualidade da grande indústria que dá origem, na sociedade de hoje, a toda a miséria e a todas as crises comerciais, é a mesma que, numa outra organização social, acabará com essa miséria e com essas oscilações que causam tanta infelicidade.

De tal modo que fica provado da maneira mais clara:

  1. que de agora em diante todos estes males são de imputar à ordem social que já não se adequa às condições existentes, e
  2. que já existem os meios para eliminar completamente estes males por meio de uma nova ordem social.
Extraido do Livro -Long Depression- do economista britanico Michael Roberts

O gráfico acima mostra as oscilações cíclicas que Engels fala, aqui as oscilações ocorrem na taxa de lucro das grandes empresas. Contudo vemos que a partir do inicio do século 20, as oscilações não ocorrem mais , não temos mais crises cíclicas , mas sim grandes períodos de queda na taxa de lucro, que mesmo que venha, em curtos períodos , voltar a crescer, não retorna ao patamar anterior. Portanto essa é mais um ponto onde este texto precisa ser atualizado.

14.ª P[ergunta]: De que tipo terá de ser esta nova ordem social?

R[esposta]: Antes do mais, ela tirará a exploração da indústria e de todos os ramos da produção em geral das mãos de cada um dos indivíduos singulares em concorrência uns com os outros e, em vez disso, terá de fazer explorar todos esses ramos da produção por toda a sociedade, isto é, por conta da comunidade, segundo um plano da comunidade e com a participação de todos os membros da sociedade. Abolirá, portanto, a concorrência e estabelecerá, em lugar dela, a associação. Uma vez que a exploração da indústria por singulares tinha como consequência necessária a propriedade privada, e que a concorrência não é mais do que o modo da exploração da indústria pelos proprietários privados individuais, a propriedade privada não pode ser separada da exploração individual da indústria nem da concorrência. A propriedade privada terá, portanto, igualmente de ser abolida e, em seu lugar, estabelecer-se-á a utilização comum de todos os instrumentos de produção e a repartição de todos os produtos segundo acordo comum, ou a chamada comunidade dos bens. A abolição da propriedade privada é mesmo a expressão mais breve e mais característica desta transformação de toda a ordem social necessariamente resultante do desenvolvimento da indústria, e por isso é com razão avançada pelos comunistas como reivindicação principal.

Hoje mesmo os meios oficiais falam das mazelas geradas pelo capitalismo, o modo de produção baseado na propriedade privada dos meios de produção. Contudo o aquecimento global, a destruição da natureza é apresentada pelos grandes deste mundo como problemas solúveis dentro dos marcos da propriedade privada, que os criou. Os próprios fatos mostram que a cada dia, o modo de produção capitalista é incapaz de resolver esses problemas.

15.ª P[ergunta]: Então a abolição da propriedade privada não era possível anteriormente?

R[esposta]: Não. Todas as transformações da ordem social, todas as revoluções nas relações de propriedade, têm sido consequência necessária da criação de novas forças produtivas que já não se iam adequar às antigas relações de propriedade. Foi assim que a própria propriedade privada surgiu. Porque a propriedade privada nem sempre existiu; quando, nos finais da Idade Média, foi criado na manufactura um novo tipo de produção que não se deixava subordinar à propriedade feudal e corporativa da altura, é que esta manufactura, que já não cabia dentro das antigas relações de propriedade, deu, então, origem a uma nova forma de propriedade. Para a manufactura e para a primeira etapa do desenvolvimento da grande indústria não era possível, porém, qualquer outra forma de propriedade a não ser a propriedade privada. Enquanto não puder ser produzido tanto que seja não só suficiente para todos, mas que também fique um excedente de produtos para aumento do capital social e para a formação de mais forças produtivas, terá sempre de haver uma classe dominante, dispondo das forças produtivas da sociedade, e uma classe pobre e oprimida. A maneira como estas classes serão constituídas dependerá da etapa de desenvolvimento da produção. A Idade Média, dependente do cultivo da terra, dá-nos o barão e o servo; as cidades da baixa Idade Média mostram-nos o mestre da corporação, o oficial e o jornaleiro; o século XVII tem o proprietário da manufactura e o operário manufactureiro; o século XIX – o grande fabricante e o proletário. É claro que até aqui as forças produtivas não estavam ainda tão desenvolvidas ao ponto de se poder produzir o suficiente para todos e de a propriedade privada se ter tornado para essas forças produtivas um grilhão e um entrave. Hoje, porém, quando, pelo desenvolvimento da grande indústria se criaram, em primeiro lugar, capitais e forças produtivas numa quantidade nunca antes conhecida e existem meios para, num curto lapso de tempo, multiplicar essas forças produtivas até ao infinito; quando, em segundo lugar, essas forças produtivas estão concentradas nas mãos de poucos burgueses, enquanto a grande massa do povo se converte cada vez mais em proletários, enquanto a sua situação se torna mais miserável e insuportável, na mesma proporção em que se multiplicam as riquezas dos burgueses; quando, em terceiro lugar, estas forças produtivas poderosas e que se multiplicam facilmente ultrapassaram de tal maneira a propriedade privada e os burgueses que provocam a cada momento as mais violentas perturbações na ordem social – agora a abolição da propriedade privada não se tornou apenas possível, tornou-se inteiramente necessária.

16.ª P[ergunta]: Será possível a abolição da propriedade privada por via pacífica?

R[esposta]: Seria de desejar que isso pudesse acontecer, e os comunistas seriam certamente os últimos que contra tal se insurgiriam. Os comunistas sabem muitíssimo bem que todas as conspirações são não apenas inúteis, como mesmo prejudiciais. Eles sabem muitíssimo bem que as revoluções não são feitas propositada nem arbitrariamente, mas que, em qualquer tempo e em qualquer lugar, elas foram a consequência necessária de circunstâncias inteiramente independentes da vontade e da direcção deste ou daquele partido e de classes inteiras. Mas eles também vêem que o desenvolvimento do proletariado em quase todos os países civilizados é violentamente reprimido e que, deste modo, os adversários dos comunistas estão a contribuir com toda a força para uma revolução. Acabando assim o proletariado oprimido por ser empurrado para uma revolução, nós, os comunistas, defenderemos nos actos, tão bem como agora com as palavras, a causa dos proletários.

17.ª P[ergunta]: Será possível abolir a propriedade privada de um só golpe?

R[esposta]: Não, do mesmo modo que não se podem fazer aumentar de um só golpe as forças produtivas já existentes tanto quanto é necessário para a edificação da comunidade (2). Por isso a revolução do proletariado, que com toda a naturalidade se vai aproximando, só a pouco e pouco poderá, portanto, transformar a sociedade actual, e somente poderá abolir a propriedade privada quando estiver criada a massa de meios de produção necessária para isso.

18ª P[ergunta]: Que curso de desenvolvimento tomará essa revolução?

R[esposta]: Ela estabelecerá, antes do mais, uma Constituição democrática do Estado, e com ela, directa ou indirectamente, o domínio político do proletariado. Directamente, em Inglaterra, onde os proletários constituem já a maioria do povo. Indirectamente, em França e na Alemanha, onde a maioria do povo não consiste apenas em proletários mas também em pequenos camponeses e pequenos burgueses, os quais começam a estar envolvidas no processo de passagem ao proletariado, se tornam cada vez mais dependentes deste em todos os seus interesses políticos e, portanto, têm de se acomodar em breve às reivindicações do proletariado. Isto custará, talvez, uma segunda luta, a qual, porém, só pode terminar com a vitória do proletariado.

A democracia seria totalmente inútil para o proletariado se ela não fosse utilizada imediatamente como meio para a obtenção de outras medidas que ataquem directamente a propriedade privada e assegurem a existência do proletariado. As medidas principais, tal como decorrem, já agora, como consequência necessária, das condições existentes, são as seguintes:

  1. Restrição da propriedade privada por meio de impostos progressivos, altos impostos sobre heranças, abolição da herança por parte das linhas colaterais (irmãos, sobrinhos, etc.), empréstimos forçados, etc.
  2. Expropriação gradual dos latifundiários, fabricantes, proprietários de caminhos-de-ferro e armadores de navios, em parte pela concorrência da indústria estatizada, em parte, directamente, contra indemnização em papéis do Estado.
  3. Confiscação dos bens de todos os emigrantes (3) e rebeldes contra a maioria do povo.
  4. Organização do trabalho ou ocupação dos proletários em herdades nacionais, fábricas e oficinas, pela qual se elimina a concorrência dos operários entre si e os fabricantes são obrigados, enquanto ainda subsistirem, a pagar o mesmo salário elevado que o Estado.
  5. Igual obrigação de trabalho para todos os membros da sociedade até à completa abolição da propriedade privada Formação de exércitos industriais, sobretudo, para a agricultura.
  6. Centralização do sistema de crédito e da banca nas mãos do Estado por meio de um banco nacional com capital do Estado e repressão de todos os bancos privados e banqueiros.
  7. Multiplicação do número de fábricas, oficinas, caminhos-de-ferro e navios nacionais, cultivo de todas as terras e melhoramento das já cultivadas, na mesma proporção em que se multiplicarem os capitais e os operários que se encontram à disposição da nação.
  8. Educação de todas as crianças, a partir do momento em que podem passar sem os cuidados maternos, em estabelecimentos nacionais e a expensas do Estado. Combinar a educação e o trabalho fabril.
  9. Construção de grandes palácios nas herdades nacionais para habitações colectivas das comunidades de cidadãos que se dedicam tanto à indústria como à agricultura, e que reúnam em si tanto as vantagens da vida citadina como as da rural, sem partilhar da unilateralidade e dos defeitos de ambos os modos de vida.
  10. Destruição de todas as habitações e bairros insalubres e mal construídos.
  11. Igualdade de direito de herança para os filhos ilegítimos e legítimos.
  12. Concentração de todo o sistema de transportes nas mãos da nação.

Naturalmente, nem todas estas medidas podem ser empreendidas de uma só vez. Porém, uma arrasta sempre atrás de si a outra. Uma vez realizado o primeiro ataque radical contra a propriedade privada, o proletariado ver-se-á obrigado a seguir sempre para diante, a concentrar cada vez mais nas mãos do Estado todo o capital, toda a agricultura, toda a indústria, todo o transporte, toda a troca. É para aí que todas estas medidas apontam; e elas tornar-se-ão aplicáveis e desenvolverão as suas consequências centralizadoras na precisa medida em que as forças produtivas do país sejam multiplicadas pelo trabalho do proletariado. Finalmente, quando todo o capital, toda a produção e toda a troca estiverem concentrados nas mãos da nação, a propriedade privada desaparecerá por si própria, o dinheiro tornar-se-á supérfluo e a produção aumentará tanto e os homens transformar-se-ão tanto, que poderão igualmente tombar as últimas formas de intercâmbio [N7] da antiga sociedade.

19.ª P[ergunta]: Poderá esta revolução realizar-se apenas num único país?

R[esposta]: Não. A grande indústria, pelo facto de ter criado o mercado mundial, levou todos os povos da terra – e, nomeadamente, os civilizados – a uma tal ligação uns com os outros que cada povo está dependente daquilo que acontece a outro. Além disso, em todos os países civilizados ela igualou de tal maneira o desenvolvimento social, que em todos esses países a burguesia e o proletariado se tornaram as duas classes decisivas da sociedade e a luta entre elas a luta principal dos nossos dias. A revolução comunista não será, portanto, uma revolução simplesmente nacional; será uma revolução que se realizará simultaneamente em todos os países civilizados, isto é, pelo menos em Inglaterra, na América, em França e na Alemanha [N14]. Ela desenvolver-se-á em cada um destes países mais rápida ou mais lentamente, consoante um ou outro país possuir uma indústria mais avançada, uma maior riqueza, uma massa mais significativa de forças produtivas. Na Alemanha ela será efectuada, portanto, mais lenta e dificilmente, em Inglaterra mais rápida e facilmente. Ela terá igualmente uma repercussão significativa nos restantes países do mundo, transformará totalmente e acelerará muito o seu actual modo de desenvolvimento. Ela é uma revolução universal e terá, portanto, também um âmbito universal.

20.ª P[ergunta]: Quais são as consequências da abolição final da propriedade privada?

R[esposta]: Pelo facto de a sociedade retirar das mãos dos capitalistas privados o usufruto de todas as forças produtivas e meios de comunicação, assim como a troca e a repartição dos produtos, e os administrar segundo um plano resultante dos meios disponíveis e das necessidades de toda a sociedade, serão eliminadas, antes do mais, todas as consequências nefastas que agora ainda se encontram ligadas à exploração da grande indústria. As crises desaparecerão; a produção alargada que, para a ordem actual da sociedade, é uma sobreprodução e uma causa tão poderosa da miséria, já não será então suficiente e terá de ser alargada ainda muito mais. Em vez de ocasionar a miséria, a sobreprodução assegurará, para além das necessidades imediatas da sociedade, a satisfação das necessidades de todos, e criará novas necessidades e, ao mesmo tempo, os meios para as satisfazer. Ela será condição e motivo de novos progressos, e realizará estes progressos sem que, por esse facto, como sempre até aqui, a ordem social seja perturbada. A grande indústria, liberta da pressão da propriedade privada, desenvolver-se-á numa tal extensão que, comparado com ela, o seu actual desenvolvimento parecerá tão pequeno como o da manufactura comparada com a grande indústria dos nossos dias. Este desenvolvimento da indústria colocará à disposição da sociedade uma massa suficiente de produtos para com eles satisfazer as necessidades de todos. Do mesmo modo, a agricultura, que também em virtude da pressão da propriedade privada e do parcelamento tem sido impedida de apropriar os aperfeiçoamentos e os desenvolvimentos científicos já realizados, conhecerá um ascenso totalmente novo e colocará à disposição da sociedade uma quantidade plenamente suficiente de produtos. Desta maneira, a sociedade produzirá produtos bastantes para poder organizar de tal modo a repartição que as necessidades de todos os membros sejam satisfeitas. A separação da sociedade em diversas classes opostas umas às outras tornar-se-á, assim, supérflua. Ela não se tornará, porém, apenas supérflua; será mesmo incompatível com a nova ordem social. A existência de classes proveio da divisão do trabalho, e a divisão do trabalho, no seu modo actual, desaparecerá totalmente. É que para trazer a produção industrial e agrícola até ao nível descrito, não bastam apenas os meios auxiliares mecânicos e químicos; as capacidades dos homens que põem em movimento esses meios auxiliares têm igualmente de ser desenvolvidas em medida correspondente. Assim como os camponeses e os operários manufactureiros do século passado transformaram todo o seu modo de vida e se tornaram eles próprios homens completamente diferentes quando foram incorporados na grande indústria, do mesmo modo também a exploração comum da produção por toda a sociedade e o novo desenvolvimento da produção dela decorrente necessitarão de, e também criarão, homens completamente diferentes. A exploração comum da produção não pode ser levada a cabo por homens como os de hoje, que estão subordinados, acorrentados, a um único ramo da produção, que são por ele explorados, homens que desenvolveram apenas uma das suas aptidões em detrimento de todas as outras, que conhecem apenas um ramo ou apenas um ramo de um ramo da produção total. Já a indústria actual precisa cada vez menos destes homens. A indústria explorada em comum, e em conformidade com um plano, por toda a sociedade pressupõe inteiramente homens cujas aptidões estejam integralmente desenvolvidas e que estejam em condições de abarcar todo o sistema da produção. A divisão do trabalho, minada já hoje pelas máquinas, que faz de um camponês, do outro sapateiro, do terceiro operário fabril, do quarto especulador de bolsa, desaparecerá, portanto, totalmente. A educação permitirá aos jovens passar rapidamente por todo o sistema de produção; colocá-los-á em condições de passar sucessivamente de um ramo de produção para outro, conforme o proporcionem as necessidades da sociedade ou as suas próprias inclinações. Retirar-lhes-á, portanto, o carácter unilateral que a actual divisão do trabalho impõe a cada um deles. Deste modo, a sociedade organizada numa base comunista dará aos seus membros oportunidade de porem em acção, integralmente, as suas aptidões integralmente desenvolvidas. Com isso, porém, desaparecerão também necessariamente as diversas classes. De tal maneira que, por um lado, a sociedade organizada numa base comunista é incompatível com a existência de classes e, por outro lado, a edificação dessa sociedade fornece ela própria os meios para suprimir essas diferenças de classes.

Decorre daqui, por conseguinte, que a oposição entre cidade e campo desaparecerá igualmente. A exploração da agricultura e da indústria pelos mesmos homens, em vez de por duas classes diferentes, é já, por causas totalmente materiais, uma condição necessária da associação comunista. A dispersão da população rural pelo campo, a par da concentração da população industrial nas grandes cidades, é uma situação que apenas corresponde a um estádio ainda não desenvolvido da agricultura e da indústria, um impedimento já hoje muito sensível para todo o desenvolvimento ulterior.

A associação geral de todos os membros da sociedade para a exploração comum e planificada das forças de produção, a expansão da produção num grau tal que satisfaça as necessidades de todos, a liquidação da situação em que as necessidades de uns são satisfeitas à custa dos outros, a aniquilação total das classes e dos seus antagonismos, o desenvolvimento integral das capacidades de todos os membros da sociedade por meio da eliminação da divisão do trabalho até agora vigente, por meio da educação industrial, por meio da troca de actividades, por meio da participação de todos nos prazeres criados por todos, por meio da fusão da cidade e do campo – eis os resultados principais da abolição da propriedade privada.

21.ª P[ergunta]: Que influência exercerá a ordem social comunista sobre a família?

R[esposta]: Ela fará da relação de ambos os sexos uma pura relação privada, que diz respeito apenas às pessoas que nela participam e em que a sociedade não tem de imiscuir-se.

Ela pode fazê-lo, uma vez que aboliu a propriedade privada e educa as crianças comunitariamente e, por este facto, anula as duas bases fundamentais do actual matrimónio: a dependência, por intermédio da propriedade privada, da mulher relativamente ao homem e dos filhos relativamente aos pais. Aqui se encontra também a resposta à gritaria tão moralista dos filisteus contra a comunidade comunista das mulheres. A comunidade das mulheres é uma relação que pertence totalmente à sociedade burguesa e hoje em dia reside inteiramente na prostituição. A prostituição repousa, porém, sobre a propriedade privada, e cai com ela. Portanto, a organização comunista, em vez de introduzir a comunidade das mulheres, muito pelo contrário, suprime-a.

22.ª P[ergunta]: Qual será a atitude da organização comunista face às nacionalidades existentes?

– fica [N37]

23.ª P[ergunta]: Qual será a sua atitude face às religiões existentes?

– fica

24.ª P[ergunta]: Como se diferenciam os comunistas dos socialistas?

R[esposta]: Os chamados socialistas dividem-se em três classes.

A primeira classe consiste nos partidários da sociedade feudal e patriarcal que foi aniquilada, e que continua ainda a ser diariamente aniquilada, pela grande indústria, pelo comércio mundial e pela sociedade burguesa por ambos criada. Esta classe tira dos males da sociedade actual a conclusão de que a sociedade feudal e patriarcal teria de ser restabelecida, porque estava livre destes males. Todas as suas propostas se dirigem, por caminhos direitos ou tortuosos, para este objectivo. Esta classe de socialistas reaccionários, apesar da sua pretensa compaixão e das suas lágrimas ardentes pela miséria do proletariado, será, todavia, contínua e energicamente combatida pelos comunistas, porque:

  1.  se esforça por atingir algo de puramente impossível;
  2. procura restabelecer o domínio da aristocracia, dos mestres das corporações e dos proprietários de manufacturas, com o seu cortejo de reis absolutos ou feudais, de funcionários, de soldados e de padres, uma sociedade que, por certo, estava livre dos males da sociedade actual, mas que, em contrapartida, trazia consigo, pelo menos, outros tantos males e não oferecia a perspectiva de libertação dos operários oprimidos por meio de uma organização comunista;
  3. ela mostra os seus verdadeiros desígnios quando o proletariado se torna revolucionário e comunista, aliando-se então imediatamente com a burguesia contra os proletários.

A segunda classe consiste nos partidários da sociedade actual aos quais os males dela necessariamente decorrentes provocaram apreensões quanto à subsistência desta sociedade. Eles procuram, por conseguinte, conservar a sociedade actual, mas eliminar os males que a ela estão ligados. Com este objectivo, propõem, uns, simples medidas de beneficência, outros, grandiosos sistemas de reformas que, sob o pretexto de reorganizarem a sociedade, querem conservar as bases da sociedade actual e, com elas, a sociedade actual. Estes socialistas burgueses terão igualmente de ser combatidos constantemente pelos comunistas, uma vez que eles trabalham para os inimigos dos comunistas e defendem a sociedade que os comunistas querem precisamente derrubar.

A terceira classe consiste, finalmente, nos socialistas democráticos que, pela mesma via que os comunistas, querem uma parte das medidas indicadas na pergunta…(4); porém, não como meio de transição para o comunismo, mas como medidas que são suficientes para abolir a miséria e fazer desaparecer os males da sociedade actual. Estes socialistas democráticos ou são proletários que ainda não estão suficientemente esclarecidos acerca das condições da libertação da sua classe; ou são representantes dos pequenos burgueses, uma classe que, até à conquista da democracia e das medidas socialistas dela decorrentes, sob muitos aspectos tem os mesmos interesses que os proletários. Por isso, os comunistas entender-se-ão, nos momentos de acção, com esses socialistas democráticos e em geral terão de seguir com eles, de momento, uma política o mais possível comum, desde que esses socialistas não se ponham ao serviço da burguesia dominante e não ataquem os comunistas. É claro que este modo de acção comum não exclui a discussão das divergências com eles.

25.ª P[ergunta]: Qual a atitude dos comunistas face aos restantes partidos políticos do nosso tempo?

R[esposta]: Esta atitude é diversa nos diversos países.

Na Inglaterra, na França e na Bélgica, onde a burguesia domina, os comunistas têm, por enquanto, um interesse comum com os diversos partidos democráticos e, na realidade, um interesse tanto maior quanto mais os democratas se aproximam do objectivo dos comunistas com as medidas socialistas agora por toda a parte por eles defendidas, isto é, quanto mais clara e determinantemente eles defendem os interesses do proletariado e quanto mais se apoiam no proletariado. Na Inglaterra, por exemplo, os cartistas [N38], integrados por operários, estão infinitamente mais próximos dos comunistas do que os pequenos burgueses democráticos ou os chamados radicais.

Na América, onde foi introduzida a constituição democrática, os comunistas têm de apoiar o partido que quer voltar essa constituição contra a burguesia e utilizá-la no interesse do proletariado, isto é, os reformadores agrários nacionais.

Na Suíça, os radicais, apesar de serem eles próprios ainda um partido muito heterogéneo, são, todavia, os únicos com os quais os comunistas se podem entender, e entre estes radicais os mais progressistas são, por sua vez, os valdenses e os de Genebra.

Na Alemanha, finalmente, só agora está iminente a luta decisiva entre a burguesia e a monarquia absoluta. Como, porém, os comunistas não podem contar com uma luta decisiva entre eles próprios e a burguesia antes de que a burguesia domine, o interesse dos comunistas é ajudar a levar os burgueses ao poder tão depressa quanto o possível, para, por sua vez, os derrubar o mais depressa possível. Os comunistas têm, portanto, de continuamente tomar partido pelos burgueses liberais face aos governos e apenas de se precaver de partilhar as auto-ilusões dos burgueses ou de dar crédito às suas afirmações sedutoras sobre as consequências benéficas da vitória da burguesia para o proletariado. As únicas vantagens que a vitória da burguesia trará aos comunistas consistirão:

  1. em diversas concessões que facilitarão aos comunistas a defesa, discussão e propagação dos seus princípios e, com isso, a união do proletariado numa classe estreitamente coesa, preparada para a luta e organizada;
  2. na certeza de que, no dia em que os governos absolutos caírem, chegará a hora da luta entre os burgueses e os proletários. Desse dia em diante, a política partidária dos comunistas será a mesma que naqueles países em que agora domina já a burguesia.

A queda da URSS-Parte 1- As guerras do petroleo

No natal de 2021 completou 30 anos da extinção da União das Republicas Socialistas Soviéticas-URSS. Configurando-se assim, mais uma data para o marxismo ser atacado por todos os lados. Anteriormente já havíamos escrito acerca da queda do Muro de Berlin . Demonstrando que a queda do Muro e o desabamento da URSS não são consequencias diretas um do outro. Porem voltamos e voltaremos a este complexo assunto diversas vezes, pois a queda da URSS, é certamente um dos eventos mais importantes na história do movimento operario internacional.

A Matéria da BBC

A BBC Brasil publicou um texto intitulado -5 razões pelas quais a URSS entrou em colapso há 30 anos atrás-. A redação do texto é bastante curiosa . O principal problema segunda a reportagem era

Uma economia em colapso era o maior de todos os problemas da União Soviética.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59794568

É irônico essa acusação contra o primeiro Estado operário de proporções nacionais do Mundo, o primeiro mesmo foi a Comuna de Paris, que tinha proporções municipais. A ironia consiste que a acusação de Marx ao capitalismo foi sempre que o mercado econômico entraria em colapso inevitavelmente. Discutimos isso nos dois prefácios ao manifesto do partido comunista que comentamos , assim como nos dois textos da serie O que é o imperialismos parte 1 e parte 2. A matéria da BBC coloca como principal problema o problema econômico associado a escassez de produtos. Contudo, a matéria comete um ato falho terrível, que não pode deixar de ser comentado.

O que piorou a situação foram os gastos com a exploração espacial e a corrida armamentista entre a União Soviética e os Estados Unidos, que começou no final dos anos 1950.

gastos para defender a economia planificada, não eram um problema endógeno, ou seja, intrínsecos ao modo de produção Soviético, mas uma imposição para proteger as fronteiras da URSS por parte modo de produção capitalista, dito de outra forma, das ações do imperialismo dos EUA. Mais para a frente a matéria explica.

A União Soviética dependia de seus recursos naturais, como petróleo e gás, para pagar por essa corrida, mas, no início da década de 1980, os preços do petróleo despencaram, atingindo duramente a economia já debilitada do bloco.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59794568

Esse problema também não seria intrínseco ao modo de produção soviético, pois a URSS negociava petroleo no mercado mundial capitalista global, logo estava como qualquer pais submetido as regras de mercado mundial, a hegemonia do dólar como moeda mundial de troca e a todos os dispositivos de pilhagem, que começamos a explicar e ainda aprofundaremos em nossos textos de formação politica. Logo a critica que Marx faz ao capitalismo de que este geraria as próprias condições para seu desabamento, não são aplicáveis a URSS. Sendo estes os problemas apontados pela BBC , o motivo econômico do desabamento esta no capitalismo e não nas características intrínsecas do modo de produção soviético

O que foi a tal crise do petroleo?

Achamos umm explicação na pagina do CBIE. O que seria o CBIE ? Algum tipo de partido comunista, alguma entidade saudosista do regimes do Leste (Lestalgica?)? Longe disso, deixemos por conta do CBIE sua propria apresentação:

O CBIE – CENTRO BRASILEIRO DE INFRA ESTRUTURA

Fundado em 2000 o CBIE é uma consultoria especializada em inteligência, regulação e assuntos estratégicos para o setor de energia. Reconhecido como uma das 100 consultorias mais influentes do Brasil no setor de energia, é referência no setor de infraestrutura no país.

https://cbie.com.br/quem-somos/

Portanto uma entidade patronal.

Vejamos, o que o CBIE diz sobre a crise do petróleo, que BBC diz ter derrubado a URSS.

A formação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) durante a década de 1960 para restringir a oferta no mercado internacional e sustentar os preços do petróleo foi uma das origens da primeira crise, em 1973. O Gráfico 1 mostra a evolução da produção de petróleo da OPEP durante o período das duas crises de petróleo.

https://cbie.com.br/artigos/como-foram-as-crises-do-petroleo/

Seria essa OPEP um daqueles grupos monopolistas que citamos em –o que é o imperialismo?– Parece que sim. Vemos abaixo um gráfico mostrando o papel da OPEP na produção e a disputa no mercado mundial com os não alinhados com a OPEP e a Arabia Saudita.

Então a queda do petróleo estaria relacionada a uma entidade imperialista, um cartel imperialista nos melhores padrões dos previstos por Lenin em imperialismo etapa superior do capitalismo. Essa hipótese mudaria as coisas. Voltemos ao CBIE:

Para entender a crise de preços, é preciso considerar o contexto político da época. Durante a Guerra do Yom Kipper, os Estados Unidos e países europeus declararam apoio a Israel contra Egito e Síria. Os países árabes retaliariam embargando a exportação de petróleo para os EUA e Europa, o que causou o preço do barril a subir de US$/b 2,90 no final de 1973 para US$/b 11,65 no início do ano seguinte. O gráfico 3 mostra o resultado no preço do petróleo durante as crises. Após o preço se estabilizar por alguns anos em um pouco acima de US$ 10 por barril, em 1978-1979 um novo evento político abalou os mercados, a Revolução Iraniana. Apesar de afetar o suprimento de apenas 9% da oferta global, um pânico generalizado resultou em elevação acentuada dos preços e novas recessões nos países importadores. Em 1980, a Guerra Irã-Iraque causou ainda mais preocupação nos mercados, levando o preço para uma média anual de US$/b 38. Depois de 1980, os preços do petróleo começaram um declínio de quase uma década

Teria sido essa guerra algum tipo de sabotagem, pois como diz a própria BBC a URSS era dependente de petróleo, inclusive para calefação. Existe um gráfico acerca de emissões de CO2, que ganhou popularidade por conta da crise ambiental.

Notemos que nesse período apenas a Russia teve redução significativa de emissões de CO2, justamente pela desorganização que a queda da URSS gerou, entre 78 e 80 os EUA tem uma baixa de emissão que corresponde justamente a essa crise .

Achamos em um arquivo do jornal o Globo o seguinte texto ver aqui:

As duas crises do petróleo interomperam um ciclo de prosperidade mundial que tinha começado na década de 50. Conflitos entre países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) derrubaram a oferta do insumo entre 1973 e 1974, fazendo os preços quase quadruplicarem no período (o barril subiu de US$ 3 para US$ 11,60), afetando países importadores como o Brasil, segundo explica Ceres Aires Cerqueira, no livro “Dívida externa brasileira”, de 1997. Na ocasião, a autora era chefe-adjunta do Departamento da Dívida Externa do Banco Central do Brasil.

https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/apos-choque-do-petroleo-juros-sobem-nos-eua-america-latina-vive-crise-da-divida-20272880

Então não foi apenas a URSS que sofreu com o impacto da crise.

A alta dos juros nos EUA

Também em 1979, Paul Volcker, presidente do banco central americano, deu uma “pancada” nos juros: as taxas saltaram de uma média de 12,88% ao ano, em 1979, para 20,18% em 1980. A decisão provocou reflexos também na taxa London Interbank (Libor), de Londres, que subiu de uma média de 12,27% para 18,03% ao ano em 1980, segundo dados da agência de notícias Reuters.

Leia mais: https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/apos-choque-do-petroleo-juros-sobem-nos-eua-america-latina-vive-crise-da-divida-20272880#ixzz7J81rJeJS
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Essa alta dos juros nos EUA , fez com que a divida dos paises Latino Americanos , que é cotada em dólar, disparasse. Foi um enorme choque no mercado mundial, uma verdadeira ação de guerra econômica. Voltaremos a abordar esse tema em breve , pois o banco central dos EUA tem anunciado novas altas de juros v aqui

Essa ação de guerra econômica da burguesia imperialista dos EUA , que o faz por ter a moeda mundial ao qual as dividas são cotadas, atreladas as reformas de Gorbatchev internamente a URSS como diz o economista britânico Michael Roberts:

https://thenextrecession.wordpress.com/2017/11/08/the-russian-revolution-some-economic-notes/

O sucesso do modelo soviético de crescimento nas entre 1950 e 1960 era inegável. Mas uma fase de estagnação econômica começou na década de 1970. A tentativa de mudar para um novo regime de acumulação intensiva para um baseado no alto crescimento da produtividade falhou. E a militarização da economia por causa da Guerra Fria usou um valioso potencial de investimento produtivo. A elite russa tentou alterar o modelo econômico para um que dependia da exportação de recursos, em vez de desenvolver indústria e tecnologia. A economia tornou-se um pônei de um truque só.

https://thenextrecession.wordpress.com/2017/11/08/the-russian-revolution-some-economic-notes/

A confirmação do Prognóstico de Trotsky

O prognóstico político tem um caráter alternativo: ou a burocracia, tornando-se cada vez mais o órgão da burguesia mundial no Estado operário, derrubará as novas formas de propriedade e lançará o país de volta ao capitalismo ou a classe operária destruirá a burocracia e abrirá uma saída em direção ao socialismo.

Leon Trotsky-Programa de Transição

O diagnóstico de Michael Roberts deixa claro a ação restauracionista da burocracia soviética, que foi prevista anteriormente por Trotsky , assim , confrontando as previsões teóricas com os resultados empiricos , podemos perceber que o prognóstico de Trotsky foi realizado.

Conclusão

Os fatos ficam cada vez mais claros no texto –Trinta anos da Queda do Muro de Berlin – 9 de novembro de 1989– trouxemos os primeiros elementos, demonstrando o que realmente caiu naquele 9 de novembro de 1989 e o divorcio entre a queda do Muro de Berlin e a queda da URSS e suas consequências desastrosas, a enorme destruição de forças produtivas, rebaixamento do preço da mão de obra no Leste Europeu, ataques sem precedentes as conquistas sociais originarias na Revolução de Outubro, mas enquanto escrevíamos esse balanço, uma nova onda de ataques do imperialismo começou no Leste, não temos no espaço neste texto, nem as condições para tratar desta guerra que ameaça, não a paz mundial, pois é impossível existir paz na época do imperialismo fase superior do capitalismo, mas a vida de milhões de pessoas. As razões para essa nova ameaça de guerra só podem ser encontradas, como disse o economista Michael Roberts em texto traduzido por nós:

E a razão é clara pela teoria econômica marxista. Um longo boom só é possível se houver uma destruição significativa dos valores de capital, física ou por desvalorização, ou ambos. 

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2022/01/13/michael-roberts-para-onde-vai-a-economia-global/

Portanto é necessario uma nova onda de destruição das forças produtivas, mesmo ali onde muitas forças produtivas já foram sepultadas, o modo de produção não tolera interrupção e sua sanha destruidora não para. O capitalismo precisa de uma nova guerra!

A atualidade de Ilusões Constitucionalistas de Vladimir Lenin#1: A luta por uma assembleia constituinte soberana frente a putrefação do sistema capitalista.(Notas preparatórias para um debate promovido pelo Núcleo petista-Ninguem Fica para trás- realizado em setembro de 2020)

Em recente texto analisamos brevemente a Teoria da Revolução Permanente, uma das contribuições teóricas mais conhecidas de Trotsky. A palavra trotiquismo foi cunhada inicialmente para designar os adeptos dessa teoria, que encontra hoje toda a sua atualidade, quando a burguesia imperialista coloca abaixo todas as conquistas sociais que a classe operária escreveu nas regulamentações estatais, trazendo a tona, a necessidade do debate da palavra de ordem <Assembléia Constituinte Soberana>, em todo o Planeta, as garantias inscritas nas constituintes são colocadas abaixo, pois configuram uma verdadeira barreira ao aumento do nível de exploração da classe operária, que a burguesia mundial precisa, para realizar a mais valia, e assim, aumentar a sua taxa de lucro, que apesar de todos os ataques contra os trabalhadores, insiste em cair, devido a contradição inerente ao capitalismo, que é a limitação dos mercados consumidores. Por conta desta enorme crise de putrefação do capitalismo, a burguesia passa a ser uma classe incapaz de levar a humanidade ao progresso, ao contrário, a continuidade do capitalismo passa a ameaçar a própria existência das condições climáticas que permitem a existência da humanidade. Neste cenário, as tarefas de uma constituinte recaem unicamente sobre a classe trabalhadora e suas organizações .

O Parasitismos capitalista e a assembléia Constituinte

O livro Ilusões Constitucionalistas é uma coletânea de artigos publicados em diversos periódicos do Partido Operario Social Democrata Russo, sim esse era o nome do partido do Lenin, a denominação comunista ocorreu após as teses de abril de 1917. Onde Lenin discute o papel de uma constituinte e o perigo das ilusões constitucionalistas. Lenin escreve estes artigos no periodo em que o capitalismo faz a sua transição da fase “liberal” onde existia a livre concorrencia, para a fase, que o próprio Lenin caracterizou como fase imperialista, em seu livro -Imperialismo fase superior do capitalismo-. Lenin, no artigo -Formalismo Revolucionário e trabalho revolucionário- afirma a definição do que é uma assembleia constituinte:

A assembléia constituinte devia surgir, natural e inevitavelmente, no nosso movimento revolucionário. Para varrer definitivamente os restos das velhas instituições feudais da Russia autocratica , para estabelecer a ordem com que se deverar governar a nova Russia. …. é possível imaginar outra forma mais cabal e consequênte do que a convocação de uma assembléia constituinte.

Lenin então reafirma o caracter de uma assembléia constituinte, a função de uma assembléia que possa ser dita constituinte , é revogar o julgo do feudalismo, resolver o problema agrario:

A insurreição camponesa deixa de ser inconsciente, quando um setor cada vez maior do campesinato compreende…. Os três objetivos :

1) Instaurar uma assembléia constituinte que elimine todas a forma de exploração feudal, todo o servilismo no manejo da terra

2) Liberdade de publicar todo tipo de livros ou periódico .

3)Liberdade de organização

Lenin continua e afirma que o simples nome -assembleia constituinte- não garante que uma convenção seja realmente uma constituinte:

Não basta a assembéia ter o nome de constituinte, não basta convocar os representantes populares, mesmo quando tenham sido eleitos sobre a base de um sufráfio geral , secreto e igual para todos , mesmo que seja sobre a base de uma liberdade assegurada a todos. Lenin lembra o parlamento de Frankfurt , resultado da revolução alemã de 1848 e constata:

… o famoso parlamento de Frankfurt adquiriu a triste reputação de vergonhoso<parlatório> ; nessa assembléia falava sobre liberdade, decretava-se a liberdade, mas não se tomava as medidas concretas necessárias para eliminar as instituições de poder que liquidavam a liberdade … É natural que esta triste assembléia de lamentaveis charlatães da burguesia liberal desaparecesse da cena, sem pena nem glória .

Lenin então detecta outro problema, além do problema da convocação, quem convoca uma constituinte? Em geral quem convoca também garante a aplicação das leis emanadas da constituinte. Em um momento de um vazio de poder e de ruina do quadro institucional, mas também a certificação de que a assembléia constituinte tenha o poder de fazer cumprir as suas leis. Lenin constata ainda que

Somente um governo revolucionário , com a particularidade de ser o órgão da insurreição popular vitoriosa, é capaz de garantir a plena liberdade de agitação eleitoral e de convocar uma constituinte ”

Lenin não poderia ser mais claro, não pode existir uma verdade assembléia constituinte, digna deste nome, nos marcos das instituições burguesas falidas. Na verdade a assembleia constituinte de todo o povo só faz sentido, se for para revogar todas as leis burguesas que garantem o funcionamento do modo de produção baseado na propriedade privada dos meios de produção. Reafirmando então, uma nova constituinte só pode existir frente a uma insurreição popular, pelas suas próprias reivindicações e colocando abaixo o marco institucional vigente, ou seja, parlamento, judiciário, executivo, poder policial e militar.

O papel dos conselhos populares e a auto-organização popular- Todo poder aos sovietes

Na pagina 73 a brochura Ilusões Constitucionalistas trás uma resolução do POSDR, que esclarece o papel deste tipo de organização.

“… Em toda a parte a revolução avança, pois empreendeu a auto-organização popular do proletariado e do campesinato em sovietes; a destituição das velhas autoridades pelas forças revolucionárias ; a criação de uma milicia proletária e camponesa; a entrega de todas as terras aos camponeses, o estabelecimento de um controle operário nas fabricas; a implantanção da jornada de trabalho de 8 horas, o aumento dos salarios , a garantia de manutenção do ritmo de produção, o controle operário sobre a distribuição de mantimentos

Portanto o POSDR não defende uma constituinte com base no poder vigente, mas uma verdadeira ruptura das instituições vigentes e criação de novas instituições, um novo poder Estatal.

A resolução esclarece o papel dos sovietes:

O Crescimento… da revolução nas províncias vem, por um lado, impulsionar o movimento de passagem de todo o poder para as mãos dos sovietes e o controle da produção pelos própriosoperários, e, serve de garantia da preparação das forças revolucionárias para a segunda etapa da revolução, a qual pora todo o poder do Estado nas mãos dos sovietes e outros órgãos de poder popular (órgão de administração local -Assembleia Constituinte)”. Logo a nova constituinte , só pode ser escrita por novas instâncias de poder, que realmente representem o poder popular. O pré requisito para isso é a organização popular, o povo precisa estar organizado para que o poder popular possa se manifestar e essa auto-organização precisa ser independente do Estado.

O resultado da Luta: a Constituição Soviética.

Trechos fundamentais da constituição soviética , ver aqui uma analise mais detalhada

Declaração dos direitos do podo trabalhador e explorado.

I.

1. É proclamada na Russia a república dos sovietes de deputados operarios, soldados e camponeses . Todo o poder, tanto no centro como nas provincias , pertence aos sovietes.

2. A república soviética da Russia constitui-se na base da livre união das nações livres, como federação de repuúblicas soviéticas nacionais”

Ficando portanto garantida a auto-determinação dos povos do Leste e isso repercute na indepêndencia da Finlandia. Retirada das tropas da Pérsia e a libertação da Armenia.

II.

Tendo assinalado como missão essencial a abolição de toda a exploração do homem pelo homem e completa supressão da divisão de sociedades em classes, a repressão implacavel de toda a resistência dos exploradores …. A Assembléia Constituinte Resolve

1. É abolida a propriedade privada da terra . É patrimonio do povo trabalhador, a terra, edificios , produto do trabalho, utensilios e demais acessórios agricolas.

2. Lei dos sovietes sobre controle operário….fabricas, oficinas, minas e caminhos de ferro, assim como outros meios de produção , e de transporte , passam inteiramente a ser propriedade do Estado operário e campones”

A designação de Estado operário e camponês , não é uma simples bravata, pois todo o controle da economia foi expropriado das mãos do patronato. Na verdade a constituição soviética foi a primeira a consagrar diversos direitos trabalhistas.

As Ilusões Constitucionalistas

Lenin chama ilusões constitucionalistas “ao erro politico que consiste em ter como existente uma ordem normal, jurídica, , regulamentada , legal, numa palavra constitucional, mesmo quando essa ordem não existe”. Esse fenômeno parece ter sido um padrão no pós guerra entre as organizações operárias, ilusões em marcos regulatórios e incapacidade de defender as conquistas da classe trabalhadora inscritos nesses marcos. Um exemplo disso é o caso da União Européia , onde as organizações operárias são incapazes de combater a máquina de destruição de direitos trabalhistas que é a União Européia.

A suposta Constituição Européia

Por ocasião das eleições ao parlamento Europeu do ano passado, Ciência e Revolução fez uma analise das instituições constituidas a partir do acordo de Mastricht, explicando como essas instituições são usurpadoras do poder popular, deslocalizando as decisões econômicas do marco nacional, para o marco ‘Europeu’, para que as garantias trabalhistas escritas nas leis nacionais passassem a letra morta, palavras sem sentido um papel timbrado. A Revista A Verdade Revista Teórica da IV Internacional em seu número 37 de junho de 2004 em língua portuguesa traz um Dossiê Europa. Dentro do Dossiê um artigo de Oliver Doriane esta uma caracterização precisa da suposta constituinte européia “A união Européia e seu projeto de constituição são o corporativismo , impondo a integração das organizações operárias na co-lesgislação para aplicar a politica do Banco Central Europeu. Isto leva a destruição de qualquer forma de soberania das nações e à negação , como se vera em seguida , da existência dos partidos politicos livremente constituidos ” Este mesmo artigo, citado por nós anteriormente, traz trechos dos tratados que regulamentam o funciomanento das instituições da União Européia, que nós reproduzimos aqui, o efeito dessess artigos é conhecido, o crescimento da desigualdade na União Européia é escandaloso; e mais escandaloso ainda é a incapacidade das organizações operárias de resistirem a esta degradação. Presas aos marcos institucionais da União Européia, as lideranças operárias não conseguem fazer uma real oposição a troika. Aqui a luta contra a Troika passa necessáriamente pela luta contra a perseguição politica, pelo direito a auto-organização popular. Uma das formas mais importantes de quebra da autonomia das organizações operárias é através de ONGS, é vultosa a quantidade de recursos que a União Européia desembolsa para manter ONGS fiéis ao seu programa

A Constituição Portuguesa

A Constituição Portuguesa é um dos casos de regulamentação nacional atacada pelos marcos europeus, sendo resultado de uma das ultimas revoluções socialistas do Ocidente. A constituição Lusitana aprovada em 2 de abril de 1976, resultado da Revolução dos Cravos preconizava “sociedade sem classes” possuia artigos que previam a irreversibilidade de estatizações e a defesa da reforma agrária como um principio, ao longo de 7 revisões, todas essas conquistas foram sendo desmanteladas , substituindo a sociedade sem classes por uma ‘’sociedade justa e igualitária ‘, assim como introduzindo a idéia de Estado democrático de direito e extinguindo o Conselho da Revolução, nascido na Revolução dos Cravos, por um Tribunal Superior, que teria a função declarada de guardião constitucional, mas na pratica era o que garantia a aplicação das revisões. Muitos desses processos visavam a adequação ao Tratado de Mastrich e a adesão a União Européia. Essa ultima revisão contou com a resistência em terras portuguesas, um manifesto entitulado -Comemorar os 30 anos de abril ! Defender suas conquistas- foi lançado em 2003 na mesma revista A Verdade Supracitada: “Privatização atraz de privatização , encerramento e falencia de empresas , com a consequente destruição de postos de trabalho , este é o conteudo da atual politica , antitese de Revolução de 25 de abril de 1974”. A revisão constitucional de 2003 pos fim ao regime saido da revolução dos cravos, os dados estatiscos confirmam o relato do manifesto. O desemprego atingiu

A experiência da Argélia

A experiência recente da Argélia é um caso a qual devemos analisar mais cuidadosamente. A Argélia é uma ex-colonia francesa, que obteve sua independência na década de 1950, com participação muito importante de mulheres que carregavam as armas dos revolucionários escondidas em suas burcas, repercutirmos aqui a participação de Pierre Lambert neste processo, participação que rendeu a Lambert uma acusação de traição a pátria francesa e ameaça de prisão. Apesar do povo da Argelia ter conseguido sua independência relativa frente a França e, constituído um Estado nacional, as tarefas de uma constituinte nunca foram realmente efetivadas, o Estado nunca foi totalmente laico e nem a posse dos recursos naturais garantidas, assim como a distribuição de terras . Neste cenário na década de 90 o movimento operário argelino fundou o seu Partido dos Trabalhadores e escreveu no programa deste partido a necessidade de uma assembléia constituinte soberana. No de 2019, após uma série revoltas populares, o governo foi substituido, por outro que processou e prendeu as principais lideranças populares e opérarias da Argelia, entre elas Louisa Hanoune Secretária Geral do Partido dos Trabalhadores(homônimo do PT brasileiro). Após uma campanha internacional por sua libertação, Louisa finalmente esta fora da cadeia, sua libertação foi um alento para o movimento operário mundial, contudo o regime não parou de perseguir militantes, jornalista e ativistas. Recentemente o regime propôs uma reforma da constituição, com leis que Louisa Hanoune caracterizou como “liberticidas”. O problema da constituinte aqui se colocou inteiramente e a principal pergunta, que se coloca é , frente a necessidade da substituição do regime, quem convoca a nova assembleia constituinte? Neste caso Argelino, embora oficialmente a documento, que esta sendo escrito pelo novo regime, tenha o nome de constituição, este documento não é uma constituição no sentido em que Trotsky trata em sua revolução permanente. Lenin, no livro -Ilusões Constitucionalistas- esclarece:

O que é realmente uma <Assembleia Constituinte> de todo o povo? É, em primeiro lugar, uma assembléia que expressa realmente a vontade do povo, para o que se requér o sufragío universal e etc e a pléna garantia de agitação eleitoral. Em segundo lugar, uma assembléia que possua realmente o poder de força necessário a garantir uma ordem Estatal que exerça a autocracia do povo. Lenin ressalta o direito a ação politica do proletáriado, em outras palavras, Lenin discute abertamente o direito a auto-organização do proletáriado , em defesa de seus próprios interesses e sem perseguições e constangimentos. Buscando responder a pergunta sobre quem convoca a assembléia constituinte, Lenin diz:

E se não queremos chamar em vão a exigência pratica de derrubada do governo autocratico, não temos outro remédio por qual outro governo pensamos em substituir este que queremos derrubar” . As palavras de Lenin em abril de 1905 são inteiramente atuais no Brasil neste segundo semestre de 2020. Qual o sentido de chamar <Fora Bolsonaro> neste momento? Qual o sentido de uma ampla alianção pelo <Fora Bolsonaro>, com setores completamente antagonicos e golpistas. Uma aliança do PT com esses setores serviria apenas para rebaixar a defesa da classe trabalhadora. Aparentemente esse também é o balanço na Argélia, a consequência do <Fora Boutiflika>, mostra que a simples convocação de uma manifestação pela derrubada de um mandatário , não coloca a substituição de todo o regime. Na verdade , na Argelia a crise revolucionária acabou levando a vitória de um grupo ainda mais radical, que tenta derrubar a constituinte de 1988 e submeter a Argelia não mais a dominação do imperialismo frances , mas a dominação do imperialismo dos EUA. Certamente na Argelia a convocação de uma constituinte e a solução da crise passam únicamente pelo Partido dos Trabalhadores. Principal ferramente organizativa da classe operária e principal alvo das perseguições institucionais. A unidade com o PT argelino a unidade entre os perseguidos do império, é uma necessidade urgente em todo o planeta.

A questão constituinte no Brasil

O tema da constituinte é fundamental também no Brasil, que assim como a Argelia tambem teve sua ultima constituinte promulgada em 1988, um pais que vive sobre a lei magna da responsabilidade fiscal, todas as leis podem ser desobedecidas no Brasil, porem se o tripé macroeconômico, inscrito em especial na lei da responsabilidade fiscal e na Emenda Constitucional 95 e em outras leis, baseado em câmbio flutuante, meta de inflação e principalmente austeridade fiscal, que é a limitação dos gastos do governo com benefícios aos trabalhadores for desobedecido, caso este marco regulatório estiver minimamente ameaçado. Um coro de vozes da burguesia se levanta contra o ocupante da cadeira do Planalto, indignado dizendo que essa desobediência ameaça o povo e a democracia , ainda que x pessoas tenham sido mortas pelo covid-19, devido a falta de investimento em saúde, ainda que tenhamos uma multidão de cadáveres sepultados todos os dias, por culpa da falta de recursos financeiros na saúde e na industria farmacêutica , a sagrada escritura da austeridade fiscal não pode ser desobedecida, para atender ao povo trabalhador.

Ha muito que o movimento operário luta pela anulação de medidas dos poderes constitucionais, anulação de medidas como o leilão da Vale e recentemente do impeachment sem crime de Dilma Rousseff, seguido de todas as medidas de Temer e os processos contra Lula, que implicaram na eleição de Bolsonaro. Como conviver com instituições responsáveis pelo genocídio, contra às quais, o tempo todo, estamos lutando para anular seus atos?

O tripé macroeconômico consagrado nas leis , também é a causa da recente altados alimentos ,

pois a alta do dolar , torna a exportação de alimentos, uma fonte de lucro muito mais interessante , do que a produção para o mercado interno.

A constituinte de 1988

A Constituinte de 1988 completeu 32 anos, segundo o portal da camara comemorativo aos 25 anos da constituinte, os deputados constituintes eram na verdade deputados regulares, parte de uma lesgislatura regular do regime ditatorial instalado em 1964

Implicitamente, o ato convocatório dava aos Deputados e Senadores que seriam eleitos no ano seguinte o duplo poder de atuar fossem como constituintes, fossem como legisladores ordinários. Assim, a legislatura em que o Congresso assumiu poderes constituintes funcionou também como legislatura ordinária, isto é, dispondo da prerrogativa de também votar as leis do País, paralelamente à elaboração do novo texto constitucional. Foi a primeira vez no Brasil que uma Assembléia Constituinte teve essas características. ”. O mesmo portal informa quie a constituinte foi o coroamento de um processo “de redemocratização iniciado pelo Presidente Ernesto Geisel e continuado pelo Presidente João Figueiredo ”. Bem entendido o processo se deu dentro dos marcos legais estabelecidos pelas instituições da ditadura militar. Mesmo que algumas conquistas tenham sido consagradas no texto constitucional graças a pressão da classe trabalhadora em especial organizada no PT . Neste sentido vale resgatar a posição do PT na constituinte.

O PT na constituinte de 1988

A Fundação Perseu Abrano disponibiliza na net um documento que se intitula o PT na constituinte, onde é possível ler a posição do PT sobre como deveria ser a constituinte.

O PT conseguiu sua primeira vitória na luta pela convocação de uma Constituinte democrática e soberana no último dia 28 de junho: a bancada federal do partido obteve o número mínimo de assinaturas (160 deputados e 23 senadores) para garantir que a proposta de Ato Convocatório da Constituinte elaborada pelo PT seja discutida no Congresso Nacional. Este Ato Convocatório foi entregue pela Executiva Nacional do PT às lideranças políticas do Congresso e ao presidente da República, e difere radicalmente da proposta de convocação do próprio presidente Sarney, que apenas dá poderes constituintes ao Congresso a ser eleito em novembro de 865 . O PT propõe eleições específicas para uma Constituinte em março e não aceita que os senadores eleitos em 82 com mandato até 1990 sejam automaticamente constituintes biônicos, como prevê o projeto do governo. A proposta de Sarney não determina a eliminação prévia de nenhuma das leis de exceção (como LSN, lei de imprensa, salvaguardas constitucionais) nem a constituição de comissões municipais para discutir a Constituinte, como propõe o PT. ” Obviamente esse não foi o que aconteceu , a constituinte não foi convocada como o PT queria . O PT possui 116 pagina e merece uma resenha a parte, mas alguns fatos são necessarios serem destacados , é a certeza da cupula petista que a constituinte não poderia ser convocada pelo aparato repressor da ditadura. O resultado também é objeto de discussão neste texto. A posição de voto no texto oficial foi informada pelo então lider da bancada na camara Luis Ignacio Lula da Silva

O SR. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA (PT-SP. Sem revisão do orador.) – Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Constituintes: Em fevereiro de 1987, quando o Partido dos Trabalhadores chegou ao Congresso Constituinte, não trazia nenhuma ilusão de que poderia, através da Constituição, resolver todos os problemas da sociedade brasileira. Entendíamos, já no dia 16 de novembro de 1986, que a composição da Constituinte não seria uma composição favorável aos projetos políticos da classe trabalhadora brasileira, tampouco seria favorável àqueles que sonharam ter uma Constituição a mais progressista possível. O Partido dos Trabalhadores apresentou, em março de 1987, um Projeto de Constituição que não era, de forma alguma, um projeto socialista. Era o Projeto de Constituição nos parâmetros permitidos pelo capitalismo, mas entendíamos que, com o nosso projeto, poderíamos, mesmo dentro do sistema capitalista, minorar o sofrimento da classe trabalhadora brasileira. Passados 18 meses, é importante reconhecer que não apenas o Partido dos Trabalhadores como outras forças progressistas aqui, nesta Casa, se empenharam 24 horas por dia, de segunda a domingo, para que pudéssemos hoje estar votando esta Constituição. O Partido dos Trabalhadores, com apenas 16 deputados constituintes, trabalhou de forma incansável, na perspectiva de que pudéssemos até, num prazo anterior a este, apresentar à opinião pública um Projeto de Constituição. É preciso ressalvar que, se isso não foi possível, não se deveu aos setores de esquerda, não se deveu aos setores progressistas que aqui compareceram em todos os chamamentos do presidente Ulysses Guimarães. Comparecemos, na expectativa de que pudéssemos, ainda possivelmente no ano passado, entregar esta Constituição. Setores conservadores ligados ao Palácio do Planalto, setores conservadores – e até reacionários – ligados ao poder econômico criaram os mais diferentes tipos de embaraços, para que não pudéssemos votar esta Constituição. Mentiras e mais mentiras foram veiculadas através dos meios de comunicação. Tentava-se passar a ideia de que, a partir da promulgação da Constituição, este país iria explodir, este país não iria ter jeito, tal a quantidade de conquistas que a classe trabalhadora havia alcançado. 185 O Partido dos Trabalhadores fez um estudo minucioso, através da sua bancada e da sua direção, e chegou à conclusão de que houve alguns avanços na Constituição; de que houve avanços na ordem social, de que houve avanços na questão do direito dos trabalhadores, mas foram avanços aquém daquilo que a classe trabalhadora esperava acontecesse aqui, na Constituinte. Entramos aqui querendo quarenta horas semanais e ficamos com quarenta e quatro horas; entramos aqui querendo férias em dobro e ficamos apenas com um terço a mais nas férias; entramos aqui querendo o fim da hora extra ou, depois, a hora extra em dobro, e ficamos apenas com 50%, recebendo menos do que aquilo que o Tribunal já dava. Algumas conquistas consideradas importantes não passaram, nem sequer de perto, para que a classe trabalhadora pudesse ter o sabor e o prazer de festejar essas conquistas. Sobre a questão da reforma agrária, esta Assembleia Nacional Constituinte teve o prazer de dar aos camponeses brasileiros um texto mais retrógrado do que aquele que era o Estatuto da Terra, elaborado na época do marechal Castelo Branco. Os militares continuam intocáveis, como se fossem cidadãos de primeira classe, para, em nome da ordem e da lei, poderem repetir o que fizeram em 1964, ou o que foi feito agora no Haiti. O latifundiário brasileiro deve estar festejando, juntamente com o sr. Ronaldo Caiado, a grande vitória dos proprietários de terra que, em cinco séculos, não avançaram um milímetro para entender que a solução para os problemas graves deste país está no dia em que tivermos capacidade para elaborar uma reforma agrária que possa distribuir a terra e, ao mesmo tempo, o Estado garantir os meios. Poderíamos mencionar, ainda, o anúncio feito pelo líder do PMDB, de que mais ou menos 200 artigos serão regulamentados por legislação ordinária ou lei complementar. A própria Confederação Nacional da Indústria (CNI) elaborou um documento, possivelmente mais volumoso do que a própria Constituição, mostrando os artigos que, do seu ponto de vista, precisam ser regulamentados por lei ordinária e por lei complementar. Todos nós, constituintes, sabemos perfeitamente bem que na elaboração das legislações complementar e ordinária teremos um trabalho insano tanto quanto o foi o desta Constituição. Todos sabemos que teremos eleições em 1989, que teremos eleições em 1990 e que possivelmente até lá não tenhamos quórum para regulamentar um único artigo de lei previsto na Constituição. Ressalto dois pontos importantes: a questão da estabilidade no emprego, que todos sonhávamos ou pelo menos uma parte sonhava conquistar. Esta vai ter que ser regulamentada por lei complementar. Sabemos que apenas os Princípios Gerais não garantem a efetivação da democracia, que apenas a efetivação de alguns princípios gerais não garantem à classe trabalhadora viver em regime efetivamente democrático. É possível que, dependendo dessa correlação de forças existentes na Constituinte e permanecendo no Congresso, pouca coisa será regulamentada e algumas, possivelmente, serão regulamentadas em prejuízo da classe trabalhadora. Sabemos que é necessário um trabalho insano de arregimentação do movimento popular. Sabemos que é necessário um trabalho insano de arregimentação do Nº 6, Ano 5, 2011 186 movimento sindical, dos partidos políticos progressistas, para que possamos manter a sociedade permanentemente pressionando o Congresso, para que ele possa regulamentar a legislação em beneficio da classe trabalhadora brasileira. Poderia citar a questão do direito de greve, possivelmente a maior conquista obtida nesta Constituinte. Mesmo assim vai depender da regulamentação do que são categorias essenciais, vai depender de definirmos o que é abuso, porque, dependendo da cabeça política do empresariado brasileiro, a própria decretação de uma greve já pode ser caracterizada como abuso e todos sabem que a lei ainda existe neste país para punir os fracos, e não os poderosos. Poderia citar aqui a questão do aviso-prévio, que é uma coisa simples, que poderia ter sido definido na Constituinte, entretanto, ainda vai ser definido pela lei e não sabemos quando é que essa lei vai definir o que é a proporcionalidade. Engraçado que alguns constituintes aleguem que a votação de hoje é apenas uma votação de vírgula, uma votação de passagem, porque o texto já foi votado. Nós, do Partido dos Trabalhadores, entendemos que essa votação é mais importante do que a votação de mérito. Exatamente por entendermos isso que para nós não é apenas uma votação de vírgula ou uma votação de coisas pequenas. É importante lembrar que determinados constituintes tentam acusar o Partido dos Trabalhadores da mesma forma que na época da Nova República o acusavam, da mesma forma que na época do Plano Cruzado colocaram a Maria da Conceição Tavares para chorar na televisão, depois da fala do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, da mesma forma que acusaram o PT por ocasião do Plano Cruzado. Importante na política é que tenhamos espaço de liberdade para ser contra ou a favor. E o Partido dos Trabalhadores, por entender que a democracia é algo importante – ela foi conquistada na rua, ela foi conquistada nas lutas travadas pela sociedade brasileira -–, vem aqui dizer que vai votar contra esse texto, exatamente porque entende que, mesmo havendo avanços na Constituinte, a essência do poder, a essência da propriedade privada, a essência do poder dos militares continua intacta nesta Constituinte. Ainda não foi desta vez que a classe trabalhadora pôde ter uma Constituição efetivamente voltada para os seus interesses. Ainda não foi desta vez que a sociedade brasileira, a maioria dos marginalizados, vai ter uma Constituição em seu benefício. Sei que a Constituição não vai resolver o problema de mais de 50 milhões de brasileiros que estão fora do mercado de trabalho. Sei que a Constituição não vai resolver o problema da mortalidade infantil, mas imaginava que os constituintes, na sua grande maioria, tivessem, pelo menos, a sensibilidade de entender que não basta, efetivamente, democratizar um povo nas questões sociais, mas é preciso democratizar nas questões econômicas. Era preciso democratizar na questão do capital. E a questão do capital continua intacta. Patrão, neste país, vai continuar ganhando tanto dinheiro quanto ganhava antes, e vai continuar distribuindo tão pouco quanto distribui hoje. É por isto que o Partido dos Trabalhadores vota contra o texto e, amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – o Partido dos Trabalhadores assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nesta Constituinte. Muito obrigado, companheiros. ” Lula deixa claro que as principais reivindicações não foram atendidas , neste sentido a constituinte de 1988 não foi uma verdadeira constituinte.

O pós constituinte e a ditadura do judiciario

A constituição de 1988 passou por uma revisão em 1992, quando foram mudados os tempos de mandato de presidentes e governadores e ocorreu o plebiscito sobre forma de governo. Nenhuma pauta da classe trabalhadora foi levantada. Os anos seguinte foram de ataques profundos as conquistas da classe operária. Segundo a pagina do senado já atingimos a marca de cem emendas a constituição , dentre elas diversas que atacam direitos trabalhistas com a recente emenda do této dos gastos e a emenda da reforma previdenciária. Nos fatos a constituinte de 1988 não existe mais . Um artigo indexado na Revista Direito e Praxis dos autores Enzo Bello, Gilberto Bercovici, Martonio Maltaverni Barreto Lima (ver aqui). Intitulado “O Fim das ilusões constitucionais de 1988” destaca :”O termo juristocracia decorre da obra de Ran Hirschl, e já se encontra razoavelmente

assimilado no Brasil, na forma integrante da crítica que se faz ao poder judiciário e seus

membros, notadamente após 1988. De forma crescente, a ocupação pelo poder

judiciário de espaços e sentidos políticos tem transformado a constituição no que este

poder quer entender por constituição. Assim, um cínico realismo transformou a

supremacia da constituição em supremacia das cortes constitucionais.” Assim os autores concordam com a perspectiva de uma ditadura do judiciário instalada no Estado brasileiro e vão mais longe “A força normativa da constituição (Hesse, 1959), tão festejada pela teoria

constitucional brasileira, não resistiu a um mero ataque do órgão de jurisdição

constitucional, o que leva à conclusão de que, até aqui, a Constituição de 1988

sobreviveu formalmente mais pela tolerância de seus adversários do que pela

capacidade de seus defensores em se articularem materialmente em torno das ideias

que ela representava. A organização política brasileira não se demonstrou competente

em defender seu próprio poder constituinte, deixando que ele se esvaísse pelas mãos de

uma juristocracia, defensora de seus interesses no interior do próprio Estado.”

Após a constituinte de 1988, o Partido dos Trabalhadores girou para uma posição de defesa do quandro constitucional vigente. As sucessivas vitórias eleitorais do partido em prefeituras fizeram o PT acreditar que poderia vencer dentro das regras do jogo da constitiunte de 1988. Assim a luta pela constituinte foi abandonada, mesmo que o programa constitucional ainda estivesse por ser atendido, neste período as reivindicações que devem ser atendidas por uma constituinte na verdade regrediram . Nas próximas postagens da serie ilusões constitucionalistas abordaremos o temas tipicos de uma constituinte , como reforma agraria , soberania e recursos naturais, desenvolvimento ciêntifico e industrial, perseguição politica, faremos o balanço da rica experiência constituinte da Venezuela e Bolivia e sua resistência ao imperialismo .

As principais burguesias imperialistas reposicionam suas peças no tabuleiro mundial da luta de classes. Parte 2- O retorno do Altermundialismo

Na primeira parte deste texto “As principais burguesias imperialistas reposicionam suas peças no tabuleiro mundial da luta de classes. Parte 1-Um balanço de 2021” terminamos discutindo as ações decididas pela conferencia pela “democracia” de Biden, onde citamos as principais conclusões

1. Apoiar a imprensa independente

– Criação do Fundo Internacional para a Mídia de Interesse Público, voltado para ajudar meios de comunicação a se manterem. Aporte inicial será de US$ 30 milhões

– Criação do Fundo de Defesa contra a Difamação para Jornalistas, para ajudar profissionais a se defenderem de ataques físicos, virtuais e de ações na Justiça. Aporte inicial de US$ 9 milhões, e de mais US$ 3,5 milhões para criar uma Plataforma de Proteção ao Jornalismo.

2. Combater a corrupção

– Formação de um Consórcio Global Anti-Corrupção, com participação do Departamento de Estado e verba inicial de US$ 6 milhões, com objetivo de conectar e apoiar jornalistas e entidades civis que fiscalizam gastos públicos.

– US$ 5 milhões em um programa de proteção para delatores, ativistas, jornalistas e outros agentes anti-corrupção em risco.

– Mudanças para ampliar a transparência de negócios nos EUA, como a compra de imóveis em dinheiro vivo, de modo a dificultar lavagem de recursos.

– Criação de programas de parcerias com empresas e ONGs para criar novos mecanismos de fiscalização.

3. Ampliar participação democrática

– US$ 33,5 milhões em uma iniciativa para ampliar a presença de mulheres na política. Haverá também um fundo de US$ 5 milhões para a inclusão e empoderamento de pessoas LGBTQIA+.

– US$ 10 milhões para apoiar entidades civis e de direitos humanos em risco

– US$ 122 milhões para ajudar trabalhadores pelo mundo a reivindicarem seus direitos

4. Avançar em tecnologias

– Defender o modelo de internet aberta, segura e estável e expandir iniciativas digitais de promoção de valores democráticos.

– Medidas para impedir o uso da internet para desrespeitar direitos humanos. Haverá US$ 4 milhões para um fundo destinado ao combate da censura.

5. Defender eleições livres

– US$ 2,5 milhões para uma Coalizão para Assegurar Integridade Eleitoral, que unirá governos e ONGs.

– US$ 17,5 milhões para um Fundo de Defesa de Eleições Democráticas, para buscar soluções de combate à tentativas de desacreditar votações.

e availamos que

Os itens. levantados por Biden parecem óbvios, financiar os aliados dos interesses da burguesia Estadounidense pelo mundo, generalizar operações tipo lava jato, cooptar movimentos independentes, que reivindiquem direitos justos, porém sem conseguirem compreender o papel do imperialismo na negação a estes mesmos direitos e um mecanismo fundamental nesse dispositivo são as Organizações Não Governamentais. A estratégia é cooptar, pois a repressão aberta e simples não funcionou, então arrancar do movimento operário e das organizações populares a sua independência é a tarefa que Biden coloca. Agora é necessário encontrar lideres operários, camponeses e populares, que em nome do suposto pragmatismo, concordem em abrir mão de sua independência politica para serem agentes, mesmo que inconscientes, do imperialismo dos EUA.

Retomando o texto nessa parte dois precisamos recordar, que na a falecida revista Ciência & Revolução no texto Davos, FMI e o difícil equilíbrio do Sistema tínhamos detectado uma fala do megaespeculador George Soros no Forum Econômico Mundial, onde Soros anunciava a doação de um bilhão para a criação de um fundo contra governos fascistas(fonte original aqui). No Brasil o LAUT -Centro de Analise Liberdade e Autoritarismo- fundado em 2020,é financiado pela Fundação Open Society de George Soros, como pode ser visto aqui. Aparentemente o LAUT seria um dos esforços que esta faz parte desta rede de ONGS sustentadas pelo George Soros, mas existem outras iniciativas. A falecida revista teórica Ciência & Revolução mapeou a ação de ONGS norte americanas no artigo “A armadilha do “Fora Bolsonaro” é parte da sabotagem que começou com a lava jato e visa gerar uma intervenção do imperialismo na Amazônia“.

Em texto recente acerca das relações da operação Lava Jato no Peru, detectamos uma relação entre o último discurso de campanha de Biden e um editorial no The New York Times escrito por Jorge Zarate.  À primeira vista, poderia ser um caso isolado da ação do imperialismo, valendo-se da dor dos povos originários do Peru, abandonados pelo poder central; porém, Yahoo Notícias relata uma aproximação da deputada federal e líder indígena JoeniaWapichana, da Rede Sustentabilidade, com a parlamentar norteamericana Deeb Halland. Segundo o Yahoo, os povos indígenas saíram na frente de Bolsonaro quanto à relação com Biden. Outras ações do Partido Democrata dos EUA, dirigidos aos povos indígenas brasileiros, também foram relatados pelo jornal O Estado de Minas, como o destaque sobre a líder indígena Alessandra Korap Munduruku, laureada com o prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos.  O prémio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos foi criado em homenagem ao irmão do presidente Jonh Kennedy, Robert F. Kennedy, Procurador Geral em Nova York e assassinado em 1968. A mesma organização, em 2017, premiou o ativista venezuelano Alfredo Romerodiretor da Ong Foro Penal. Uma visita ao sítio da Ong deixa claro que se trata de um opositor radical ao chavismo, todo tempo atacando o governo venezuelano, acusando-o de violar direitos humanos, mas silenciando diante do bloqueio a que a própria Venezuela está submetida pelos EUA. A Organização Robert F.Kennedy de Direitos Humanos e o Foro Penal têm uma intensa parceria como podemos ver neste relatório de supostos desaparecimentos políticos na Venezuela.

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2021/02/a-armadilha-do-fora-bolsonaro-e-parte.html

Em que sentido isso seria um reposicionamento da burguesia imperialista?

O reposicionamento da burguesia imperialista tem obviamente muitas frentes, pois estamos tratando de ações em escala planetária e certamente esta associado com o enorme endividamento das principais nações imperialista em especial do imperialismo mais poderoso, gastaremos ainda muito tinta analisando este problema em outro oportunidade, mas aqui, queremos retomar um texto , que foi publicado pelo extinto Circulo de Estudos Revolucionários Anderson Luis, no jornal Voz Operaria , ainda antes da criação da falecida revista Ciência & Revolução. Onde o falecido Circulo detectava:

Organizacoes populares: da integração para a aniquilação

Na década passada, simultaneamente ao Fórum Econômico se realizavam também os Fóruns Sociais (FSM), onde organizações populares e de classe pretendiam fazer um contraponto à globalização. Diluídas dentro do conceito amplo de sociedade civil, que encobre os antagonismos entre as classes sociais, muitas das organizações que afluíam a Porto Alegre para o Fórum Social Mundial recebiam incentivos financeiros do megaespeculador George Soros (https://www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/economia-e-politica-direto-ao-ponto/post/5476997/por-que-george-soros-financia-movimentos-de-esquerda-entenda), que na primeira edição fez uma videoconferência com os delegados do FSM.

O FSM teve a maioria de suas edições em Porto Alegre, cidade modelo da democracia participativa, neste caso, aplicada principalmente ao orçamento (https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/No-Sul-democracia-participativa-volta-a-agenda-politica/4/16616).  A ideia apresentada era que a população tivesse o direito de escolher as prioridades orçamentárias. Em tempos de ajuste e austeridade fiscal que os Fóruns Econômicos Mundiais anunciavam, era preciso aplacar a insatisfação popular com o não atendimento de suas demandas. Dar à população o direito de decidir o que fazer com o que sobrava do orçamento depois do pagamento das dívidas ajudava a comprometer os movimentos reivindicativos com a “responsabilidade fiscal”, tornando o ajuste digerível. Na vida real, o Orçamento Participativo na forma de plenárias por região, onde e quando foi aplicado, acabou levando a perda de importância das associações de bairros e, ao invés de satisfazer a população, levou ao desgaste das administrações petistas nestas cidades.

Um novo cenário comeca a ganhar forma a partir da crise de 2008, que  fecha as margens de negociacao sobre o que (nao mais) sobra do banquete imperialista

(http://www.ceap-rs.org.br/participacao-social-e-capitalismo-pos-crise-de-2008/) e a forma do imperialismo se relacionar com as organizações operárias começa a mudar. Ao invés de chamá-las para acompanhar os ajustes, passou a excluí-las das discussões e dos espaços da “sociedade civil”, e ato contínuo para uma política que busca sua completa eliminação. O lugar que Lula já ocupou em edições anteriores do FEM e o lugar onde Lula estava durante o FEM 2019 é exemplar deste giro político. A evolução dos acontecimentos na direção de uma guerra acaba sendo simultânea a uma política de aniquilação das organizações que poderiam se insurgir contra ela, o que se configura como uma tendência em diversos países. A resistência que estas organizações podem opor à um ataque direto, porém, não é mais a mesma. Foi minada pelos anos de integração e dependência política e financeira, cuja consequência notável é a perda de influência sobre as massas e a abertura do flanco por onde se esgueiram alternativas aventureiras pretensamente nacionalistas.

A pregação do Fórum Econômico de Davos contra o nacionalismo (https://www.terra.com.br/economia/davos-se-adapta-para-frear-nacionalismo,dd35126e516aab9ffaaef6943fcbc7d3epgykgot.html) mostra a consciência dos agentes econômicos internacionais sobre a difícil situação política mundial, que se apresenta com tendência à polarização em todos os países, mas não esconde a ganância de se apropriarem das conquistas sociais que se inscrevem como direitos nos marcos legais dos mais diferentes países. E se um povo se agarra primeiro em suas organizações nacionais na batalha para preservar direitos, são elas os primeiros alvos de uma política de destruição dos povos. O combate ideológico aos nacionalismos encabeçado por Davos é, tão somente, uma maneira de justificar a destruição dos direitos nacionais e democráticos dos povos, que, longe de evitar guerras, as produz sempre que necessário.

https://vozoperariarj.com/2019/02/21/a-luta-contra-a-guerra-parte-i/

Apos uma serie de revezes sofridos pelo imperialismo, que listamos abaixo:

  • Derrota na tentativa de derrubar Maduro na Venezuela
  • Retirada do Afeganistão
  • Aumento do endividamento das burguesias centrais- ver parte 1 deste texto
  • Proliferação de empresas zumbis- ver parte 1 deste texto
  • Incapacidade de contenção de movimentos na Bolivia e no Chile
  • Liberdade de Lula

As burguesias imperialistas precisaram repensar seu posicionamento e chamar novamente as direções das organizações operárias para conversarem, propondo a elas, um novo pacto de cogestão da crise imperialistas, permitindo que alguns de seus lideres voltassem a liderança de suas naçõe , exemplo Evo e Lula, para administrarem as consequências desastrosas dos golpes e ao mesmo tempo, acalmarem suas bases, que como temia Kristalina Georgieva presidente do FMI

Em todas as economias, um imperativo chave —e cada vez mais pertinente num período de crescente descontentamento— consiste em ampliar a inclusão e garantir que as redes de proteção social estejam de fato protegendo os mais vulneráveis, e que as estruturas de Governo reforcem a coesão social”

https://cienciaerevolucao.blogspot.com/2020/02/davos-fmi-e-o-dificil-equilibro-do.html

Georgieva continua

o agravamento do mal-estar social em muitos países —devido em alguns casos à deterioração da confiança nas instituições tradicionais e a falta de representação nas estruturas de governo— poderia abalar a atividade [econômica], complicar as iniciativas de reforma e prejudicar a atitude, o que faria o crescimento diminuir para aquém do projetado”.

Neste sentido as organizações dos trabalhadores e, principalmente suas direções, estão chamadas a administrarem a crise de decomposição do modo de produção capitalista, retomando a posição conciliadora e virando, portanto, as costas aos mandatos recebidos por suas bases, logo a perseguição politica detectada pelo Circulo de Estudos Revolucionários Anderson Luis muda de orientação, certamente a não compreensão deste fato levou a destruição do circulo e ao fechamento de Ciência & Revolução.

A questão não é menor, pois o fenômenos que vemos agora correspondem uma transição, de onde as direções conciliadoras, que foram perseguidas, voltam a um papel de conciliação, contudo ao fazerem isso, precisam em grande parte negarem o golpe que receberam, ainda que para elas seja impossível nega-lo totalmente, mas nesse momento as direções da classe trabalhadora , anseiam por serem totalmente reintegradas ao seu papel de conciliação. Este cenário enquadra perfeitamente o preocupante discurso de Lula no Parlamento Europeu.

É o que Kalus Schwab chama de “O Capitalismo das partes interessadas“. Voltaremos a essa questão na parte 3 desta serie.

A sagrada Eleição e o pecaminoso partido- A perseguição ao direito à auto-organização.

Existem dois vícios no movimento operário que parecem antagônicos, mas expressam de formas diversas a mesma censura a auto-organização popular e operaria:

A Censura ao Partido nas causas populares

O primeiro ocorre contra militantes de base de partidos operários, quando imersos em suas lutas nos sindicatos, grêmios e centro acadêmicos e nessas lutas oferecem a ajuda do partido, em especial do PT , porque é o PT , o único partido que têm condições reais de ajudar alguma luta de algum trabalhador em alguma parte do pais. Quando esse apoio é sugerido, em grande parte das categorias profissionais e de frentes estudantis, a ajuda é rechaçada, com uma censura que beira as raias do fascismo, negando até mesmo o direito do militante expor sua camiseta, sua estrelinha, ou as vezes um símbolo do partido qualquer. Que petista nunca foi acusado de ser de uma chapa petista? Como se isso fosse um crime! Essa é a censura ao direito do trabalhador organizar-se no partido que quiser e este partido expressar sua posição politica a hora que quiser. A consequência deste vicio é curioso porque acaba expressando a aproximação do sindicato, centro acadêmico, ou qualquer outra instancia aos limites da institucionalidade, onde inevitavelmente a demanda acaba sufocada e a reivindicação é negada. Neste caso, o apoio do partido representaria é deixado de lado e a luta, que poderia ser generalizada para outros lugares onde casos parecidos ocorrem, é abafada. Consistindo em uma limitação da ação da base do partido, porem o mais importante, uma limitação ao direito de auto-organização. Normalmente ONGS e assemelhados, não sofrem este tipo de perseguição politica, a diferença é que ONGS são um tipo de organização que não possui independência de classe, sendo muitas vezes sustentadas financeiramente diretamente por fundos ligados ao imperialismo. Logo , são um instrumento de controle.

A censura à critica aos dirigentes partidários as vesperas da eleição

O Segundo caso é a censura à critica aos dirigentes partidários. Na falecida revista Ciência & Revolução um artigo assinado por mim foi censurado e publicado no Voz Operária. Foi exigido que o texto fosse amputado no seguinte trecho:

É necessário defender o PT nesse cenário eleitoral, pois uma votação expressiva do partido em qualquer lugar é uma demonstração de força, contudo acreditar que o PT terá alguma chance nos principais centros é outra coisa, dada a forma como o partido vem sendo tratado, não seria surpresa alguma, que em caso de vitória, em alguma grande capital, o prefeito petista fosse impedido de assumir. Como fizeram com Evo Morales na Bolivia. O que impediria uma onda de mentiras legitimasse um ato autoritario deste tipo?  Porem a resitência já se mostrou possível e  um exemplo de resitência vitoriosa,  teve lugar no Brasil recentemente , onde o pequeno Comite Volta Dilma conseguiu que o militante de extrema direita Itagiba Catta Preta, que ocupa o cargo de juiz,  se declarasse suspeito para julgar a ação popular pela anulação do impeachment de Dilma Roussef . 

O Titulo original também foi censurado, o texto deveria ser chamado “Eleições livres onde?”. Pois havia uma avaliação de que não poderia ocorrer eleições livres debaixo de golpe e de pandemia, neste sentido a eleição dos EUA , que levou Biden ao poder também não seria livre, pois além das limitações usuais impostas pelo sistema eleitoral nos EUA e aqui ainda havia o acréscimo das condições de pandemia, onde os trabalhadores não poderiam fazer campanha por seus candidatos sem correr o risco de contaminar suas familias, nada disso pode ser dito. Ninguem poderia questionar a sagrada eleição e todos os militantes deveriam oferecer-se alegremente em holocausto no altar da democracia burguesa.

Felizmente os camaradas do Voz Operária gentilmente cederam lugar a este texto, que era o prenuncio do fim da revista Ciência & Revolução. E a ilusão no quadro eleitoral era tão grande, que no texto não havia qualquer critica explicita a qualquer candidato ou mesmo a direção do pt. O problema era que o texto poderia desanimar a base partidária a sair para as ruas enfrentar o vírus. O texto de balanço das eleições foi publicado “Balanço das Eleições Municipais: Vitória do Covid-19 , o único resultado possível sob um Estado cada dia mais mafioso“. Foi publicado no blog da revista e sinalizou o fim do agrupamento que editava a revista e dando inicio a disputa pelo nome Ciência & Revolução, pois não há entre os membros do Comitê Editorial Ciência dos Trabalhadores, nenhum remanescente dos fundadores de Ciência & Revolução, há apenas a continuidade da ideia. Esse fato nos obrigou a mudar nossa denominação para Ciência dos Trabalhadores.

A Censura ao camarada Leninista Bolchevique.

Recentemente o camarada Leninista Bolchevique, durante o recesso de nosso comitê editorial, fez uma tribuna livre da luta de classes , onde ele analisa detalhadamente o discurso de Lula no Parlamento Europeu. Leninista tem suas posições, é direito de qualquer um discordar, quem discorda escreva um texto rebatendo e demonstrando as falhas da argumentação do camarada. Recentemente Rodrigo Silva , um de nossos leitores , escreveu duras criticas a um texto meu, que depois foi respondida aqui. Gabriel e Ediane também já divergiram publicamente. Tudo com respeito e argumentos e ninguém precisa ficar convencido, os debates continuam, ainda que não tenham aparecido como novos textos. Rodrigo Silva esta prometendo uma tréplica que nunca entrega.

Censuras não podem ser toleradas

Desde 1989 nas vésperas de eleição, que toda e qualquer critica ao Lula e a direção petista é vetada! Sempre aparece algum petista, que se sente no direito de dizer que tal coisa não pode ser dita, porque vai atrapalhar a eleição de Lula ou de algum outro petista. A questão é que Lula foi eleito duas vezes, Dilma mais duas, ocorreu um golpe, mesmo durante as gestões petistas reivindicações operarias justas foram negadas, outras foram atendidas, é justo que as pessoas queiram fazer o balanço .

  • Será que a participação na ação da ONU no Haiti, que acabou potencializando generais como Heleno, foi uma boa ideia?
  • Qual foi o motivo de até hoje depois de quatro gestões petistas não termos uma reforma agraria?
  • Caso a Vale tivesse sido reestatizada os desastres de Mariana e Brumadinho teriam ocorrido?
  • Por que o superavit fiscal primario e o tri-pé macro econômico não foi revogado?
  • Por que venderam a mentira da CPI da COVID como uma possibilidade de punição a Bolsonaro?
  • Por que leis como a Lei da Responsabilidade Fiscal não foram revogadas?
  • Por que a população carcerária cresceu tanto mesmo durante os governos do PT?
Fonte aquihttps://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-06/populacao-carceraria-quase-dobrou-em-dez-anos

A adaptação as eleições

A ilusão de que eleições podem resolver alguma coisa, é um vicio que persiste, ainda que a realidade já tenha mostrado o quanto militado é o quadro da ação institucional. O exemplo disso é a falaciosa campanha “Fora Bolsonaro”, uma campanha que na pratica resultaria em um impeachment e embora Bolsonaro tenha feito o que quis , agredido quem quis , nunca passou nem perto de ser derrubado, porem os balanços a este tipo de ação são sempre róseos, apontando um desprezível crescimento de manifestações de rua, que mais parecem micaretas de covid, enquanto os números de mortos só crescem e como demonstrou Leninista bolquevique , as greves nos setores onde os aparelhos dirigentes tem menos influencia cresceram substancialmente, mas foram abafadas , indicando que o aparelho dirigente esta jogando um papel contra a mobilização operaria enquanto finge mobilizar com falácias como o “Fora Bolsonaro” expondo sua base ao risco de pegar covid,-19 por absolutamente nada. E ao mesmo tempo, intelectuais gabaritados xingam o povo de burro e ignorante de seus gabinetes acarpetados. Se o período pré-eleição esta assim, então não da pra acreditar que as eleições vão mudar alguma coisa de relevante.

A independência é inegociável

Repudio veementemente a tentativa de constrangimento contra Leninista Bolchevique e cobro publicamente um posicionamento de nosso comitê editorial. Caso não ocorra, o comitê mostrara que essa revista nunca passou de uma falácia.

As principais burguesias imperialistas reposicionam suas peças no tabuleiro mundial da luta de classes. Parte 1-Um balanço de 2021

Um dos objetivos desta revista é tratar de temas, que usualmente não são tratados pelas organizações operárias. Por isso dificilmente teremos analises de conjuntura por aqui, pois para fazermos tais analises e sermos devidamente compreendidos, precisamos que nossos leitores entendam alguns conceitos, que são parte do arsenal teórico do marxismo, sem o entendimento destes conceitos, a experiência de leitura de nossos textos fica seriamente prejudicada! Conceitos esses oriundos de escolas do marxismo, há muito marginalizadas, perseguidas pelos doutos acadêmicos, excluídas do debate nos círculos dirigentes do movimento operário. Por isso fazemos o tempo todo series de revisões de conceitos marxistas, para que quando necessitemos fazer uma analise de conjuntura, possamos lançar mão destes conceitos revisados. Este é o caso aqui. Abriremos exceção e faremos uma analise de conjuntura por ocasião do encerramento do ano de 2021, fazendo uma breve revisão de conceitos marxistas necessários para compreender nossa analise e depois partido aos fatos do ano de 2021, que indicam a existência de uma crise de dominação da burguesia imperialista dos EUA e algumas das consequências imediatas para essa crise. Logo não se trata de uma retrospectiva que recupera cada fato mês a mês, mas um resumo das consequências mais importantes.

Pequena revisão conceitual

No livro -Imperialismo fase superior do capitalismo- ,ao qual estamos dedicando uma serie de artigos, (veja aqui e aqui ), existe um capitulo intitulado -A critica do Imperialismo-, voltaremos a este assunto, em seu devido tempo no desenvolvimento da serie de artigos- o que é o imperialismo?- porém aqui, somos obrigados a fazer referência a este capitulo, pois nele, Lenin polemiza com Kaustki( um marxista alemão que a essa altura migrava para uma posição anti-marxista) acerca das consequencias do imperialismo. A polemica pode parecer boba, até certo ponto, pois Lenin e Kaustiki usam conceitos parecidos, mas Kaustki chega a conclusões erradas. Resumimos então a critica de Lenin a Kaustki.

Com efeito, basta comparar fatos notórios , indiscutiveis , para nos convencermos da falsidade das perspectivas que kaustiki tenta inculcar nos operários alemães e no proletariado internacional

Imperialismo Fase Superior do Capitalismo Editora Nova Palavra pagina 139

Lenin passa a considerar a perspectiva de um acordo entre as principais burguesias imperialistas do Mundo e suas consequências.

Tomemos o exemplo da India, Indochina(Nota de C&T veja aqui o que Lenin chama de Indochina) e da China sabemos que essas três colônias e semicolônias, com uma populaçãop entre 600 e 700 milhões de habitantes, encontram-se submetidas à exploração de varias potencias imperialistas: Inglaterra, França, Japão, EUA e etc. Suponhamos que esses paises imperialistas formem alianças opostas entre si, com o objetivo de defender ou alargar possessões, ou seus interesses “áreas de influencia” na região. … Suponhamos que todas essas potencias imperialistas constituam uma aliança para a partilha “pacifica” destes países asiáticos esta será -uma aliança do capital financeiro unido internacionalmente-. Na história do seculo XX , encontramos casos concretos de alianças desse tipo …. Sera possivel , considerando a manutenção do capitalismo , que essas alianças não sejam de curta duração

IMperialismo Fase Superior do Capitalismo , Editora Nova Palavra, Pagina 140

Lenin resume seu questionamento , deixando ainda mais claro

Será concebível que eliminem -se as fricções, os conflitos e a disputa, sob todas as formas possíveis e imagináveis entre as potencias?

Imperialismo Fase Superior do Capitalismo , Editora Nova Palavra, Pagina 140

A resposta é hoje ainda mais dramática do que na época de Lenin. Assim o imperialismo é uma época, a época da “reação em toda a linha“, uma época em que as crises se sobrepõem umas as outras. E que a cada momento as diversas burguesias imperialistas precisam buscar uma reorientação de suas ações e de suas relações para preservar os seus interesses. Então, não é possível a existência de um pacto duradouro entre as potencias imperialistas e o exemplo mais dramático é a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que foi descrita como um pacto em estagio de morte cerebral por Emmanuel Macron (v aqui e aqui).

Sintomas de uma decadência relativa, ou a impossibilidade do sistema encontrar um Estado de equilibrio?

Recentemente traduzimos um texto do economista Michael Roberts acerca da saida dos EUA do Afeganistão. Michael Roberts explicava:

O rápido colapso do governo fantoche do Afeganistão quando as tropas americanas se retiraram da guerra com o Talibã e deixaram o país após 20 anos foi comparado à queda de Saigon no final da guerra de 30 anos “americana” contra o povo vietnamita. As cenas de afegãos tentando entrar em aviões americanos no aeroporto para escapar parecem surpreendentemente familiares para aqueles de nós que se lembram dos últimos dias de Saigon.

As semelhanças não param por ai , mas a crise do capitalismo é muito mais aguda do que era na decada de 60. A cooperação entre os diversos imperialismo, constituida no pós guerra, começou a ruir

faz 50 anos até o mês em que funcionários do governo do presidente Nixon se reuniram secretamente em Camp David para decidir sobre o destino do sistema monetário internacional. Nos últimos 25 anos, o dólar americano havia sido fixado ao preço do ouro (US$ 35/oz) por acordo internacional. Qualquer um que tenha um dólar pode se converter em uma quantidade fixa de ouro das reservas dos EUA. Mas em agosto de 1971, o presidente Nixon foi à televisão nacional para anunciar que havia pedido ao secretário do Tesouro, John Connally, para “suspender temporariamente a conversibilidade do dólar em ouro ou outros ativos de reserva”.

Esse foi o inicio da queda dos acordos de Bretton-Woods e que teve outro ponto de inflexão na queda do Muro de Berlin, cujo entre os escombros não estão apenas tijolos e ferragens, mas também os acordos de Yalta-Potsdam. Assim a crise não é apenas uma crise de hegemonia da burguesia imperialista dos EUA, mas uma crise mais ampla de todo o modo de produção. A prova disso é que os imperialismos concorrentes aos EUA, não lhe conseguem fazer frente

apesar do declínio econômico relativo do imperialismo americano, o dólar americano permanece supremo.

A unica tentativa concreta de enfrentar o dolar como moeda de troca internacional por parte dos imperialismos concorrentes foi

De fato, uma das razões para a União Europeia, liderada pela capital franco-alemã, decidir estabelecer uma união monetária única na década de 1990 foi tentar quebrar a hegemonia do dólar do comércio internacional e das finanças. Esse objetivo teve apenas um sucesso limitado, com a participação do euro nas reservas internacionais estável em cerca de 20% (e quase tudo isso devido às transações intra-UE).

Essas tentativas frustradas das burguesias imperialistas franco-alemão, incapazes fazer frente a burguesia imperialista dos EUA, temos agora um reposicionamento dos imperialismos dos dois lados do Atlantico.

Um reposicionamento das burguesias imperialistas Estado-Unidense e Francesa

Um conflito particularmente interessante entre as diversas burguesias imperialistas tem sido o protagonizado pelas burguesias francesas e norte americanas. Um texto em 4 de outubro de 19 na falecida revista Ciência & Revolução percebia uma disputa entre essas duas burguesias pela influencia na Argélia (veja aqui). Depois disso muitos outros capitulos foram escrito e o protagonismo de Emanuel Macron denuncia essa crise.

As relações entre Africa, em particular a região do Magreb, e União Europeia(veja aqui uma explicação do que é a União Européia) são obviamente antigas . Inclusive já se pretendeu um tratado de livre comercio Magreb(Norte da Africa) e a União Européia, tendo como um dos entraves a crise migratória. Contudo, Macron tem feito esforços para manter o domínio Frances na região, entre esses esforços recentes esta o encontro organizado conjuntamente por Macron e o intelectual supostamente de esquerda Achille Mbembe . Nesse inicio de ano a França assume a presidência rotativa do bloco Europeu e Macron estabelece os seguintes objetivos para essa presidencia

O espaço Schengen é a politica da livre circulação de pessoas pelo bloco Europeu

Nas palavras do próprio Macron:

Para evitar que o direito de asilo, que foi inventado no continente europeu e que é uma honra nossa, seja mal utilizado, precisamos, absolutamente, de encontrar uma Europa que saiba proteger as suas fronteiras e de encontrar uma organização política que nos coloque em condições de defender os seus valores, razão pela qual iremos iniciar, sob esta presidência, uma reforma do espaço Schengen

https://pt.euronews.com/2021/12/09/seis-prioridades-de-emmanuel-macron-para-a-presidencia-francesa-da-ue

A questão da crise migratória aparece aqui. Vemos portanto, que a destruição da Siria, como do Oriente Médio foi provocada pelas ações da OTAN, portanto, a crise migratória no Mediterraneo é uma consequência direta da ação das organizações que congregam as diversas burguesias imperialistas. A reforma do Estatuto do migrante na UE é portanto uma resposta a consequências das próprias ações dos grande deste Mundo. Sendo assim, uma das marcas da administração Macron e, acima disso, o resultado da cooperação “harmonica” entre as diversas burguesias imperialistas. Dito de outra forma; a crise migratória consiste assim, no resultado pratico e exemplar de quando as diversas burguesias imperialistas conseguem agir em harmonia.

  • Defender o modelo social da Europa

A proposta concreta nesse sentido, é um modelo de serviço jovem europeu, que pode ser o embrião do exercito pan-Europeu. Na pagina do parlamento Europeu, vemos detalhadamente esse projeto. Obviamente que esse exercito pan-Europeu seria uma rebeldia da união Européia e uma tentativa de autoafirmação frente a burguesia imperialista mais poderosa do Mundo a burguesia estado-unidense. Esse ponto é um dos pontos mais tensos nas relações Inter imperialistas.

  • Reconciliar ambições climáticas com o desenvolvimento económico

Deixemos que o próprio Macron explique

Sob a presidência francesa, um dos nossos objetivos será implantar o Mecanismo de Ajustamento das Emissões de Carbono nas Fronteiras, a famosa taxa de carbono nas fronteiras da Europa, que nos permitirá fazer a transição [verde] para todas as nossas indústrias, preservando a nossa competitividade,

https://pt.euronews.com/2021/12/09/seis-prioridades-de-emmanuel-macron-para-a-presidencia-francesa-da-ue

Assim Macron quer criar no espaço Europeu o mercado de créditos de carbono. O IMPAM tem uma cartilha que explica o que é esse tal Mecanismo de Ajustamento das Emissões de Carbono

Países do Anexo I (basicamente os desenvolvidos) que tiverem limites de emissões sobrando (emissões permitidas, mas não usadas) podem vender esse excesso para outras nações do Anexo I que estão emitindo acima dos limites.

Uma das principais corretoras para o comércio de emissões é a European Climate Exchange

https://ipam.org.br/cartilhas-ipam/o-que-e-e-como-funciona-o-mercado-de-carbono/

Temos aqui a pagina dessa European Climate Exchange e aqui a regulamentação da UE sobre o assunto. A criação de um mercado de carbono, nada surpreendente, a UE frente a eminencia de extinção da humanidade pelo aquecimento global, resolve entregar a gestão das emissões de carbono a , como dizia Einstein, anarquia econômica da sociedade capitalista. Sendo essa uma das prioridades da presidencia rotativa da França sob a gestão de Macron. Essa prioridade não deixa de estar em acordo com os principios do Green New Deal, veja o artigo -Aquecimento Global e a destruição das forças produtivas- Ciência dos Trabalhadores numero 1

  • Transformação digital à cabeça das prioridades

Visitando mais uma vez o site do parlamento Europeu vemos que essa politica para a segurança digital trata-se de

reforçar as capacidades da Europa e abrir novas oportunidades para empresas e consumidores

https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/priorities/transformacao-digital/20210414STO02010/transformacao-digital-importancia-beneficios-e-politica-da-ue

  •  Estado de Direito “não é negociável”

Frente a implacável repressão da recente greve dos ferroviários (veja aqui) e a onda de greves que se prepara na França (v aqui). Imaginemos que Estado de Direito seja sinônimo de ambiente tranquilo para empresas e consumidores.

Esse conceito -Estado democratico de direito- é um verdadeiro fetiche, uma palavra vazia que na cabeça da burguesia significa bons ambientes para negocios e não mais que isso! O texto da falecida revista Ciência & Revolução mostra claramente o papel da governança capitalista na Zona do Euro, não é mais do que uma blindagem das instituições e do Estado contra as pressões populares. No Brasil a regulamentação fiscal ocupa um papel parecido.

A cúpula pela “Democracia” de Biden- Um momento de reposicionamento do Imperialismo após diversas revezes

O imperialismo mais poderoso do Mundo, passa em revista as suas forças na cupula convocada por Biden. Bolsonaro foi um dos convidados, mesmo após a derrota de sua principal missão no continente Sul Americano; derrubar o governo de Maduro; Bolsonaro continua sendo um importante aliado na guerra comercial contra a China e Rússia no continente. O mandato do próprio Biden na frente da Casa Branca é expressão de uma nova orientação da burguesia imperialista Estado-Unidense, após o fracasso de Trump e sua declarada truculência. A burguesia imperialista resolveu repensar suas ações no mundo, como mostrou a falecida revista Ciencia & Revolução no artigo –Davos , FMI e o Dificil equilibrio do sistema– onde relata-se os debates que tiveram lugar no Cupula de Davos de 2020. Essa Cupula pela democracia, realizada no inicio de dezembro de 2021 , não teve declaração final. Contudo, foram listadas algumas medidas concretas:

1. Apoiar a imprensa independente

– Criação do Fundo Internacional para a Mídia de Interesse Público, voltado para ajudar meios de comunicação a se manterem. Aporte inicial será de US$ 30 milhões

– Criação do Fundo de Defesa contra a Difamação para Jornalistas, para ajudar profissionais a se defenderem de ataques físicos, virtuais e de ações na Justiça. Aporte inicial de US$ 9 milhões, e de mais US$ 3,5 milhões para criar uma Plataforma de Proteção ao Jornalismo.

2. Combater a corrupção

– Formação de um Consórcio Global Anti-Corrupção, com participação do Departamento de Estado e verba inicial de US$ 6 milhões, com objetivo de conectar e apoiar jornalistas e entidades civis que fiscalizam gastos públicos.

– US$ 5 milhões em um programa de proteção para delatores, ativistas, jornalistas e outros agentes anti-corrupção em risco.

– Mudanças para ampliar a transparência de negócios nos EUA, como a compra de imóveis em dinheiro vivo, de modo a dificultar lavagem de recursos.

– Criação de programas de parcerias com empresas e ONGs para criar novos mecanismos de fiscalização.

3. Ampliar participação democrática

– US$ 33,5 milhões em uma iniciativa para ampliar a presença de mulheres na política. Haverá também um fundo de US$ 5 milhões para a inclusão e empoderamento de pessoas LGBTQIA+.

– US$ 10 milhões para apoiar entidades civis e de direitos humanos em risco

– US$ 122 milhões para ajudar trabalhadores pelo mundo a reivindicarem seus direitos

4. Avançar em tecnologias

– Defender o modelo de internet aberta, segura e estável e expandir iniciativas digitais de promoção de valores democráticos.

– Medidas para impedir o uso da internet para desrespeitar direitos humanos. Haverá US$ 4 milhões para um fundo destinado ao combate da censura.

5. Defender eleições livres

– US$ 2,5 milhões para uma Coalizão para Assegurar Integridade Eleitoral, que unirá governos e ONGs.

– US$ 17,5 milhões para um Fundo de Defesa de Eleições Democráticas, para buscar soluções de combate à tentativas de desacreditar votações.

Os itens. levantados por Biden parecem óbvios, financiar os aliados dos interesses da burguesia Estadounidense pelo mundo, generalizar operações tipo lava jato, cooptar movimentos independentes, que reivindiquem direitos justos, porém sem conseguirem compreender o papel do imperialismo na negação a estes mesmos direitos e um mecanismo fundamental nesse dispositivo são as Organizações Não Governamentais. A estratégia é cooptar, pois a repressão aberta e simples não funcionou, então arrancar do movimento operário e das organizações populares a sua independência é a tarefa que Biden coloca. Agora é necessário encontrar lideres operários, camponeses e populares, que em nome do suposto pragmatismo, concordem em abrir mão de sua independência politica para serem agentes, mesmo que inconscientes, do imperialismo dos EUA.

Voltaremos a essa questão.

Michael Roberts: Para onde vai a economia global?

Apresentação:

Traduzimos mais um texto do economista Michael Roberts, que apresenta as perspectivas para a “recuperação” da economia global, pós pandemia. Para que este texto seja melhor compreendido, precisamos fazer menção a outros textos publicados aqui na revista anteriormente. O texto A atualidade do Manifesto do partido Comunista trás a definição do conceito de forças produtivas e demonstra que, o avanço da tecnologia não implica em crescimento das forças produtivas. Enquanto a serie de textos O que é o imperialismo? Parte 1 e Parte 2 começaram a abordar a destruição das forças produtivas na época da decadência imperialista. Esses temas, embora aflijam os trabalhadores no seu dia a dia, estão muito distantes do debate no interior das organizações operarias. Por isso, vamos sempre fazer revisões para que os conceitos possam ser melhor entendidos.

Roberts trás um debate pouco comum nas organizações que reivindicam a defesa dos trabalhadores, a discussão de como será, em escala global, a década de 20 deste século e os resultados preocupantes de comparações com a década de 20 do século passado.

Além da hipertrofia do capital especulativo, a atual década de 20 também é marcada pelo aparecimento das empresas zumbis, que sobrevivem unicamente graças ao sustento do Estado burguês. Hoje em dia, o programa oficial de partidos e organizações que reivindicam os trabalhadores, ou aquilo que costuma ser chamado de esquerda, defendem intervenção do Estado na economia, seguindo o bordão “precisamos colocar o pobre no orçamento“. Existe até uma mensagem viral nos grupos de zap petistas que diz o seguinte:

Uma constatação que cheguei depois se 5 anos de golpe: Estado mínimo = lucro máximo, para o grande capital. O Estado se exime de fiscalizar, e as grandes corporações ficam livres para maximizar seus lucros.
Retiram-se os direitos trabalhistas, previdenciários, à educação, saúde, cultura e etc.. dos trabalhadores em geral, através de teto de gastos, por 20 anos ou + mas é garantido a remuneração do capital através do pagamento de juros pelo Bacen..

Autor desconhecido

É possível entender, que a citação reflita o descontentamento com a politica econômica, mas ela esta errada, a primeira parte contradiz a segunda, pois esse entendimento, esta equivocado quanto ao papel do Estado burgues. Entende Estado, como um animal sem sexo, sem orientação de classe social , como explica Trotsky

O governo moderno nada mais é do que um comitê para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa. ” Nesta fórmula sucinta, que os dirigentes social-democratas desprezavam como um paradoxo jornalístico, encontra-se, na verdade, a única teoria científica sobre o Estado. A democracia idealizada pela burguesia não é, como pensavam Bernstein e Kautsky, uma casca vazia que se pode, tranqüilamente, encher sem se importar com o conteúdo. A democracia burguesa só pode servir à burguesia. O governo de “Frente Popular” dirigido por Blum ou ChautempsCaballero ou Negrin é tão somente “um comitê para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa”. Quando este comitê se sai mal em seus negócios, a burguesia expulsa-a do poder a pontapés.

https://cienciadostrabalhadorespt.com/2021/11/12/a-atualidade-do-manifesto-do-partido-comunista-prefacio-a-primeira-edicao-do-classico-de-marx-engels-publicada-na-africa-do-sul/

Certamente que seria, não defendemos que um trabalhador que queira lutar por melhores salários, tenha que primeiro, ler o manifesto do partido comunista, mas aqui é uma revista teórica, que pretende discutir teoria, ainda que reflita a teoria com a realidade do dia a dia dos trabalhadores, para realmente entendermos a realidade dos trabalhadores, precisamos primeiro entender o que esta sendo dito. As coisas precisam ficar claras e isso é um problema em toda a ciência, veja por exemplo a biologia, os nomes das espécies são cunhadas em latim para que não haja contradição e que todos os pesquisadores do mundo possam entender de qual espécie se trata, outro exemplo é a química onde existe a IUPAC , uma agencia responsável pela nomenclatura dos compostos químicos, veja aqui um acidente espacial causado porque a equipe não convencionou corretamente, qual sistema de unidades deveria usar. Então, por qual motivo na discussão politica poderíamos adotar termos sem rigor e cuidado?

Negar o caráter de classe do Estado burguês é negar a perseguição politica.

Vejamos alguns exemplos concretos, caso adotemos a designação Estado mínimo, estaremos deixando escapar o papel do Estado como aparato repressor, logo quando o Estado legitima ataques ao preço da mão de obra, imediatamente precisa compensar tomando medidas de repressão aos trabalhadores, veja aqui uma discussão sobre o problema da perseguição politica. Vejamos que na principal nação imperialista, temos uma queda das condições de vida do trabalhador e, ao mesmo tempo, um aumento da população carcerária. Seria coincidência? Discutiremos essa hipótese em outra oportunidade.

Estado Mínimo, onde?

A maioria das grandes economias opera com altas taxas de endividamento, sobrando pouco espaço para aumentar os investimentos, mesmo no Brasil de Bolsonaro, um pais semicolonial agroexportador, agora em dezembro, houve uma forte desoneração da folha de pagamento para 17 setores que mais empregam . A ideia é que pagando menos impostos estes setores possam empregar mais, porem isto gera aperto nas contas publicas e como explica Michael Roberts:

Ao limpar o processo de acumulação de tecnologia obsoleta e capital falido e pouco rentável, a inovação de novas empresas poderia prosperar. Schumpeter viu esse processo como quebrar monopólios estagnados e substituí-los por empresas inovadoras menores. Em contraste, Marx viu a destruição criativa como a criação de uma taxa de rentabilidade mais alta depois que os pequenos e fracos foram devorados pelos grandes e fortes.

https://thenextrecession.wordpress.com/2021/11/19/whither-the-global-economy/

Logo o Estado protege empresas da concorrência. Impede a sua eliminação, faz com que empresas privadas recebam dinheiro publico, mesmo sendo empresas com baixa produtividade, um caso comum aqui no Brasil é o problema do agronegocio, que não aceita a mudança do índice de produtividade da terra, que esta defasado em quase meio seculo. Protegendo fazendo pouco produtivas. Isso não é o Estado deixar de intervir na economia , é o Estado protegendo empresas.

Esse debate esta diretamente ligado ao problema da automação, veja no texto automação e revolução de Pierre Lambert , como a automação e o avanço da tecnologia atingia os trabalhadores na década de 60, porem existe uma questão. Muita gente acha que o avanço da tecnologia , representa um eterno folego para o capitalismo, discutimos em A atualidade do Manifesto do partido Comunista que isso não é verdade e que a tecnologia também se volta contra a classe trabalhadora, porem não é possível para a burguesia abandonar a mão de obra humana, pois o trabalho humano é a única mercadoria que uma vez consumida gera riqueza.

Colocar o pobre no orçamento, mas qual orçamento?

Colocar o pobre no orçamento, mas qual orçamento? Este orçamento sufocado pela emenda constitucional dos teto dos gastos e da regulamentação fiscal? O mesmo orçamento, que esta submetido a sagrada escritura do tripé macroeconômico, meta de inflação, contensão dos gastos públicos e cambio flutuante? Meta de inflação ficou para trás a muito tempo, como foi explicado aqui , contensão dos gastos públicos, essa sempre foi uma forma de legitimar a entrega de patrimônio publico via privatização, como colocar o pobre no orçamento com essa regulamentação fiscal vigente(Emenda Constitucional 95, Lei da Responsabilidade Fiscal e etc)?

O problema do cambio flutuante

O Cambio flutuante é hoje um sumidouro de dinheiro brasileiro para o mercado especulativo. Nada disso interessa ao povo trabalhador.

O proprio Michael Roberts em entrevista a revista Ciência dos Trabalhadores publicada como ebook(comprar aqui), sugeriu um caminho mais interessante.

Primeiro, deve haver controles de capital e um monopólio
estatal do comércio. Fluxos especulativos de capital estrangeiro devem ser bloqueados. As exportações e importações devem ser controladas pelo Estado.
Inevitavelmente, isso ameaçaria a livre circulação de capital para que o capital estrangeiro desaparecesse parcialmente.
Um governo socialista continuaria a desapropriar empresas estrangeiras em
setores-chave, bem como entidades empresariais locais e introduzir um plano de
investimento e produção. A força da moeda seguiria – como acontece na China.

Diante de todos esses problemas econômicos, que antes de serem resolvidos, precisam ser diagnosticados e nem isso hoje é debatido pelas direções do movimento operário, com esse texto pretendemos introduzir o debate sobre as perspectivas de medidas econômicas que um governo, que reivindicasse os trabalhadores, deveria tomar, quando teremos um governo assim e, ainda mais, como teremos um governo assim? Um governo que revogue todo o entulho do golpe de 2016, atenda as demandas que o PT deixou de atender em seus 13 anos , por conta da profissão de fé no marco institucional vigente , que em outras palavras, seria melhor definido como , a defesa dos contratos com o imperialismo. Principalmente a reforma agraria. Realmente não temos condições de discutir neste texto, mas temos condições de tentar entender o cenário global. Neste marco limitado, acreditamos, que esse texto ajuda bastante.

Com a palavra Michael Roberts.

Para onde vai a economia global?

Por: Michael Roberts

Como está indo a recuperação global após a pandemia covid? O consenso econômico é que as principais economias estão se recuperando rapidamente, impulsionadas pelo aumento dos gastos dos consumidores e do investimento corporativo. O problema à frente não é o retorno ao crescimento econômico sustentado, mas o risco de uma inflação mais alta ou duradoura nos preços de bens e serviços que poderia forçar os bancos centrais e outros credores a elevar as taxas de juros. E isso pode levar a falências entre empresas altamente endividadas e, em seguida, um novo colapso financeiro.

Enquanto esse risco estiver claramente lá nos próximos dois anos, haverá realmente uma recuperação sustentada do crescimento econômico nos próximos cinco anos? Vamos nos lembrar das previsões oficiais. O FMI calcula que até 2024 o PIB global ainda estará 2,8% abaixo de onde pensava que o PIB mundial estaria antes da queda da pandemia. E a perda relativa de renda é muito maior nas chamadas economias emergentes – excluindo a China, a perda é próxima de 8% do PIB na Ásia e de 4-6% no resto do Sul Global. De fato, as previsões para o crescimento médio real do PIB anual em praticamente todas as principais economias são para um crescimento menor nesta década em comparação com a década de 2010 – que eu chamei de Longa Depressão.

Parece não haver evidências que justifiquem a alegação de alguns otimistas tradicionais de que o mundo capitalista avançado está prestes a experimentar uma década de 2020 rugindo, como os EUA brevemente fizeram na década de 1920 após a epidemia de gripe espanhola. A grande diferença entre as anos 1920 e 2020 é que a queda de 1920-21 nos EUA e na Europa eliminou o “deadwood” de empresas ineficientes e pouco lucrativas para que os fortes sobreviventes pudessem se beneficiar de mais participação de mercado. Assim, depois de 1921, os EUA não só se recuperaram como entraram em uma (breve) década de crescimento e prosperidade. Durante os chamados 20 anos, o PIB real dos EUA subiu 42% e 2,7% ao ano per capita. Nada disso está sendo previsto agora.

E a razão é clara pela teoria econômica marxista. Um longo boom só é possível se houver uma destruição significativa dos valores de capital, física ou por desvalorização, ou ambos. Joseph Schumpeter, o economista austríaco da década de 1920, seguindo a deixa de Marx, chamou isso de “destruição criativa”. Ao limpar o processo de acumulação de tecnologia obsoleta e capital falido e pouco rentável, a inovação de novas empresas poderia prosperar. Schumpeter viu esse processo como quebrar monopólios estagnados e substituí-los por empresas inovadoras menores. Em contraste, Marx viu a destruição criativa como a criação de uma taxa de rentabilidade mais alta depois que os pequenos e fracos foram devorados pelos grandes e fortes.

É verdade que, depois de cair 35% no ano passado, os lucros corporativos globais apresentaram uma grande recuperação este ano e estão a caminho de terminar o ano pelo menos 5% acima de sua tendência pré-pandemia. Mas, se for certo, isso se manteria em contraste com o PIB real global, que permaneça 1,8% abaixo de sua tendência pré-pandemia.

Esse aumento nos lucros estimulou alguma recuperação do investimento produtivo (capex), talvez levando a um aumento de 5 a 10% em 2021. Mas os economistas do JP Morgan acham que isso pode ser de curta duração, pois sua ferramenta de previsão sugere uma queda no investimento “apesar do forte crescimento dos lucros”.

A diferença acentuada entre o crescimento dos lucros e o crescimento do investimento produtivo é um indicador-chave de que a década de 2020 não será como a década de 1920 para os EUA ou em outros lugares. Há duas razões fundamentais: primeiro, a baixa rentabilidade contínua (por isso significa lucros relativos ao investimento total nos meios de produção e na força de trabalho); e segundo, alta e crescente dívida corporativa e outras. Para evitar uma queda como 1920-21 ou 1929-32, na Grande Recessão de 2008-9, governos e bancos centrais reduziram as taxas de juros a zero e durante a queda do COVID se somaram à política monetária fácil com enormes programas de estímulo fiscal. O resultado é que não houve limpeza de “deadwood” corporativo. De fato, as chamadas empresas zumbis (onde os lucros não são suficientes para atender aos custos de empréstimos) ainda estão aqui e em número crescente.

Ascensão dos zumbis (dados bis)

Eu mencionei a ascensão dos zumbis em muitas ocasiões antes neste blog. Mas há novas evidências para apoiar a causa dessas empresas zumbis. Dois economistas marxistas argentinos, Juan Martin Grana e Nicolas Aguina, apresentaram recentemente um excelente artigo sobre empresas zumbis, intitulado, uma perspectiva marxista e minskyana sobre empresas zumbis. Veja esta gravação do YouTube de 22.36 a 42.30. https://www.youtube.com/watch?v=4GWUkbGaD-U. Grana e Aquina mostram empiricamente que

  • 1) essas empresas zumbis aumentaram em número desde as décadas de 1980 e
  • 2) a causa não é o custo crescente ou o tamanho de sua dívida, mas simplesmente porque essas empresas têm taxas muito mais baixas de lucro da produção, forçando-as a emprestar mais. Então zumbis são um problema melhor explicado pela teoria marxista, não pela teoria minskyeana.(Nota de Ciência dos Trabalhadores teorias minskyanas são referentes ao ecomomista pós kenesiano Minsky ver aqui)

De fato, devido à baixa rentabilidade do capital produtivo na maioria das grandes economias nas duas primeiras décadas do século XXI, os lucros do capital produtivo têm sido cada vez mais desviados para investimentos em ativos imobiliários e financeiros, onde os “ganhos de capital” (lucros com aumentos nos preços das ações e dos imóveis) têm proporcionado lucros muito maiores. Nas últimas duas décadas, o aumento dos valores dos ativos veio principalmente de aumentos de preços, e não de poupança acumulada e investimento. A McKinsey (veja abaixo) estima que um pouco menos de 30% do crescimento do patrimônio líquido em termos absolutos foi impulsionado por novos investimentos, enquanto cerca de três quartos foi impulsionado por aumentos de preços. Isso é ganhar dinheiro com dinheiro e não com a exploração do poder de trabalho. Portanto, esses ganhos são ou às custas daqueles que vendem com prejuízo; e/ou potencialmente ‘fictícios’ como eventualmente os ganhos não serão realizados se o setor produtivo deve mergulhar.

De acordo com um novo relatório do McKinsey Global Institute, dois terços do patrimônio líquido global (ou seja, o valor de mercado de ativos menos dívida) são armazenados em imóveis e apenas cerca de 20% em outros ativos fixos. Os valores dos ativos (imobiliário e financeiro) são agora quase 50% maiores do que a média de longo prazo em relação à renda global anual. E para cada US$ 1 em novos investimentos líquidos, a economia global criou quase US$ 2 em novas dívidas. Os ativos financeiros e passivos mantidos fora do setor financeiro cresceram muito mais rápido que o PIB, e em média 3,7 vezes o investimento líquido acumulado entre 2000 e 2020. Embora o custo da dívida tenha diminuído acentuadamente em relação ao PIB, graças às taxas de juros mais baixas, os empréstimos elevados ao valor produzido “levantam questões sobre exposição financeira e como o setor financeiro aloca capital para investimento”.

Os preços mais altos dos ativos representaram cerca de três quartos do crescimento do patrimônio líquido entre 2000 e 2021, enquanto os novos investimentos representaram apenas 28%. O valor dos ativos corporativos e do patrimônio líquido divergiu do PIB e dos lucros corporativos na última década. Desde 2011, o total de ativos reais corporativos cresceu como uma média ponderada em 61 pontos percentuais em relação ao PIB nos dez países. Mas os lucros corporativos que sustentam esses valores diminuíram um ponto percentual em relação ao PIB em nível global.

McKinsey está preocupado que esse aumento do nível de especulação em ativos não produtivos financiados por mais dívidas possa se tornar desagradável. “Estimamos que o patrimônio líquido em relação ao PIB poderia diminuir em até um terço se a relação entre riqueza e renda voltasse à sua média durante as três décadas anteriores a 2000. Avaliando cenários que incluem essa reversão do patrimônio líquido ao PIB, uma reversão dos preços da terra e rendimentos de aluguel para os níveis de 2000, e um cenário em que os preços da construção se moveram em linha com o PIB desde 2000, descobrimos que o patrimônio líquido para o PIB por país diminuiria entre 15 e 50% entre os dez países-foco.” Em outras palavras, um colapso financeiro e patrimonial.

Agora, alguns economistas tradicionais têm argumentado que a diferença entre rentabilidade e investimento é enganosa porque as corporações têm investido cada vez mais no que são chamados de “intangíveis”. Os intangíveis são definidos de forma variada como investimento em direitos de propriedade intelectual para software, publicidade e branding, pesquisa de marketing, capital organizacional e treinamento. Esses investimentos não custam quase tanto quanto investir em fábricas, escritórios, plantas, máquinas etc (ativos tangíveis) e ainda assim proporcionam muito mais lucro e produtividade. Ou assim diz o argumento.

Nos últimos 25 anos, McKinsey descobriu que a participação dos intangíveis no crescimento total do investimento corporativo foi de 29% em comparação com apenas 13% em tangíveis. A OCDE informou em 2015 que os ativos intangíveis esperavam retornos de 24%, a maior taxa entre as categorias de ativos produzidos.

Mas aqui está o problema. Apesar de o comércio digital e os fluxos de informação terem crescido exponencialmente nos últimos 20 anos, os intangíveis ainda são apenas 4% do patrimônio líquido. Eles não são decisivos para fornecer maior investimento entre as corporações nas principais economias. Ativos fixos e estoques são seis vezes maiores.

Ainda é o caso de que o que importa é o investimento em ativos produtivos tangíveis. Como diz McKinsey: “Nossa análise confirma que os superávits operacionais brutos, que são o valor gerado pelas atividades operacionais de uma empresa após a subtratação dos salários, aumentam juntamente com um pool crescente de ativos produzidos, que são ativos resultantes da produção, incluindo máquinas e equipamentos e infraestrutura, bem como estoques e valores”. Quanto maior o valor dos ativos produzidos, mais cada trabalhador em uma economia contribui para o PIB, ou seja, maior produtividade do trabalho.

Mas a rentabilidade dos ativos produtivos tangíveis vem caindo. Então, como McKinsey diz: “Se uma empresa investe, digamos, US$ 1 milhão em novas máquinas, o valor de operar essa máquina para produzir um widget vai superar o valor da terra sob a fábrica onde as máquinas se sentam? Se um indivíduo investe em imóveis alugados, alguma melhoria no imóvel para aumentar o aluguel valerá a pena em comparação com simplesmente esperar pela valorização do preço de mercado?” Só por isso, um rugido 2020 não é provável.

Resposta a “O Jair que há em nós”

Um texto vem circulando nas redes petistas desde o ano passado, o texto é assinado pelo professor Ivann Carlos Lago, fonte original aqui , lamentavelmente é um texto real, o professor Ivan Carlos Lago o publicou em seu blog pessoal em 28 de fevereiro de 2020 onde ele se apresenta nos seguintes termos: Ivann Carlos Lago é sociólogo, mestre e doutor em Sociologia Política. É professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Campus Cerro Largo (RS). Atua nas áreas de Teoria Política, Instituições Políticas e Regimes de Governo, Cultura e Comportamento Político, Partidos e Eleições. É professor permanente do Mestrado em Desenvolvimento e Políticas Públicas da UFFS. Possui experiência em Marketing Político e Eleitoral, Planejamento Governamental, Políticas Públicas e Desenvolvimento, tendo atuado com consultorias a diversos órgãos governamentais, partidos políticos e candidatos. Então trata-se de um intelectual respeitado, um intelectual que costuma conviver com políticos mandatários dos mais alto escalão, pessoas muito gabaritadas, alguém com altos graus acadêmicos. Será que seu texto corresponde a esses altos graus acadêmicos?

Resolvemos comentar detalhadamente esse texto pois, nas redes sociais petistas esse texto vem sendo apresentado como de “grande importância” e “profunda sabedoria politica”. Constituindo em um consenso entre aqueles que reivindicam o tal progressismo. Além disso o texto foi publicado também na carta capital, tribuna da praia, constituindo- se em um viral. Diante de tamanha relevância. Queremos comentar a tal sabedoria politica que supostamente esse texto conteria.

O Jair que há em nós

Ivan Carlos Lago

O titulo do texto é um pouco estranho, existiria um “Jair” interno em cada um de nós? Como poderia existir tal Jair? Obvio que a referencia é ao personagem que hoje senta na cadeira de presidente da republica, o texto também lembra a saudação espiritualista “Namastê”, que seria algo como “um deus que existe em mim, saúda um deus que existe em você”. Convicções pessoais a parti, não parece algo que um cientista deveria valer-se em sua analise. O professor Lago continua.

O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro.

https://ivannlago.blogspot.com/2020/02/o-jair-que-ha-em-nos.html

Pois Jair Bolsonaro foi eleito? Bem , quando olhamos a matéria da BBC, podemos vê que existiu uma votação e, aparentemente ele ganhou, então Bolsonaro foi eleito. Contudo, caso recordemos, o processos eleitoral ocorreu após um golpe na presidenta Dilma, um impeachment sem crime de responsabilidade, além disso, é facil lembrar também que Fernando Haddad o oponente de Bolsonaro, era subsituto de Lula, que foi afastado e a história todos nós aqui lembramos. É muito dificil aceitar que o processo eleitoral de 2018 tenha sido, aquilo que poderia ser chamado de uma eleição livre. Eleição Livre com o principal candidato preso e o seu sucessor sendo caluniado impunemente com disparos de mensagens no whatsap? A quem interessa esconder essa realidade?

Capitão do Exército expulso da corporação por organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.

Uma serie de criticas a personalidade da figura deploravel que é Bolsonaro, criticas que ninguem pode divergir, mas ninguem precisou fazer doutorado para compreender quem é Jair Bolsonaro. Por outro lado, é apenas o inicio do texto, sejamos razoaveis, embora exista aqui um certo ranço de um moralismo pequeno burgues. Que fica agarrado as caracteristicas pessoais e esquece que o sistema politico-economico que o pariu, esquece o congresso nacional, as instituições de um judiciario, que apoiou todos os golpes dados no pais até hoje.

Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro.

A materialização não seria um exagero? Como se todas essas características não estivessem presentes em forte concentração em todos os outros poderes públicos, que assim como o presidente gozam de baixíssima aprovação entre os trabalhadores. A pagina do Data Folha relata uma pesquisa de 6 de janeiro de 2022, em que 41 % reprovam o desempenho do congresso nacional. O poder lesgislativo conta com uma merecida impopularidade

No início da atual legislatura, em pesquisa de abril de 2019, o trabalho dos congressistas era melhor avaliado, naquela data: 22% avaliavam como
ótimo ou bom, 41% avaliavam como regular e 32% como ruim ou péssimo.
Voltemos ao professor Lago

Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.

Certamente, mas o que seria a negação da politica? O povo tem toda a razão de ter ódio das instituições da republica, que não serviram nem para protege-lo da pandemia.

Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político,

Esse trecho é importante, porque o professor Ivann Lago esta revindicando a sua experiência acadêmica. Em uma busca na plataforma Lattes achamos o curriculum do professor Lago e realmente seus méritos acadêmicos são invejáveis, precisamos aqui parabeniza-lo, mas esse méritos não conferem ao professor o direito de insultar o povo trabalhador brasileiro. Continuemos….


Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.

Como assim? Então ele não é fruto das instituições golpistas. Não é fruto do poder do agronegócio, que aumentou durante os anos de atraso da reforma agraria, não é fruto da dominação imperialista que nosso povo esta submetido, pois afinal de contas o Brasil é um pais semicolonial agroexportador, ele é fruto do povo brasileiro?! Ele é a expressão acabada do nosso povo trabalhador, aquele que sofre com a desvalorização do salario mínimo, aquele que sofre com o atraso da reforma agraria, com a falta de vacina, com a exploração e a superlotação dos transportes, sem contar a violência policial e o aparato de repressão que já conta com uma das maiores populações carcerárias do Mundo?! Temos um poder judiciário que mantem segundo os dados do ultimo Levantamento Nacional de Informações Penitenciarias um

percentual de presos provisórios (sem uma condenação) manteve-se estável em aproximadamente 33%.

https://www.gov.br/pt-br/noticias/justica-e-seguranca/2020/02/dados-sobre-populacao-carceraria-do-brasil-sao-atualizados

Um preso provisório, é uma pessoa que não teve ainda o acesso a um julgamento, assim não gozou do amplo direito de defesa. E o problema não é novo como pode ser visto aqui. Uma matéria no UOL mostra como é alto o indice de pessoas presas injustamente e sem direito ao devido processo legal. Outro traço do nosso poder judiciario, que mostra como esse poder é injusto, é o que é chamado de indústria do mero aborrecimento, A Teoria do Mero aborrecimento é caracterizada como um mero dissabor do dia a dia, que não é capaz de atingir a esfera personalíssima do Indivíduo e tem sido utilizada de forma banalizada nas fundamentações jurídicas proferidas pelo Poder Judiciário para negar indenizações aos consumidores. Os maiores beneficiários da indústria do Mero aborrecimento são, segundo artigo no JUSBRASIL:

  • 1º LIGHT SERVICOS DE ELETRICIDADE S A
  • 2º BCP S.A. (CLARO, ATL-ALGAR, ATL, TELECOM LESTE S.A)
  • 3º TELEMAR NORTE LESTE S/A (OI – TELEFONIA FIXA)
  • 4º NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA
  • 5º BANCO BRADESCO S/A

Temos portanto um poder judiciario que favorece a grandes empresas e nosso academico resolve atacar o “brasileiro médio“. Voltemos ao texto de Ivan Lago.


Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.

Pesquisa e experiência? Então o professor Lago reivindica, novamente, que esse texto não reflete a opinião pessoal dele, ou mesmo, um momento de desabafo contra vizinhos bolsonaristas, em que todos nós acabamos falando coisas sem uma devida reflexão, coisas que são faladas apenas na hora da raiva, mas que quando nossa racionalidade e ponderação retornam, repensamos. Ele esta reivindicando os seus títulos e sua experiência acadêmica neste texto. E quais seriam então, essas conclusões?


No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência… em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.

Em qual pesquisa nosso cientista achou esses dados? A função de sociologo agora é fazer julgamento moral alheio. O brasileiro é analfabeto? Segundo o IBGE a taxa de analfabetismo vem caindo ver aqui. Segundo a mesma matéria “O Brasil já está quatro anos atrasado em relação ao cumprimento da meta do Plano Nacional de Educação (PNE) de reduzir a taxa de analfabetismo a 6,5% em 2015. O PNE também prevê a erradicação do analfabetismo até 2024…. “. Esse atraso não é culpa do povo, mas das instituições, que sempre tratam com urgência aquilo que é do interesse do patrão , como a recente desoneração da folha de pagamento. Curioso, parece que existem problemas sociais graves no Brasil, enquanto nosso acadêmico fica fazendo julgamento moral, não deveria estar gastando melhor o seu tempo e pensando estratégias para resolver o problema? Afinal é isso que se espera de um intelectual da mais alta competência e capacidade como é o caso do professor Lago.


Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento.

Realmente este trecho é uma perola. Então o capitalismo é um modo de produção que até se esforça para civilizar as pessoas, mas a cultura popular é muito arraigada. Poderíamos chamar isso de elitismo barato? A realidade é muito diferente, bom pesquisador, reivindicamos aqui o trabalho da sua colega a professora Fabiana Junqueira-Caipiras Uni-vos-. Achamos que ela tem bastante a ensinar a todos nós.


O machismo foi tornado crime, o que lhe reduz as manifestações públicas e abertas. Mas ele sobrevive no imaginário da população, no cotidiano da vida privada, nas relações afetivas e nos ambientes de trabalho, nas redes sociais, nos grupos de whatsapp, nas piadas diárias, nos comentários entre os amigos “de confiança”, nos pequenos grupos onde há certa garantia de que ninguém irá denunciá-lo.

Serio mesmo! Gostariamos muito de mudar essa frase do nosso caro intelectual para algo mais util. Vamos sugerir a ele algumas mudanças.

Espalhar lixo tóxico foi tornado crime, mesmo assim a CSN mantem uma montanha de lixo tóxico a céu aberto as margens do Rio Paraíba do Sul, ameaçando milhões de pessoas. A CSN já foi notificada, foi feito um termo de ajuste de conduta, mas não ocorreu mudança alguma. Assim, uma empresa privada, continua lucrando as custas da saúde da população. Ver a noticia original aqui

Agora ficou mais útil, o português pode não ter ficado muito rebuscado, mas certamente atacar o “brasileiro médio” é menos perigoso e confere a nosso intelectual “tapinhas nas costas” nos eventos em que ele participa, o que provavelmente não aconteceria caso ele postasse uma matéria mostrando crimes ambientais da CSN ou da Vale ou de qualquer outra empresa. Em geral, os que fazem isso são marginalizados e estigmatizados.


O mesmo ocorre com o racismo, com o preconceito em relação aos pobres, aos nordestinos, aos homossexuais. Proibido de se manifestar, ele sobrevive internalizado, reprimido não por convicção decorrente de mudança cultural, mas por medo do flagrante que pode levar a punição. É por isso que o politicamente correto, por aqui, nunca foi expressão de conscientização, mas algo mal visto por “tolher a naturalidade do cotidiano”.

O importante é mudar a cultura, mas as empresas privadas, podem continuar lucrando as custas do povo. Enquanto nosso intelectual ataca o povo trabalhador, fazendo pose de politicamente correto.

Hoje em dia os intelectuais de esquerda não pensam em outra coisa que não seja a cultura, mas nem sempre foi assim. Como podemos vê aqui, intelectuais tinham preocupações como o crescimento das forças produtivas. Um exemplo é o Discurso sobre o tumulo de Marx , onde Engels explica qual foi a contribuição de Marx para a ciência

Marx descobriu a lei do desenvolvimento da história humana: um fato tão simples, mas escondido debaixo do lixo ideológico, de que o homem necessita, em primeiro lugar, comer, beber, ter um teto e vestir-se antes de poder fazer política, ciência, arte, religião, etc.; que, então, a produção dos meios imediatos de vida, materiais e, por conseguinte, a correspondente fase de desenvolvimento econômico de um povo ou de uma época é a base a partir da qual tem se desenvolvido as instituições políticas, as concepções jurídicas, as ideias artísticas e, até mesmo as ideias religiosas dos homens e de acordo com a qual, então, devem ser explicadas, e não ao contrário, como até então se vinha fazendo. Mas, não é só isto. Marx descobriu também a lei específica que move o atual modo de produção capitalista e a sociedade burguesa criada por ele. A descoberta da mais-valia, imediatamente, clareou estes problemas, enquanto todas as investigações prévias, tanto dos economistas burgueses quanto dos socialistas críticos, haviam vagado na escuridão.

https://www.marxismo.org.br/discurso-de-engels-diante-do-tumulo-de-marx/

Parece que nossa intelectualidade mudou muito os seus métodos. O que teria acontecido? Qual seria o motivo do abandono do metodo que investiga as condições objetivas de sobrevida do povo, por esse subjetivismo obscurantista?

Novamente retomamos o texto de Ivann Lago


Se houve avanços – e eles são, sim, reais – nas relações de gênero, na inclusão de negros e homossexuais, foi menos por superação cultural do preconceito do que pela pressão exercida pelos instrumentos jurídicos e policiais.

O nosso judiciário, que não consegue fazer nada contra a CSN , que cria a indústria do mero aborrecimento é uma força progressista, mais avançada do que a maioria da população, que tem uma cultura atrasada. Segundo o nosso acadêmico. Realmente, caso um texto desses caia na mão de um trabalhador, ele terá todos os motivos de ter ódio da ciência e lançar sua ira contra os cientistas e imediatamente apoiar o obscurantismo(digo obscurantismo de direita) e o pior, é que terá toda a razão. Afinal de contas a universidade publica, é inacessível para a grande maioria da população, mas como podemos vê os membros dos corpos acadêmicos, além de não cumprirem com o seu papel de proporem soluções para problemas reais, preferem atacar a “cultura popular” e negligenciarem as condições reais de existência as quais o povo esta confrontado.


Mas, como sempre ocorre quando um sentimento humano é reprimido, ele é armazenado de algum modo. Ele se acumula, infla e, um dia, encontrará um modo de extravasar. (…)

Sem duvida e o sentimento humano da maioria da população trabalhadora contra esse tipo de intelectual , é certamente muito negativo. Certamente, esse intelectual que vê uma força progressista no aparato repressor , é merecedor do mesmo desprezo que nosso povo têm pelo congresso nacional.


Foi algo parecido que aconteceu com o “brasileiro médio”, com todos os seus preconceitos reprimidos e, a duras penas, escondidos, que viu em um candidato a Presidência da República essa possibilidade de extravasamento.

Entendemos! Não foi o golpe na Dilma, os anos de perseguição ao PT e nem a prisão do Lula. Muito menos o silencio da direção petista contra a perseguição, direção que nunca deixou de saudar o Estado supostamente democrático , que tanto perseguiu e persegue o PT. Não foi o silencio cúmplice do golpe, cumplicidade por omissão, mas em muitas vezes cumplicidade ativa também , aquela cumplicidade que legitima as ações golpistas.

Eis que ele tinha a possibilidade de escolher, como seu representante e líder máximo do país, alguém que podia ser e dizer tudo o que ele também pensa, mas que não pode expressar por ser um “cidadão comum”.

Afinal de contas as eleições são livres, não vale o poder economico, não existiu as mensagens de whatsap com a estrutura bancada pelo Steve Bannon. Jogar a culpa no povo é mais facil do que encarar a realidade.

Agora esse “cidadão comum” tem voz. Ele de fato se sente representado pelo Presidente que ofende as mulheres, os homossexuais, os índios, os nordestinos. Ele tem a sensação de estar pessoalmente no poder quando vê o líder máximo da nação usar palavreado vulgar, frases mal formuladas, palavrões e ofensas para atacar quem pensa diferente.

O surpreendente neste texto, é a quantidade de gente que reivindica a esquerda , que concorda com ele. O que coloca a sincera pergunta, sera que esses esquerdistas, são assim tão favoráveis ao povo mesmo?

Ele se sente importante quando seu “mito” enaltece a ignorância, a falta de conhecimento, o senso comum e a violência verbal para difamar os cientistas, os professores, os artistas, os intelectuais, pois eles representam uma forma de ver o mundo que sua própria ignorância não permite compreender.

Muito bom! Ao inves de combater a ignorancia, ensinando o povo, mostrando o outro lado, vamos acusa-lo. Muito bonito isso! Parece um texto do Coronel Siqueira, um personagem ficticio de direita que tem dificuldade de entender a realidade.


Esse cidadão se vê empoderado quando as lideranças políticas que ele elegeu negam os problemas ambientais, pois eles são anunciados por cientistas que ele próprio vê como inúteis e contrários às suas crenças religiosas.

O seu texto prova que o cidadão tem razão! Além disso, é difícil ver um cientista associar o aquecimento global a crise de superprodução do capitalismo. Em geral os cientistas fazem coro com as posições da ONU que jogam a culpa no povo. Como faz nosso doutor Em sociologia, mas nem todos os cientistas são assim. Recentemente a Revista Ciência dos trabalhadores demonstrou com fontes , fatos e dados a relação intrínseca da crise de superprodução do capitalismo e o aquecimento global, um dos trabalhos citados foi o livro do biologo Rob Wallace, que demonstra a intima relação entre agronegócio e a produção de patógenos(virus e bactérias), que teriam a capacidade de gerar pandemias.

Sente um prazer profundo quando seu governante maior faz acusações moralistas contra desafetos, e quando prega a morte de “bandidos” e a destruição de todos os opositores.

E essas suas acusações contra o “brasileiro médio”, não sao moralistas?


Ao assistir o show de horrores diário produzido pelo “mito”, esse cidadão não é tocado pela aversão, pela vergonha alheia ou pela rejeição do que vê. Ao contrário, ele sente aflorar em si mesmo o Jair que vive dentro de cada um, que fala exatamente aquilo que ele próprio gostaria de dizer, que extravasa sua versão reprimida e escondida no submundo do seu eu mais profundo e mais verdadeiro.


O desesperador é a quantidade de gente dita de esquerda que compartilha esse lixo!

O “brasileiro médio” não entende patavinas do sistema democrático e de como ele funciona, da independência e autonomia entre os poderes, da necessidade de isonomia do judiciário, da importância dos partidos políticos e do debate de ideias e projetos que é responsabilidade do Congresso Nacional.

O que o brasileiro médio entende, é que, legalmente o valor do salario mínimo é muito menor do que sua definição formal e não atende as necessidades definidas na própria lei, criada por essas instituições, mas o Estado não é obrigado a cumprir a lei e pagar o salario mínimo do dieese. Agora o trabalhador , quando desobedece a lei vai preso ! Como vimos acima! E este senhor, dotado de tantos títulos, de tanta pompa e tantos diplomas, este senhor tem a audácia de vir criticar o povo trabalhador, apresentar as instituições patronais, como o suprassumo da democracia enquanto o problema é o povo inculto ! A comunidade acadêmica deveria sentir nojo! Mas infelizmente, essa sim, bate palma para este tipo de texto e ainda tem um sentimento de superioridade intelectual contra a maioria do povo, que não aceita defender, quem nunca o defendeu.

É essa ignorância política que lhe faz ter orgasmos quando o Presidente incentiva ataques ao Parlamento e ao STF, instâncias vistas pelo “cidadão comum” como lentas, burocráticas, corrompidas e desnecessárias.

A então elas são vistas pelo cidadão e não fazem por merecer! Elas não são lentas, burocraticas, corrompidas e desnecessarias? A quem serviu a reforma trabalhista? A quem serviu a lei do teto dos gastos? Isso tudo caiu do ceu?

Destruí-las, portanto, em sua visão, não é ameaçar todo o sistema democrático, mas condição necessária para fazê-lo funcionar.

O nome disso é revolução! Existe um intelectual chamado Karl Marx que defendeu, que o povo fizesse exatamente isso que você esta condenando!


Esse brasileiro não vai pra rua para defender um governante lunático e medíocre; ele vai gritar para que sua própria mediocridade seja reconhecida e valorizada, e para sentir-se acolhido por outros lunáticos e medíocres que formam um exército de fantoches cuja força dá sustentação ao governo que o representa.

Parece que “esse brasileiro” deveria ter algum tipo de gratidão, pelas instituições da republica. Que não fazem nada por ele.


O “brasileiro médio” gosta de hierarquia, ama a autoridade e a família patriarcal, condena a homossexualidade, vê mulheres, negros e índios como inferiores e menos capazes, tem nojo de pobre, embora seja incapaz de perceber que é tão pobre quanto os que condena.

Seria o nosso querido intelectual, ele mesmo, um “brasileiro médio”? Pois a necessidade dele agredir o povo é algo quase psicológico. Por um acaso o professor Lago estaria se olhando no espelho e vendo o proprio elitismo tacanho e projetando sobre o povo trabalhador?

Vê a pobreza e o desemprego dos outros como falta de fibra moral, mas percebe a própria miséria e falta de dinheiro como culpa dos outros e falta de oportunidade. Exige do governo benefícios de toda ordem que a lei lhe assegura, mas acha absurdo quando outros, principalmente mais pobres, têm o mesmo benefício.

E também acusa o brasileiro médio de ter uma cultura atrasada e cobra deste mesmo brasileiro médio, gratidão pelas benesses recebidas pelas instituições patronais.


Poucas vezes na nossa história o povo brasileiro esteve tão bem representado por seus governantes. Por isso não basta perguntar como é possível que um Presidente da República consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço da população. A questão a ser respondida é: como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados por tal governo?

Também emendaremos esse final de texto do professor Lago, para representar a nossa avaliação sobre o mesmo. Vejamos como fica:

Poucas vezes na nossa história a intelectualidade brasileiro esteve tão bem representado por um pesquisador. Por isso não basta perguntar como é possível que um professor consiga ser tão indigno do cargo e ainda assim manter o apoio incondicional de um terço daqueles que reivindicam a esquerda. A questão a ser respondida é: como milhões de brasileiros mantêm vivos padrões tão altos de mediocridade, intolerância, preconceito e falta de senso crítico ao ponto de sentirem-se representados pelo texto de um intelectual elitista?

Ivann Lago
Professor e Doutor em Sociologia Política

Por fim após a penosa tarefa de resenha deste texto, que lamentavelmente hoje conta com o apoio de uma enorme quantidade de pessoas ditas de esquerda. Que mostram um elitismo e moralismo muito parecido com o Bolsonarismo. Seria interessante trazer aqui algumas citações de um velho Revolucionario, Leon Trotsky, que parecem caber perfeitamente para os nosso professor doutor.

Existe um aforismo liberal-evolucionista: cada povo tem o governo que merece. A História, no entanto, demonstra que um mesmo povo pode ter, no transcurso de uma época relativamente curta, diferentes governos (Rússia, Itália, Alemanha, Espanha etc.) e, ainda mais, que a ordem destes governos não segue absolutamente na mesma direção do estadismo à liberdade, como imaginavam os liberal-evolucionistas. O segredo está em que um povo é formado por classes hostis entre si e estas, por sua vez, por camadas diferentes e por vezes antagônicas, cada uma sob uma direção diferente. Além disso, cada povo sofre a influência de outros povos que também são formados por classes. Os governos exprimem a “maturidade” em desenvolvimento de um povo, mas são o produto da luta das diferentes classes e das diferentes camadas dentro de uma mesma classe e, por último, o produto da ação das forças externas (alianças, conflitos, guerras etc.). Deve-se acrescentar a isto quer um governo, uma vez tendo estabelecido, pode durar muito mais que as relações de força que o produziram. É precisamente desta contradição histórica que surgem as revoluções, os golpes de Estado, as contra-revoluções etc.

https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1940/08/classe.htm

Trotsky , um velho revolucionário que realmente tem muito a ensinar, enfrentou “sábios” como esse professor doutor e tirou as conclusões acerca desses sabios, que apoderam-se de cargos acadêmicos e usam suas láureas para caluniar o povo trabalhador. Trotsky, frente a sábios deste tipo, na revolução Espanhola escreveu o trecho abaixo, que curiosamente parece servir como uma luva para os dias atuais.

A falsidade histórica consiste em descarregar a responsabilidade da derrota das massas espanholas sobre as próprias massas e não nos partidos que paralisaram ou ingenuamente esmagaram o movimento revolucionário das massas. Os representantes do POUM simplesmente negam a responsabilidade dos dirigentes para não assumir sua própria responsabilidade. Essas filosofia impotente que procura resignar-se diante das derrotas, como um elo necessário na cadeia da evolução cósmica, é completamente incapaz de reconhecer – e se nega a fazê-lo – que fatores concretos, tais como programas, partidos e personalidades, foram os organizadores da derrota. Esta filosofia do fatalismo e da depressão é diametralmente oposta ao marxismo como teoria da ação revolucionária.

Leon Trotsky- Classe, partido e Direção

Como encerramento, deste triste texto, vamos aqui contradizer Ivann Lago, que não mostrou nenhuma prova do que defendia, alias como mostrar prova de um conceito subjetivo? Vamos mostrar aqui uma situação muito interessante, como o povo trabalhador, ainda que confrontado com as situações mais difíceis, nem sempre perde a sensibilidade. Vejam o video abaixo:

https://www.facebook.com/plugins/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fpermalink.php%3Fstory_fbid%3D140402168405717%26id%3D108822474897020&show_text=false&width=500

Entrevista com a historiadora Fabiana Junqueira autora do livro “Caipiras Uni-vos!”

A Revista Ciência dos Trabalhadores tem o prazer de conversar com a historiadora Fabiana Junqueira, Graduada e Mestre em História pela UNIFESP e Doutoranda em História na UNICAMP. A professora Fabiana Junqueira estuda as organização sindical da classe operaria brasileira. Recentemente professora Fabiana publicou o interessante livro Caipiras Uni-vos uma breve historia da classe operaria no século XX, que nós recomendamos fortemente a leitura. Ciência dos Trabalhadores não poderia ficar de fora deste debate e da divulgação deste livro. Nós acreditamos que uma biblioteca não é um luxo, mas uma necessidade e necessário também é o livro da professora Fabiana, que recupera momentos do movimento operário brasileiro, aparentemente esquecidos, o livro de Fabiana é certamente uma contribuição para a ciência dos trabalhadores afinal de contas:

A emancipação dos trabalhadores é hoje e a cada dia mais, a ultima esperança da humanidade frente a barbárie capitalista. Contudo, a emancipação dos trabalhadores não pode ocorrer sem uma ciência dos trabalhadores , sem entender os seus dias , sem confrontar a teoria marxista , que é a teoria operária com a realidade da classe trabalhadora. Este é o objetivo de Ciência Operária. Existem sim uma ciência Operária , mas essa ciência precisa ser construída e hoje , como no passado a ciência dos trabalhadores é condição necessária para sua emancipação .

https://cienciadostrabalhadorespt.com/about/

Esperamos, com essa entrevista, ajudar na divulgação das importantes lições que professora Fabiana tem a nos ensinar, esperamos que essa seja apenas a primeira de muitas outras colaborações.

Entrevista com a professora Fabiana Junqueira

C&T: O título do seu livro é bastante provocativo, fazendo alusão a frase de encerramento do manifesto do partido comunista “Trabalhadores, Uni-Vos”, pois o manifesto chama uma união internacional e você estuda o movimento operário circunscrito a região de Piracicaba. Que particularidades você encontrou nas reivindicações dos trabalhadores Piracicabanos? 

Fabiana: A história do movimento operário é uma história de lutas coletivas. A ideia central do livro é também retratar como os trabalhadores de Piracicaba se uniram aos de outras cidades e estados na busca por melhorias e direitos no mundo do trabalho. No entanto, é claro que esse passado também foi marcado por singularidades regionais. Creio que, em Piracicaba, houve uma conexão bastante importante entre o movimento dos trabalhadores da lavoura e o dos operários das fábricas. Isso porque, a cidade teve na cana-de-açúcar, um importante sustentáculo econômico, ao longo de todo o século XX – e até mesmo antes. Portanto, a luta da classe trabalhadora aqui envolveu questões do campo e da cidade, mais do que em outros municípios, como é o caso dos grandes aglomerados urbanos, como São Paulo.  

C&T: O Dieese tem um gráfico mostrando a evolução do salário-mínimo, desde sua criação até os dias atuais. O gráfico mostra um grande vale nos governos FHC. Como foi esse período de fim de século em Piracicaba? 

Fabiana: no último capítulo do livro apresento o depoimento de um sindicalista que viveu esse fim do século em Piracicaba. De fato, na década de 1990, os trabalhadores sofreram – como aliás durante todo o século XX – com os baixos salários e com a carestia de vida. No livro, eu pergunto para um operário o que ele pensa sobre o movimento operário e sindical da atualidade. Na resposta – fazendo um spoiler da obra – ele diz que as condições de luta hoje são bem mais difíceis do que durante a Ditadura Militar. Isso porque, ainda de acordo com a resposta dele, os governos das décadas de 1990 “acabaram com os direitos” dos trabalhadores. Creio que a percepção desse trabalhador, ainda que seja uma análise pessoal, reflete a sensação de muitas outras lideranças sobre essa época e, por si, já responde a sua pergunta. 

C&T: Como os fenômenos do século xx repercutiram nas organizações operárias em Piracicaba, em especial aqueles que desembocaram na constituição do PT e da CUT? 

Fabiana: Na década de 1980, a luta do movimento operário deixou de ser pelo fim da Ditadura, que durou até 1985, e começou a ser travada dentro da democracia. Esse fato, permitiu um maior poder de mobilização da classe trabalhadora, e, eu diria, que permitiu que, organizações como o PT e a CUT, crescessem nessa época. Em 1988 o PT conquistou a prefeitura de São Paulo, Santos, Porto Alegre, Vitória além de 33 outras cidades. Não por acaso, Piracicaba elegeu duas vezes um prefeito pelo Partido dos Trabalhadores durante o final da década de 1980 e o final dos anos 1990. O José Machado.

C&T: Você consegue notar efeitos da automação na vida dos trabalhadores e na sua forma de organização? 

Fabiana: Desde a Revolução Industrial, eu diria que até antes disso, o trabalhador teve de lidar com “eficiência” da máquina, isso não é um fenômeno atual. E durante todo o século XX, a mecanização não impediu que os operários desenvolvessem sua consciência de classe e lutassem não apenas por direitos trabalhistas nesse “mundo moderno”, mas também por direitos civis. 

C&T: Um tema caro para nós em C&T é a questão da perseguição política, como foi a luta contra a perseguição política e pelo direito a auto-organização? Como eram combatidas as ações antisíndicas? 

Fabiana: Ao longo de todo o século XX os trabalhadores precisaram lidar com diferentes formas de perseguições. Em 1919, a greve operária dos trabalhadores do Engenho Central e da fábrica Arethusina (antigo nome da fábrica Boyes) em Piracicaba, pelas 08 horas de trabalho, foi noticiada pela imprensa piracicabana como parte de uma malévolo “Plano Bolchevista” para saquear a cidade. Os líderes da Liga Operária foram duramente perseguidos e presos. Na Ditadura Militar, vários outros sindicalistas do município foram presos ou chamados para depor no DEOPS. Isso foi recorrente durante todo o século…os operários nunca deixaram de se organizar ou lutar por melhorias, mas sofreram recorrentemente com perseguições no município e em todo o país.  

C&T: Frente a enorme crise de decomposição do capitalismo, você acredita que é possível a existência de Estados democráticos de direito em algum lugar do mundo?

Fabiana: Penso que o único caminho é pela democracia…

C&T: O congresso nacional e as instituições procederam uma grande quantidade de emendas à constituição, muitas dessas revogaram direitos trabalhistas, conduzindo uma verdadeira desvalorização da mão de obra, você acha que existe hoje um tipo de “ilusões constitucionalistas” nas organizações operarias? 

Fabiana:  Os operários brasileiros aprenderam sabiamente a utilizar as instituições – entre elas, a Justiça do Trabalho – para alcançar os seus direitos. Isso não significa que eles estivessem sempre atuando dentro do que era permitido por lei ou pelo governo. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, faltar no serviço poderia constituir em crime de deserção, assim como fomentar greves nos locais de trabalho, nesses casos, os operários que trabalhavam nas indústrias da “defesa nacional” poderiam ser punidos com prisão, que variava de dois a seis anos! Bem, as greves não deixaram de ocorrer nessa época…Portanto, não acredito que há uma “ilusão constitucionalista” na história das organizações operárias brasileiras… 

C&T: Nem mesmo no pós golpe 2016? Veja que o tempo todo as direções afirmavam que Dilma não cairia e em 2018, que Lula não seria preso, mas Dilma caiu e Lula foi preso. Nessas circunstancias podemos dizer que existe Estado democrático de direito?

C&T: Defender que o caminho pela democracia é parte da luta da classe operaria, defender direitos ditos democráticos , como o próprio direito a auto-organização é parte do programa que essas organizações cristalizam. Contudo, vivemos tempos em que golpes multiplicam-se pelos países semicoloniais, mesmo nos países imperialista existe uma brutal repressão as organizações dos trabalhadores. A nossa pergunta é; Concretamente dadas as atuais condições econômicas, que indicam uma profunda depressão do modo de produção capitalista, na verdade a depressão mais longa da história , esse modo de produção ainda é capaz de conviver com a democracia?

Fabiane Junqueira

bem, o livro trata da história da classe trabalhadora durante o século XX e eu reconheço no livro que me faltam dados de pesquisa para uma análise dos tempos recentes da história do Brasil. Todavia, penso  que temos pouco tempo de experiência democrática no país. O breve período entre 1945 e 1964 também foi interrompido por um Golpe. Tanto no intervalo democrático (1945-1964) quanto na Nova República Democrática (1985-2022), tivemos violações dos direitos da classe operária, que teve, sempre, que manter-se vigilante para que as conquistas contidas na constituição fossem cumpridas. Quando analisei os processos trabalhistas da década de 1960, percebi que algumas estruturas que haviam sido criadas para a contenção dos trabalhadores, como, por exemplo, a Justiça do Trabalho, foram inteligentemente manipuladas pelos operários. Nessa direção, não acredito que via institucional anulou outras formas de mobilização operária, assim como percebo que a via institucional, foi relevante no processo de construção identitária dos trabalhadores brasileiros. A regulamentação da Justiça do Trabalho, em 1940, e o advento da Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943, também foram importantes no sentido de possibilitar que os operários se livrassem de uma suposta dívida de lealdade com os seus patrões, sempre vistos como responsáveis pelo seu bem-estar, e operassem, via institucional, por melhorias no mundo das fábricas. A história da democracia, portanto, é uma história de conflitos, assim como a Lei é um campo de batalhas…tanto ontem quanto hoje. Creio que respondi, ou ao menos tentei, responder suas duas perguntas. 

O problema dos preços altos e a greve dos petroleiros

Enquanto os filhos da burguesia abrem os seus presentes de natal, as burocracias partidárias e sindicais começam os planos para a eleição do ano que vem e a intelectualidade anuncia suas posições de voto antecipadas, com a arrogância de quem acredita ter algo a ensinar. Entre aqueles que vivem de vender a sua força de trabalho, a discussão é bem diferente. O novo valor do salario Mínimo, a alta dos preços e o desemprego são as principais preocupações.

Desemprego

O Site da CUT, em uma matéria datada de 22 de novembro, nos fornece alguns dados sobre desemprego

A taxa de desemprego no Brasil, de 13,2%, que atinge 13,7 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a quarta maior em uma lista que reúne as 44 principais economias do mundo, de acordo com estudo realizado pela agência de classificação de risco Austin Ratingm segundo reportagem publicada no UOL.

https://www.cut.org.br/noticias/desemprego-no-brasil-e-o-4-mais-alto-entre-as-44-maiores-economias-do-mundo-52ce

O Brasil figura em uma posição desconfortável, acompanhada de outras regiões importantes como a “civilizada” Zona do Euro , que esta em decimo segundo com 7,5% de desemprego no momento. Uma matéria de Sergio Nobre atual presidente da CUT faz um balanço do ano, como sempre um balanço com tons róseos,

Após um 1º de Maio histórico, voltamos às ruas com todos os cuidados exigidos para não contrair nem disseminar Covid-19, e juntamente com  os movimentos populares, partidos progressistas e atores da sociedade passamos a realizar mobilizações e a ocupar as ruas, em defesa da vida, da vacina, conta a fome, pelo retorno  do Auxílio Emergencial de R$ 600,00, pela proteção dos empregos e salários, contra a carestia, contra as privatizações, contra a PEC 32 e, principalmente pelo  Fora Bolsonaro, como parte da campanha  puxada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Nobre faz apologia da falaciosa campanha do “Fora Bolsonaro”, que nunca passou, na melhor das hipóteses, de uma boia de salvação para as instituições caso precisassem de um bode expiatório, e que inocenta essas mesmas instituições da responsabilidade das ações politicas, que desde o golpe nos levaram a situação que Nobre descreve

O Brasil enfrenta desemprego recorde e uma precarização sem precedentes, desde 2017, cenário que foi agravado pelo governo Bolsonaro. Segundo o IBGE (Pnad, novembro de 2021), há no país 177 milhões de pessoas em idade de trabalhar (com 14 anos ou mais), dos quais 93 milhões estavam ocupadas e 13,5 milhões desempregadas. Se considerada toda a mão de obra ainda subutilizada, está faltando trabalho para 30,743 milhões de brasileiros.

e completa

São dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras fora da força de trabalho. Os empregos gerados neste ano são em sua maioria informais, de baixa remuneração e precários.

O presidente da maior central sindical do pais e uma das maiores do mundo encerra o seu texto sem nenhuma proposta politica concreta nenhuma revindicação apenas saudando a candidatura Lula à presidencia da republica.

Lula provou sua inocência. Na Justiça, o ex-presidente conquistou 22 vitórias até agora. Lula é inocente. Lula voltou a ser elegível, poderá disputar a presidência em 2022. Lula, como em 2018, lidera todas as pesquisas de intenção de voto. Vence todos os demais pré-candidatos no primeiro e segundo turnos. Enquanto seu principal adversário em 2022 é visto como pária mundial e renegado pelas principais lideranças mundo afora, Lula é recebido como estadista.

Que venha 2022, estaremos atentos e fortes.

Talvez não tão atentos – a alta dos preços

As discussões para definir o novo valor do salario mínimo caminham para uma conclusão com a divulgação do IPCA em janeiro.

Fonte : Clube dos Poupadores

O grafico do IPCA acima no pós golpe 2016, mostra uma enorme queda no índice, que é devida a um tremenda repressão ao consumo da classe trabalhadora (ver aqui). Neste artigo do EL Pais, data de 07 de março de 2017, os economistas viam a retomada da economia se aproximando, retomada que nunca chegou(veja aqui matéria no site do PCdoB).

Isso tudo teve impacto nos salários

Neste gráfico temos no eixo das horizontal os anos deste de 2011 e no eixo vertical valores em reais. A linha azul representa o salario mínimo pago aos trabalhadores e a linha vermelha o Salario Mínimo do Dieese , que é calculado pelo Dieese, baseado nos itens que um salario mínimo deveria ser capaz de comprar para uma família de 4 pessoas , definidos na origem do salario minimo ver aqui.
Composição do gráfico Comite Editorial Ciência dos Trabalhadores com base em dados do DIEESE

É notável o salto do salario mínimo do Dieese entre 2014 e 2016, representando o ambiente do golpe de Estado que derrubou Dilma e a estagnação do salario minimo pago aos trabalhadores, seguindo de uma estagnação do salario minimo do dieese, entre 2016 e 2018, estagnação em um patamar alto frente ao salario mínimo real, a partir de 2018 o salario minimo do DIEESE salta novamente,, resultado um ataque especulativo que o pais sofreu e a desvalorização da moeda representada por diversos motivos:

  • A Crise cambial

Em virtude do cambio flutuante e a piora nas condições da economia mundial o real passou por uma enorme depreciação frente ao dólar ver aqui e aqui uma matéria da Deuche Welle que mostra que a crise cambial era anterior a pandemia.

  • Fuga de capitais

Aqui dados da fuga de capitais no Brasil. Ambos os problemas poderiam ser resolvidos centralizando o cambio e ditando a taxa de cotação do real frente o dolar. Contudo, não vemos nenhuma discussão no programa do PT para centralizar o cambio. Até porque mexer na regra do cambio, além de ferir a sagrada escritura do tripé macroeconomico (meta de inflação, cambio flutuante e austeridade das contas publicas), também feriria os interesses do dito centrão, que é associado ao setor agroexportador, que esta feliz com o real desvalorizado, enquanto vê suas exportações batendo recorde e a população brasileira passa fome. O Centrão não pode ser magoado, pois é este setor no parlamento que garante a governabilidade e todos queremos que, um futuro governo Lula, que eventualmente, caso não exista nenhum outro golpe, tomara posse no distante primeiro de janeiro de 2023, tenha condições de governabilidade, não queremos?

Petroleiros ameaçam greve

Apesar dessa saudação impotente de Sergio Nobre e incapacidade das direções dos trabalhadores defenderem a classe operaria do golpe , é o próprio site da CUT que anuncia que os petroleiros entraram em Estado de Greve . A pauta da greve é contra o desmonte da Petrobras que é representado no site da CUT pelo grafico do DIEESE que reproduzimos abaixo.

Matéria no site da FUP explica o que são esses ativos

 privatização da primeira refinaria da Petrobras, a Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, que foi entregue ao fundo Mubadala, por US$ 1,65 bilhão, praticamente metade do valor de mercado estimado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Após a privatização, a nova contraladora da unidade suspendeu o fornecimento de óleo bunker para as embarcações matítimas da região.

Também em 2021, foram assinados os contratos para venda da Refinaria Isaac Sabbá (REMAN), no Amazonas, e da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná, ambos os processos com valores subestimados e cercados por denúncias de irregularidades. 

https://fup.org.br/petroleiros-responderao-com-greve-se-projeto-de-privatizacao-da-petrobras-avancar/

O IPCA de novembro é (Indice de Preços ao consumidor ) chega ao seu ponto mais alto em muitos anos

Fonte Soma Investimentos

segundo o Soma Investimentos

 a alta no indicador se deveu a um forte aumento nos preços ao atacado (de 40,1% nos 12 meses até fevereiro deste ano, sendo que no mesmo período do ano anterior, a variação acumulada em 12 meses era de 6,8%). A depreciação cambial, acompanhada por um aumento nos preços de commodities – tais como minério de ferro e soja – explica, em grande medida, a elevação do índice de preços.

https://www.sommainvestimentos.com.br/inflacao-medida-pelo-ipca-deve-encerrar-2021-proxima-ao-teto-da-meta/

A atual gestão da Petrobrás vem praticando preços internacionais, o famoso PPI-Paridade com os preços internacionais- e simultaneamente entregando os recursos da Petrobrás para a privatização, deixando os trabalhadores e a nação desprotegidos.

A consequência da Paridade de Preços Internacionais

IFC preço do barril do petróleo em tempo real

Como podemos ver no gráfico acima, o PT conviveu com preços do barril de petróleo bem mais altos , e a inflação não estava tão alta , então essa pratica de Paridade com os preços internacionais é mais uma sabotagem do golpe de Estado, que leva ao aumento de preços internos e a submissão da classe operaria. Uma das muitas medidas que precisa urgentemente ser anulada.

Uma greve que pode transbordar

Como vimos os ataques golpistas à Petrobras estão no centro de toda a degradação da qualidade de vida da classe trabalhadora, uma greve em defesa da Petrobrás pode vir em bom momento para desbloquear a situação e reabrir o debate acerca do golpe, debate que foi fechado pelo charlatanismo que vende esperanças em um processo eleitoral mais que viciado. A luta contra o golpe, tornou-se uma luta, não em defesa da classe trabalhadora, mas uma luta para que as direções das organizações operarias pudessem voltar a sua posição anterior de conciliação com a burguesia imperialista. Contudo, a classe trabalhadora tem o costume de jogar planos da burguesia imperialista e dos seus agentes no movimento operário de agua abaixo. Obrigando que essas direções tomem posições mais claras contra o imperialismo. Essa greve pode realmente gerar um transbordamento e ser o evento politico mais importante do inicio do ano, dentro das fronteiras do pais. Por isso ela deve contar com todo o apoio.